Procurando emprego na Suíça

Não é porque recebi umas propostas que virei expert no assunto rs, mas agora pelo menos consigo dizer o que pode funcionar mais ou menos. E de quebra, as always, tentar ajudar alguém que precise. 

* * *
CV
O currículo por aqui é bem diferente do que estamos acostumados no Brasil. De cara, quando fui ao trabalho de Mati pedir à RH dele para dar uma olhada no CV, ela já lançou: falta foto, ta enxuto demais. Eu acho um absurdo gigantesco ter que botar foto no currículo, pois é uma baita ferramenta de discriminação. Mas o mundo a gente muda aos poucos, e pro emprego eu tinha pressa rs. Então tirei uma foto estilo profissional, com fundo branco, com roupas de trabalho (nada de cortar aquela foto que você saiu bonita numa viagem rs) e, muito braba, botei no currículo. Além disso, se no Brasil menos é mais, aqui mais é mais mesmo haha. Aparentemente, o currículo deve explicar de forma mais detalhada as experiências profissionais, e se isso resultar num CV de até 2 ou 3 páginas, tudo bem. Então fiz isso. A ideia é que fique mais ou menos assim:
Obviamente, essa não sou eu. Esse CV é um template do site http://genericrevia.club/
Onde procurar? 
A internet, meus queridos, é um mundo de oportunidade. A minha principal fonte de busca foi o LinkedIn, desde sempre. Perfil atualizado, e busca diária. Mesmo quando eu não tinha o visto de trabalho, estava sempre olhando por lá. No total, consegui quase umas 10 entrevistas pelo site e uma virou proposta. As empresas estão cada vez mais usando o Linkedin, e vale gastar tempo lá (e se comportar, Linkedin não é Facebook). Também usei bastante o Indeed e lá tem muuuuita coisa, muita mesmo. Tem ainda os sites de agências, como a Hays, a Page Personal (do Grupo Michael Page), Adecco, Randstad, etc. Se você entrar nisso tudo, vai ter um range bem grande de vagas, indo de trabalhos manuais até grande diretoria de empresas rs. 

Networking
É fundamental. Li um dado de que quase 70% das vagas na Suíça não são postadas (e desconfio que esse número seja similar mundo afora), e ter uma rede de contatos pode ser fundamental para você se colocar no mercado. Chegando num país novo é bem difícil construir essa rede e por conta disso eu comecei a frenquentar MeetUps, entrei em grupos de facebook, fui à palestras e isso foi até um dos fatores decisivos para eu optar pelo curso que estou fazendo. Num encontro de um grupo do facebook, acabei conhecendo uma mulher cujo marido era advogado, e recebi um email para realizar um projeto com ele. Na época era um projeto de um mês, e eu estaria 15 dias desse mês no Brasil, além da questão do visto, então não rolou. Mas olha só.. um drink no bar virou um possível projeto temporário, que poderia ter virado uma vaga permanente. Através da rede de contatos da Universidade de St. Gallen, onde estou fazendo meu curso, consegui o estágio que estou realizando no momento (sim, virei estagiária, e irei explorar esse ponto logo abaixo). É muito importante conhecer pessoas que possam te informar de vagas não postadas, que possam te recomendar para amigos, que possam ao menos passar o seu CV para o topo da pilha. Inclusive, eu coloquei o networking aqui, embaixo de onde procurar, porque uma coisa complementa a outra: você pode achar uma vaga no Linkedin, por exemplo, e achar um contato que trabalhe na mesma empresa, que possa botar o seu CV na mão certa.

Candidatura
O famoso application, rs.  No Brasil, quando me candidatava pra alguma vaga, era só escrever um email falando que estava interessada na vaga e anexar o CV. Aqui é beeem diferente. O CV deve ser acompanhado primeiramente de uma bendita cover letter, a carta de motivação. Eu detesto escrever cover letter, mas é necessário. Não vou dar receita de cover letter aqui porque quem sou eu na fila do pão, né... mas acho que é importante manter princípio básicos de redação: introdução, exposição, conclusão, tudo de forma coesa, e sem se alongar muito porque os caras tem sabe-se lá quantas candidaturas pra ler. Fale da sua experiência, do seu interesse pela vaga, e pronto, seja profissional. Além dela, devem acompanhar o CV o diploma (SIM, o DIPLOMA) e cartas de recomendação de antigos empregadores. Então é bom ir atrás desses documentos se vocês, assim como eu, não tem eles em mão rs. Eu me formei em 2010 e nunca tinha buscado meu diploma, olha a vergonha hahaha.. Fui quando me informaram que sem apresenta-lo aqui não ia rolar. Mesma coisa para carta de recomendação, eu nunca pedi. Mas graças a deusa sempre tive bom relacionamento com chefes, e ai fui atrás delas com um c e r t o delay, e resolvido. Ai pega CV, cover letter, diploma, recomendação, faz um tudo um PDF só e pronto, ta pronto seu application :) 

