Mostrando postagens com marcador Família. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Família. Mostrar todas as postagens

As dores da partida

Meus pais estiveram aqui pela segunda vez. Foram dez dias maravilhosos... conversamos sobre tudo, mostrei a eles alguns dos meus lugares favoritos em Berna, fomos pro Ticino e também pra Italia, eles viram a primavera explodindo por aqui, e deram sorte com dias lindos e ensolarados. Foi tudo bem gostoso. Mas foi também melancólico. 

Melancólico porque mais uma vez percebi que, ao deixar o Brasil, deixei também a convivência próxima com eles, o contato frequente, um dia a dia que, mesmo distante, é mais perto, e que nos matem acostumados uns com os outros. Além disso, meus pais não são muito jovens, alias, já passam dos setenta. E com a idade, vem manias, teimosias, que talvez sempre estivessem lá, mas que eu nunca me dei conta. Me peguei em vários momentos irritada com besteiras, os criticando por coisas que eu nunca tinha dado atenção, e indo dormir todos os dias mortificada por culpa de não ser uma filha melhor.

São coisas que talvez, se eu ainda vivesse no Brasil, sentiria também. Mas que por não viver, ficam martelando culpa na minha cabeça. Uma culpa que nunca imaginei sentir. Culpa por estar longe, por ter escolhido viver distante, por ser feliz aqui tão longe, por não ser mais presente, e por ter me tornado tão diferente. Por ficara querendo que eles sejam milimetricamente igual à imagem que eu tenho na minha cabeça, por não dar a eles a folga que eu pedi a vida inteira.

De todas as dificuldades de morar fora, essa é a mais difícil. Porque todo o resto é sobre minha minha vida e minha felicidade. Mas essa é também sobre a deles. E apesar de todas as implicâncias, dos cutucões e das diferenças, o que eu tenho de mais forte e profundo dentro de mim, é o amor por eles. Sentir que, ao colocar um oceano entre nós, deixei com que tantas outras coisas entrassem no caminho, é difícil pra mim. No fim, acho que a gente sempre espera que, na relação de pais e filhos, os culpados por tudo sejam eles. Ao me pegar tão culpada por tudo, senti mais que nunca a responsabilidade pelas escolhas que fiz. E tal qual a criança que sempre serei aos olhos deles, não sei lidar com ela. 

Sobre amores e amigas

Andei sumida, mas é porque eu estava respirando amor por aí... Acabo de chegar do Brasil. Como assim, mal vim e já voltei? Isso mesmo. Tem algumas coisas na vida da qual não dá pra não participar. E se não dava pra eu não estar presente nesse primeiro mês em Berna, ao lado de Mati, descobrindo nossa nova cidade e novo lar, também não dava pra não estar ao lado dela no dia do sim. 

Já falei aqui sobre o quanto prezo minhas amizades, o bem mais valioso que cultivei na vida. E ela está na minha vida desde os 5 anos de idade, desde o fatídico aniversário do Paulo Victor. Desde aquele dia, nos acompanhamos nos primeiros dias de aula, ela me viu beijar pela primeira vez, eu a consolei no primeiro término. Nós planejamos dominar o mundo, e assim fizemos. Começamos conquistando São Paulo, a USP e a Maria Antonia. Fomos pra França e pro Wisconsin. Voltamos espalhando nosso domínio pela Faria Lima, festas da GV e bares da Vila Madalena. Voamos alto, levamos o encanto pra Bahia, Rio de Janeiro, Ilha Grande. E então ela foi pra NYC. Mas seguimos comandando a conquista por Chicago, Brooklyn, Chelsea, Cartagena. Como a gente fala, fizemos um grande mosh na vida.










E todas essas conquistas nos levaram pra Praia do Forte, pro dia 27 de agosto, o dia em que mais uma vez, estávamos lado a lado, no altar, no dia mais lindo da vida dela, um dia lindo pra mim, um dia lindo pra nós. A assessora disse que nunca viu madrinhas tão unidas, tão amigas. E eu acho que é verdade mesmo... Porque poucas pessoas no mundo tem essa sorte, de ter há quase 30 anos a companhia de amigas, irmãs, parceiras na riqueza e no puxadinho com rato de São Luis do Paraitinga. E é por isso tudo que eu viajaria o mundo quantas vezes precisasse pra estar ao lado dela nesse dia. E viajarei pra sempre, pra trocar aquele olhar que só a gente entende, aquele abraço que como poucos acolhe, e pra olhar pra ela e saber que ela é a pessoa mais feliz do mundo.

Para o amor da minha vida

Quando te conheci, você mal conseguia dar 3 passinhos sem tropeçar no próprio pé e cair. Você não falava nada, só fazia barulhinhos. Mas dava muitas risadas gostosas e tinha esses olhos curiosos atentos a tudo. Lembro da primeira vez que peguei você no colo: um corpinho pequeno e macio, aquela barriguinha enorme e fofinha, vontade de morder. 

