Polôôôônia

Essa semana uma amiga veio me perguntar coisas sobre a Polônia, e eu senti uma saudade daquela viagem...
Começando do começo: quando morei nos EUA, fiz muitos amigos do leste europeu. Basicamente muitos ucranianos e poloneses, alguns lituanos e eslovacos, e duas búlgaras muito especiais. Em dezembro de 2010, a Jéssica, amiga americana que nessas alturas estava morando na Europa, comentou que ia organizar um encontro da galera do WI em Poznan, na Polônia, em meados de janeiro. Primeiro eu fiquei com dor no coração de não poder participar.. depois eu lembrei de 13o, férias vencidas, e saí correndo pra me organizar e ir.
Foi minha primeira ida à Europa, e eu não sabia muito bem por onde começar, já que teria 15 dias, e no final de semana do meio deveria estar em Poznan. Enfim, aprendi muito sobre "viagens" com essas férias, mas isso é assunto pra outro post. Eu só queria lembrar o quanto eu gostei da Polôôôônia (piadinha pra quem fez Anglo, hehe), mesmo no frio desgraçado de janeiro, debaixo de muita neve.
Poznan

É uma cidade relativamente grande - grande para os padrões poloneses. Universitária, cheia de gente nova, já foi capital do País. É lá onde vários dos meus amigos fizeram faculdade. Tem uma praça medieval bem fofa, com uma igreja bonita, e tinha um violinista tocando que depois fui saber que é um músico famosíssimo, toca na Sinfônica de Viena, e sim... estava lá sentado na praça, juntando umas moedas em seu chapéu, tomando um sol no frio de janeiro. Eu cheguei em Poznan num fim de tarde de sexta de trem, vindo de Berlim - coisa de 2h de viagem. E apesar de ser universitária, fiquei passada com a fauna local que quase não falava inglês. Tirando isso, posso dizer que a vodka embaralha um pouco minhas memórias da cidade. Lembro de ter pingado de balada em balada na sexta, de ter comido kebab, de ter dançado na praça, e de nem saber como voltei pro hostel. Sábado fomos passear pela cidade, foi quando vi a tal cena do músico, mas aí era a ressaca que atrapalhava. Passamos em praças e parques bem bonitos, e paramos num shopping (a Polônia é bem barata, e deu pra me jogar de leve nas compritas). De noite, mais balada, mais vodka, mais blur... Domingo passeamos um pouco, almoçamos pra tirar a nhaca, e de noite sentamos num pub pra beber vinho quente e cerveja rosa, coisas que os poloneses gostam muito no inverno.
Foi um final de semana muito intenso, de muita nostalgia, danças malucas, muitas risadas... como foi incrível reencontrar meus amigos depois de 4 anos. E não tinha jeito de melhor de ir chegando na Polônia. Diria que foi amor ao primeiro shot.


Obs - meus pais foram à Poznan alguns anos depois, no verão, e acharam a cidade demais, cheia de bares com gente pro lado de fora, música na rua, puro agito. Recomendo.

Cracóvia

Ou Kraków para os íntimos. Eu já estava com princípio de paixonite pela Polônia, e foi aqui que meu coração se rendeu de vez. Que cidade maravilhosa! Mais uma vez cheguei arrastando mala na neve atrás do hostel perdido, mas dessa vez pelo menos as pessoas falavam inglês. Fui de trem e tive que fazer um caminho meio burro, mas era o que tinha possível - Poznan - Varsóvia - Cracóvia.
A praça medieval é a maior da Europa, com um mercado lindo. Muito cristal a venda... Muitos restaurantes servindo ótimos pierogis com vinho.

