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Bares e Restaurantes em Berna

Como ainda chega gente nesse blog procurando pela Suíça, eu achei que valia a pena fazer um post recomendação. Em primeiro lugar, devo dizer que tem muito blog de turismo na Suíça por aí, e eles fazem um bom serviço. Por outro lado, queria deixar aqui umas dicas que meus 4 anos de andança por Berna me permitem fazer com certa autoridade rs. Voilà. 

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Para ter uma vista linda

Esse é um dos restaurantes mais fomosos e turísticos de Berna, e merece cada turistinha que aparece lá. Não é um turist trap. A comida é boa, o preço é bom para os padrões suíços, eles produzem a própria cerveja, que é também boa, e a vista meus senhores.. a vista é um desbunde. Berna todinha aparecida no skyline. Se for entre primavera e outono, vista a roupa adequada a temperatura, e sente fora. Se for um dia lindo de verão, uma reserva garante uma boa mesa. Vale MUITO a pena. O cardápio é todo bem honesto, mas meus preferidos são o Rösti (a tal batata suíça) e Kalbsgeschneltzeltes (um picadinho de vitela com cogumelos e um molho que parece de strogonoff). 

O Rosengarten é um landmark de Berna. Um parque lindo de doer, do qual já falei muitas vezes aqui, e com uma vista de chorar de emoção. Lá também tem um café e restaurante. Confesso que nunca fiz uma refeição inteira lá, então não sei dizer se a comida vale a pena, mas para tomar uns bons drinks ou um café, eu recomendo demais. 
A vista do Rosengarten, que é maravilhosa em qualquer estação do ano. O Altes Tramdepot fica a 5 minutos, descendo a ladeira, e tem uma vista tão linda quanto 

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Para tomar umas cervejas boas 

Esse bar é uma delícia! Fica na cidade antiga, num dos tradicionais cellars de Berna, onde alguns séculos atrás era estocado o carvão para aquecimento das casas, o que já garante um super charme ao lugar. Mas além de tudo eles tem uma carta de cervejas artesanais, suíças e importadas, muito da boa. O cardápio de comidas é bem limitado, mas a Flamme Küche lá é de chorar de boa (é uma pizza de massa bem fina, típica das terras germânicas). 

Esse aqui é tipo achado local. Fora do centro, fica em Brentenrain, um bairro muito gostoso há poucos minutos da cidade velha. Acho que de tram é uns 6 minutos, e a pé uns 15. A carta de cervejas do Barbieri é mais enxuta, mas ainda assim, tem coisa boa, e é um ambiente gostoso, as vezes bem animado, com música ao vivo e tal. Gosto muito! A comida deixa bem a desejar, então deixe pra comer em outro lugar rs. 

O Tramdepot entra nessa categoria aqui também ;) 

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Para comer comida Suíça

No meio da Barenplatz, a praça mais turística de Berna, de frente pro Parlamento, tem um monte de restaurantes. Eu confesso que sempre fiquei meio ressabiada por achar que era comida cara que atrai turista mas não entrega qualidade. Na real em Berna tem pouco disso, e o Le Mazot, no meio desse fuá, tem comida suíça incrível. Eu gosto MUITO do rösti com raclette rs.. É pesado? Sim. É maravilhoso? Demais. Recomendo. 
A Bärenplatz, onde fica o LeMazot. Andando menos de 5 minutos chega no Lotschberg

Mais um clássico bernense. Aqui o ambiente é bem legal, o restaurante vive cheio, e no inverno é possível até sentar numa cabine de esqui na calçada rs. Eu fui poucas vezes, mas sempre pra comer o fondue, e ó: recomendo. Eles tem também rösti, queijos, sanduiches, e todo o cardápio suíço. Mas ele é bem concorrido, então vale fazer uma reserva se der tempo. 

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Comidas de outros lugares 

Acho que já comentei em um post que em Berna tem muita comida boa feita por imigrantes. E aqui vão meus favoritos: 

Esse restaurante fica escondido, não tem uma decoração de babar, mas a comida... YUM. É boa demais. Os donos são um casal suíço-tailandes, muito gentis, e que tocam tudo na maior simplicidade, mas com muita qualidade. Pegando o tram 6 direção Worb, é só descer em Gümligen Bahnhof, e ele ta há 2 minutos. Tudo é gostoso, mas eles tem um prato de degustação de petiscos que é delícia, e de principal eu gosto mesmo é da sopa de coco com lemon grass, que é maravilhosa. 