Aceite que talvez uns passos pra trás sejam necessários
Aqui acho que é um ponto crucial dessa busca. Já comentei em algum post do blog de como foi "dolorido" ver a minha experiência sendo diminuída. A verdade é que chegar num país novo é abrir mão de muitas coisas, inclusive de muitas conquistas. Eu fiz uma faculdade de Direito que no Brasil tem certo prestígio. Aqui ninguém N U N C A ouviu falar. Eu trabalhei num escritório de advocacia de ponta, com o cara que escreve livros que a gente usa na Universidade. Aqui? É isso mesmo, nunca ninguém ouviu falar. Trabalhei em multinacionais relativamente grandes, porém dessas que eu nunca tinha ouvido falar antes de entrar, e nunca mais ouvi falar depois que saí. Empresas que empregam 20 mil pessoas pelo mundo, cujo serviço passa dentro das nossas casa algumas vezes por dia, mas que não conhecemos, e que não trazem um pingo de atenção pro meu CV. Resumindo, aqui, no meio de tantos CVs com Sorbonne, LSE, St. Gallen e afins, eu sou ninguém. E se eu era gerente no Brasil, rapidinho aceitei numa boa que não seria aqui. Tentei expor a minha experiência da forma mais rica possível, e apliquei para vagas que condiziam com ela, mas também para vagas bem mais juniores. Tracei como estratégia conseguir uma vaga, qualquer que fosse ela, numa empresa grande, respeitada, que sobressaísse no meu CV pra sempre. E foi aí que, mesmo tendo recebido uma oferta de emprego fixo (também para um cargo mais baixo do que eu tinha no Brasil), bem remunerada, numa empresa grande, resolvi aceitar uma vaga de estágio numa empresa Fortune 500. Pra quem não ganhava nada, o salário de estagiário já estava bom rs, e eu entendi essa oportunidade como um investimento a longo prazo para a minha carreira. Vejam bem, eu recebi duas ofertas, as duas para vagas mais júniores que a minha experiência permite. Mas tudo bem. Entendi que esse vai ser o passo pra trás que me permitirá dar dois pra frente. Por isso, se abra para outras possibilidades. Mudar de país é um eterno exercício de humildade, em vários aspectos. 

Esses são os pontos que eu acho mais fundamental. Se alguém tiver como complementar esse post, será muito bem vindo :) 

10 comentários:

  1. Adorei esse post, adoro saber como e a vida de verdade nos paises em que as pessoas imigram, as dificuldades e essas dicas que ajudam muito a se preparar para uma mudanca. Foto em floresta magica e legal, mas posts que falam da vida como ela e sao muito melhores....ha ha ha.

    Eu tenho umas duvidas, pois o processo de procurar emprego parece bem parecido aqui com NY, com excessao da foto...Mas eles querem referencia de empregos anteriores no sentido de que o empregador tira tempo para ligar para seu ex-chefe por exemplo? Eles tambem pedem referencia pessoal, ou nao? E mais uma so, se voce trabalhar como voluntario isso ajuda nessas referencias pra emprego ai na Suica?

    Eu concordo que vida de imigrante e ta disposto a dar uns passos pra tras pra avancar um pra frente, e vira e mexe eu tenho essa conversa com alguem, que vem do Brasil cheio dos titulos e mega experiencia e aqui nao vale nada, mas em geral eu ouço que nao e bem assim, so pra constatar que e bem desse jeito mesmo..rsrs. Eu ja tentei MeetUp sem sucesso, eu tenho encontrado mais oportunidades em workshops mas eu to mudando de area entao ser estagiario e a minha unica opcao agora...rsr.

    Gabi, outra pergunta que me veio agora, em geral experiencias fora do pais nao vale muito ai, ou depdende do pais? Seu marido e dos EUA e voce brasileira, voce percebeu alguma diferenca no sentido de achar portas abertas?

    Ai desculpa tanta pergunta mas sou um ser muito curioso, em especial pra essas coisas de validacao de diploma, experiencia, emprego, etc...ha ha ha

    Bjs

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    1. Aqui eles pedem referência em carta, e também contato da pessoa. Não chegaram a ligar para as minhas referências, mas sei que as vezes ligam sim. Pessoal sei que as vezes pedem também, acho que vai do tipo de trabalho que você desenvolve,. Eu tenho uma pessoa que se prontificou a ser minha referência pessoal, mas nunca precisei passar.

