06/12: Agora sim, o meio do ano

 No começo de junho meu instagram foi assaltado por gente que não sabe fazer conta rs... galera falando que metade do ano já tinha pensando, e eu fiquei só a Nazaré. Mas é isso, gente, agora sim, com junho definitivamente despachado, podemos falar que metade do ano já passou. E posso dizer, que entre erros, acertos, dores e delícias, essa metade de ano aí foi bem da boa. Não posso reclamar. Mas não vou ficar fazendo balanço de meio de ano que haja paciência rs.. vamos focar em junho. 


Recebi três amigas em casa, em três momentos diferentes de junho. E se por um lado a casa cheia tem hora que fica caótica, por outro foi DEMAIS porque eu amo receber, amo estar com minhas amigas, e assim... foram amigas queridas queridíssimas, e eu tava com muitas saudades. E além da delícia, da fofocaiada, do blablabla sem fim, das risada e das histórias, a gente aproveita pra turistar onde mora, e também nas adjacências. E Zurich deu show: o verão aqui ta pegando fogo, e em junho deu muito lago, muito rio, muito tudo! Eu sempre faço piada da ironia que é, quem sempre sonhou em ter uma vida de praia, ter encontrado justamente na Suíça, um país sem saída pro mar. Mas olha... eu não tenho mesmo do que reclamar. Verão na Suíça é 10/10. 

Aproveitando uma das visitas, fomos pra Colmar, na França, cidade que amo e que fica pertinho daqui

My people

Verãozão em Zurich

Sandália, café, Carlito, chão bonito... muitas coisas agradáveis numa foto só

Pink sunset


E como sempre, quem vê close, não vê corre. Eu normalmente abro esses posts falando dos passeios porque é a parte mais feliz e fotogênica. Mas entre um passeio e outro, uma foto e outra, tem muito trabalho. E se não tenho muita novidade além do "trabalhei muito" de sempre, teve um negócio legal que achei válido registrar. Recebi uma avaliação muito positiva no trabalho, e entre um monte de coisa bacana que ouvi, uma frase em especial merece uma reflexão. Uma executiva importante lá falou que eu sou corajosa, falo o que penso e que eu ajudo eles a lembrar do porquê estarem ali. E eu fiquei com os olhos cheios de água, porque passei uma vida ouvindo que sou bocuda, que eu tenho que baixar a bola, que eu tenho que me comportar, baixar o tom, etc etc... e eu escuto essas coisas, eu respeito, e eu tento me adequar. Mas a real é que nem sempre a gente se segura, né? Afinal de contas, é parte da minha personalidade, de quem eu sou. E eu sou "no bullshit", eu não gosto de enrolação, e eu sou direta. Eu tambéms sou respeitosa, eu tenho noção, mas ainda assim, eu ficava por aí me sentindo inadequada, e tentando ter menos personalidade do que tenho rs. Então ter esse reconhecimento, nesse país diferente, numa área diferente, e vindo de uma pessoa que está tão alto na hierarquia da empresa, deu um quentinho bom no coração. 


E agora vamos lá, pras metas do ano, e como eu segui com elas em junho: 

- as esquecidas no churrasco, continuam esquecidas no churrasco rs: nada de estudar alemão e ser saudável. Duas coisas que não fiz em junho. NEXT. 

- ler dois livros por mês: pois li dois livros bem bons e diferentes. Ela, sempre ela, única e maravilhosa, Elena Ferrante. Pois li A Filha Perdida. E que livros, meu povo... que livro. O hype não é em vão. Como sempre, mulheres reais, fortes, conflituosas, sentimentos que a gente se identifica. Nesse caso, o livro é sobre maternidade, uma vivência que eu não tenho, mas eu ainda assim mergulhei com força nos conflitos, sentimentos e egoismos da protagonista. Tem um filme baseado no livro, que não assisti mas ouvi falar muito bem porque justamente provoca esses sentimentos com imagens. Quero ver! 

Meu segundo livro foi O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório. É um livrão, se não me engano ganhou um Jabuti. E é BOM, muito bom. Mas tem pouquíssimo tempo que li Amarelo e Marrom, do Paulo Scott. E os livros tem ali suas sinergias. Ambos falam de racismo, falam de Porto Alegre, tem uma linguagem e cadência similar. E por isso eu não apreciei tanto quanto deveria. Se soubesse que tinham suas similaridades, teria guardado pra ler mais pra frente. Em todo caso, como disse, é um livro que merece a atenção que recebu da crítica. Mas foi um timing ruim pra mim. 




- fazer 12 hikes: Pois em junho teve hike sim. Aproveitamos um feriado de sol para fazer uma trilha no Graubunden, um cantão que adoro, e finalmente conhecer o Caumasee e os canions do Reno. É um role bem legal, mas que poderia ser MAIS legal ainda se eu não tivesse dado de cara com uma novidade na Suíça: um lago fechado em concessão. O Caumasse é um lago absurdo, de uma cor doida, mas nem me ocorreu pesquisar antes de ir. Pois ele é fechado, cercado inteiro, e para entrar tem que pagar. Tem área de banho, restaurante e afins, e assim como na maioria das áreas da banho do país, não aceitam Carlitinho. Então acabou que só vimos o lago de fora (spoiler: é um escandalo!), e seguimos morro acima até um mirante ontem ficamos ali embasbacados com o Rheinschucht, ou canions do Reno. Ficam aqui umas fotos desse dia! 

Caumasse: a COR desse lago! 

Rheinschlucht, visto de uma plataforma

E tinha mais um lago pelo meio do caminho... 

Alguém completamente exausto depois de um dia de caminhada

E mais uma vez subi e desci pra Uetliberg, a montanha da cidade aqui de Zurich. Não é um hike inédito, mas é hike, e um dos que adoro. Ta valendo!

