Mostrando postagens com marcador Mimimi. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mimimi. Mostrar todas as postagens

A cara da gente

Num post lá nos idos de 2015 eu contei a relação com meu cabelo crespo e meu retorno às origens depois de mais de uma década de alisamento. Na época eu estava deixando o cabelo ao natural, e queria ver no que ia dar. A verdade é que deu muito certo. Eu fui deixando o cabelo crescer, fui cortando, fui tirando a química, fui tratando. Cheguei no ponto que eu queria. E foi aí que as coisas começaram a ficar estranhas.

Eu vivia com o cabelo desarranjado antes, e achava que era porque ainda precisava crescer, que ainda não tava "no ponto". Eis que, depois de 3 anos, eu não tinha mais  que pensar, o cabelo estava no tal do ponto. E no dia que eu lavava, ele ficava LINDO. Em todos os outros dias, era um ninho de cobra embaraçado que eu prendia em coque. O meu cabelo cacheado é seco, não se deve lavar com muita frequência, o que significa que eu passava muito mais tempo com um cabelo que não me agradava do que o contrário. E as vezes eu tinha aquelas vontades doidas de alisar, mas ai lembrava dos dias bons e passava... 
Cachos maravilhosos no dia da lavagem
Além dos "good hair days", uma coisa que ficava me martelando muito era essa de aceitação. Eu queria muito participar dessa tomada nossa pelos nossos corpos, desse amadurecimento que a mulherada está passando na relação com a própria imagem refletida no espelho. Eu queria ficar confortável com o cabelo que nasci. Então por mais que tivesse uma pulga atrás da orelha me atormentando, eu achava que era resultado de uma vida de imposição de cabelo liso como o modelo de beleza. E vamos combinar que de certa fora era sim. 

Mas a real é que toda vez que o facebook me trazia uma lembrança das antigas, eu e meu cabelo liso, eu tinha uma sensação de nostalgia muito profunda. Mas muito profunda MESMO. Me dava uma tristeza, e eu ficava "quero meu cabelo de volta". Só que perai, agora é que eu tinha o meu cabelo, né?! E eu não tentei reprimir essas ideias não, mas fiquei atrás de tentar entender o sentimento. E eu entendi que ter alisado meu cabelo dos 15 até quase os 30 moldou minha auto imagem. Eu acabei percebendo que essa pessoa de cabelo encaracolado, por mais bonito que fosse, não representava bem a imagem que eu tinha de mim mesma. Não era "a minha cara", sabe?!

E aí que nessa eu resolvi fazer uma viagem no tempo, e vou compartilhar aqui umas imagens antigas aqui:
2005
2006

(pausa dramática para a invenção e popularização do smartphone)
2012
2013
2014
2015

Não é que meu cabelo esteja f a b u l o s o em todas essas épocas, mas é assim que eu me reconheço. Demorei algum tempo pra entender que, qualquer que tenha sido o estrago do tal padrão de beleza, meio que já ta feito, porque eu simplesmente não consigo me identificar com o meu cabelo natural. E na boa?! Tudo bem. Eu acho que o grande ponto dessa revolução toda é que a gente se sinta bem. É desencanar de achar que tem um "jeito certo". E sim, hoje em dia não cabe mais induzir alguém a mudar algo do próprio corpo para se enquadrar em padrão. Assim como não cabe a gente ficar forçando numa coisa que não ta funcionando. Eu queria fazer muito parte do movimento de ode aos cachos, tentei até onde deu. Mas a prioridade sou eu. 

E foi assim que eu cheguei no Brasil disposta a voltar no meu mago dos cabelos (rysos) e retornar ao meu antigo visual. Peguei várias dessas fotos aí e mostrei pra ele. E depois de algumas horas (que seguem atormentando o meu saco), eu saí de lá me estranhando, mas me reconhecendo. Depois de umas horas eu já tava beeeem a vontade com a minha nova cara antiga. E rolou um negócio bizarro rs... Eu do nada me notei mais vaidosa, querendo me arrumar mais, e me achando muito, mas muito mais bonita. É aquilo que a gente meio que já sabe: beleza vem de dentro, de auto confiança, de felicidade. E eu posso dizer com bastante tranquilidade que há muito tempo não me sentia tão bonita, tão eu :) 
Me achando tanto que até fiz selfie no elevador pra ilustrar <3

O tal do saco cheio

Durmam com um barulho desse: fevereiro A-CA-BO-U. To chocada rs... A real é que eu só me liguei que hoje era dia 28 quando liguei pra uma amiga pra bater um papo maroto, e depois de 15 minutos ela me fala: viu, você não me ligou pra dar Parabéns não? Hoje é dia 28, meu aniversário rs... Pois é, eu sou dessas. E pois é, fevereiro acabou. 

No "campo das metas" fevereiro foi muito bem, obrigada. Segui lendo livros, me exercitando, conhecendo lugares novos, estudando alemão, etc. Mas a verdade é que há umas semanas que eu ando sentindo meu saco bem cheio, sabe... Eu estou cansada, cansadíssima eu diria, de não trabalhar. De não me arrumar pra trabalhar, ter uma mesa, ter problemas pra resolver, ter colegas pra conversar, e ter horário de almoço pra desopilar. Cansei dessa vida que é um eterno horário de almoço, rs. 

No fim de janeiro eu fui fazer a entrevista pro tal curso para o qual me candidatei, e a entrevista foi dentro de uma das empresas parceiras da universidade. Passar pelo meio das baias, olhar as salas de reunião, ver a turminha do cafezinho, a princípio, foi ótimo. Sentei naquela entrevista com fogo saindo das minhas entranhas: eu preciso voltar pro jogo. Mandei bem, mandei benzaço. Fui aceita no curso, fui tão bem avaliada, que depois de negar a vaga por falta de bolsa, me ligaram oferecendo tudo que eu pedi e quase mais um pouco. Tudo lindo. 

Mas senti que aos poucos essa visita mexeu muito comigo, me desestabilizou. Evidenciou, e muito, a falta que eu to sentindo de ser desafiada, de me sentir produtiva, de me sentir inteligente, enfim, da minha carreira. Sinto falta de ter algo que é "meu", só meu. E esse algo é ver as minhas ideias impressas em políticas, é ver a minha opinião ser requisitada, é me sentir útil. E é também, claro, ver o dinheiro caindo na conta no fim do mês, e caber a mim decidir o que fazer com o fruto do meu suor. 

"Ah, mas você está aprendendo alemão, está usando a cabeça, se ocupando e produzindo outras coisas". É verdade. Estou. Porém desafio um lado do meu cérebro. O outro quer morrer com essas simulações de "reserva em hotel", "papo de super mercado", "conversa sobre sentimentos", etc e tal. É ÓBVIO que estratégias corporativas não são discutidas na aula de alemão, e nem deveriam hahaha.. mas é delas que eu to sentindo falta. E o alemão tanto não anda suprindo as demandas da minha cabeça, que eu to de saco cheio dele. Eu to cansada, distraída, a aula anda me dando nos nervos. 

O bottom line disso tudo é que eu estou impaciente. Depois de um ano e sete meses de Suíça, eu estou quase lá. Em julho (se a lei não mudar nesse meio tempo haha) eu devo pegar o visto de residência fixa, com o qual posso trabalhar. Acho que a "proximidade" com a possível ressurreição da minha carreira está me deixando ansiosa, e me fazendo olhar com mais azedume a minha vida do momento. To mala, to mal humorada, to de mal com a vida. Não nego que o frio da Sibéria pode ter culpa nisso também - porque se me lembro bem, quando to nadando no rio e tomando sol eu não sinto falta alguma de chegar perto de um escritório.