Você virou meu melhor amiguinho. Eu te ensinei a te abraçar, a falar português, a chamar o papai de coxinha. Te ensinei a fazer bolinhas de sabão, a contar até 10, a fazer borboletas com as mãos. Junto com papai, fizemos potty party, poopy dance, te ensinamos a usar penico. Juntos aproveitamos todos os parquinhos de Pinheiros, andamos de bicicleta, fizemos caça ao tesouro, andamos de skate, pulamos na lama, tomamos banho de chuva. Juntos fomos à praia, cantamos até o interior, corremos atras das galinhas na fazenda. Brincamos de carrinho, de boneca, trocamos fralda de todos os animaizinhos da fazenda, de esconde esconde, e você sempre com o bumbum de fora do esconderijo. Construímos cidades de lego, lemos livrinhos, inventamos músicas e vivemos felizes na nossa tenda.  

E você, tão pequenininho, me ensinou o amor mais puro do mundo.  O amor que me fez ter noites em claro em quanto você tossia, que me fez passar 24h de coração apertado num hospital, que me fez abraçar você todas as horas que podia, que me fez sonhar com seu sorriso, que me fazia gostar das 7h da manhã, a hora que você vinha deitar na nossa cama e brincar de sanduíche. O amor de quem não colocou um filho no mundo, mas que colocou dentro do coração o filho que o mundo me deu.

E me despedir da nossa vida a 3 aqui foi - e está sendo - a maior dor que eu poderia viver. Olhar você entrar naquele embarque despedaçou meu coração. Voltar pra essa casa sem você me fez sentir que é hora de partir, porque ficar aqui sem o seu cheirinho não faz sentido. 

Eu sei que você vai ser muito feliz, e eu sei que eu também vou. Mas eu sei que seremos sempre mais felizes quando estivermos juntos, nós 3 somos um só coração. Como eu te disse todos os dias nesses seus poucos anos, você é o amor da minha vida, e sempre será. Perto ou longe, você sempre será um pedacinho da gente. O melhor pedaço. 

E não se esqueça: quando você olhar pela janela em Minesotta e estiver nevando, nós estaremos olhando para a neve na janela em Bern, e estaremos juntos.

Com muito amor,
Sua Gaga.

Casamento Low Budget

Hoje em dia o mercado de casamentos aqui no Brasil está completamente fora da realidade. As pessoas entraram numa neura de como tem que ser um casamento, do que tem que ter, e as empresas entraram no clima de esbanjação total. O céu virou o limite. 

Quando começamos a pesquisar sobre o nosso, eu quase desistir. Resolvi que o melhor mesmo seria comer uma pizza depois do cartório, porque era tudo absurdamente caro. Inviável para alguém que paga aluguel, que está mudando de país, gastar 50 mil - no mínimo - numa festa íntima. Juro que as coisas começam aí. E no fim a gente fez um casamento, sem modéstia, lindíssimo, sem passar 1 real do budget (que não chegava nos dois dígitos). Por isso, vou compartilhar algumas coisas aqui, pode ser útil pra alguém que esteja querendo fazer algo parecido - e pra quem pediu mais fotinhos do nosso dia, vou colocar algumas :)

Reafirmo o que sempre digo aqui: é a minha experiência, sem verdades absolutas.
* * *

Primeira pergunta: o que você quer pro seu casamento? Quer uma festa, uma balada, um almoço no campo? Acho que ter isso em mente é muito importante. Vai impactar na sua lista de convidados, se vai ser de dia ou de noite (e em consequência no preço do local, que é mais caro para a noite), etc. Nós queríamos uma celebração pós cartório que tivesse a ver com a nossa vida, um almoço para reunir quem amamos. Queríamos que fosse em Pinheiros, ir a pé de casa, que tivesse a ver com a nossa história e o nosso estilo de vida, que fosse simples e charmoso. 

Definir a lista -  esse é o item crucial para determinar todos os gastos do casamento. Nós optamos por chamar somente as famílias. Eu preferi assim, porque não queria escolher entre meus amigos. Mesmo contando somente o grupo mais seleto e chegado, se for considerar os +1, a minha lista aumentaria em no mínimo 20 pessoas. Assim, fechamos a nossa lista na família próxima: pais, irmãos, avós, tios e primos super próximos. Sei que teve gente da família que ficou chateado, mas paciência. Mati tem pouca família, vieram os pais e a irmã, mas ele tem a família dele aqui - os amigos que nesses 5 anos deram toda a força e suporte. E assim, fechamos a nossa lista em 30 convidados.

Local - com a lista em mãos, procuramos locais que fariam sentido pro conceito de casamento que queríamos e que comportasse 30 pessoas com conforto. Pedi alguns orçamentos, e na hora de ver o que valia a pena, sempre fazia a conta por convidado. Tem todo tipo de negócio: só local e buffet a parte, local com buffet incluso, etc. Eu queria ter que lidar com o mínimo de fornecedores possíveis - isso barateia e dá menos trabalho, já que parte da economia está em não contratar assessoria (o que mal faz sentido quando se fala num casamento mini). Assim, fechamos o Vila das Meninas, um restaurante na nossa rua que adoramos, frequentamos, tem relação com a nossa vida, e que além de lindo é delicioso. 
E tem esse corredor <3
Convites - rapaz do céu, fiquei chocada com os preços de convites. A gente precisava de 20 convites, e teve fornecedor que me fez orçamento de 980 reais, rs. Ridículo, né? Pra complicar, queríamos duas versões, uma inglês e outra em português (ou seja, seria como 980x2, porque esse era o preço para o mínimo de convites). Fui à uma loja de papeis especiais, comprei o papel e os envelopes. Mati fez o design e imprimiu numa impressora à laser. Devo dizer que não custou 150 reais, rs. Ficou como queríamos, recebi vários elogios e ainda sobrou papel e envelope suficiente pra gente fazer as etiquetas das lembrancinhas e depois enviar cartões de agradecimento pelos presentes. 