Também em Brentenrain, esse libanês é muito bom. As comidas são bem feitas, e o Mezze teller, um prato que vem um pouquinho de tudo, é ótimo pra experimentar bastante coisa. O dono fica sentado lá dentro fumando shisha e ouvindo umas músicas bem típicas, haha.. eu adoro o ambiente, e mais ainda no verão sentar no terracinho. 

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Badalação

Taí algo que não é o forte de Berna rs... Mas tem alguns bares que são garantia de burburinho. 

Um antigo colégio no centro de Berna, cujo ginásio foi transformado numa casa de show. O ambiente é super descolado, dentro e fora: se pra dentro é um bar/casa de show com uma decoração mais inimista, o jardim é um típico biergarten hipster rs... No verão é um dos melhores lugares pra ouvir música, ver gente, tomar birita, e até comer um kebab, já que o Pita Kebab, um foodtruck famoso de Berna, estaciona por lá. Em dia de shows a entrada é paga, mas caso contrário, é só chegar... 
O jardim da Turnhalle visto de dentro, num dia calmo (foto do site próprio)

Aqui é a maloqueirice de Berna rs. Debaixo dos trilhos do trem, tem ali quase que uma cristiânia suíça rs... um espaço onde drogas são praticamente legalizadas, a polícia não é bem vinda, a palavra de ordem é de anarquismo, e rola muita bagunça, mas tem balada, tem bar, tem restaurante, e te bastante gente. No verão então, é um fervo. Eu to meio velha pra Reitschule, mas confesso que de vez em quando gostava de passar por lá e ver a suíça ser menos certinha. 

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Para tomar bons drinks 

Mais uma gema dos cellars da cidade velha. O abflug é pequeninho, só aceita cash (não sei no pós pandemia) e faz os melhores drinks que já tomei na Suíça. Achar um lugar pra se acomodar lá pode demorar um pouquinho, mas vale se encostar no bar, pedir sugestão pro bar man, e se fechar o olho com gosto, se imagina até em New York rs. 
Drinks no Abflug (foto do guia GaultMillau)

Num dos hotéis 5 estrelas de Berna fica um bar muito gostoso, elegante, e que me fazia sentir RYCA. Os drinks são maravilhosos, acompanhados de um mix de nuts e amendoins variados. Se por um lado a chiqueza do hotel pode parecer intimidadora, não se acanhe.. Berna é bem relax e o pessoal lá não está mais arrumado que em outros lugares. Digo isso porque eu mesma demorei a ter coragem de entrar, mas depois que entrei, adorei e voltei. 

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Rooftops 

O rooftop mais badalado de Berna, mas longe de ser realmente badalado haha.. É uma graça. Fica quase em frente a estação central, no topo do outro hotel 5 estrelas da cidade. Oferece drinks gostosos, mas nada extraordinário ou inovador. Ali a graça mesmo é a vista linda da cidade. Também tem uns petiscos, mas eu nunca comi, então não sei. É um dos melhores lugares para estar no fim do dia, vendo a luz dourada atingindo os telhadinhos da cidade velha. 
Os telhadinhos de Berna vistos do Sky Terrace

Manora 
Pois bem, se de um lado tem dica de hotel 5 estrelas, de outro tem dicas economicas porque aqui a gente vai de hi-low. A Manor é uma loja suíça de departamento. Tem bastante coisa, e em quase todas elas, tem o Manora, um restaurante self service. Pois o de Berna tem um salão no rooftop que é bem na muvuca, vista linda, energia lá em cima e o melhor: drinks baratos. Ouso dizer que dessa lista inteira de bares e restaurantes, é o lugar mais barato pra comer. Só vai! Claro que, por estar na loja, é fechado a noite, e tal.. mas se tiver batendo perna de dia por Berna, vai com força.  

Os meus queridinhos - de categorias variadas

Esse é um bar pequeninho no meu antigo bairro, mas que está sempre cheio. Ambiente aconchegante, vinhos, cervejas, chás gostosos, tábuas de frio, nada de especiaaal. Mas é um lugar bacaninha pra se aconchegar numa mesa, conversar com os amigos, e ver mais gente. No verão as pessoas se espalham pela calçada, e no inverno ficam ali pra dentro a luz de vela. Nos 15 meses em que morei na Länggasse, foi um dos meus lugares favoritos para sentar e conversar, e eu recomendo pra quem quiser tomar um vinho numa vibe mais local. 
O Sattler, que de quebra vem com uma Gelatteria di Berna no fundo 

Também no meu bairro favorito - e também na Mittelstrasse, a rua badalada da vizinhança rs - esse lugar é perfeito pra um brunch: os bagels são de chorar, o café é delicioso, os bolos e tortas nem se fala. Um lugar muito fofo, tocado por um casal que além de talentoso, combina os looks e o penteado. Todas as vezes que eu fui lá - e foram muitas - senti o coração quentinho. 