Esse é um bocado do meu fevereiro: reclamar e emburrar rs. Mas nem tudo é reclamação nessa vida. Amanhã é março. Em março eu volto pra universidade. É possível que no fim de março eu esteja aqui pedindo arrego e reclamando de outras coisas. Veremos. 

11/2017

Já é fim de novembro, já é fim do ano. Está chegando aquela época que a gente faz balanço do ano, da vida, que a gente faz promessa, que a gente celebra, reencontra, olha pra trás, pra frente. Mas eu quero parar e ficar olhando pra novembro. 

No começo do mês recebi a Laura aqui em casa. A conheci no Wisconsin, há 11 anos, e desde então temos uma amizade a distância, nos falamos de vez em quando, sabemos meio por alto como está a vida uma da outra e nos encontramos em outras duas oportunidades desde que vim embora de lá. Mas esses reencontros são leves, são naturais, são como se o tempo mal tivesse passado. Se por um lado tudo mudou desde o Wisconsin, por outro parece que as poucas e boas amizades que fiz por lá ficaram paradas no tempo, num bom sentido. Para elas o tempo não passa, as coisas não mudam, simplesmente porque nada importa, a gente se entende. Foi assim com a Laura, e é assim com outras duas pessoas especiais que conheci lá. Ter a Laura aqui em casa foi como unir vários mundos paralelos. E foi legal demais!
Laura, my yoggi friend
Nesse meio tempo Mati viajou a trabalho e eu fiquei. Pela primeira vez não fiquei ultra incomodada de estar aqui sozinha. Já aconteceu outras vezes, e eu ficava agoniada, como se minha vida aqui sem ele não fizesse sentido, porque eu não trabalho, "não tenho motivo" pra estar aqui além dele. Sério, eu me senti muito assim nas poucas noites que passei por aqui sem ele. É bizarro, mas é coisa da cabeça da gente, e não tem como evitar. Mas dessa vez foi diferente. Minha vida é aqui, minha cabeça aceitou. E ao invés de paranóias, dessa vez teve uma night com as amigas, diversão, e ao invés de sofrimento, rolou um aconchego.
Vinho & Amigas
Logo depois chegou minha irmã. Minha irmã mais velha, com quem sempre uma relação de altos e baixos. Mas nada como o tempo, a idade, e até a distância, para fazer as coisas entrarem no seu melhor. Ela passou dez dias por aqui, passeou pela Suíça toda, fizemos programas gostosos, andamos na neve, vimos vilas fofinhas, fomos nadar em termas, esquiar numa montanha absurda, e aproveitamos bastante. Foi bom ver que a vida adulta traz paz para velhos conflitos.
Nos divertimos pela Suíça
Foi também o fim de uma sequencia de visitas maravilhosas. Desde julho que não passamos mais que 15 dias sem visitas. Parece cansativo, mas a verdade é que pra mim foi uma delícia. Mostrar um pouco da minha nova cidade, do meu novo país, dividir minha vida, dividir minha casa com amigos, com família, foi muito bom.
Amigos
E mais amigos
E novos amigos (foto feita pela Bárbara)
E as visitas mais esperadas e amadas: meus pais <3
Mais do que isso: me fez feliz ter muita companhia. Eu não estava estudando todos os dias, desde agosto que só vou na escola uma vez por semana, e muitas vezes, nos dias em que eu estava sozinha em casa, com Mati no trabalho, eu dava umas choramingadas. Porque estava entediada, porque não tenho trabalho, porque não tenho visto, e aí meus amigos, é uma ladeira acima na escala da choramingância. E eu gosto de casa cheia. Então ter a casa cheia de amigos, ter companhia, ter gente que falar meu bom português, tudo isso deixou os meus dias por aqui mais alegres, me fez sentir que minha vida está como sempre foi, só que num outro lugar. E isso pra mim é ouro.

Novembro não encerra o ano, mas encerrou alguns ciclos por aqui. E foi maravilhoso por isso. Obrigada :)

Mimimi


Tem época que eu não tenho nada pra fazer e a inspiração brota, e eu vou lá e escrevo cinco posts de uma vez que depois vou soltando aqui devagarinho rs... Mas tem outros tempos, tipo os dias cinzas, frios e CHATOS que estão assolando essa Berna, que minha cabeça não produz nada além de uma vontade imensa de comer doces. E pra piorar o estoque de posts acabou. 

O inverno chegou com força por aqui. Depois de um mês e pouco aí de outono forte, com folhas amarelando, vermelhando, e colorindo a paisagem, eis que do nada as temperaturas caíram, e as manhãs nem se dão mais ao trabalho de passar de 2, 3 graus. A tarde, com sorte, a temperatura chega a 7. Sol, que sol? Pra que serve? Pois é, não tem. Segunda-feira até nevou pra se ter noção... E eu, ser do verão, do calor que sou, não estou sabendo lidar. Tenho a maior preguiça do universo de sair da cama, fico enrolando de pijama pela casa até depois do meio dia, e se deixar nem penteio os cabelos e ponho a cara na rua. Nem a visita que chegou aqui em casa me tirou do estado que eu estava. Graças ao panda pai minha amiga acatou meu conselho, fez um swiss pass, viajou todos os dias, explorou a Suíça de cabo a rabo, e tudo que eu fiz foi recebe-la diariamente com uma comidinha de mãe, feita com muito amor e culpa. 

Porém para evitar virar uma eremita reclusa medusa descabelada, eu vou lá e combino coisas que me obriguem a sair de casa, e logo me arrependo, porém vou rs. E como esse blog é meu diário, meu registro para a posterioridade, quero poder no futuro, quando eu tiver um trabalho e for uma senhora ocupada, vir aqui e morrer de inveja desse tempo que eu podia me dar ao luxo de não fazer nada além de perambular pela rua e falar bobagem na internet. Que fique aqui o registro do meu mimimi, bem ilustrado pelas minhas tentativas de ser um ser humano normal e digno:
Tipo esse dia aqui...
.. que eu fui num tour guiado em alemão numa exposição filosófica em Zurich rs...
... e apesar de estar até agora sem entender o que se passou por lá, fui agraciada com um belo entardecer 
Ou esse dia que eu saí procurando animais e encontrei ovelhinhas...
... cabrinhas...
...e essa espécie que nada pelada no rio cuja temperatura da água está 10 graus
Ou esse dia que fui caçar arte de rua...
...e encontrei verdades
Ou esse dia aqui que as 9h da noite me bateu vontade de comer bolo de cenoura, as 10h ficou pronto e as 11h eu tava me segurando pra não comer a forma inteira
E aí que pra não dizer que só vim aqui e reclamei, venho a público (porque eu sou dessas que só funciona com promessa pública e olhe lá rs) prometer que:
- segunda-feira voltarei a correr - sim, segunda-feira mesmo, porque hoje já é quinta a noite e deve dar mau agouro começar a correr nas vésperas do fim de semana; 
- irei continuar me locomovendo de bicicleta até a neve grossa chegar, apesar de toda a preguiça do mundo; e
- seguirei procurando beleza nessa pequenina porém charmosa cidade gelada onde amarrei meu burro. 

Oremos. 

O fim das férias

As férias acabaram. No caso, as férias de Mati, porque sabe como é, não é que eu tenha um trabalho para ir. Mas nessas seis semanas em que ele esteve de folga, passeamos pela Suíça, tínhamos nossos dias de faxina, encontramos os amigos e fazíamos basicamente tudo juntos. E agora acabou, e eu preciso voltar pra rotina. Porém estou aqui, tentando desenhar uma rotina...

