Hoje em dia o mercado de casamentos aqui no Brasil está completamente fora da realidade. As pessoas entraram numa neura de como
tem que ser um casamento, do que tem que ter, e as empresas entraram no clima de esbanjação total. O céu virou o limite.
Quando começamos a pesquisar sobre o nosso, eu quase desistir. Resolvi que o melhor mesmo seria comer uma pizza depois do cartório, porque era tudo absurdamente caro. Inviável para alguém que paga aluguel, que está mudando de país, gastar 50 mil - no mínimo - numa
festa íntima. Juro que as coisas começam aí. E no fim a gente fez um casamento, sem modéstia, lindíssimo, sem passar 1 real do budget (que não chegava nos dois dígitos). Por isso, vou compartilhar algumas coisas aqui, pode ser útil pra alguém que esteja querendo fazer algo parecido - e pra quem pediu mais fotinhos do nosso dia, vou colocar algumas :)
Reafirmo o que sempre digo aqui: é a minha experiência, sem verdades absolutas.
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Primeira pergunta: o que você quer pro seu casamento? Quer uma festa, uma balada, um almoço no campo? Acho que ter isso em mente é muito importante. Vai impactar na sua lista de convidados, se vai ser de dia ou de noite (e em consequência no preço do local, que é mais caro para a noite), etc. Nós queríamos uma celebração pós cartório que tivesse a ver com a nossa vida, um almoço para reunir quem amamos. Queríamos que fosse em Pinheiros, ir a pé de casa, que tivesse a ver com a nossa história e o nosso estilo de vida, que fosse simples e charmoso.
Definir a lista - esse é o item crucial para determinar todos os gastos do casamento. Nós optamos por chamar somente as famílias. Eu preferi assim, porque não queria escolher entre meus amigos. Mesmo contando somente o grupo mais seleto e chegado, se for considerar os +1, a minha lista aumentaria em no mínimo 20 pessoas. Assim, fechamos a nossa lista na família próxima: pais, irmãos, avós, tios e primos super próximos. Sei que teve gente da família que ficou chateado, mas paciência. Mati tem pouca família, vieram os pais e a irmã, mas ele tem a família dele aqui - os amigos que nesses 5 anos deram toda a força e suporte. E assim, fechamos a nossa lista em 30 convidados.
Local - com a lista em mãos, procuramos locais que fariam sentido pro conceito de casamento que queríamos e que comportasse 30 pessoas com conforto. Pedi alguns orçamentos, e na hora de ver o que valia a pena, sempre fazia a conta por convidado. Tem todo tipo de negócio: só local e buffet a parte, local com buffet incluso, etc. Eu queria ter que lidar com o mínimo de fornecedores possíveis - isso barateia e dá menos trabalho, já que parte da economia está em não contratar assessoria (o que mal faz sentido quando se fala num casamento mini). Assim, fechamos o Vila das Meninas, um restaurante na nossa rua que adoramos, frequentamos, tem relação com a nossa vida, e que além de lindo é delicioso.
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| E tem esse corredor <3 |
Convites - rapaz do céu, fiquei chocada com os preços de convites. A gente precisava de 20 convites, e teve fornecedor que me fez orçamento de 980 reais, rs. Ridículo, né? Pra complicar, queríamos duas versões, uma inglês e outra em português (ou seja, seria como 980x2, porque esse era o preço para o mínimo de convites). Fui à uma loja de papeis especiais, comprei o papel e os envelopes. Mati fez o design e imprimiu numa impressora à laser. Devo dizer que não custou 150 reais, rs. Ficou como queríamos, recebi vários elogios e ainda sobrou papel e envelope suficiente pra gente fazer as etiquetas das lembrancinhas e depois enviar cartões de agradecimento pelos presentes.