Decoração - quando comecei a procurar o local, era pré requisito que ele fosse charmoso justamente para não ter que gastar com decoração. A do Vila é bem do jeito que eu gosto: madeira, objetos charmosos, clima de casa arrumada porém despretensiosa, rs. Assim ficou fácil: tudo que eu precisava era vasinhos para as mesas. Quando digo que o número de convidados influencia em tudo, é isso: quantas mesas você vai precisar? E então, quantos vasos pras mesas? Eu gosto de flores do campo, e com isso em mente, ao invés de chamar uma decoradora, eu mesma fui à loja, escolhi os vasinhos e as flores. A ideia inicial era eu mesma montar os vasos em casa na véspera, mas então chequei o preço e a montagem+entrega no restaurante pela própria loja e ficava em R$150 reais. Compensava pagar. Eu comprei os vasos, que eram pequenos, mas não teria o que fazer depois com 25 vasinhos, certo? Assim, defini que eles seriam a lembrancinha. Todo mundo levou um vaso lindo pra casa, e pra gente foi um item a menos na lista. 
Lembrança com etiqueta feita pelo Matt

Bolo e doces - no menu contratado com o Vila servia sobremesa, assim já dispensei doces de cara, uma preocupação a menos. Pedi alguns orçamentos de bolos e devo dizer que teve gente que nem me respondeu, porque não trabalha com coisas pequenas. Eu queria um bolo simples mas bonito e gostoso. Fomos fazer a prova, escolhemos como seria, e depois eu confiei. Acabou sendo um pouco mais caro do que queríamos pagar, mas valeu a pena. Além de lindo, estava divino de gostoso, e eu congelei o que sobrou, estou comendo até agora e ele segue fofinho. Minha mãe queria um cento de bem casado. Como era só um cento, não tinha volume, percebi pela pesquisa que não ia achar muita variação de preço. Esse é outro ponto de um casamento pequeno: baixa quantidade faz com que você trabalhe sempre no mínimo das pessoas, é difícil pechinchar. 

Bebida - fechei para o restaurante servir cervejas, refrigerantes, sucos e caipirinhas. Mas queria muito fazer um brinde - e eu adoro um espumante - então definimos que teríamos umas garrafas. Como pra isso teria que pagar rolha pro restaurante, fui atrás de um espumante de qualidade com preço amigo. Acabei pesquisando em várias adegas no google, rs, e paguei um preço muuuuito bacana por um espumante excelente. 

Música e Fotografia - a música foi playlist nossa, com tudo que gostamos de ouvir e que tem significado em nossa vida. Fizemos e Mati foi lá deixar no jeito antes de irmos pro cartório. A fotógrafa foi uma amiga mais que querida. Eu não queria ter estranhos no meio de uma celebração tão íntima, e sou sortuda a ponto de ter uma amiga fotógrafa talentosíssima, que ficou tão honrada com o convite que fotografou no amor. E as fotos estão essas lindezas aí. 

Dica final - contratar pessoas em quem você sinta confiança. Conversei com todas as pessoas envolvidas nas questões acima. Fizemos prova de menu do restaurante, prova do bolo, e conversei muito com os responsáveis. Como eu não teria assessoria, as coisas seriam entregues no dia do casamento e eu só veria na hora, eu precisava confiar neles, confiar que sairia como eu queria. E eu confiei. As flores foram entregues no Vila e a própria equipe de lá se encarregou de colocar nas mesas e estantes. O bolo eu vi na hora e estava mais bonito que eu imaginei, assim como os vasos de flores, que estavam lindíssimos.

Mas e aí Gabriela, você não jogou o buque? Então... Pra ter os amigos presentes nesse dia sem ter que escolher quem ia, nós marcamos uma baladinha à noite no Secreto. É um clube que adoramos, vamos muito, tem tudo a ver com a gente. Assim pude chamar todo mundo que eu sei que estava mandando boas vibrações, que gostaríamos de abraçar nesse dia especial. Mandei a lista pra todo mundo entrar num esquema bom, e voilà. Dançamos até amanhecer, joguei buquê, foi lindo!