Em julho, mesmo com nossas viagens, eu mantive o curso de alemão. Ia para lá de manhã e depois encontrava Mati na estação de trem e saíamos para passear. No fim do mês terminei o nível B1, mas ainda não me sinto apta a começar o B2. Não acho que absorvi a maior parte do vocabulário a que fui exposta, nem estou dominando algumas regras gramaticais básicas. Por isso, resolvi fazer um curso de conversação. Todas as segundas-feiras, por uma hora, irei lá papear. É pouco, eu queria mais, queria duas ou três horas por semana, mas entre as ofertas que eu encontrei aqui na cidade, foi a que se ajustava melhor em termos de horário, preço, etc. São dois meses e vai até o fim de outubro, e aí posso ver se me sinto mais confortável para começar o B2. 

Mas e aí? O que fazer com todo esse tempo livre? Em tempo... em julho fomos fazer a renovação do nosso visto na Gemeinde e a moça me deu esperanças de que conseguiríamos um visto B. Balela. Cá estamos nós, por mais 12 meses com um visto L (e aqui eu falo da diferença entre eles). Sigo aplicando pra vagas, mas sem grandes esperanças de ver algum emprego se concretizando. Ou seja, trabalhar não é muito uma possibilidade, não por minha escolha. Mas estou vendo a viabilidade de fazer trabalho voluntário. 

Também estou em busca de um curso - em inglês, espanhol ou português - de corte e costura. Encontrei uns aqui, mas em alemão e eu não tenho condições. Quando chegamos aqui ano passado, o professor a quem Mati veio substituir ainda não tinha ido embora, e nos mostrou algumas coisas que tinha para vender. Acabamos comprando uma mesinha, um microondas, uma máquina de costura, botas e snowboard, tudo pela bagatela de 90 francos haha. Um ano se passou e eu ainda não aprendi a usar a bendita da máquina e acho que agora é a hora. Não tenho grandes pretensões, tipo participar do Project Runway hahaha, mas gostaria de aprender a usar a máquina, poder fazer barra de calça, fazer uns guardanapos e toalhas aqui pra casa. Sou péssima com habilidades manuais e acho que poderia melhorar um pouco.

Ainda para aproveitar e manter mente sã e corpo são retornei ao ballet duas vezes na semana, que também tinha largado nas férias, estou com um plano aí de voltar a correr, rs, e retomarei minhas caminhadas com a terceira idade. Em breve elas devem acabar, porque né... winter is coming, rs. Mas é ótimo. Tenho contato com suíços, falo alemão, vejo lugares diferentes e aproveito os dias fora, coisa que sentirei muita falta no futuro friorento.

Enfim, estou aqui tentando fazer desse ócio quase forçado um período produtivo. Estou tentando encarar como uma grande oportunidade de exercer criatividade, de aprender coisas diferentes, de me dedicar a mim mesma e de, no futuro, quando estiver trabalhando, não olhar pra trás e pensar que poderia ter aproveitado mais.

Uma questão de auto estima

Não é segredo que no Brasil a aparência vale muito. Todo mundo se cuida bastante, tem um salão de cabelereiro/manicure/mini spa em cada esquina, pessoal gasta com roupa, com sapato, com bolsa, em níveis que beiram a falta de noção. A verdade é já fui assim. Nunca fui perua, mas já gastei muuuuito com roupa, com sapato. E mesmo quando parei com isso, a rotina de salão sempre foi uma constante. E ainda que gastando bem menos, sempre gostei de moda, de me vestir bem. Vá lá que já me disseram que eu fazia o estilo mendiga fashion, mas convenhamos que era uma mendiga fashion phyna.

Aí corta pra Suíça. Povo aqui joga muito mais no time do conforto e da praticidade. Percebo que o suíço médio é bem discreto e funcional, provavelmente porque o frio domina a temperatura quase o ano todo, e porque aqui usa-se menos o carro e mais o pé. Salão, como já amplamente discutido nesse blog, is a NO. Caríssimo, coisa que se faz de vez em quando. Saem os sapatos de salto, entram as botas confortáveis, o casaco fofinho. Sai o salão de beleza, entra a gente de vez em quando dando um tapa no visual com receita de youtube. 

E foi aí que eu me senti um peixe fora d'água no Brasil. Ou sendo mais precisa, uma mocreia. Ia encontrar as amigas e todo mundo bem vestido, cabelo bem cuidado, unha feita, e eu me sentindo super desarrumada, rs. Foi inevitável me sentir meio mal. Mas também foi inevitável fazer uma reflexãozinha sobre até que ponto a vaidade vem do meio, e até que ponto vem da gente. Porque assim, eu nunca fui perua, nunca fui de me enfiar em cima de salto pra ir em qualquer lugar, mas sempre gostei de estar bem cuidada.

Aí parei pra pensar que tirando por algumas ocasiões especiais, eu não passava um batom há tempos. O tal do cronograma capilar então... Nem lembrava mais como fazia. E enquanto isso, meu cabelo duro de cálcio (um assunto, alias, que merece post próprio - a água da Suíça). Pensei também que ando numa preguiça imensa de me arrumar, e sei que isso tem a ver com o fato de ser uma desempregada que somente faz viagens quase diárias ao supermercado e vai pra escola. Que tem zero compromisso com chefe, com cliente, com código de vestimenta.

No Brasil a gente sabe que não só o visual importa muito, bem como as pessoas julgam muito também. Em 9 meses de Suíça, eu percebi sim que andava num estilinho, digamos, mais (bem mais rs) desleixada, mas me sentia zero julgada. Agora foi chegar em São Paulo que eu me senti inadequada.

Agora por quê esse assunto ficou tanto na minha cabeça, me gerou tanta reflexão e virou até post? Foi por que um garçom me olhou atravessado em restaurante lá em SP? A princípio sim. Mas a real é que ao voltar pra casa, comecei a pensar mais no assunto, e cheguei a conclusão que nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Eu seguirei sendo sempre mendiga fashion, é meu estilo, mas percebi que precisava resgatar um pouco o cuidado comigo mesma que em algum momento dos últimos meses se perdeu - porque percebi que me faz falta. Passar um pó na cara de manhã, dar uma penteadinha no cabelo, (porque sim, é bem normal me ver muito descabelada por aí), olhar antes de sair de casa se as duas meias são iguais rs.

Acho que cada um sabe de si, não tem essa de mulher relaxada, vai de como cada uma se sente bem. E acho que eu estou vivendo uma liberdade imensa aqui que é sair de casa como me dá na telha, sem me importar at all com o que as pessoas vão pensar, sem me sentir jamais inadequada. Liberdade, que alias, só conquistei nessa plenitude (porque né, sair de casa por 3 dias seguidos sem pentear cabelo e até com as meias trocadas é muita plenitude na vacalhação, rs) porque as pessoas aqui estão cagando baldes pro que eu uso ou deixo de usar. E nada como a gente resolver, por vontade própria, o que fazer da nossa imagem. No momento, como ando com minha auto estima meio em baixa, chegou a hora de gastar um tempinho a mais comigo.

* esse é o primeiro dos posts pós primeira visita ao Brasil. Tenho várias análises do tipo pra fazer, mas antes preciso organizar as idéias e sentimentos. Aos poucos, muito mais mimimi por aqui.

Adaptando

O processo de mudar de país em definitivo nessa altura da vida não é nem de longe tão simples como as pessoas acham. Eu nunca tive ilusões, mas muita gente acha que é fácil, que é só sair do Brasil e do dia pra noite você fica bem sucedido e feliz. Ouvi muitas coisas do tipo que nada, a vida fora do Brasil é rica, você não vai nem sofrer. Mas o fato é que a gente precisa construir um lar, se sentir em casa, e isso não é simples. Não vem com uma ida na Ikea, assim como não se forma um arco íris em cima da sua cabeça só porque você fincou a barraca em solo europeu. 

Não era amor, era: CILADA

Há alguns anos a idade veio chegando e com ela meu interesse por decoração. Agora, a menos que você seja rico, no Brasil é bem difícil achar coisas legais pra casa por preços pagáveis. 

