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Cycle Chic

Eu nasci e cresci em Pariquera-Açu, interior de SP. Lá, ter uma bicicleta é (ou era, no meu tempo), ter liberdade. Bicicleta era um meio de locomoção como outro qualquer, e eu vivia em cima da minha: pra ir brincar na casa de amigos, ir às aulas de jazz, inglês, kumon, piano, ir ao mercado, ir pra todo lugar. Então quando me mudei pra SP e fazer tudo de bicicleta não era possível, eu meio que esqueci dela. E eu nunca me animava quando amigas me chamavam pra "andar de bicicleta no parque". Sei lá, pra mim andar de bicicleta nunca foi uma atividade em si. Era pra me levar do ponto A ao B. E justamente por isso, pra mim nunca existiu isso de usar roupa de ciclista. Simplesmente porque, sendo a bike um meio de transporte, eu me vestia para onde estava indo, e a bike era só o veículo. 

Corta pra 2012. Eu já estava andando com as bikes do Itaú nos finais de semana, para ir no cinema na Paulista, encontrar amigos em Moema. Um dia eu estava na ciclovia da Faria Lima, de saia e rasteira. Passou uma ciclista toda paramentada e num semáforo vermelho que estávamos as duas paradas ela me deu um pito: você não está vestida direito, se sofrer um acidente se machuca toda. E eu só mandei ela cuidar da vida dela e fui embora pensando será que agora só é possível pedalar pronto pra participar de corrida olímpica? Eis que um belo dia, andando pela Livriaria da Vila, eu me deparei com um livro de fotografias: Cycle Chic. 

Comprei na hora, voltei pra casa e fui atrás do blog. Devorei o livro, o blog, e tudo mais em poucas horas: eu tinha achado minha turma, e tava empolgadíssima rs. O movimento "Cycle Chic" foi fundado por um dinamarquês em 2008, falando exatamente isso, sobre como a bicicleta é o veículo. Eles tinham até um manifesto (!!!):

- I choose to cycle chic and, at every opportunity, I will choose Style over Speed.

- I embrace my responsibility to contribute visually to a more aesthetically pleasing urban landscape.

- I am aware that my mere presence in said urban landscape will inspire others without me being labelled as a 'bicycle activist'.

- I will ride with grace, elegance and dignity.

- I will choose a bicycle that reflects my personality and style.

- I will, however, regard my bicycle as transport and as a mere supplement to my own personal style. Allowing my bike to upstage me is unacceptable.

- I will endeavor to ensure that the total value of my clothes always exceeds that of my bicycle.

- I will accessorize in accordance with the standards of a bicycle culture and acquire, where possible, a chain guard, kickstand, skirt guard, fenders, bell and basket.

- I will respect the traffic laws.

- I will refrain from wearing and owning any form of 'cycle wear'. 

Alguns desses itens eu acho meio engraçados (e entendo também que em algumas cidades tem regras que demandam uma outra postura), mas eu me identifiquei demais com o 6o item: eu vou considerar a minha bicicleta meio meio de transporte e um suplemento ao meu estilo. Enquanto eu lia o livro, e via as cidades em que eles fotografaram, é claro que eu lembrei que as grandes metrópoles brasileiras não são receptivas para com bicicleta e o ciclista. Acho que tinha uma ou duas fotos na orla do Rio, e só. Mas mesmo assim, lembro que desde aquele dia, eu voltei a me sentir menos ET quando andava de bike com SP de saia, e até salto rs. 
De saia e na bicicletinha, indo pro encontro das migues
Desde que mudamos pra Suíça, a bicicleta voltou com tudo pra minha vida. Eu uso a bicicleta como meio de transporte mesmo, e inclusive por três anos aqui, nós nem tivemos carro. Além de ir pra escola, pra casa de amigos, pra bares, happy hours, pra balada, já até carreguei móveis na bicicleta. Verão passado levei uma bike pra Zurich, e comecei a fazer o trajeto entre a estação e o escritório na magrela, o que me rendeu uns belíssimos looks rs. 

Enfim, esse blog não é de moda, é sobre minha vida. Mas eu ontem tava folheando esse livro de novo, e me senti mais uma vez super inspirada, e quis dividir essa inspiração. Resolvi dar uma passada no rolo de câmera e achei umas fotos legais de dias em que eu tava chic na bike, e quis registrar aqui. Mas recomendo super dar uma olhada no blog, e além de ver uns belos looks, viajar por cidades super bike friendly.

E uma das minhas fotos favoritas <3

E abrindo o post, uma foto minha cycling chic em Copenhagen, a cidade onde tudo começou :) 

Um fim de semana em Copenhagen

Aqui na Suíça viagens de um fim de semana não são muito comuns, o pessoal acha super longe e perrengue pegar um avião pra passar dois, três dias fora. Eu, com uma vida de Brasil e Régis Bittencourt nas costas, acho que pegar um avião na Europa pode ser mais rápido do que passar um fim de semana no Guarujá. Então, sempre que posso, to topando. 

E foi assim que compramos passagens para passar um fim de semana em Copenhagen. Fomos agora no meio de setembro, e demos MUITA sorte com o tempo: pegamos dias extremamente ensolarados, gostosos, e a nossa aventura de fim de semana valeu muito a pena. Saímos numa sexta a noite, e não chegamos lá a tempo de fazer nada, mas curtimos sábado e domingo o dia inteiro, e chegamos em casa de volta já era meia noite de domingo pra segunda. Cansei? Cansei. Amei? Mais ainda. Vou deixar aqui meus highlights pra quem vai pra essa cidade maravilhosa!