Moral da história: da sim pra fazer um casamento muito lindo sem se endividar, sem gastar mais do que deve. O que você vai precisar é parar de achar que tudo tem que seguir a forma clássica de casamento. E também,  fazer escolhas. Me questionaram sobre "fazer casamento na balada". Ou sobre não ter mesa de doces. Ou sobre não chamar nem as minhas melhores amigas pra cerimônia. E eu resolvi bancar minhas decisões, porque estava segura do que queria, e principalmente, do que podia. Não me arrependo de nada. Será pra sempre o melhor dia da minha vida <3

* * *

{ a m o r }

Eu ainda estou inundada pelo mar de amor e boas vibrações que me invadiu na última semana. Entre a correria que foi organizar os detalhes finais, a ansiedade por estar vivendo algo tão intenso e as noites mal dormidas, era uma alegria imensa receber os recados carinhosos, os desejos de felicidade e todas as manifestações de amor que chegaram até nós. Sério, foram os dias mais especiais da minha vida. 

Amigos de toda a parte do mundo nos mandaram mensagens por whatsapp, facebook, instagram, site do casamento, cartão, tudo. Nós vimos tudo o que planejamos para esse dia se materializar da forma mais perfeita. Nós vimos nossas famílias se encontrarem e se abraçarem. Nós brindamos com as pessoas mais importantes da nossa vida. Nós dançamos até amanhecer com os melhores amigos que alguém pode ter. Nós choramos as lágrimas mais felizes. E acho que pro resto da minha vida, irei fechar os olhos e lembrar o que foi entrar no salão e ver aqueles olhos olharem para minha família e sentir o que eu sinto todos os dias: amor. 

Xmas feelings

O espírito natalino as vezes me pega muito, as vezes só um pouco. Esse ano ele me agarrou, chamou de meu bem e jurou amor eterno. Montei árvore, comprei presentes como nunca antes na história desse país, mandei cartões pelo correio, fiz visitas, confraternizações, e até me emocionei com o coral do shopping. How cafona is that?

Minha mãe sempre montou árvore de Natal em casa, e eu adorava ajudar ela, adorava ver a árvore com suas luzinhas no canto da sala. Então, esse ano resolvi que iríamos ter nossa árvore. Depois de uma leve discussão com o gringo que sabe de nada e queria um pinheiro natural no Brasil em dezembro, optamos por ter nosso arbusto de Natal. 
Não ficou lindo nosso buchinho natalino?
No meio da porrada de viagens que eu fiz, os presentes estavam ficando pra escanteio. Cheguei ao cúmulo de comprar o presente de um amigo secreto 2h antes da entrega. Mas nesse final de semana eu tirei o atraso, e comprei presente pros sogros, cunhada, mãe, vó, comadres, amigo livro e todos mais que se possa imaginar.

Também, é verdade, comprei uns presentes pra mim e acabei burlando o meu desafio das compras. Não to orgulhosa, não to achando bonito, mas também não vou mentir. Lá na minha lista original tinha roupa de ano novo. E sim, roupa de ano novo quer dizer a coisa toda, parte debaixo, parte de cima, e tal. Mas eu comprei a bendita roupa. E aí eu fui comprar um presentinho na C&A mais próxima e me deparei com duas coisinhas lá, lindíssimas, bem acabadas, cara de roupas ricas, e eu naquele espirito natalino, sabe... Comprei. Errei feio, errei rude. Mas ok, vida que segue - e pra quem se interessar, dê um pulo na C&A, rs... ta cheia de coisa bonita.

Teve almoço do Natal com o pessoal do trabalho, happy hour com os amigos da vida, jantar com as amigas de infância, drinks com as amigas da faculdade, e teve o melhor jantar de todos: chegar de viagem a trabalho, e jantar no aeroporto com Mati que estava seguindo pra California. Estar sentada ali segurando a mão dele, vendo as chegadas e partidas do aeroporto, me fez entender porque o Natal ficou tão importante pra mim: porque eu formei minha família. E Natal é sobre isso, o amor da família da gente. Seja aquela em que nascemos, seja a família  que formamos, seja a que escolhemos.

Que vocês tenham um Feliz Natal <3

Step by step

No dia em que conheci o Matt, ele logo deu um jeito de falar que era pai solteiro. Pra mim foi um choque, porque eu era daquelas que achava que crianças começariam a participar da minha vida daqui uns 10 anos, através das amigas. Mas também não dei muita bola, porque achei que esse rolo, assim como todos os outros, não ia muito longe.

Ha. Ha. 

Cá estamos, um ano e meio depois, madrasta (quase) full time, rs. Digo quase porque o esquema é como guarda compartilhada, ou seja, metade pra cada. Isso significa metade da semana, metade dos finais de semana, metade dos feriados, metade do carinho, metade das fofurices, metade dos pitis, metade dos cocos. E tem sido, de longe, o maior desafio da minha vida, porque (i) eu tinha zero intimidade com criança, (ii) embora eu esteja aqui o tempo todo, ele tem pai e mãe, então, na maior parte do tempo eu sigo as regras dos outros, (iii) eu, que não estava nem mais familiarizada com o "relacionamentos", entrei em que tinha ~algumas~ responsabilidades a mais.

Só fui conhecer o baby quando tinhamos muita certeza sobre nós. Estávamos juntos há alguns meses, e eu já tinha aquela sensação de ter encontrado um parceiro pra vida. Então, achamos que era hora, e eu fui encontrar o toquinho de gente, 1 ano e meio de vida na época. De lá pra cá, tem sido um exercício diário. Exercício de aprendizado, de paciência, de entrega, de muito amor. Amor pelo baby, amor por Mati.