Por isso, meu sonho de consumo era mobiliar uma casa na Ikea. Sim, podem rir da minha cara, rs... Mas eu sonhava com o dia em que eu iria lá e compraria meus objetos de qualidade duvidável porém com um design super ajeitadinho e seria feliz pra sempre. Não costumo trocar qualidade por aparência, mas fato é que com o dinheiro que eu tinha, comprar móveis de madeira de lei, coisa fina, nunca foi uma realidade. Então eu queria ao menos o design, né?

E aí que junto com a notícia que tínhamos conseguido o nosso apartamento veio a necessidade de fazer nossa primeira compra para casa. Nos mudaríamos na segunda, para um apartamento pelado. Então precisávamos ao menos de coisas básicas. E assim, eu fiquei toda animadinha e lá fomos nós pra Ikea, um sonho que se tornava realidade. 

Minha gente.. que balde de água fria hahaha. Dado momento Mateus veio até me perguntar porque eu estava tão amuada, rs. Os preços são realmente bons, tem muita coisa bonita (e várias nem tanto), a qualidade de muitas coisas é deveras questionável, mas tem também as coisas boas (e que custam beeem mais). Mas aquele lugar é imenso, com trocentas mil crianças cansadas fazendo birra pelo caminho. Aquele deita levanta de colchão em colchão... Meu pai amado. Aquilo não é pra mim. 

Nessa primeira visita - que durou 3 horas - compramos, como eu disse, o básico: colchão, talheres, algumas panelas, tábua pra cortar, toalhas, lençóis, edredom, luminária, mesa e cadeiras pra varanda (para podermos comer nesses primeiros dias, já que precisávamos medir o espaço da sala para então ver a mesa de jantar). Nós ganhamos de uns amigos de Matt que moram aqui perto um jogo de pratos e tigelas, o que já facilitou a vida. Com essas coisas, nossa ideia era passar os primeiros dias, medir a casa direitinho, para então voltar e comprar o grosso das coisas. 

Como Matt teve uma brecha no trabalho uns dias depois da mudança, voltamos lá para dar andamento na concretização do lar, doce lar. Gente... SEIS FUCKING HORAS. Eu brinquei até que fomos sequestrados pela Ikea, rs. Mas foi isso, ficamos 6 horas dentro daquela loja, comprando sofá, guarda roupa, tábua de passar, cortina de banho, tapetes, mais panelas, lustres (porque nem isso vem no apartamento), mesa, utensílios, etc. Compramos até plantas, rs. 

Mas sabe o que é pior? Que depois que você paga, a tristeza não acaba. Foi aí que eu senti uma falta danada do Brasil e da TokStok hahaha... Vocês imaginam o que foi carregar um sofá de 3 lugares dois andares acima? Euzinha da silva mais Mateus? Carregar guarda-roupa? E montar essas coisas todas? Eu to é com a mão gasta de parafusar coisa. O prazer de comprar ~itens de design~ a preços pagáveis vai por água abaixo quando tudo que você quer é ajeitar as suas coisas, mas tem que ficar desvendando aquelas instruções indesvendáveis de como transformar aquele amontoado de tábua num móvel digno. 

{Por outro lado, ficou óbvio porque as coisas são baratas, né. Eles não tem custo nenhum nem de pré montagem. O produto vai direto da fábrica pra loja, sem qualquer outro custo para a Ikea. Peguemos a TokStok de comparação. O brasileiro está acostumado a pagar barato por serviço, e prefere pagar um pouco a mais para alguém montar do que fazer sozinho. E se não tiver a opção de pagar, simplesmente vai comprar em outro lugar.  O preço de ter aquele tanto de caminhãozinho da loja pela cidade, com dois montadores dentro, é repassado pro produto. Então, quando a TokStok te oferece a opção de montar sozinho nem compensa, porque a diferença pra ter o produto entregue e montado pela loja é pouca. Aqui não, para eles montarem um móvel o custo é de 100 francos + 17% do valor do produto, e ainda tem o custo da entrega, que começa em 100 francos. Óbvio que todo mundo arregaça a manga e vira marceneiro, e eles não precisam repassar custo nenhum. Isso fica visível quando eu te digo que tudo que compramos nessas duas visitas à Ikea foi o equivalente ao que me custou montar UM QUARTO na TokStok 2,5 anos atrás.}

No fim, eu to que não quero nem pensar em voltar na Ikea - mas vou ter que, em algum momento nos próximos meses, rs, porque ainda faltou coisa - e porque qualquer outra loja nessa Suíça é inviável. Temos procurado coisa em loja de segunda mão, que ao menos já vem montado. Mas ainda assim, ja visualizo essa terceira visita e fico com vontade de chorar. Vou esquecer disso por um tempo, porque estou traumatizada. Talvez com as coisas montadinhas, e a casa tomando forma, ficando bonitinha, a birra passe. Mas olha, Ikea.. você jogou foraaaaa o amor que eu te deeeeei. 

Das coisas que não sentirei falta #2

Ter que ter um carro. 

Eu andei e vivi muito bem em SP sem carro por 8 anos, e confesso que naquela época vivia desejando ter carro, principalmente nos dias de chuva, ou quando o ônibus demorava mais de meia hora pra passar. Depois minha mãe deixou um carro no apartamento e eu e meus irmãos dividíamos. Eu usava somente para ir trabalhar, mas não precisava exatamente. Era uma comodidade que eu tinha, porque o trabalho me dava uma vaga de garagem de graça. 

E então fui trabalhar no ABC. Ter um carro virou uma necessidade, pois minha empresa ficava numa área industrial afastada. Na época eu comecei a querer ir morar sozinha e o fato de ter que ter um carro brecou meus planos. Eu não conseguiria naquele momento comprar um carro e mante-lo, e ainda mater uma casa, tudo sozinha. Fiquei frustrada. E apesar de não gostar muito de dirigir, a ida ao ABC era bem sossegada, 25 minutos da minha casa, sem trânsito. 

Quando mudei de emprego e fui pra Alphaville a necessidade se manteve, mas a qualidade de vida foi pro brejo... O trânsito pra Alphaville é um inferno, e ainda por cima passei a pegar estrada todos os dias. Do meu apartamento antigo, a viagem para o escritório nos confins de Santana de Parnaíba podia demorar até 2 horas e meia, dependendo do trânsito. Teve dia de demorar 3 fucking horas!!!!

Comprei meu próprio carro quando eu e meu irmão deixamos de dividir apartamento e eu vim morar com Mateus. A distância melhorou, passei a demorar em média 45 minutos no trajeto, mas 45 minutos bem estressantes. Além disso, um carro é um dependente que você não declara no IR. Eu comprei um carro popular usado, simples, que demandasse menos despesa possível, mas de algumas coisas não tem como fugir: 
- seguro, em torno de $1900
- IPVA, em torno de $830
- licenciamento, em torno de $120
- troca de óleo a cada 10 mil km (em torno de $350)
- gasolina - aqui em SP você não encontra por menos de 3,29 o litro, sendo que o teto é o limite. Em Alphaville sai por 3,79. O álcool anda saindo mais em conta, mas roda menos, então nem sempre vale a pena.
- vaga de garagem - $80 subsidiado no trabalho, $250 o aluguel mensal no prédio em que moro. 
*despesas de um Fox 2008, para um perfil como o meu

Ainda tem outras coisas, como lavar o carro de vez em quando, né, e o pedágio de todo dia até Alphaville ($7,40 todo dia). E as multas, né. Porque em Sp da pra levar tanta multa que esse mês perdi minha carteira (em minha defesa digo que não sou barbeira, mas esquecida. Furei o rodízio várias vezes, e esqueci que a marginal tinha reduzido o limite para 50km/h e na primeira semana da nova velocidade tomei 2 multas lá, rs). Deu pra sentir o drama?
Vendi meu carro. O valor foi um pouquinho menos do que eu queria, mas valeu a pena porque estava virando o mês e eu não tive que pagar estacionamento para julho. Se por um lado eu fiquei satisfeita de me livrar dessa despesa ambulante, por outro me deu peninha. Meu carro era uma belezinha! Cuidadinho, eficiente, e nos dias de chuva queria abraçar ele, por me levar de uma garagem à outra, sempre com o pé sequinho (e tem coisa pior do que ficar com o pé molhado de chuva?). Além do que, devo dizer que me senti muito orgulhosa de ter comprado um carro com meu dinheirinho, coisa de adulto, sabe? hahaha.

