Adotando um cachorro na Suíça

Desde que eu postei as primeiras imagens de Carlito no meu instagram, choveu mensagem de gente perguntando que raça, quantos anos e onde eu comprei ele. Primeira coisa: há pelo menos uns 10 anos, tomando consicência da causa animal, e do tanto de cachorro abandonado mundo afora, comprar um cachorro de raça de canil ficou pra mim fora de questão. E foi assim que, mesmo morando num país em que não há animais de rua, eu resolvi que adotaria um cãozinho, e de preferência mais viralatudo. 

(Gabriela, como assim não tem animal de rua na Suíça? Pois é, não tem. Aqui há leis e regras regulamentando o relacionamento com animais, e abandono é crime. Todos os cachorros e gatos são chipados, e se o seu cachorro for encontrado vagando nas ruas por abandono, você está encrencado. Ainda há sim quem abandone o animal de estimação por N motivos, mas esse processo normalmente é feito diretamente nos abrigos) 

A adoção
Voltando, dado que a Suíça tem pouca oferta de animais para adoção, muitos abrigos aqui fazem parcerias com abrigos de outros países onde o abandono é bem comum, como Italia, Espanha, Hungria, Romenia, Grécia. Os abrigos daqui intermediam o processo. Nós estamos há anos planejando a ideia do cachorro, já chegamos a aplicar pra um cachorro há dois anos, e sempre procuramos por essa data base, TierOnline, que é um portal que agrega os animais disponíveis nos abrigos da Suíça, e também desses abrigos parceiros em outros países que se dispõe a enviar o animal pra cá. 

Os dois processos pelos quais passamos (o de dois anos atrás e o de agora) foram bem rigorosos - e foi por isso, inclusive, que em 2018 a nossa tentativa não vingou. Eles querem saber a rotina da família, disponibilidades, expectativas, infra estrutura da casa, e tudo relacionado ao bem estar do animal e a vontade de fazer dar certo. O nosso questionário tinha coisa de 6 páginas, com todo tipo de pergunta que você pode imaginar: quantas horas as pessoas passam fora, planos para o lazer do cachorro, o que fazer em caso de viagem, nível de experiência com cachorros, o que fazer em caso de divórcio. Uma vez aprovado, é feito um home check. No nosso caso, por conta da pandemia, esse home check foi adiado, e aí como veio a nossa mudança, nós pedimos para eles aguardarem e fazerem isso já no lar novo, onde o animal efetivamente moraria. Quando a data chegou, as regras de distanciamento já estavam mais relaxadas e veio uma pessoa aqui, conferiu se tudo que a gente reportou no questionário com relação ao espaço e condições era verdade, e também fez outras perguntas. Com o green light dela, Carlito começou a ser preparado para viajar. 

O cachorro pode ser entregue para a família, normalmente castrado e chipado. Se não houver a chance de fazer a castração antes, no contrato vem essa cláusula de que os novos tutores irão castrar o animal assim que possível. 
Depois da castração, com o cone of shame

Mas no nosso caso, Carlito estava na Hungria. E aí entra outro processo, que é o de trazer um cachorro de outro país para a Suíça (e nem vou entrar no mérito de que, na semana em que nós fomos aprovados, foi declarada a situação de emergência pelo corona, e nós tivemos que esperar 3 meses por ele). 
Carlito em sua última consulta antes da viagem
E aqui já embarcado, pronto pra viajar da Hungria para a Suíça

A imigração
O cachorro foi chipado, e então emitiram um passaporte europeu pra ele. No passaporte, além de ficar registrado os dados dele e dos futuros tutores, também ficou registrado o número do chip, e então das vacinas obrigatórias, acho que é a anti rábica somente. Eu pedi ainda que aplicassem as outras vacinas recomendadas, mas não obrigatórias. 

No dia da viagem, nós deveríamos fazer a imigração dele na Suíça. Então encontramos com o motorista que o trouxe na fronteira com a Áustria, antes da entrada na Suíça. Com ele já no carro, paramos na aduana Suíça e fizemos a declaração e entrada dele. O valor a ser pago é de acordo com o valor do animal. No nosso caso, Carlito é um viralata, mix de puli com alguma coisa, e a taxa do abrigo (para cobrir as despesas médicas, de emissão de passaporte, e pelos cuidados) foi de 245 euros, então a nossa taxa imigratória foi com base em animais que custam até 500 francos. Pagamos 39 francos. No caso de um animal de raça, cujo valor padrão seja de mais de 500 francos, a taxa vai ser outra. Eu vi uma tabela na tela da polícia, mas não me atentei aos outros valores.
O nosso encontro, e eu inchada por motivos de: chorei para caraleooo

A regularização na Suíça
Chegando na Suíça, o tutor tem 10 dias para registrar o animal no Amicus, que é uma database nacional. Esse registro deve ser feito com o acompanhamento de um veterinário obrigatório. Então o procedimento é: ligar no Hundekontrolle (ou veterinäramt) do seu cantão de residência, e pedir o número de identificação do seu cachorro. Aqui em Zurich esse procedimento pode ser feito online aqui, e eu recebi o número por email coisa de 20 minutos depois, bem rápido. Com esse número, você marca vai ao veterinário e ele faz o registro no Amicus. 