Esse restaurante meio fusion, meio mistureba, fica também no Hotel Bellevue, mas tem uma entrada independente quase na Casinoplatz. A comida é variada, tem muita coisa de lugares interessante, e entrou na minha lista de queridos porque, pasmem, foi lá que eu comi uma moqueca de camarão com farofa MA RA VI LHO SA. Pois é. O ambiente é todo moderninho, tem um DJ mandando músicas legais, e uma vibe meio sofisticada meio farofa que me deixou muito feliz! Adoro Noumi e recomendo para um jantar em dias felizes e especiais :) 
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Espero que essa lista, se não ajudar ninguém em Berna, ajude alguém a pensar nos restaurantes da própria cidade, e como em tempos de pouca viagem, é possível ser feliz com a grama do nosso quintal!

Maio e o "novo normal"

Maio foi um mês bem especial. Enquanto o corona seguia assombrando boa parte do mundo, a vida começou a retomar alguma normalidade aqui na Suíça. O mês começou com uma pequena abertura para salões e lojas de diy, e terminou com bares, restaurantes e parques abertos ao público. Se a princípio eu fiquei meio ressabiada, no final eu já tava bem a vontade rs... Fomos em vários restaurantes, e aproveitamos ai vinte dias pra nos despedir de Berna. Enquanto a gente ia se entendendo com os dilemas de 2020 - encontrar ou não amigos? Precisa vestir máscara? Ir ou não ir no bar? - uma primavera linda ia florescendo na Suíça. 
Primeira escapada em semanas
Nas despedidas de Bern, conhecendo Schwellenmätteli, um restaurante na beira da água

Ainda no clima de mudança, resolvemos fazer um passeio pela região do Jura, uma área que é mais próxima de Berna, mas já na fronteira com a França. O destino foi Le Locle e La Chaux de Fonds, as duas cidades que, juntas, são a sede da famosa relojoaria suíça. A gente sabia que não tem muito o que fazer por lá, e que depois de mudados, teríamos dificilmente motivo para dirigir mais de 2 horas até lá. E realmente... Além de passar pelos prédios de marcas famosas, como Rolex, Tag Heuer, Tissot, Cartier, etc, não tem muito o que fazer. Le Locle, a 8 quilômetros da França, é especialmente sem graça, rs.. La Chaux de Fonds ainda tem um centro antigo bonitinho. O ponto turístico da região, um mirante sobre o rio Doubs, a divisa entre a Suíça e a França, estava fechado por conta da pandemia. Então pra gente sobrou comer um kebab na praça, pensar nos relógios que nunca compraremos, e dirigir pra casa. Mas no caminho tinha Neuchatel, e de lá eu gosto muito. Pra completar, estava ensolarado. Resumindo, paramos por lá e curtimos um fim de tarde maravilhoso na beira do lago. 
As casinhas coloridas na beira do lago em Neuchatel
Fazendo jus a blogueirisse rs

Maio é também o mês dos feriados: aqui na Suíça é celebrada a ascenção de Cristo e o Pentecostes, feriados do calendário cristão, que variam conforme carnaval e Páscoa. E com esses feriados veio a lembrança dos planos que a pandemia não concretizou: iríamos dirigir até Nice e passar um feriado no Riviera Francesa. Mas não aconteceu, e resolvemos fazer acontecer por aqui mesmo. Durante o feriado teve picnic na beira do rio, teve encontro - a distancia - com amigos queridos, e demos uma volta de bike em que bati meu novo recorde: 29 quilômetros, vendo Berna quase que de cabo a rabo rs. Foi bonito terminar nosso último fim de semana em Berna sentados na varanda do Sternen, o hotel em que ficamos por uma semana na nossa chegada. 
Pedalando brom Bremgarten bei Bern

E pelos campos de Sttetlen

Na beira do Aare

<3

E foi assim, com uma vibe lá em cima, num clima de verão, de vida recomeçando, de esperança pela luz no fim do túnel, que a gente encerrou esse capítulo da vida na Suíça. Berna, valeu, foi bom, adeus :) 

Mais de Bern

To bem sem assunto, pra falar a verdade. Estamos aqui preparando a mudança para o próximo fim de semana, tenho trabalhado bastante e tivemos um feriado no meio do caminho. Apesar da vida aos poucos ir se encaminhando para a "normalidade", não tem muito o que contar por aqui. E foi assim que eu resolvi fazer meu tributo final a essa cidade que vai ser sempre tão importante na minha história. Selecionei algumas das minhas fotos favoritas nesses anos, e deixo aqui, uma declaração definitiva do meu amor e gratidão por Bern. 