E Zurich vista do topo da Uetliberg

- conhecer lugares novos em Zurich: meta alcançada com louvor, de novo rs. Conheci o Palestine Grill - que nada mais é que um kebab, num trailer, no coração imundo da Langstrasse. Mas valeu demais, porque o shawarma deles é muito bom! E barato. Recomendo. 

Também fui, finalmente, ao Lilly's, um restaurante de fusion asiático. Demorei, porque tem uma casa aqui na frente, e porque todo mundo fala bem. Pois não fiquei encantada e não entendi o hype rs.. tava gostosinho, ok, mas nada demais. Tem MUITO imigrante asiático em Zurich, e tem comida thai, vietnamita, etc, muito melhor. 

Kraftwerk: barzinho hipster, com ambientes de container, na beira do Sihl, ótimo pra um happy hour. Não fiquei muito tempo, e não explorei muito o cardápio, mas tomei ali um aperol, e foi gostoso. Em todo caso, o objetivo desse exercício de conhecer lugares novos é justamente esse: pensar em lugares diferentes quando marca um encontrinho com amiga, etc. Então tudo bem não ter me refestado  por lá rs.. motivo pra voltar. 


Em breve saio de férias, então o post de julho vai demorar mesmo rs.. mas enquanto isso to curtindo muito o verão, conhecendo coisas novas, lendo muito, e até fazendo post extra, veja só... Até mais!

Um post sobre looks do dia - e sustentabilidade

A idéia de second hand sempre me agradou, mas há uns 15 anos atrás, quando entrei no meu primeira brechó, eu achei a experiência meio complicada. Lembro de ter ficado completamente inerte diante de TANTA coisa. Foi ali que eu descobri que eu gostava de garimpar até a página dois. Uns anos depois, quando descobri o Enjoei, a coisa mudou de figura: era uma experiência muito mais fácil e agradável, e eu comecei a dar mais chances pros usados no guarda roupa. Lembro bem da minha primeira peça de segunda mão, uma "blusinha de trabalhar" da Cris Barros - uma marca completamente inacessível pra mim na época. E nem só de comprar se faz essa história, mas também de vender. Desapeguei de muitas coisas pela OLX e com amigos, e quando chegamos aqui, acertamos que tentaríamos achar o máximo que desse de coisas usadas pra nossa casa e vida - é sustentável, é o futuro, e é também o jeito de não ter uma casa que parece um catálogo da Ikea rs. 


As vezes, quando comento de tantas coisas que são second hand aqui de casa - e também do meu armário - muitas pessoas ficam surpresas. Ouço as vezes de amigas coisas do tipo.. "não sei como você acha essas coisas, não consigo". E é mesmo um processo e um exercício. Processo de ir achando as lojas que você gosta, que tem curadoria interessante, e ter um pouco de persistência. Nem sempre você vai achar coisas legais, mas quando você acha... você acha! Outro dia comentei que meu estilo mudou bastante ao longo dos últimos anos, e hoje, vejo que muito do que é novo no meu armário pra sustentar essa mudança, veio de lojas de segunda mão. E resolvi que hoje ia encarar uma ego trip aqui e postar meus looks do dia de second hand sim, e quem saber, convencer você - se ainda não deu uma chance aos brechós - para que dê. Como eu não sou uma blogueira de respeito, só vai ter foto de espelho rs. Mas fica aí essa dica: quando se achar bonita no espelho, tira foto mesmo e depois fas um post para a posterioridade :) 

Esse shorts, que é uma das minhas peças favoritas do momento
Um jeans bem diferentão

Vestidão de verão

Essa blusinha, achada num desapego de instagram

Essa blusa preta, que vai pro trabalho e pra baladinha

Um blaser bem lindão

E o favoritíssimo de todos: esse casaco peludo maravilhoso

Meu olhar melhorou demais, e hoje minhas compras são sempre certeiras - porque tem um perigo aí que é comprar coisa usada por comprar, porque é barato, e que vai deixar de estar encalhada no armário de alguém pra encalhar no seu. Sim, já caí nessa presepada, e talvez você caia também. Mas ir apurando o olhar, começar a pensar se vale a pena, mesmo sendo tão barato, é um caminho natural. 

E aí pra não ficar só nas fotos de bonita, ainda tem outros achados. A minha casa é metade mobiliada e decorada pela IKEA, e a outra metade por coisas que achamos pelas brockis, como são chamadas as lojas de segunda mão aqui. E se um dia eu fizer uma parte dois desse post, eu venho com mais imagens. Mas achei essas duas fotos no rolo da câmera e achei que valia mostrar: 

Esses pratos lindos, que custam uma fortuna cada um, vieram de um brechó: 50 francos por 6 grandes de 11 pequenos

Mesa encontrada no marketplace do facebook, e cadeira diretamente do garage sale da firma rs

E veja só, pra finalizar, uma histórinha. Em 2016, quando chegamos na Suíça vi no jornal o anúncio de uma bike bem linda. Eu já estava estava procurando uma, mas com um budget bem apertado, então aquele preço dela novinha era fora da realidade. Corta pra 2020, eu procurando uma bike nova e mais moderna pra substituir a minha, e quem aparece num site de revenda? Ela mesma, aquela lá de 2016. Por 40% do preço rs. E foi assim que Josephine entrou pra família. 


Reciclar e reutilizar é o futuro por muitos motivos. E num mundo de tendências que vem e vão cada vez mais rápido, pode ser também um caminho para atualizar o guarda-roupa e a casa sem ir à falência. Você deixa de produzir lixo, você deixa de utilizar mais recursos naturais, mais matérias-primas, e dá vida extra a algo que não serve mais pra vida de alguém, mas serve pra sua. E esse pensamento me deixa feliz :) 

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