E aí, sendo Suíça, os procedimentos estão todos feitos e só sobra as contas rs. Pagamos 180 francos de taxas federais, estaduais e municipais, que recebemos por email junto com o número de idenitificação. Sei que a federal é uma vez só, justamente por conta desse registro no Amicus. As taxas municipais e cantonais, que no nosso caso, de um cachorro pequeno, foram juntas de 50 francos, são anuais. Além da manutenção dessa "vigilância sanitária", esse imposto também paga pelos saquinhos de coco de cachorro espalhados pelo país, que eu acho muito bom. 

Com isso, seu cachorro está devidamente adotado e regularizado. 

Opcionalmente, eu fiz também um seguro saúde para ele. Para o dia a dia e consultas, os preços aqui são bem razoáveis. Mas em caso de acidentes, cirurgias, internações, os valores podem escalar bem rapidinho. Tendo ouvindo de amigos que gastaram 3 mil francos com um problema canino, eu optei por fazer o plano. Tem algumas possibilidades, e o meu eu fechei com a Animalia, um braço da Vaudoise. 

E aqui um Carlito relax com seu penteado de verão :)

Espero que esse post seja válido para alguém que esteja pensando em adicionar um animal à família. Não compre, adote <3

8 comentários:

  1. A carinha do Carlitooooooooo, socorro Gabi, essa carinha <3333 vontade de esmagar muito! Queee amooor, amei saber dessa história da adoção e de como Carlitou chegou pra trazer alegria pra familia de vocês. E por toda paciência de esperar esse processo longo, complicado, porem muito necessário. Muito importante você colocar no post sobre esse lance de não comprar e sim adotar ♥ Muita gente em pleno 2020 ainda tem como opção comprar um animal.... seja por puro ego mesmo de que o sonho é ter raça tal ou que não aguenta esperar o processo de adoção. Que mais pessoas se conscientizem dessa industria terrivel de comercialização de animais. Não compre, adote, sim ♥

    Imagino a emoção de finalmente estar com essa fofurinha ♥ Lembro que quando fui a Georgia tinha muitos cachorros de rua.. e comentaram comigo lá no instagram quando falei disso, de que vários deles eram mandados pra Alemanha pra serem adotados lá. Não pesquisei mais, mas pelo visto não só na Alemanha, mas outros paises que não tem essa demanda pra adotação, peguem de outros países.. que atitude bonita, né? ♥

    Fico no aguardo de muito mais fotos de Carlito, por favor ♥

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    1. Olha, no post de hoje conto as emocoes, TODAS rs.. inclusive as ruins. Mas estamos muito felizes! E eu acho que num mundo com tanto cachorro de rua, eh uma pena mesmo o comercio.

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  2. Bicha, eu quase chorei aqui tb lendo essa história e olha a carinha do Carlito na gaiolinha! Como não se emocionar?! Aqui eu descobri que tinha que registrar Lola e Amélie na prefeitura quando as levei na clínica veterinária pra fazer um check up. Fiz tudo online e depois chegou um cartãozinho pra cada. As duas também foram adotadas, então sou super a favor do não compre, adote. Tenho certeza que vocês e Carlito serão muito felizes juntos. <3

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    1. Ele eh um amor, uma alegria pura correndo pela casa!

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  3. a carinha dele de feliz com vocês no carro ♥ (além da cara de felicidade que vocês também estão nessa foto) que coisa mais fofa! amei o post e amei conhecer todos essas etapas do processo de adoção por aí. pra quem mora no brasil (e nunca morou em outro país) pensar em lugares em que a adoção é tão controlada, além do fato de bichos abandonados serem mais "raros" de se ver, parece coisa de outro mundo, já que essa tá longe de ser a realidade por aqui. tenho dois gatinhos adotados que são a maior alegria da minha vida, desejo muita felicidade para a nova família que estão formando aí :)

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    1. Muito obrigada K, pelo comentario tao fofo e querido!

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