Mas por mais que ter carro tenha suas vantagens, e seja bem interessante numa cidade como São Paulo, é terrível TER QUE TER um carro. E dessa necessidade, dessa dependência, eu não sentirei falta. O transporte público na Suíça é famoso por sua qualidade e eficiência. Com o pé molhado a gente acostuma. 

Das coisas que não sentirei falta #1

Faz 5 graus na rua. Faz 8 graus dentro de casa. 

Sai água gelada da torneira. Tirar a roupa pra tomar banho é considerado tentativa de suicídio pela polícia. Lavar o rosto de manhã é como entrar num lago congelado. A cama, que deveria ser um lugar quentinho, é uma pedra gelada na qual a gente deita. 

Definitivamente não sentirei falta de andar pela casa com calça, meia, casaco e toca. 
E nem de me sentir assim ao lavar louça

Dia de fúria?

Hoje o dia começou daquele jeito... com capacidade pra ferrar com a semana inteira. Como estou precisando aliviar a tensão, vou desabafar a merda toda aqui, rs. Quem sabe melhora. 

Faz uma semana que estou pedindo pra me enviarem um arquivo X. Já me mandaram email com arquivos A, B e C. Reiterei meu pedido pelo arquivo X. Recebi Y, W e Z. Aí fui, delicadamente pedir pelo arquivo X, a pessoa simplesmente ficou brava. Ficou brava porque eu sou chata. E isso era 7:30 da manhã. 

Ai eu segui com meu dia. Fui sair com o carro da garagem, o que acontece? O portão começa a baixar bem quando eu estou passando debaixo. Acelerei correndo, mas ouvi um puta estrondo. Na hora já me conformei que ia gastar alguns mil reais desamassando o carro. Quando fui olhar, nem sei que mágica que aconteceu, mas não amassou. Respirei fundo, e vamo embora. 

Estava eu seguindo em direção à Praça da Sé, porque preciso fazer meu RG novo. Long story short: meu passaporte vence em junho, fiquei esperando o casamento para fazer um novo já com o nome novo. Aí fui fazer, eles estão com um bug e o passaporte ta demorando mais de mês pra ficar pronto. Só que eu vou pra Cartagena daqui 15 dias, mas fiquei tranquila porque sabia que eles aceitavam RG. Porém tem que ter sido emitido há no máximo 10 anos. E o meu está com 9 anos e 8 meses, rs. Por excesso de zelo, resolvi fazer o novo. 

No caminho, enquanto eu estou parada no semáforo, um motoqueiro passa e leva metade do meu retrovisor embora. Abri a janela, gritei pra ele voltar, e ele voltou e recolheu tudo que caiu no chão e me devolveu. Mas sobrou um retrovisor despedaçado, pedindo reparo. 

Chegando no Poupatempo, adivinhem? Pois é. Emitiram a minha certidão de casamento errada. Embora eles tenham ficado com a minha documentação por 50 dias, tenham a minha certidão nascimento dizendo que nasci em Pariquera, e mais 3 formulários preenchidos por mim, dizendo que nasci em Pariquera, eles colocaram na minha certidão que eu nasci em São Paulo. 

Aí a moça lá do Poupatempo disse: eu estou vendo no meu sistema, e no seu RG antigo, que você nasceu em Pariquera, mas terei que colocar como está na sua certidão de casamento. Aí depois você arruma, e volta aqui pra fazer um RG novo. Ai eu falei "então, não seria mais fácil você manter o correto, que está no seu sistema, e eu somente arrumo a minha certidão de casamento?". Ao que ela responde: não posso, senhora, terei que emitir com a cidade de São Paulo. Eu comecei a chorar de soluçar na mesa da moça. Que ficou me olhando com cara de pena, que doida essa menina, né. Peguei meus papeizinhos e fui embora. 

O quão absurdo é você pagar 430 reais pra casar, e receber uma certidão com dados errados? 

Enfim... Eu precisava ir pra Alphaville, mas fiquei até com medo do que poderia acontecer. Voltei pra casa querendo fim de semana às 10h de segunda-feira, pura derrota. Ainda bem que me sobraram uns bem casados aqui. Derrotada porém devidamente glicosada.

* * *

Update necessário - depois de achar que o Brasil inteiro tinha embarcado no meu dia de merda, com a Câmara fazendo patacoada e tals, achei por bem comer mais alguns bem casados, ir ao Cartório e fazer eles arrumarem a tal da certidão. Uma vez arrumada, fui ao Poupatempo de novo, e tcharam: habemus RG novo. Quer dizer, não habemus nada, mas haberemos em 7 dias. 

No limbo

Embora ainda tenha 3 meses de Brasil pela frente, estou começando a me desconectar de algumas coisas aqui. O trabalho é a principal delas. Ainda não pedi demissão, só peço em meados de maio, mas minha cabeça já está fora. É muito difícil isso, porque está no dia a dia do meu escritório enxugar gelo, comprar brigas, se desgastar, treinar, batalhas de longo prazo, sabe? E eu simplesmente não consigo mais pensar a longo prazo dentro da empresa, né. Então tem sido muito difícil acordar todo dia, enfrentar o trânsito pra Alphaville, pegar o povo pela mão e andar pra frente. Mas estou tentando me concentrar e seguir, numa pegada tipo AA: cada dia a mais é um dia a menos.  

Da mesma forma, em casa tem várias coisas que estão ficando pra depois. Tem uma arara onde penduramos os casacos que está caindo aos pedaços, torta de ter que apoiar na parede, mas aí não da vontade de comprar outra, porque né... estamos vendendo coisas, e não comprando. Quebrei o refratário, mas seguindo a mesma lógica, também não compensa comprar outro. Alias, minha cozinha ta muito furreca, faltando vários utensílio, e seguimos sem, por tudo isso aí. Também gostei de uns livros outro dia, mas eram pesados, depois não teria como levar, melhor deixar pra lá.

Por outro lado, ainda não consigo me planejar muito com a Suíça. Tenho achado pouquíssimos blogs sobre a vida (e não o turismo) em Berna. Mandamos alguns questionamentos pra empresa de Mati, como o melhor bairro para um casal jovem, essas coisas, rs. Também começamos a fuçar sites de aluguel, mas ainda ta cedo. Provavelmente alugaremos algo em meio de maio, início de junho, já que o comum lá é disponibilizarem apartamentos entre 30 e 90 dias após a locação. Tenho olhado possíveis cursos, mas nada que possa se concretizar antes de chegar lá.

Ou seja: estou me desconectando aqui, mas ainda não estou me conectando lá. Estou num limbo! Saber que estou indo embora sem passagem de volta (definitiva, digo, porque já tenho passagem comprada pra vir ser madrinha num casamento) tem me trazido uma gama de sensações muito estranhas. Parece que minha vida esta on hold, sabe? Engraçado que quando fiz um intercâmbio não passei por isso. Mas acho que agora, saber que estou deixando tudo pra trás, que não tem hora pra voltar, que não virei retomar tudo de onde parei, está me deixando mais ansiosa. 