A piscina de Munsingen, e uma das minhas primeiras imagens do verão Suíço

Os telhados mágicos de Bern e a Munster

A vista mais bonita da cidade, diretamente do terraço do Parlamento

Food Festival na Grosse Schanze, um dos meus programas favoritos

Bern diretamente do Rosengarten, de tirar o fôlego nas quatro estações do ano

Old town, onde eu deixo um pedacinho do meu coração

Quase quatro anos depois...

... eu resolvi olhar esse post aqui, meu primeiro sobre a minha então vida de recém chegada na Suíça, e em Bern. Eu estou entrando num momento bem nostálgico, que é deixar nossa vida em Bern pra trás. Tanta coisa mudou desde que chegamos aqui, e acho que é bem interessante olhar o que eu achava quando estava aqui há somente uma semana. Vamos lá!

- as pessoas misturam as línguas
Misturam médio. Na verdade, o suíço alemão rouba muitas palavras do francês, mas na época eu não sabia (e nem notava algumas diferenças), então fiquei achando que era uma mega mistureba. Por exemplo, eles falam Saliiiii (bem cantado) quando encontram alguém. É claro que é uma referência ao Salut francês, mas é diferente. Mesma coisa o adieu, que eu mencionei no texto da época. É na verdade ade. Tem várias palavras aqui que são usadas em francês: poulet pra frango (Hähnchen em alemão da Alemanha), velo pra bicicleta (Fahrrad), spital para hospital (Krakenhaus), etc. Agora o italiano, embora seja língua oficial no país, só aparece mesmo pro ciao haha. 

- o transporte de uma cidade tão pequena é maravilhoso
É mesmo. Não tenho um pingo pra criticar. O transporte de Bern é incrível, super conectado, pontual, capilar, chega em qualquer lugar. Aos finais de semana tem o Moonliner, que é o transporte noturno. A estação de trem é uma das principais do país, então tem trem para todo canto, muitas conexões, e é tudo prático. Não sei se comentei, mas no verão passado compramos um carro, para fazer viagens, principalmente pra fora do país. E até começar a crise do corona, realmente só usamos o carro pra isso. Aqui em Bern o carro nunca foi uma necessidade, tirando ir na Ikea rs (mas até lá você chega de transporte tranquilamente). 
Os charmosos trams de Bern

- bikes everywhere 
Mais uma percepção verdadeira. A galera de Bern pedala muito, ainda mais se considerar que metade da cidade é pirambeira rs. No inverno claro que as bikes reduzem, mas ainda assim, tem bastante. A grande diferença mesmo se vê em dias de chuva ou neve, é quando tem menos bike na rua. O frio não assusta os berninos (?!?!), mas a água é outra história rs. Claro que tem gente que se aventura na água, mas é bem menos. E claro que Bern não se compara com Amsterdam ou Copenhagen, mas de novo... essas cidades são flat né? 

- Suíços simpáticos no verão 
Mais uma meia verdade. A real é que embora no verão a Europa inteira fique mais feliz, como eu vim a aprender, o bernino (adotei a denominação rs) é simpático o ano inteiro. As pessoas aqui dão bom dia para desconhecidos no mercado, no transporte, nas trilhas, em qualquer lugar. Não, eles não querem ser seu amigo, e não querem nada mais do que isso: ser simpático, ser agradável, ser educado. Algumas semanas depois que escrevi aquele post, eu comprei um livro chamado Swiss Watching, escrito por um inglês morando em Bern há anos, e ele falava disso, como o povo aqui era mais simpático do que os suíços em média. E é uma verdade que não se aplica só no verão. 
Simpáticos e aglomerados num verão pré corona

- o interior é logo ali
BEM verdade. Inclusive eu falei de Worb, mas não precisa ir nem 25 minutos do centro pra achar roça e cheiro de merda de vaca rs. Quandoa  gente morava a 10 minutos do centro de Berna, tinha pasto e vaca quase do lado de casa. Hoje eu vivo no centro da cidade, mas o cheirão de bosta bate forte aqui de vez em quando rs... 
Pedalando e no meio do mato, mas a 10 minutos do centro

