Caraíva meu amor...

Desde que começamos a falar de fim de ano no Brasil, eu decidi que queria passar uma semana em algum lugar do Nordeste. A idéia era uma praia, com sossego, com uma festa de ano novo (porque mesmo querendo sossego eu sou da bagunça rs), e com sol, muito sol. Eu amo o litoral de SP, e amo ainda mais o Rio, mas eu já passei reveillons chuvosos nesses lugares e dessa vez eu queria fugir do frio e encarar dias ensolarados. No entanto, não é de hoje que a coxinhada paulistana se debanda pro nordeste nessa época, inflando preços e levando toda uma aura topzeira que não é bem meu esquema rs. Então tentei achar algum lugar que fosse o menos gentrificado possível. E logo de cara pensei em Caraíva, e assim foi. 
Caraíva é uma vila que fica próxima de Porto Seguro, encravada numa área de reserva Pataxó. O turismo por lá evoluiu bem depois de 2007, quando chegou a energia elétrica, mas ainda assim, o vilarejo não comporta taaanta gente (como Trancoso ou Jeri, por exemplo), e mesmo na alta temporada, é relativamente tranquilo e low profile.

Como ir? 
Fomos de avião até Porto Seguro, e de lá tem algumas opções de transfer, tem uma opção bem budget e roots que é balsa e ônibus. Eu fechei com um taxista que nos esperou lá no desembarque, e de carro são duas horas até o Rio Caraíva, uma hora em pista simples mas asfaltada, e uma hora na terra. Chegando no Rio, você pega uma canoa num trajeto de cinco minutinhos até o outro lado e voilà, bem vindo a Caraíva. 
Travessia do Rio Caraiva
Onde ficar? 
A vila tem muitas pousadinhas, a maioria bem simples, mas algumas opções de luxo, e também vários campings. A gente ficou na Corais do Sul, uma pousada de quartos simples (mas com ar condicionado, senão o gringo pira rs), e com um café da manhã cinco estrelas. Sério, eu quero café da manhã de lá todo dia... tapioca, bolos deliciosos, pão de queijo, ovos, tortas, frutas fresquinhas, sucos. De babar. Bem pertinho do centro da vila e da praia. Acho que a maioria das pousadas é ali pertinho do centro mesmo, mas sei que tem uns campings mais afastados, e é bom prestar atenção caso não queira caminhar longas distâncias, porque lá em Caraíva não tem entra carro, só carroça rs. 

O que fazer? 
A minha grande idéia era fazer NADA e Caraíva é bem boa pra isso rs. Confesso que nem pesquisei programas por lá, porque eu não queria ter FOMO e eu realmente não queria ter compromisso com programa nenhum. Mas lá pro terceiro dia resolvemos variar a praia e ai fizemos um passeio de buggy até a Ponta do Corumbau. Os índios Pataxó que fazem esse passeio, porque é área de reserva. Eles são beeem organizadinhos, tem controle de quem entra e sai, achei ótimo. E aí chegando no Rio Corumbau você atravessa ele (pode ser até a nado, ou dependendo da maré, a pé, mas a gente foi de canoa por motivos de preguiça) e chega na Ponta do Corumbau e depois na vila. 
Nós, o buggy e o Monte Pascoal ao fundo
Trajeto, com céu e mar de Bahia
Travessia do Rio Corumbau
Curtindo uma praia em Corumbau
Em nosso último dia pegamos um barco e fomos até a Praia do Espelho, em Trancoso. É uma área de falésias, em que pela formação de corais no mar, acaba com uma praia beeem tranquila de águas claras que formam espelhos d'água bem lindos. 
Praia do Espelho

Praia do Amor, a passos de distância
No barco...

E a chegada de volta em Caraíva
Deve ter outras coisas pra fazer por lá, mas eu realmente não sei dizer. 

O que levar? 
Quase nada rs. Caraíva é bem low profile, e a galera não anda montada não. Além disso, o chão lá é de areia bem fofa, e eu que levei umas rasteiras acabei usando só havaianas mesmo porque na paior parte do tempo é mais fácil andar descalça. Eu não sabia qual é que era então levei shampoo, cremes e afins tudo de SP, mas lá tem mercadinhos bem abastecidos (com um preço um pouco maior, claro). 