Pra não pirar, tenho tentado transformar esse tempo num limbo produtivo/criativo. Tem surgido tanta coisa na minha cabeça, que se deixar tenho assunto pra escrever no blog todo dia, rs. Também estou lendo mais, fazendo um novo curso no Coursera, trabalhando mil possibilidades pro meu futuro (já que quero tentar algo fora do Direito). Estou organizando meu casamento meio que diy (no que dá, né), fazendo várias coisinhas, e me distraindo com isso. E está funcionando, tenho me mantido ocupada, diria até que ocupada demais. Estou exausta, mas quando deito a cabeça no travesseiro, é difícil pegar no sono. Acho que é normal, né?

Apesar da loucura, estou amando me ver mais criativa, testando novas habilidades e mais focada em mim do que em trabalho. Apesar do pavorzinho de ver o portão pro mundo se abrindo ali na minha frente, tenho certeza que sairei por ele bem preparada.

Efemérides

Segunda-feira eu fiz 30 anos. Há um ano e meio escrevi este post, concluindo que estava pronta pros 30. Verdade que de lá pra cá eu relaxei nos exercícios, larguei a ioga, e vi meu desencanto com o Direito voltar aos pouquinhos. Mas também viajei bastante, conheci lugares novos, aprontei algumas presepadas, estou de casamento e mudança marcada.

Junto com o aniversário, parece que fui atropelada por um ônibus, ou que uma nuvem negra estacionou na minha cabeça. Antes de falar sobre a bad que se abateu sobre mim, acho válido dizer que os 30 na minha cabeça tinham um tamanho muito maior do que eles tem na minha vida. Eu não sei vocês, mas eu me acho uma garota rs. Mas uma garota com independência, maturidade e vivência pra saber que briga comprar, algum dinheiro na conta pra fazer minhas escolhas, enfim, dona do próprio nariz, de verdade.

Dito isto, devo dizer que passei o aniversário assustada. Não sei se foi o retorno de Saturno, se foram os astros do além, se foi a conjuntura do céu, terra, água e ar, ou o que foi, mas fato é que no domingo eu comecei a me sentir mal, triste, uma coisa que nem sei da onde veio. Um choro que saia dolorido de dentro de mim. Segunda feira eu queria morrer, mas não queria atender um telefonema, não queria ver ninguém, queria me trancar num quarto escuro e chorar o dia inteiro. E na medida do possível, foi isso que eu fiz. Parei de atender os telefones, de olhar o facebook. A rede no trabalho parou de funcionar, e foi a desculpa pra eu voltar pra casa mais cedo, me jogar no sofá e chorar até secar.

E então, aos poucos, a luz voltou. Aquela tristeza foi indo embora, a dor foi passando, e eu terminei o meu dia jantando, sorrindo e em ótima companhia. Eu não sei o que foi isso. Não entendi. Mas também, já desisti de achar que a gente tem que entender tudo... O que importa é que eu me sinto grata, muito grata, por tudo que tenho hoje, aos 30 anos. Pela família que me apoia, pelas amigas que torcem por mim, por ter encontrado um amor tão pleno, um companheiro que me faz tão feliz, por poder realizar meus sonhos, por viver um dia depois do outro. Me sinto grata, me sinto completa, e o melhor de tudo: me sinto a minha melhor versão, a de hoje, a de 30 anos.

Aquele tipo de dia...

Aperta o enviar, fazfavor. 

Retomando

Tudo que é perfeito a gente pega pelo braço, joga lá no meio, joga em cima joga embaixo tem prazo de validade. E assim foi com minhas férias. Hoje, depois de longas horas de comuta, desci em São Paulo toda trabalhada no jetlag, mas cheia de energia pra curtir minhas últimas horas de folga. 

Desfiz mala, fiz as unhas que estavam em petição de miséria, matei saudade da comida do Pirajá, desmontei meu buchinho de Natal - que partiu dessa pra melhor e mórreu de sede durante as férias :( - falei com pai, mãe, fui funcionar o carro pra ver se a bateria tava em ordem, e no momento to encolhida em posição fetal porque agora sim, senhores, game over. 

Vai ter California por aqui? Oh se vai. Foi uma das viagens mais incríveis da minha vida. Encontrei pessoas maravilhosas, comi comidas deliciosas, fui a lugares lindíssimos. Conheci Los Angeles, San Francisco, desci pela Pacific Road e to cheia de história pra contar. Preciso organizar as idéias e as fotos, pra fazer tudo direitinho. 

Mas vai ter merda? Sempre tem. Infelizmente, hoje soube que entraram no apartamento da minha irmã. Sério... Eu fico muito puta da vida com essa insegurança que sentimos em todos os lugares. Imagina você chegar na sua casa, e a sua porta estar arrombada, estar tudo revirado? Levarem tantas coisas que você comprou com o suor do seu trabalho ao longo dos anos? Repito: um estranho andando na sua casa, mexendo nas suas gavetas, vasculhando a sua vida, e levando vários pedaços da sua história com ele? Eu fiquei enjoada. Me deu dor de barriga, vontade de chorar e tirou toda a paz que esses quase 20 dias no paraíso tinham instaurado no meu corpo e na minha mente. 

Mas as coisas materias a gente repõe, e temos um novo ano pela frente. E eu gostei dessa tal dessa paz de corpo e alma aí, e é atrás dela que eu vou. Como eu disse, esse ano eu quero ir além. E ficar aqui lamentando as coisas da vida logo no começo do ano não é coisa de quem quer ir a lugar algum, rs.. Então a gente montou uma força tarefa pra ajudar minha irmã, vamos resolver o que tem que ser resolvido, pensar positivo e pra frente, e assim entro eu em 2016: cheia de fogo no rabo e vontade de fazer e acontecer.

Abotoar ou não abotoar, eis a questão

Eu fui uma criança muito magricela, do tipo que arredondava o peso pra cima. E sabe o que rola com uma criança magra assim? Ela acostuma a comer tudo o que quer. Sem o menor pudor, a menor cerimônia. Todo mundo acha lindo ver aquela caveira infantil lambendo as beiradas do prato, nadando numa tigela de purê. E aí que eu me aproveitava mesmo... Tinha bolo em casa? Eu basicamente sentava com a forma em frente a tv, e ia cortando quadradinho por quadradinho, assistindo o Chaves, o Jornal Hoje, o Video Show com o Falabella, o vale a pena ver de novo, a Lagoa Azul e quando chegava Malhação a forma estava vazia. Meu corpo é tão cara de pau que nem dor de barriga não me dava. Minha mãe ficava muito puta da vida, me dava sermão, mas no mês seguinte tinha bolo de novo, ela mandava não comer e ia pro trabalho... Senta lá, Claudia. 

Eis que virei adolescente, e dei aquela engordada básica. Na cidade pequena onde eu morava, foram perguntar pra minha melhor amiga se eu tava grávida, rs. Mas fato é que só ganhei uma bunda, umas perninhas, e tal, mas gorda mesmo, não fiquei. Que que eu fiz? Aprendi a fazer uma gororoba com batata. Põe a batata no microondas até ela ficar mole, depois amassa, depois taca sal, manteiga e queijo em cima, bota de volta no microondas pra derreter, e se joga. Eu me jogava. Todo dia. Ganhava uns 3 gramas cada vez que fazia isso. 

Bom lembrar que nessa época, além de comer feito uma louca, eu dançava ballet, sapateado, desbravava Pariquera-Açu de um canto ao outro numa tarde montada na bicicleta, trepava em todas as árvores possíveis e imagináveis, ia até na padaria de patins, e depois subia um puta dum morrão em cima deles mesmo pra chegar em casa.