- a cidade e o país são caros 
Continua sendo verdade, mas minha perspectiva mudou um pouco. A Suíça é um país sabidamente caro, isso é indiscutível. Mas os salários aqui são muito bons. Acredito que em qualquer lugar do mundo, é difícil para duas pessoas viverem bem com um salário, a menos que tenha riqueza, herança, ou salários extraordinários envolvidos. Aqui não é diferente. Acho que quando se chega na Suíça com padrões de qualquer outro lugar do mundo, fica difícil não se assustar com os preços. Mas é o mesmo com remuneração: a princípio, você cai pra trás com qualquer oferta de salário. Porque no fim, é isso, um país que paga bem e por isso cobra mais. Claro que para quem ta vindo fazer turismo, pra quem não ganha salário daqui, é uma paulada. E isso vai ser assim... mas como residente, eu passei a aceitar esse custo. Inclusive, passei a consumir mais aqui (antes eu consumia muito mais em nossas viagens ao EUA), porque entendo que eu só recebo o salário que recebo, para girar essa economia aqui, que cobra esses preços. Inclusive, passei a observar que, proporcionalmente, minha vida era mais cara no Brasil. Me acompanhem aqui no raciocínio: imagine que você ganha 2.500 reais. Uma blusinha na Zara custa entre 100 e 250 reais. Agora aqui, imagine que você ganha 2.500 francos. Uma blusinha na Zara custa entre 40 e 80 francos (eu poderia ir além e falar de restaurante, de aluguel, e de tudo mais, porque essa conta se aplica. Mas fiquei com brusinha da Zara porque é meu tipo de moeda rs). Uma outra questão é que com o tempo você aprende a consumir melhor: hoje a gente conhece sites de coisas usadas que vendem bicicletas (pra ficar no exemplo que dei em 2016) por valores muito menores do que pagamos na época, aprendemos onde é mais fácil achar coisa em conta, etc.

Uma coisa que aprendi a valorizar: lojas de segunda mão 

- os restaurantes são ruins
Retiro parcialmente o que disse. Realmente, não se acha comida boa em cada esquina, como em São Paulo por exemplo, rs. Mas quando você aprende a navegar a cidade (e ganha uns dinheiros também rs), começa a ficar mais fácil achar coisas boas. Começamos a achar restaurantes mais escondidos, fora do centro, e fora das rotas convencionais, e lugares com comida boa. Acho também que a nossa régua baixou, não nego, principalmente porque gostamos do social, e resolvemos não desistir diante das primeiras decepções. Mas a verdade é: a maioria dos bons restaurantes são comandados por imigrantes: libanês, tailandês, tamil, etíope, etc. Tem sim lugares de comida boa, inclusive eu achei uma MOQUECA (cara, claro) em Bern e fiquei feliz de comê-la. 

- confiança e segurança
Bern segue sendo o lugar mais seguro onde já morei, mas é claro que o fato da minha casa ter sido saqueada quebrou um pouco da magia suíça rs. Eu sigo achando o máximo você, numa capital de país, poder pendurar a conta, falar que volta depois, não registrar coisas em formulário. A confiança vale muito e eu estava certinha quando cheguei. Se hoje eu deixaria uma chave esperando debaixo do tapete? Nem a pau. Sei que fomos azarados... conheço gente que mora em Bern há 7 anos e nunca trancou a casa. Mas pra mim, esse navio partiu rs... 

Tenho lido meus posts do primeiro ano de Suíça, e achado tudo bem fofo rs. Eu estava muito encantada com tudo aqui, mas hoje vejo que também bem realista. Eu sinto que talvez tivesse sido até mais feliz se tivesse me deslumbrado mais rs. Acho bacana perceber que quase todas as minhas percepções, na primeira semana, eram reais, e eu estava tão atenta a minha volta. Não sei quantos anos mais estaremos pela Suíça, mas acho que vai ser sempre gostoso reler as aventuras do começo. E dos recomeços :) 

Outubro

Outubro foi um mês de finais de semana muito legais, apesar do tempo começando a esfriar, dos dias a diminuir, do trabalho a me matar de segunda à sexta haha. A gente tem que focar no lado bom, né? E teve muito lado bom! Voilà. 