Falei outro dia aqui do fato de sermos civilizados. E somos mesmo... Mas isso não quer dizer que seja fácil, né. Tem que gerenciar o calendário de 3 adultos, as programações, as necessidades, os humores, etc, e sempre priorizando quem é o mais inocente nisso tudo. As vezes eu me pego pensando que a Gabriela de dois anos atrás jamais imaginaria que agora estaria lidando com os dilemas de um pequeno que não sabe se quer comer feijão ou iogurte, ou os dois juntos, ou nenhum dos dois e tacando tudo junto na parede.

Tem dias que são só alegrias, tem dias que são puxados. Mas a maioria é vida real mesmo, brincadeiras aqui, birras ali, e vamos seguindo. As lindezas são mais presentes, mas ainda assim, tenho uma criança em full terrible twos pela vida. É também por isso, entre tantos outros motivos, que eu tenho certeza do amor incondicional pela família que comecei. Porque mesmo nesses momentos complicados eu só quero ficar, ficar e amar.

As dores de crescimento

Gosto de cultivar as amizades que faço pelo caminho. Tento manter contato, estar presente de alguma forma, e ter pessoas de diferentes momentos da vida comigo. E ainda que vá conhecendo tanta gente pela estrada, tenho até hoje as minhas amigas de infância. São pessoas que se conhecem desde que farmácia escrevia com ph, aquelas que estiveram em todas as festinhas de aniversário e são família, abrem a geladeira da casa dos meus pais sem a menor cerimônia.

Tenho as amigas do cursinho, as amigas da faculdade, as amigas do meu primeiro emprego, amigas que fiz pela vida. E apesar do vínculo individual que tenho com cada uma dessas amigas, nenhum grupo se manteve tão unido como aquele, o primeiro. 

Juntas saímos do ensino fundamental, fomos pra Porto Seguro, cada uma deu seu primeiro beijo, viramos calouras de faculdade. Nem todo mundo no mesmo lugar, mas todo mundo sempre junto. Viajamos, fizemos intercâmbio, nos formamos, trabalhamos, namoramos, nos consolamos, pulamos muito carnaval. Na Ilha Comprida, em São Luis do Paraitinga, no Rio de Janeiro. Sempre estivemos vivendo mais ou menos a mesma fase, sempre fomos um coletivo e nunca existiu uma, sempre fomos todas.

Estamos aqui, todas batendo na casa dos 30 e, pela primeira vez, tenho a percepção que estamos começando a olhar pras nossas vidas de forma individual. E como dói... Como é triste ver que a distância começa a crescer, que a vida pode nos levar por caminhos distintos (embora a direção não seja muito diferente). Que as vezes não entendemos mais as decisões umas das outras. Que deixamos de ser um bando de meninas malucas e viramos mulheres com suas conquistas, seus problemas e toda a bagagem emocional que vem com eles.

Não deixamos e nunca deixaremos de ser o melhor grupo de amiga de infância que alguém pode querer ter. Acho, inclusive, que todo mundo passa por isso, né? Sempre tem aquele momento em que você não sabe o que sua amiga tão maravilhosa ta fazendo com aquele boy xoxo, ou ainda aquele momento em que você fala "se você beber outra tequila você vai vomitar e eu não vou segurar o seu cabelo", e ela toma, vomita e você segura, muito puta da vida. Todo mundo tem...

Mas agora que estamos ~crescidas~, fico com a impressão que esses momentos são mais sérios. Hoje nossas vidas são mais independentes e é muito fácil ter uma briguinha besta e ficar 10 dias sem conversar, afinal de contas tem relatório pra entregar, chefe pra aturar, trânsito pra enfrentar, namorado pra amar. Além do que, nós, que sempre fizemos tudo juntas, não estamos mais exatamente no mesmo estágio das coisas. Tem uma que vai casar, a outra vai juntar, a outra ta na pixta pra pegar... Tem quem queira estudar, quem queira trabalhar e quem precise decifrar o que será do futuro. E por mais que sigamos falando a mesma língua, começam a surgir alguns bois na linha.

Eu sei que elas estarão comigo pra sempre, sei que o filho de uma será filho de todas, que seguiremos forever and ever dando pitacos não solicitados e usando todo o passado mal assombrado que ficou em Pariquera (e no bosque da USP, no Largo de São Francisco, na Gioconda, em Ipanema e no Burguer King da Santo Amaro) para sacanear quem for preciso, mas as vezes eu só queria que o tempo parasse de fazer isso com a gente. Parasse de esfregar na nossa cara que crescemos, que podemos ser egoístas, que sabemos viver sozinhas no mundo.

Tempo, tenho certeza que daqui 50 anos, vamos fazer um churrasquinho regado a caju amigo e tirar uma foto pra você:

Que ano é hoje?

Ontem foi dia dos pais. Eu passei aqui, e de tarde fomos almoçar todos no Butantã Food Park, uma área cheia dos carrinho de cachorro-quente food trucks. Estávamos eu, Mati, baby e a mãe do baby, todos animados, presentes, cervejas e afins. E gente... as pessoas. AS. PESSOAS.