Decoração - quando comecei a procurar o local, era pré requisito que ele fosse charmoso justamente para não ter que gastar com decoração. A do Vila é bem do jeito que eu gosto: madeira, objetos charmosos, clima de casa arrumada porém despretensiosa, rs. Assim ficou fácil: tudo que eu precisava era vasinhos para as mesas. Quando digo que o número de convidados influencia em tudo, é isso: quantas mesas você vai precisar? E então, quantos vasos pras mesas? Eu gosto de flores do campo, e com isso em mente, ao invés de chamar uma decoradora, eu mesma fui à loja, escolhi os vasinhos e as flores. A ideia inicial era eu mesma montar os vasos em casa na véspera, mas então chequei o preço e a montagem+entrega no restaurante pela própria loja e ficava em R$150 reais. Compensava pagar. Eu comprei os vasos, que eram pequenos, mas não teria o que fazer depois com 25 vasinhos, certo? Assim, defini que eles seriam a lembrancinha. Todo mundo levou um vaso lindo pra casa, e pra gente foi um item a menos na lista.
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| Lembrança com etiqueta feita pelo Matt |
Bolo e doces - no menu contratado com o Vila servia sobremesa, assim já dispensei doces de cara, uma preocupação a menos. Pedi alguns orçamentos de bolos e devo dizer que teve gente que nem me respondeu, porque não trabalha com coisas pequenas. Eu queria um bolo simples mas bonito e gostoso. Fomos fazer a prova, escolhemos como seria, e depois eu confiei. Acabou sendo um pouco mais caro do que queríamos pagar, mas valeu a pena. Além de lindo, estava divino de gostoso, e eu congelei o que sobrou, estou comendo até agora e ele segue fofinho. Minha mãe queria um cento de bem casado. Como era só um cento, não tinha volume, percebi pela pesquisa que não ia achar muita variação de preço. Esse é outro ponto de um casamento pequeno: baixa quantidade faz com que você trabalhe sempre no mínimo das pessoas, é difícil pechinchar.
Bebida - fechei para o restaurante servir cervejas, refrigerantes, sucos e caipirinhas. Mas queria muito fazer um brinde - e eu adoro um espumante - então definimos que teríamos umas garrafas. Como pra isso teria que pagar rolha pro restaurante, fui atrás de um espumante de qualidade com preço amigo. Acabei pesquisando em várias adegas no google, rs, e paguei um preço muuuuito bacana por um espumante excelente.
Música e Fotografia - a música foi playlist nossa, com tudo que gostamos de ouvir e que tem significado em nossa vida. Fizemos e Mati foi lá deixar no jeito antes de irmos pro cartório. A fotógrafa foi uma amiga mais que querida. Eu não queria ter estranhos no meio de uma celebração tão íntima, e sou sortuda a ponto de ter uma amiga fotógrafa talentosíssima, que ficou tão honrada com o convite que fotografou no amor. E as fotos estão essas lindezas aí.
Dica final - contratar pessoas em quem você sinta confiança. Conversei com todas as pessoas envolvidas nas questões acima. Fizemos prova de menu do restaurante, prova do bolo, e conversei muito com os responsáveis. Como eu não teria assessoria, as coisas seriam entregues no dia do casamento e eu só veria na hora, eu precisava confiar neles, confiar que sairia como eu queria. E eu confiei. As flores foram entregues no Vila e a própria equipe de lá se encarregou de colocar nas mesas e estantes. O bolo eu vi na hora e estava mais bonito que eu imaginei, assim como os vasos de flores, que estavam lindíssimos.
Mas e aí Gabriela, você não jogou o buque? Então... Pra ter os amigos presentes nesse dia sem ter que escolher quem ia, nós marcamos uma baladinha à noite no Secreto. É um clube que adoramos, vamos muito, tem tudo a ver com a gente. Assim pude chamar todo mundo que eu sei que estava mandando boas vibrações, que gostaríamos de abraçar nesse dia especial. Mandei a lista pra todo mundo entrar num esquema bom, e voilà. Dançamos até amanhecer, joguei buquê, foi lindo!
Moral da história: da sim pra fazer um casamento muito lindo sem se endividar, sem gastar mais do que deve. O que você vai precisar é parar de achar que tudo tem que seguir a forma clássica de casamento. E também, fazer escolhas. Me questionaram sobre "fazer casamento na balada". Ou sobre não ter mesa de doces. Ou sobre não chamar nem as minhas melhores amigas pra cerimônia. E eu resolvi bancar minhas decisões, porque estava segura do que queria, e principalmente, do que podia. Não me arrependo de nada. Será pra sempre o melhor dia da minha vida <3
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