Wasen, Stuttgart
No primeiro fim de semana do mês caiu no nosso colo um convite meio de última hora para ir na Wasen, uma festa igual ao Oktoberfest (cujo nome oficial é Wisen!), só que em Stuttgart. Estava tudo organizado, mesa reservada, a gente só tinha que pagar, vestir o traje típico e ir. Why not?! Claro que fomos. Stuttgart fica há  três horas de carro daqui, mas pegamos um pouco de trânsito, então chegamos lá bem tarde na sexta-feira e não fizemos nada. No sábado demos uma voltinha pela cidade, mas estava bem chuvoso, um dia não muito propício pra bater perna. Mesmo assim, aproveitamos pra passar nas áreas principais da cidade e ir na Biblioteca Municipal, que tem um design lindo, e que pra mim foi o ponto alto do turismo lá. Da vontade de passar o dia lá lendo e descobrindo as mil sessões dos mais varios temas, o acervo deles é incrível, cada quadro pendurado é maravilhoso, e o tempo lá dentro nem passa, maravilhosa! Tirando ela, não morri de amores pelo que vi de Stuttgart, e acho pouco provável que a gente volte lá pra fazer turismo. Alguém aí já foi e tem outra opinião?
Olha esse lugar <3
Depois da cultura, foi a enfiação de pé na jaca. Essas festas estilo Oktoberfest é uma mistura de muita cerveja com parque de diversões, basicamente haha. Fora das tendas você tem parques, e dentro é música, cerveja e salsicha, em resumo. Se eu acho imperdível? Na minha idade, não hahaha Acho que uns dez anos atrás eu ia querer ir várias noites seguidas. Mas acho que ainda vale a experiência uma vez na vida. Estávamos lá com um grupo grande, a gente é animado, subiu na mesa e nunca mais desceu. Foi bem divertido! 
Possivelmente a única foto publicável da noite
Desvirtualizando na Holanda
Quatro dias depois, ainda me recuperando da ressaca, me enfiei num avião e fui para Amsterdam. Passei dois dias com uma amiga querida da faculdade, pude conhecer sua baby, relaxamos num spa, e curtimos sua casa nova. Apesar da chuva que não deu um minuto de trégua, foi uma delícia. E aí, da casa dela segui para um fim de semana desvirtualizando gente querida que conheci por essa internet. Eu já tinha conhecido a Taís pessoalmente em São Paulo, antes de me mudar para a Suíça. A Alê eu conheci aqui em Berna, numa passagem dela pela Suíça. A Ana e a Paula encontrei pessoalmente pela primeira vez. Quero fazer um post especial sobre esse momento, e falar só disso: de como você encontra pela rede gente que só o acaso, a vida e a geografia não te permitiriam encontrar, e como isso é legal demais! 
Ale, Taís, Paula e Ana <3
Além de passear por uma chuvosa Amsterdam, passamos um domingo outonal em Utrecht, e eu adorei muito a cidade! É uma Amsterdamzinha com zero turista dentro rs. Tem casinhas fofinhas, tem canais, tem cafés aconchegantes, tem ciclistas, mas não tem milhares de gentes se empilhando pela rua. Recomendo muitíssimo! Fica há cerca de meia hora de Amsterdam. Os trens saem praticamente de 20 em 20 minutos, e ida e volta custou 17 euros. 
Pelas ruas de Utrecht
É um não é uma Amsterdamzinha?
Keek, um dos cafés mais fofos em que já entrei (e com uns bolos muito bons!)

Outono chegando em Berna
Uma semana depois, uma amiga veio passar um dia comigo em Berna. Com essa história de viajar pra Zurich todos os dias e chegar em casa morta, fazia um bom tempo que eu não curtia uns dias em Berna, fazia turistagem na minha cidade, olhava seus cantinhos que tanto gosto. 
As folhas começando a mudar de cor, e o rio começando a baixar, mostrando seus bancos de areia (sinal de que a neve das montanhas já não está derretendo mais)
Minha vista favorita <2

Brienzer Rothonrn 
No fim de semana passado acordamos num sábado super ensolarado e pegamos o carro em direção a Brienz. Brienz é uma cidade que fica ainda no Cantão de Berna, mas já na divisa com Obwalden. É bem roça suíça, rs. É "famosa" pelo lago muito lindo, rodeado de montanhas, e de uma água turqueza incrível! 
O dia estava muito gostoso, e resolvemos pegar a maria fumaça para subir o Rothorn, uma das montanhas da região. Esse tremzinho só funciona entre abril e outubro, e ainda assim, nesse último fim de semana do mês já não vai mais até o topo, mas somente até a middle station, Planalp. Uma opção legal é subir de trem, e descer a pé. A trilha não é difícil, e dura umas duas horas. A gente não fez porque Mati tinha um jogo de volei no dia seguinte e não queria cansar. Uma outra opção para explorar o Rothorn é subir com a gôndola, que sai de Sorenber e funciona o ano inteiro. 
A Maria Fumaça, não muito eco friendly, mas bonitinha
O caminho entre a cidade e Planalp leva meia hora, e a vista é essa belezura aí
Vale a pena demais!
Berghaus mais fofa
E um Bernese em seu habitat
Brienz fica a uma hora e meia de Berna, e somente a 20 minutos de Interlaken, para quem está na área. Para mais informações de horários e preços, aqui estão os sites: maria fumaça e gôndola. Interlaken, alias, fica entre os lagos de Thun e Brienz, e é uma das vilas famosas da Suíça. A gente encerrou o dia passeando por ela, que é bem badalada e cheia de turistas. 
Jungfrau, uma das montanhas mais famosas da Suíça, vista de Interlaken
Escrever esse post me fez ver que entre dias caóticos e cansativos, outubro foi bom demais! Encontrar amigos, curtir a natureza, dormir até mais tarde, ver beleza em nossa cidade, conhecer lugares novos e enfiar o pé na jaca de vez em quando, são os prazeres que a gente pode se dar quando a rotina parece estar massacrando. E eu sei que sou privilegiada demais, mas ainda assim, sou gente e tenho aqueles momentos de reclamar da vida, né?! Normal. Mas vendo assim, escrito, o tanto de coisa legal que eu fiz em um mês, fica mais fácil colocar as coisas em perspectiva e perceber que o saldo é muito, mas muuuito positivo! Que assim continue sendo. Bom novembro pra vocês!