Vesterbro
Começamos o rolê nesse bairro, mais especificamente no Prolog Coffee. A área era um pedaço bem industrial, onde eram embaladas as carnes (o tal do meatpacking district, igual de NYC) e ta passando por um processo de gentrificação, então tem muitos lugares charmosinhos proliferando por ali. O café é bem pequninho, e nada nooossa que lugar incrível, mas pra quem estiver ficando na área, é uma boa pedida. Os funcionários são super simpáticos, o café é bom, e o cinammon roll é mara. No fim da noite, ao voltar pro hotel ali perto, paramos de novo na mesma área, onde tem vários bares, como o WarPigs que é famoso, mas focamos no hot dog rs. Mati já morou na Dinamarca e diz que uma das comidas populares do país é o hotdog, e por ali tem o John's Hotdog Deli, que é um clássico da cidade. É um hotdog bom? É. É melhor do que hotdog com purê, vinagreteve, milho, ervilha e provolone prensado? Há quem duvide rs. Mas a área é beeeem agitada de vale a pena. Ainda em Vesterbro tem uma loja de segunda mão mara chamanda Prag, que vimos depois também em Norrebro, mas preferi a primeira. Muuuuitas coisas, curadoria incrível, sério.. só achados! Recomendo.
Apesar da minha cara, juro que o café tava bom rs... eu esqueci de levar óculos de sol na viagem e fiquei desse jeito aí
Frederiksberg
Acho que foi minha região favorita da cidade! Um bairro muito do charmoso, com umas lojinhas muito legais, uns cafés bonitinhos, floriculturas.. sério, só amor, e eu ia querer morar por ali se um dia morasse na cidade. Paramos pra tomar um drink num bistrô chamado Granola. As pessoas estavam comendo lá, mas nós ficamos nos drinks mesmo. Lugar excelente pra sentar e praticar minha arte favorita: people watch.
As ruas, as pessoas e o Granola
E essa floricultura?!
Mati que captou esse momento <3

Norrebro
Mais um bairro fofinho, de andar pelas ruas, parar e ver vitrines, curtir uma graminha, fazer people watch. Por ali paramos para almoçar no Manfreds, um restaurante que além de charmoso e gostoso, traz os ingredientes de uma fazenda própria nos arredores de Copenhagen (ou seja, tudo super fresh e baixo carbon footprint). A comida estava uma delicia, tudo com texturas, bem combinado com o vinho. Não foi barato, mas valeu as coroinhas gastas. Também paramos na cervejaria possivelmente mais famosa da cidade, a Mikkeller. Paramos de noite numa outra casa deles, mas essa de Norrebro achei mais gostosinha, na frente de um parque, com ambientes diversos.
Pelas ruas, com esse soläo
De dentro da Mikkeller
Esse céu e essa vibe <3
Nyhavn e Christianshavn
As áreas mais turísticas da cidade, mais lotadas mas, confesso, ainda charmosas. Assim que cheguei em Copenhagen disse a Mati: só vamos na Pequena Sereia se passarmos muito perto, não quero desviar caminho porque não quero gastar tempo com turist trap. Mas Nyhavn não é só turist trap, é onde tem aquelas casinhas coloridas de Kopenhagen, é bem lindo mesmo, e de forma alguma é perda de tempo. A única coisa foi que evitamos parar em restaurantes e bares lá. E logo do outro lado de um canal tem a área de Christianshavn, mais famosa por abrigar Cristiania, uma comunidade alternativa no centro de Copenhagen. Eu também passei esse rolê de Cristiania porque além de não curtir a ideia de ir lá como se fosse um zoo, eu já ouvi que a vibe não é das melhores, uma coisa meio decadente, e digamos que eu tenho a Cristiania de Berna bem perto aqui da minha casa rs, então deixei pra lá. Mas pelo bairro tem canais lindos, e é bem gostoso de passear.
Copenhagen clássica em Nyhavn
E pelos canais de Christianshavn

Fazer isso tudo de bike
A primeira coisa que fizemos ao acordar no sábado foi alugar uma bike, que só devolvemos na hora de pegar o trem pro aeroporto. Copenhagen é uma cidade de ciclistas, toda plana e repleta de ciclovias. É muito fácil pedalar por lá, e tem muitas opções de aluguel (inclusive vários hotéis que eu vi tinham suas próprias bikes pra alugar). Nós alugamos no Baisikeli, um projeto que usa a renda dos alugueis para enviar bicicletas da Dinamarca para a África, e lá dar suporte e locomoção para a população local. Achei bem legal, e ajudou muito que era perto de onde ficamos, fomos pra lá a pé (os preços eram mais em contas do que a bicicleta do nosso hotel, inclusive). Pedalamos incansávelmente por essa cidade, rodamos todos os bairros (e fizemos mais coisas que não listei aqui, como ir à casa de um amigo de Mati, ir à uma praia coberta de neblina rs, entre outras coisas). Pedalamos fácilmente 15 km por dia, e foi maravilhoso. Não gastamos dinheiro com transporte (tirando o trem entre a cidade e o aeroporto), e em todo momento, enquanto estávamos on the go, a gente estava vendo e vivendo a cidade. Foi uma super experiência!
Baisikeli, em Vesterbro
Eu...
...e ele <3

Se eu recomendo um fim de semana em Copenhagen? Recomendo muito. A cidade é pequena, e mesmo sem a gente ficar na correria, conseguimos ver ela inteira. Como os dias estavam lindos, eu acabei decidindo que não queria passar tempo em museu, Acho que se for visitar alguns lugares, pode ficar corrido. Mas eu vivo assim mesmo, achando que vou voltar pra todos os lugares, e que não preciso sair correndo pra ver porque a vida é longa e ainda tenho tempo rs... E acho que Copenhagem reconheceu minha vontade de vivê-la e me presenteou com dias lindos demais. Voltarei? Voltarei. Ta decidido. 

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