Estamos em 2015 e ainda é incompreensível pra alguns que esta, entre tantas outras, é uma das formas da família atual. Sim, nos damos todos bem, nos ajudamos, dividimos as responsabilidades. E sim, somos todos normais. Mas é incrível... O pessoal que dividia a mesa com a gente, pensando que éramos todos gringos, ficou falando a respeito da caruda "nossa, que gozado, né... todo mundo paz e amor, esses gringos são muito diferentes mesmo". E eu só quieta porque não tava afim de constranger ninguém no almoço de dia dos pais, rs. Quando fui jogar minha lata no lixo, percebi que a mesa de trás também estava comentando. Really, people?

E não é a primeira vez. Teve uma situação que me deixou bem indignada, justamente pelo machismo envolvido, e adivinhem? Isso mesmo, vindo de outra mulher. Foi em uma das primeiras vezes que saímos os 3 pra almoçar, eu, Mati e baby. Como ele ainda não estava acostumado comigo, Mati estava se ocupando de dar a comida pra ele, e eu estava lá de boa, escolhendo nossos pratos, fazendo gracinha pra ele, mas sem por ~a mão na massa~. Quando percebi, uma senhora na mesa de trás estava com o seguinte discurso: "Tem gente que não devia ser mãe. essa daí, por exemplo, não merece ser mãe... entrega pro pai, vê a criança fazendo manha pra comer e não se mete". Então, né, não tem jeito... numa sociedade em que mulheres pensam assim, homem vai sempre achar que qualquer coisa que faça é ajuda, é favor, e não que é responsabilidade e dever. Alias, quando conto que eles dividem absolutamente tudo em 50%, responsabilidades, deveres, custos, costumo ouvir de volta que ele é raridade.

Enfim, eu acho triste quando alguém fala que essa civilidade é ~coisa de gringo diferente~, como se o normal mesmo fosse todo mundo viver em pé de guerra e um dificultando a vida do outro. Acho triste que as pessoas, ainda que de forma indireta, acreditem que mulheres tem que viver competindo entre si. E pior: acho triste que ainda achem que o homem deve ser mero espectador, ou provedor, da criação dos filhos, que mulher deva se sentir "grata" quando tem um parceiro que assume todas as responsabilidades que a paternidade implica - ou seja, as mesmas que a maternidade. 

Diálogos com o futuro

Vó - Gabi, você gosta piada de pum?
Eu - Gosto...
Vó - Então vou esperar você se distrair e te pregar uma peça boa. 

* * * 

Vó - Tem que fechar tudo, porque se não o ladrão entra pela janela, ou pelo forro.
Eu - Que ladrão, vó... Interior tem nada disso. 
Vó - Tem sim. O ladrão entra por qualquer frestinha, leva tudo...
Eu - Tudo o que?
Vó - Tudo ué. Tudo que passa pela frestinha. 

* * * 

Vó - Você viu, coitado.. a filha dele está presa... 
Eu - Fala baixo, vó...
Vó - Tráfico de drogas, menina.. ta lá.. 
Eu - Vó, pelo amor, fala baixoooooo... 
Vó - Agora ele cuida do netinho..que judiação, né.. nunca se viu ficar carregando droga por aí...
Eu - SHIUUUU VÓÓÓ!

* * * 

Vó - Assim que eu gosto... namorado boa gente...
Eu - É.. ele é gente boa mesmo...
Vó - Isso mesmo... você é de boa família, não é menina bandoleira... 
Eu - Que que é isso de bandoleira?
Vó - Essas meninas aí... 
Eu - Que meninas ai?
Vó - Essas que beijam, que ficam... 
Eu - ...

* * *

Minha vó é assim. 89 anos de puro amor e piada surpresa de peido. 

De onde vim

A minha empresa aprontou uma daquelas... Durante uma conferência, fizeram um trabalho forte de valorização do que é importante. E no fim, cada um recebeu um envelope. Ao abrir o meu, eu quase caí da cadeira. Era uma carta dos meus pais. Porque sim, eles é que são importante. 

Ao ler aquela carta, além de dar uma choradinha, óbvio, eu fiquei muito feliz e orgulhosa. Orgulhosa da relação que tenho com eles, pela visão clara e real que temos uns dos outros. Lendo ela pela primeira vez, eu já percebi que eles tinham escrito a carta juntos, e sabia quem escreveu cada parágrafo. Vendo o que escreveram, percebi que eles sabem exatamente quem é criatura que soltaram no mundo. 

Sabem das minhas loucuras, da minha obstinação, do porquê de cada escolha. Sabem que sem meus amigos não sou ninguém, sabem do meu imenso conflito entre razão e emoção, sabem que eu estou aqui pro que der e vier. 

Ao pensar que tanta gente não conhece o filho que tem, fiquei feliz que eles, além de me conhecerem nos mínimos detalhes, com tudo de bom e de ruim que tem dentro de mim, sentem orgulho de quem sou. E mais... terem plena consicência de que é isso que eles me criaram para ser: um bicho livre. 