(des)Inspiração

Estou meio sumida daqui porque tem me faltado inspiração para escrever. Parece que anda me faltando assunto, não porque eu não tenha vivido nada interessante, mas porque minha cabeça está altamente dominada por alguns tópicos: trabalho, mudança e esqui. E aí que, pra não deixar esse blog às moscas, vim falar um pouco sobre esses temas, que tanto tomam conta dos meus pensamentos no momento. Voilà. 

Trabalho
O sorriso da criatura num workshop do trabalho... acho que ta gostando, né?
Em algumas semanas meu contrato de seis meses de estágio termina. Tem sido uma jornada daquelas... Me adaptar novamente à uma rotina de trabalho, somando aí um commute diário de mais de 3h, foi uma paulada. Mas foi muito bom entrar numa empresa e ir me descobrindo aos poucos muito interessada por ela. Acho que faz tempo que eu não curtia tanto um trabalho... alias, sei bem: desde 2013. E com isso foi me dando uma vontade enorme de ficar, o que me deu ainda mais gás pra trabalhar, pra ser notada, e valorizada. Ainda não tenho uma resposta em definitivo sobre o meu futuro, mas estou felícissima com a oportunidade que tive, com a forma como a agarrei e com tudo que desenvolvi nesses seis meses. Estou também bem cansada rs... E como nesses seis meses eu, no ritmo frenético, não usei todos meus dias de férias, nas próximas semanas terei vários rs, o que vai ser providencial pra esse momento de mudança. Falando nela... 

A Mudança
Mudamos daqui 10 dias, no dia 2 de fevereiro. A gente acabou optando por levar a facada e pagar uma empresa pra fazer nossa mudança. Não contratamos o pacote todo, daqueles que a galera vem e empacota sua casa, mas como meu apartamento novo é no 5o andar, achei por bem contratar a empresa para levar as coisas daqui pra lá, e desmontar e montar os móveis. Assim que cheguei de férias, pedi as caixas e comecei a empacotar de leve. Eu não sou uma Marie Kondo da organização, rs, mas tenho pavor de não cumprir prazos (advogada né mores hahaha), e a ideia de chegar dia 1 sem estar com tudo pronto tem me assombrado. Então comecei empacotando a sala, que basicamente só tem decoração, e foi bem rápida. Semana passada foi a vez do quarto de visitas, onde a gente acaba guardando (e acumulando) muita tranqueira. Agora, chegando mais perto, estamos andando com as roupas e demais coisas do quarto, e semana que vem, pra fechar, será a cozinha. Nesse processo acabei doando muita roupa, jogando muita coisa fora, e me chocando com o tanto de coisa que adquirimos em 2 anos e meio rs. Apesar da chatisse que é gastar meu tempo livre com afazeres domésticos, eu acho um exercício super necessário: avaliar as coisas que estão aí só atravancando o caminho, acumulando poeira e ocupando espaço. Dez longos dias pela frente. 
O bairro novo, em foto do Der Bund por Valérie Chételat
E minha rua nova, em foto do Wikipedia. Can't wait!
Esqui
Meu tema favorito do inverno rs... Nos outros anos, estando em casa, eu ia toda sexta-feira esquiar com a turma da escola de Mati. Quem vê eu falando assim, pensa que eu estou pronta pras Olimpíadas de Inverno hahaha mas realmente, não é o caso. É um esporte que, quanto mais velho você fica, mais difícil é de aprender. Você depende muito mais de partes do seu corpo que você nem lembra que existe, e principalmente, do seu psicológico. Se uma criança nem faz ideia de que a morte existe, eu devo dizer que o meu subconsciente adulto está ali lembrando dela quase o tempo todo hahaha e travando minhas pernas, claro. Mas ainda assim, vivendo aqui na Suíça, faz parte do inverno, e é um jeito de aproveitar as belíssimas paisagens, por isso sigo firme tentando melhorar. Nos arredores de Berna tem várias estações, e fim de semana passado eu fui pro meu primeiro esqui do inverno em Lenk. Fiz uma aulinha pra retomar a confiança, e eu recomendo, pra quem não esquia desde a vida inteira, a fazer aulas de vez em quando, pra melhorar a técnica, lembrar os básicos e espantar o medo rs. Com os dias de folga que mencionei ali em cima, devo aproveitar para ir com Mati mais algumas vezes, e em fevereiro faremos nossa primeira viagem de esqui. Vamos passar uma semana na França, e eu estou MUITO empolgada. 
Empolgada, eu?!?!?!
E é isso... Eu espero que esse marasmo de ideias passe logo, e que em breve eu encontre coisas mais interessantes pra falar rs. Mas esse blog é pra isso mesmo, né... pra eu registrar a minha vida, e acho que esses momentos de mente vazia fazem parte. E vocês, o que contam? 