E aí minha gente, como é que faz pra botar na cabeça de uma criatura com esse histórico que não da mais pra comer que nem lutador de sumô? Como entender que o metabolismo aos quase 30 não é mais o mesmo metabolismo de os quase 13? Que o único exercício que faz é correr atrás de um pimpolho dentro de um apto de 50 m2, e ainda assim fica ofegante? Eu não sei. 

Hoje eu como menos bobagem. Mas AMO fazer um mega prato de arroz, jogar feijão por tudo, botar bife, botar batata (gente, não vivo sem batata), mandioca. Ou então fazer um risottinho, assar uma carninha. Ou ainda quem sabe fazer uma sopinha... e tomar mil pratos dela. Sério. Tomei 3 pratos cheios de sopa ontem, pro horror dos demais componentes da mesa. Mas é que estava tãããão gostosa... e era de legumes, e foi minha mãe que fez. 

To sofrendo... To sofrendo porque eu to engordando. Não vou ser besta de falar aqui que to gorda, porque acho até falta de respeito, mas to engordando devagarinho. Uma calça que eu comprei faz 3 meses (antes do projeto #morraBeckyBloom) já não ta querendo fechar. Vou em restaurante e fico com vergonha, porque todo mundo parou de comer, e eu quero comer pra sempre. Sofro porque simplesmente não sei passar vontade. Como tudo que quero, e quero comer tudo. 
To aqui pensando se vou ter que vir a público fazer promessa de diminuir a comilança, porque pelo jeito, só assim eu crio vergonha na cara. 

Agosto, o terrível

Agosto ta rolando faz uns 6 meses, já... Ta dando uma canseira do inferno, e a impressão é que chega Simone cantando entãããão é Natal!, mas não chega setembro. Apesar de estar de saco pra lá de cheio de agosto, o mês não foi de todo ruim, não. Eu ainda não recebi a indenização integral do seguro do carro, mas consegui dar um jeito e já comprar o carro novo. Assim, pude dar cabo da minha mudança, finalmente. 
Hello, nova vizinhança
Uma vez mudada, minha qualidade de vida vai dando passos largos rumo à decência. Só o fato de, ao invés das 2h de antes, eu gastar meia hora pra voltar do trabalho pra casa, já é um grande adianto. Mas além disso, no prédio novo tem uma mini academia, onde tenho ido dar umas caminhadas na esteira. Também estou me inteirando da programação do Sesc Pinheiros, e em breve quero começar a me exercitar por lá, porque agora sobra tempo, gente! Pra finalizar, lá na casa antiga eu era a louca do delivery. Pedia umas comidinhas todo dia (ou saia pra comer). E por mais que eu não seja nenhuma Ofélia, tenho tentado não sobrecarregar o boy com as tarefas domésticas. Com isso estou me aventurando mais na cozinha, o que significa menos refeições fora de casa, ou seja, money na carteira.

Ali pela vizinhança também tem alguns amigos de Mati. Já faziamos várias coisas juntos nos finais de semana, mas agora tem rolado algumas distrações semanais, e esses gringos tem cada ideia, hahaha... Um dia ficamos viajando com um telescópio, vendo pessoas entrando e saindo do metrô, mocinhas retocando maquiagem no trânsito da marginal e uma menina brincando de fantasma com um lençol no jardim de casa. Eu sei que tem todo um quê de voyerismo, mas foi divertido por uma meia hora. Ontem fomos brincar de fazer sushi, e acreditem se quiser: ficou bom. 

Agora, o que queria dizer mesmo, é que parece que comprei carro faz 6 meses, mas faz 20 dias. Que mudei faz 2 meses, mas faz só 2 semanas. Parece também que comi sushi 10 dias atrás, mas foi ontem. A sensação é essa mesmo... Que o tempo ta arrastado, que o verão não chega nunca, que as férias aconteceram em outra vida, que o futuro mora longe. Eu quero feriado, quero sol, quero dias longos, quero mar, calor e carnaval. Quero que agosto fique pra trás, quero setembro branco pra eu pintar de vida colorida. 

As dores de crescimento

Gosto de cultivar as amizades que faço pelo caminho. Tento manter contato, estar presente de alguma forma, e ter pessoas de diferentes momentos da vida comigo. E ainda que vá conhecendo tanta gente pela estrada, tenho até hoje as minhas amigas de infância. São pessoas que se conhecem desde que farmácia escrevia com ph, aquelas que estiveram em todas as festinhas de aniversário e são família, abrem a geladeira da casa dos meus pais sem a menor cerimônia.

Tenho as amigas do cursinho, as amigas da faculdade, as amigas do meu primeiro emprego, amigas que fiz pela vida. E apesar do vínculo individual que tenho com cada uma dessas amigas, nenhum grupo se manteve tão unido como aquele, o primeiro. 

Juntas saímos do ensino fundamental, fomos pra Porto Seguro, cada uma deu seu primeiro beijo, viramos calouras de faculdade. Nem todo mundo no mesmo lugar, mas todo mundo sempre junto. Viajamos, fizemos intercâmbio, nos formamos, trabalhamos, namoramos, nos consolamos, pulamos muito carnaval. Na Ilha Comprida, em São Luis do Paraitinga, no Rio de Janeiro. Sempre estivemos vivendo mais ou menos a mesma fase, sempre fomos um coletivo e nunca existiu uma, sempre fomos todas.

Estamos aqui, todas batendo na casa dos 30 e, pela primeira vez, tenho a percepção que estamos começando a olhar pras nossas vidas de forma individual. E como dói... Como é triste ver que a distância começa a crescer, que a vida pode nos levar por caminhos distintos (embora a direção não seja muito diferente). Que as vezes não entendemos mais as decisões umas das outras. Que deixamos de ser um bando de meninas malucas e viramos mulheres com suas conquistas, seus problemas e toda a bagagem emocional que vem com eles.

Não deixamos e nunca deixaremos de ser o melhor grupo de amiga de infância que alguém pode querer ter. Acho, inclusive, que todo mundo passa por isso, né? Sempre tem aquele momento em que você não sabe o que sua amiga tão maravilhosa ta fazendo com aquele boy xoxo, ou ainda aquele momento em que você fala "se você beber outra tequila você vai vomitar e eu não vou segurar o seu cabelo", e ela toma, vomita e você segura, muito puta da vida. Todo mundo tem...

Mas agora que estamos ~crescidas~, fico com a impressão que esses momentos são mais sérios. Hoje nossas vidas são mais independentes e é muito fácil ter uma briguinha besta e ficar 10 dias sem conversar, afinal de contas tem relatório pra entregar, chefe pra aturar, trânsito pra enfrentar, namorado pra amar. Além do que, nós, que sempre fizemos tudo juntas, não estamos mais exatamente no mesmo estágio das coisas. Tem uma que vai casar, a outra vai juntar, a outra ta na pixta pra pegar... Tem quem queira estudar, quem queira trabalhar e quem precise decifrar o que será do futuro. E por mais que sigamos falando a mesma língua, começam a surgir alguns bois na linha.

Eu sei que elas estarão comigo pra sempre, sei que o filho de uma será filho de todas, que seguiremos forever and ever dando pitacos não solicitados e usando todo o passado mal assombrado que ficou em Pariquera (e no bosque da USP, no Largo de São Francisco, na Gioconda, em Ipanema e no Burguer King da Santo Amaro) para sacanear quem for preciso, mas as vezes eu só queria que o tempo parasse de fazer isso com a gente. Parasse de esfregar na nossa cara que crescemos, que podemos ser egoístas, que sabemos viver sozinhas no mundo.