Mensagem para você

Ontem fui tomar um sorvete e vi uma cena tão triste mas tão bela, que não saiu da minha cabeça até agora. Uma velhinha, aparentemente com Alzheimer, chorava aos soluços sofridos porque sua roupa estava feia. Era um choro tão doído que foi duro me segurar e não chorar junto com ela. O marido, um senhorzinho todo grisalho, falava "sua roupa é nova,você tá linda". E eu vi aquilo com uma dor enorme e uma admiração ainda maior. Lembrei tanto do meu vô, durante os quase 30 dias de coma da minha vó, que chamava todos os dias "Acorda Dirce, acorda que eu quero falar com você" e entendi que é isso mesmo... a vida vai nos lembrar sempre, de um jeito ou de outro, que ela é sofrida, a jornada é longa, mas o importante é não faltar amor.

Em 2014 eu...

... comecei o ano assim, e um ano que começa desse jeito não tem como ser ruim, né?

Mas fato é que foi um ano muito diferente, e acho que o mais marcante dos últimos tempos, porque tive grandes impactos tanto na vida pessoal como profissional. Passei por coisas extremamente dolorosas, mas por outras muito deliciosas.

Reconheci que estava sofrendo assédio moral no trabalho, que não eram as pressões do cargo, que não eram coisas do mundo corporativo. Uma coisa que nunca imaginei passar na minha vida, de certa forma achava que nem existia. Foi frustrante, me deixou marcas profundas, mas me deu força para dar o maior salto da minha carreira: em 2014 eu virei Gerente.

Na minha casa, as mudanças não poderiam ser melhores. Uma das minhas melhores amigas veio morar comigo, e tudo funcionou lindamente. Trouxe leveza para os meus dias, fortaleceu ainda mais a parceria, e não poderia ter sido melhor. Fiz as mudanças que queria, arrumei um quarto novo, e hoje adoro estar em casa.


Eu viajei até que bem... sempre menos do que eu gostaria, é verdade, mas não posso reclamar. Passei um final de semana em Detroit e uma semana no México por conta de trabalho, fui a Buenos Aires com mamãe, e finalmente tirei férias... foram 15 dias incríveis em NYC, cercada das melhores amigas e excelente energia. Conheci Holambra, um cantinho (muito) holandês a 2 horas de São Paulo. Fui ao Rio algumas vezes, e não tem erro... quanto mais eu vou, mais eu quero ir. Que saudade do carnaval... ahhhh que saudade! 

Eu superei medinhos. Perdi peso (o peso que tinha ganhado durante esse ano, e nem foi tudo, mas ta valendo, né?), voltei a fazer atividade física, fui a dois lugares que ainda não conhecia, não comprei nenhum biquíni, fui ao médico e fiz os exames. A parte que mais gostei dessa listinha? Elogiar as pessoas... botei em prática, e me senti feliz. Como é bom fazer um elogio sincero, né? É de se pensar como a gente sempre tem uma crítica na ponta da língua quando alguém faz merda, mas fica silenciosamente admirada quando alguém manda bem. Esse ano exercitei meu lado elogioso, e me fez muito bem (e tenho certeza que aos elogiados, também). Prática para manter em 2015. Eu também cumpri outra promessa feita no blog, virei uma poupadora. Vá lá que poupei menos do que gostaria, hahaha.. mas é um começo, vai.
Percebi que meus pais estão envelhecendo e sofri. Mas ao olhar a vida que eles viveram, e que ainda vivem com tanta alegria, senti um imenso orgulho de tudo que construíram, da educação que me deram. Família é assim... a gente briga, a gente se ressente, mas é o que de mais valioso que a gente tem. Eu passei bons momentos com meus pais, e melhorei muito o relacionamento com meus irmãos. Sofremos todos juntos a partida do Vô, e acho que, ainda que silenciosamente, saímos todos vitoriosos de 2014.

Conheci a pessoa mais especial que já cruzou o meu caminho. Uma pessoa que só soma e que me fez descobrir as melhores nuances do meu "eu". Uma pessoa que escuta Beattles de manhã comigo, que tem os sonhos mais doces, que gosta das gororobas que eu cozinho, que dança esquisito comigo na balada, que defende um mundo igualitário, e que fez a minha vida mais feliz. Junto com ele, um grande desafio: me tornei "madrasta". Entrei num relacionamento que está longe de ser simples, mas que me recompensa todos os dias. Me sinto feliz, me sinto amada, me descobri madura, responsável e capaz de encarar uma pedreira. 
   
Agradeci todos os dias por ter as amigas que tenho. Vi - do altar - minha primeira amiga de infância a se casar. Vi minhas amigas realizarem seus sonhos, darem a volta ao mundo, viverem dias difíceis, sofrerem perdas, se procurarem, algumas se encontraram, outras ainda estão na luta... mas todas juntas, sempre juntas. Não me faltaram em um minuto, e eu também não faltei. Estiveram do meu lado durante tudo que eu disse aí pra cima. Foi um ano em que todas vivemos intensamente, umas mais perto, outras mais longe, cada uma trilhando seu caminho, todas lado a lado. 