      Então, o trabalho do meu marido não da muito pra usar de parâmetro, porque ele trabalha num ramo específico que contrata em maioria estrangeiros. Ele é professor de escola internacional, e é normal nesse meio ter mais estrangeiro mesmo, no trabalho dele inclusive tem pouquíssimos suíços. Com relação a mim, só posso falar do que conheço, que é minha área, e acho que nesse sentido, as experiências no Brasil teriam valido muito mais se fossem em empresas famosas. Se eu tivesse trabalhado num Google, numa EY da vida, Deloitte, Loreal, etc, empresas que as pessoas reconhecem acho que teria sido mais fácil. E deve ser assim em outros lugares também, como aí nos EUA.

      A questão do voluntariado acho que ajuda sim, sempre ajuda. Sempre mostra interesse, vontade de trabalhar. Eu fiz voluntariado aqui, em tese ainda faço, e coloquei no meu currículo. Não acho que tenha arrumado emprego por isso, mas em todas as entrevistas tocaram no assunto.

      E por fim, eu acho que a vida vai acontecendo de maneira diferente para pessoas diferentes. Tem uma série de fatores que pode ajudar alguém a não precisar dar passos pra trás. Vai também do que a pessoa quer pra vida. Eu queria empresa grande, period. Foi isso que eu consegui. Talvez em empresa menor eu tivesse conseguido manter a posição que eu tinha no Brasil, sei la.. mas como eu disse, mudar de país é um eterno exercício de humildade, e eu encarei numa boa.

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    2. Interessante suas perspectivas e aparentemente procurar emprego e bem parecido com aqui. Eu ja fiz intership com uma gigante da internet e essa experiencia mais o trabalho voluntario que fiz uns anos atras sao os que uso como referencia, e eles ajudaram a conseguir entrevistas e ate mesmo um emprego. Eu trabalhei na area fiscal de uma multinacional no Brasil (dessas bem famosas que voce citou) e mesmo assim nao vi diferenca no sentido de reconhecimento da experiencia aqui.

      Como ainda vou pra faculdade tenho encontrado miutas pessoas que assim como nos, vieram de outro pais e estao recomecando ou tentando um emprego em suas respectivas areas. Uma reclamacao que ouco muito e uma das conversas constantes que temos e sobre como sentidmos um certo bias de termos nossa educacao e experiencia reconhecidos quando somos da America do Sul. Por outro lado conheci pessoas da Inglaterra, Canada, Franca e Italia que tiveram experiencias bem diferentes. Concordo que cada pessoa tem um objetivo e as coisas acontecem diferente pra cada um, mas enfim era uma duvida que tinha e ainda tenho se pelos paises da Europa e do mesmo jeito.

      Obrigado pelo seu insight =)

      Bjs

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    3. Acho que você tocou num ponto que eu ainda não tinha pensado... A Suíça é muito mais aberta a estrangeiros porque precisa deles. Acho que nos EUA tem mesmo esse preconceito com sulamericanos, de um jeito que aqui tem menos (e não estou dizendo que não tem).

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  2. Gabi, texto otimo! Aqui no UK eh bem parecido com a Suica, entao.. acredito que isso seja uma norma EU/EEA. Eu troquei de emprego recentemente e fiz como voce, Linkedin na veia! Vou escrever post disso logo, logo.
    E parabens pelo estagio!!!

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    1. Percebo que aqui na Europa Linkedin é bem mais forte que no Brasil. Parabéns pra você também pelo emprego novo!

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  3. Mudar de país é realmente calçar as sandalhinhas da humildade e estar disposto a começar do zero em vários aspectos. Amei teu post, Gabi! :-***

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    1. Isso mesmo rs... calçar as sandálias da humildade haha (tinha esquecido dessa expressão e adorei relembrar hahaha).

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  4. Achei o processo bem parecido com aqui nos EUA, mas como a Monique comentou alí em cima, não rola foto, aliás, que foto e idade em CV tem até lei para proteger para eles não constarem em CV. Acho que na área da saúde fica um tiquinho mais fácil usar a nossa experiência que tivemos no Brasil. Em muitos casos ainda precisamos dar diversos passos para trás, mas acho que a área da saúde é um pouco mais receptiva para estrangeiros do que as outras áreas.

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    1. Sim, acho que a área de saúde é mais "Universal" e também carece de mais profissionais. Aqui na Suíça tem a questão de revalidar diploma, que exige idioma, e por isso pega pra algumas pessoas. Mas sei de algumas pessoas que, assim que revalidaram, encontraram emprego, porque falta profissionais.

      Já a questão da foto no CV, eu estou ciente (e de acordo que assim seja) que nos EUA é crime, porque trabalhei em duas empresas americanas. Inclusive, eu tinha no meu cv brasileiro que era solteira, a idade, e quando entrei pra empresa me pediram pra tirar pra eles colocarem meu cv no banco americano, e lá não aceitava esses dados.

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