March Madness

Quem vê o título desse post pensa até que rolou muita loucuraaaaa em março hahaha.. e nem foi tanta assim. Mas devo dizer que há tempos a vida não ficava tão agitada, e eu fiquei como?! Isso mesmo, felizona, porque é disso que a gente gosta, de agitação rs. 

Começamos o mês no frio siberiano, com a chegada da ultra frente fria glaciar haha. Berna amanheceu no dia 1o de março enterrada em neve, no maior caos, com trens e ônibus parados, e suíços desesperados. Embora eu tenha demorado uma hora pra chegar na escola (trajeto que normalmente leva 20 minutos), eu achei foi graça da situação. Acho que eu estava sentindo falta de bagunça, e confesso que me deu certo prazer ver, finalmente, a suíça - e os suíços - perdendo a linha. E além da zona, a nevasca trouxe também paisagens lindas <3 



Mas quando o frio aperta, a gente se diverte, né? Fui ver uma cachoeira congelada em Thun, fui com as amigas fazer sleding em Grindelwald, esquiar em Zweisimmen e também fomos fechar a estação em Saas Fee. Alias, sobre o esqui, uma observação: ano passado eu consegui ver muita melhora, afinal de contas, fui de não saber esquiar a conseguir parar em pé e descer a montanha em cima do troço. E eu estava com muita expectativa pra esse ano, de que eu ia evoluir muito, se bobear conseguir esquiar "bonito", em paralelo, descer pista vermelha, etc e tal. E rolou toda uma decepção, porque honestamente, não evolui em nada. Mas tudo bem, quem sabe ano que vem, né?


Fechando a temporada a 3.500m de altitude 
Teve também o fim de semana da esbórnia haha. Duas amigas fizeram aniversário no mesmo fim de semana. Na sexta, uma amiga fazia 25 anos e tinha uma missão: tomar um porre de aniversário. Como amiga que é amiga, em vez de tirar a ideia errada da cabeça da novinha, mergulha na zoeira com força, lá fui eu. Só que a outra amiga fazia aniversário sábado, e tinha outra missão: correr 5 km de aniversário. E como amiga que é amiga em vez de tirar a idea errada da cabeça da musa fitness, mergulha na zoeira com força, lá fui eu. Moral da história: pela primeira vez na vida, corri 5 km. E de ressaca. E debaixo de chuva. E estou aqui, viva pra contar e dar um conselho pra vocês: evitem. 
Na farra como se não houvesse amanhã...
... mas tinha
E depois dessa loucura toda, na segunda-feira começaram minhas aulas na Universidade. Em paralelo, tive várias reuniões do projeto em que eu sou voluntária. Por outro lado, entrei numa nova pausa no curso intensivo de alemão. Eu realmente não estava dando muita conta do B2, não estava tirando todo proveito que a aula poderia dar. É muito difícil porque eu quase não pratico fora da escola, então estava rendendo menos do que poderia. E pra piorar, eu não estava curtindo minha turma, então estava bem desmotivada. Em abril voltarei para um curso de conversação, pra praticar um pouco, antes de voltar e terminar o B2. 

Pra finalizar, é spring break. Terminaremos março na estrada, viajando, passeando, e aproveitando. Mas o melhor de tudo, é que é S*P*R*I*N*G break. A primavera está, timidamente, começando a dar as caras por aqui, e pouca coisa me deixa mais feliz. Ver os dias ficando mais longos, o colorido das flores começando a aparecer, a temperatura começando a subir. Dá um novo ânimo pra mim, pessoa do verão e do calor. Não vejo a hora de me esticar na grama, de nadar no rio, de ver essa Berna ainda mais linda <3 Primavera, chega mais!



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