As melhores da minha vida. E tem gente que não ta nas fotos, mas tá no coração <3 

Acho que é isso... saio de 2014 com o coração preenchido, uma tatuagem nova, mais histórias pra contar e com a sensação de ano bem vivido. Que 2015 seja positivo assim :)

Com amor, para o Velho Oeste

Hoje li um texto aí de uma menina falando da paz, da tranquilidade que ela tem em sua cidade natal. A forma com que ela descreveu as coisas, o carinho com que falou da sua cidade me deu certa tristeza no coração, porque apesar de eu ter amado a minha infância lá, eu não sinto essa paz interior, esse carinho pela minha cidade. Temos uma relação bem conturbada, e eu acho que é coisa de terapia. Eu vou pouco, e quando vou, gosto muito de estar na casa dos meus pais. Eu me sinto feliz lá. Mas lá dentro. Dentro da casa que cresci, que tem a cara deles em tudo, e só. Eu adoro os meus amigos que ainda moram lá, mas poderia encontrar com eles em qualquer outro lugar do mundo. Não sinto qualquer identificação com todo o resto, tenho uma aversão à certas ideias que correm tão soltas, ao julgamento pronto que todo mundo tem pra tudo. E acho triste não sentir apego algum por um lugar onde morei 17 anos da minha vida, onde foi construída a base do que sou hoje.
Mas aí eu lembrei que eu tenho sim um lugar que me cheira infância, que desperta as minhas melhores memórias, que não tem ressentimento, que cheira biscoito de champagne...
Ahhh o velho oeste!! A cidade que eu passava os meses contando pra me jogar, pra encontrar minhas primas, pra brincar de tudo.. eu tenho tanta coisa boa pra lembrar. O vô sentado na calçada, a gente dançando na "chuva" do caminhão de veneno (para desespero do mesmo vô que tava sentado na calçada), pescaria no corgo, esconde-esconde no cafezal, suspiro da Tia Hélia, sexta de cinema do Cine Santo Antônio, sorvetes e mais sorvetes na Cherry, a chuva de gotas grandes no fim do dia que desperta o calor mais infernal do chão, aquele horizonte... O vô ensinando a gente a pescar, o vô cortando cana pra gente chupar, o vô derramando tubaína Funada na mesa e botando a culpa em mim, o vô, o vô, o vô... O cheiro da fábrica de biscoito de champagne as 4h, que soltava aquela fornada crocante, a vó de bobes, a YellowBox, papelaria com todas as borrachinhas e clipes coloridos que uma garota de 10 anos pode sonhar, os incontáveis shows do Chitãozinho e Xororó, aquela cantoria sofriiiida de Evidências.. Que lembranças maravilhosas que Adamantina me traz. Que esse quintal aqui me traz. 

E se tem um motivo pelo qual dezembro é o meu mês favorito do ano, é porque é pra lá que eu vou.  Mesmo que não tenha mais biscoito de champagne, nem corgo, nem chuva de veneno, nem Cine Santo Antônio, e nem o vô. Eu vou deitar naquela rede, vou olhar pra essas flores, vou ver o calango subindo pelo muro e vou me sentir a pessoa mais feliz do mundo. Segura velho oeste, segura que eu to chegando.

Buenos Dias

Eu não sei se já falei por aqui, mas a minha mãe é a criatura mais fofa desse mundo. É compreensiva, calma, de bem com a vida, calma, bem resolvida, calma, um docinho, de tudo! E ela gosta muito de viajar. Me preenche a alma ver a carinha de felicidade dela, a curiosidade em olhar tudo, em andar por tudo, em esquecer a idade que tem, o pé que dói, e querer conhecer tudinho, tim tim por tim tim. Em ver ela parar para olhar florzinhas, tirar foto sem saber exatamente do que, se ajoelhar com fé em cada igreja, bater papo com gringos desconhecidos em português, querer comer as coisas diferentes do cardápio, se jogar na cama no final do dia e cair na gargalhada.
Passei 4 dias por aí viajando com mamãe. To com a alma que transborda de tanta doçura! 

Meu Xanduisci

Já fez um mês, e volta e meia me pego pensando que o mundo seria muito melhor se tivessem mais Zé Trentinos por aí. Meu vô sempre foi a pessoa mais doce e mais tranquila do mundo. Era tudo na calma, observando, pensando tanto pra falar que dava tempo de esquecer. Foi o avô mais companheiro, que me levava pra "surfar", que levava a gente pro fundo no mar, que tentava ensinar a pescar, e que quando o circo pegava fogo na briga da primaiada, só fazia dar risada. Tinha devoção pela minha avó, e não saiu um minuto do lado dela em momento nenhum. Me fez acreditar que amor pode ser pra sempre, e que você pode ser muito apaixonado aos 88 anos de idade. Meu vô também me mostrou que o importante é ter flores no jardim, gostar da sua casa, ter um lugar pra pendurar uma rede e tomar a fresca na calçada quando o sol baixar. O meu vô falava que queria comer xanduisci. E eu ria toda vez... durante quase 28 anos. Ele era meu herói. Porque era de verdade, de carne, osso e barriga. E eu vou sentir saudade das nossas férias todos os dias, porque o mundo poderia ter muito mais Zecas, mas já não tem mais nenhum. 


Aproveite o Reino dos Céus, Vô, porque se tem um anjo que merece muito estar aí, é você.

Follow @ Instagram

Back to Top