Tempo, tenho certeza que daqui 50 anos, vamos fazer um churrasquinho regado a caju amigo e tirar uma foto pra você:

Gotas

* O Projeto Elba Ramalho segue de vento em popa - e por isso ando mais descabelada que nunca. Sério... cheguei na fase cogumelo, e tá bonito não. A raíz ta armada, o cabelo segue enrolando por uns 8 dedos e depois desce aquela coisa lisa e sem vida pra baixo. É de chorar de tristeza, mas vamos que vamos. Comprei uns cremes de hidratar, tenho dado uma atenção especial, gastado uns dinheirinhos no salão e espero do fundo do meu coração ser recompensada com uma cabeleira a la Ana Paula Arósio (ahammm senta lá, Claudia). 

* Estou prestes a terminar um curso online. Vocês tem noção da magnitude de uma coisa dessas? Eu já comecei uns 4, nunca terminei. Va lá que dessa vez eu paguei em barras de ouro em doláres para ter o certificado da Universidade, então eu tinha obrigação de levar a sério, mas né... Segue sendo uma evolução. Falta só fazer a revisão e a prova final. To MUITO orgulhosa - e cantando vitória antes da hora, as always. 

* A indenização do seguro ainda não chegou. Hoje de manhã, fui dar aquela olhada no internet banking, e uma lágrima escorreu quando vi que a segunda parcela do financiamento do carro caiu. Todo dia um 7 X 1...

* A morte lenta e dolorosa da Becky Bloom segue sob controle. Um mês se passou, e não comprei nadica. Parabéns pra mim!

* Me dei conta que estamos em agosto, e que minhas metas para 2015 estão bem mal das pernas. Os exercícios físicos estão limitados às pedaladas de final de semana, os livros ficaram nas férias, a Europa foi trocada por Cuba (bom motivo, ao menos), o voluntariado também perdi de vista, enfim... Shame on me. Será que em 4 meses eu consigo reverter? Se alguém quiser me dar uma passagem pra Europa, já adianta pro meu lado.

* Hoje lembrei dessa música, uma das minhas favoritas lá do tempo do Wisconsin... Fazia anos que não houvia, e como sempre, me arrancou uma risadinha. Que agosto seja suave :)


O purgatório

Acabada a novela americana do intercâmbio (capítulos 1, 2 e 3), começou a novela mexicana do retorno. Minha gente... Se vocês pensam que é triste dar tchau pros pais no aeroporto na ida, queiram nem saber a merda que é o dia seguinte da volta. Por que assim, você chega, ta todo mundo te esperando, é uma maravilha reencontrar pai, mãe, tios, amigos, beber 5 litros de Guaraná Antarctica e comer 5 pães franceses, uma salada de palmito fresco, só alegria. Daí você deita pra dormir, e é tudo muito esquisito... Parece que tudo que você viveu mal existiu. De novo, a história da realidade paralela.

Começando que lá eu estava num lugar muito seguro. Deixava a janela do carro aberta e tudo de ruim que acontecia era uma criança abestada ligar meu farol, me deixando sem bateria. Era também um oasis de civilização: embora não tivesse muito pedestre dando sopa, era só um por o pé na rua que os carros paravam. Ao lado da minha última casa tinha um ponto de manutenção de postes da Verizon (a Telefonica deles), e em vários dias de sol eu me esticava de biquini no jardim (lembrem que naquelas terras não tem muros), e não ouvia um fil fil. Os brutamontes de macacão entravam e saiam o dia inteiro, e não davam a mínima pra minha bunda de biquini. Uma paz. 

Ai você dorme, e acorda em São Paulo... caos rolando, semi atropelamento, tentaram bater minha carteira no metrô, aquela maravilha. Vá lá que tinha uns (vários) probleminhas nos EUA também, mas nessas horas a gente não lembra, né. E aí eu, que ganhava alguns mil dolares mensais pra ser salva vidas, virei "mão de obra qualificada". Estagiava por 8h em escritório renomado, e ganhava uma coisinha... E ainda por cima, eu estava apaixonada, meus amigos.. eu estava crentíssima que tinha encontrado o amor da minha vida. E ele não estava no mesmo hemisfério que eu... 

Pronto, tava feita a merda. Chorei dias e noites, tardes e madrugadas, nonstop. Eu dormia na aula, eu chegava no escritório e ia pro fórum, chorava no caminho de ida, no caminho de volta, e entre um processo e outro, chorava na escada de incêndio do João Mendes. Eu era a Maria do Bairro, eu era um trapo de gente. Eu sofri tanto, MAS TANTO, que eu ouvi da minha mãe que aquele intercâmbio foi o dinheiro mais mal gasto da vida dela. Não a julgo, rs... no lugar dela, pensaria a mesma coisa. Eu queria que o Direito explodisse, eu queria que o Mackenzie explodisse, eu queria ser salva vidas pro resto da minha vida, eu queria me afogar em Long island Iced Tea, eu queria meu amor, meus parques, minha liberdade, eu queria nunca mais ter que pedir dinheiro pros meus pais. Eu devo ter semi vegetado por uns 6 meses, só sabia pesquisar qual era o modo mais rápido de sair do Brasil ou, usando as minhas palavras da época, "fugir dessa desordem". Quis ser au pair, quis migrar pra Dinamarca, quis trabalhar em navio, quis fazer qualquer coisa. Só não queria estar onde estava.

Mas, como dizem por aí, não há mal que dure para sempre. Aos poucos a vida foi engrenando. Aos poucos, eu fui encontrando espaço para a Gabriela que voltou. O estágio foi ficando cada vez mais e mais interessante, as melhores amigas do mundo me ajudaram, a gente saía muito, a gente ria muito, a gente aprontava todas, e eu fui vivendo. Revivendo. Entre 2008 e 2010 eu vivi uma fase incrivelmente divertida, complicada, cheia de altos e baixos, cheia de VIDA, da melhor vida que você pode ter, aquela que é bem vivida. Em julho de 2010 eu me formei, eu passei na OAB, eu estava livre para ir para onde eu quisesse. 

E pra onde eu quis ir? Isso mesmo, pra lugar nenhum. 

E aqui ainda estou. Gostaria ainda de morar fora um dia? Sim. Mas nada grave... Não explodi o Direito, muito menos o Mackenzie, não me afoguei num copo de cerveja, não virei au pair, não voltei a ser lifeguard. Eu amo São Paulo, amo meu caos, e não amo o que eu achei que era amor. Eu simplesmente aprendi que a vida se encarrega de levar a gente pra onde a gente deve ir. A nossa única obrigação é perceber pra onde o vento está soprando.

E por que eu estou contando isso? Porque na época da loucura desenfreada de EU PRECISO IR EMBORA DESTE LUGAAARRRRR, ou seja, segundo semestre de 2007, por aí, eu comecei a acompanhar blogs de brasileiros e portugueses pelo mundo. Eu queria ver o mundo pelos olhos dessas pessoas, queria aprender sobre lugares pra onde eu talvez pudesse ir, e mais do que tudo, queria me alimentar de esperanças de que havia luz no fim do túnel. Acompanhei muitas dessas pessoas por anos, "vi" famílias lindas serem construídas, histórias malucas pelo mundo, retornos melancólicos, recomeços esperançosos. A vontade de fugir passou, mas eu continuava adorando ver a vida pelo mundo. Dessa leva de blogueiros que comecei a ler em 2007, acompanho ainda uns 2 ou 3. Mas fui pingando de blog em blog, "conhecendo" muita gente, torcendo pelas vitórias, ficando feliz com as conquistas, como se fossem amigos meus. E acho que de alguma forma são sim, amigos que as vezes nem me conhecem, mas que me ajudaram de alguma forma a sair das trevas, haha.

Obrigada, blogosfera, você fez do meu purgatório um lugar muito mais habitável <3

Follow @ Instagram

Back to Top