Vale a pena? 
DEMAIS. Sério, gente... que lugar. É uma paz imensa. Mesmo no vuco vuco da alta temporada, era possível curtir uma praia bem vazia, coisa impensável nessa época do ano no Brasil. A comida é incrível (Bahia né mores), as pessoas são muito simpáticas, solícitas, e há todo um senso de preservação, de integração com a natureza, a vontade de manter tudo simples.
A principal rua de Caraíva, na beira do Rio
Praça da Igreja
A comida baiana <3

Caraíva não tem iluminação nas ruas, e é lindo de doer andar por lá olhando pra cima, vendo um céu estrelado deslumbrante (e ainda te permite tropeçar num burro dormindo no meio da rua, aconteceu não sei com quem rs). Caraíva tem forró, tem banquinho e violão. Tem banho de mar, tem banho de rio. O rio muda de cor de acordo com a maré. Quando a maré ta baixando, a água do rio desce pro mar, levando um tom acobreado pro oceano. Quando a maré enche, o mar entra pro rio, que fica bem azulzinho. É lindo de viver, ficar acompanhando as horas, a paisagem que muda, o vento que sopra, a paz que não acaba. 



E tem os índios. Andar por Caraíva é ver a comunidade Pataxó em tudo. Eles estão por lá trabalhando nas pousadas, dirigindo os buggys, pilotando os barcos, vendendo artesanato. Me deu um aperto no coração ver que aos Pataxós, donos da terra, sobrou somente a sobrevivência. Os donos das pousadas? Brancos do sul. Os funcionários? Pataxós. Mas por outro lado, fiquei com a impressão de que quem chegou lá, quem está lá em Caraíva, ao menos aprendeu com eles. A preservar a natureza, a cultivar a terra, a manter as hordas longe, a respeitar a nação e a lutar pela preservação dos Pataxós. 



E assim foi nossa semana em Caraíva. Lugar que levarei no coração com um carinho imenso, e que, ao longo dessa vida, espero poder reencontrar. 

8 comentários:

  1. que delícia de post, Gabi! entendo exatamente o que você sentiu pq é o que eu tenho procurado. um ode ao evitar a fadiga. observar a passagem do tempo com os ciclos da natureza, se conectar com a nossa natureza, sentir que é disso que fazemos parte. coisas que os índios sabem desde sempre e que bom que os brancos de Caraíva aprenderam com eles. espero que esse paraíso não seja invadido e destruído pelas hordas e que a paz se mantenha. Um beijão!

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    1. Ode ao evitar a fadiga. That is exactly the idea! Amem, que Caraíva se mantenha esse paraíso, que eu quero voltar!

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  2. ''senso de preservação, de integração com a natureza, a vontade de manter tudo simples"
    Ai, Caraiva já ganhou meu coração, já é meu amor também.. sem nem eu conhecer. Sério! Amei demais o seu post, Gabi e quero muito conhecer. Que lugarzinho mais especial..e também mais a minha vibe!
    Espero que esse paraíso seja preservado mesmo e se livre das massas e pessoas que não tem respeito com o meio!

    Beijos :*

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    1. Taís, eu tenho certeza que vc vai amar, ainda mais fora de temporada! É um paraíso!

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  3. Nossa, que maravilha! Já tinha ouvido falar bem de Caraíva, mas o seu post me deixou com uma vontade REAL/OFICAL de conhecer. Quero muito. E a descrição desse café da manhã já me ganhou, quero também. Hahaha!

    Não Me Mande Flores ♥

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  4. acompanhei tua viagem lá no instagram... e meodeos que sonho! (sem falar no fator troca essa friaca e escuridäo aqui por maravilhosidades climáticas) sol, praia, natureza, rusticalidade... e sem gente demais pra estragar o rolê. vai muito pra minha lista.

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    1. Menina, fugir do inverno foi uma idéia daquelas! Foi maravilhoso!

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