Foto da praça no verão tirada do Wikipédia
As ruas da cidade são mágicas, com muitas coisas históricas, eu andava meio abestalhada achando que tinha voltado no tempo. Tem muita gente nova, e apesar de ser inverno (peguei -10 graus), achei a cidade muito viva. Tem vários passeios pra fazer, fiquei 3 dias e achei foi pouco. De lá saem os ônibus para visitar Auschwitz, que vale um post próprio - até mesmo porque é carregado de tristeza, e a lembrança que me fez escrever agora é outra. Tem o bairro judeu (Kazimierz) que é puro charme misturado com história adicionando um sem número de cafés e bares. Tem praças e mais praças, tem um castelo onde a Familia Real polonesa morava quando existia, e vale a visita pelas instalações do castelo em si, e pela vista do rio e da cidade. Tem Papa João Paulo II pra tudo que é lado. Tem um jardim que corta o centro da cidade e é a coisa mais linda. E tem vodka digo baladas. 
Viajei sozinha, e por isso procurei um hostel que tivesse áreas comuns para socializar e conhecer umas pessoas. Pois bem... eu, um americano e um mexicano resolvemos fazer um pub crawl numa terça-feira. Achei que somando dia de semana com inverno seria sossegado... ledo engano. Um casal de irlandeses se juntou a nós, e a guia polonesa fui levando a gente de bar em bar, de pub em pub, de shot em shot.


Lá pelas tantas, acabamos num prédio muito velho meio caindo aos pedaços, onde cada apartamento era uma balada diferente e era a coisa mais incrível do incrível mundo das baladas incríveis. Eu nem me lembro como foi que tudo aconteceu, só sei que quando percebi, era 4h da manhã, eu e o americano estávamos comendo um kebab e tentando entender um mapa de ponta cabeça no meio da praça. E aparentemente tínhamos perdido irlandeses e mexicano (a guia polonesa já tinha escapulido propositalmente há muito tempo). E tudo isso era terça-feira invernal. Ou seja... se a ideia é ferver na night sem gastar todos os dinheiros da sua vida, pode pegar o próximo trem/avião/cipó para Cracóvia.
Importante adicionar aqui que 6 meses depois li que o tal prédio foi interditado porque metade dele desabou, rs.. Sinto muito por aqueles que jamais saberão o que é estar lá dentro. Pelo pouco que me lembro, foi uma experiência de vida.

Varsóvia

Fiquei pouco. Na verdade, os poloneses maldisseram tanto a capital, que só acabei incluindo ela porque encontrei um voo barato para ir de lá pra Praga. Fiquei hospedada na casa da minha amiga Anna, e meu único dia lá começou chuvisquento. Me lembro de estar perdida da silva pelas redondezas da Anna, quando tentei puxar um papo maroto com umas senhorinhas que pareciam saídas de um filme sobre o comunismo. Meu. Deus. Foram 5 minutos de puro divertimento, elas riam, me davam tapinhas nas costas, e eu não faço a mais puta ideia do assunto da nossa conversa. Peguei um ônibus, e contei 14 stops, como a Anna mandou. Desci num pequeno paraíso, conhecido como Royal Baths - um parque gigantesco e lindo no centro de Varsóvia, com um palacete.



Uma imensidão de árvores peladas cobertas de neve, uma coisa pitoresca. E fria. De lá, segui o conselho da Anna, e segui para o museu Copérnico. Desci do tram na paradinha indicada - uma antes do rio, onde dava pra ver o estádio que estava sendo erguido pra Eurocopa 2012. Pra ir do ponto do tram até o museu, eu precisava descer uma escadaria e atravessar uma avenida. E aí que no meio da escadaria eu fui surpreendida por um mendigo com a bunda de fora, que virou seu esguicho de xixi em minha direção. Graças a dio, tive o reflexo de correr antes de ser atingida e, limpinha, decidi que aquilo era um sinal divino pra eu sair fora de museu e ir bater pernocas pela cidade velha. No tram de volta, um cara puxou papo comigo, e me disse que era ator, que a Polônia era só o começo, e logo eu veria ele em Hollywood. Quando eu desci, ele desceu comigo, e fomos batendo papo ao longo da principal avenida da cidade. Lá pelas tantas, coisa de 5 quadras e 10 minutos depois, ele me ofereceu cocaína. Eu demorei 1 minuto pra entender a oferta, e assim que a ficha caiu, bati rapidamente em retirada. Confesso que meu amor pela Polônia era mais forte que nunca... tenho um certo fascínio por gente genuinamente doida, e o país não estava deixando a desejar. Andei mais um pouco, fui ao Palácio da Cultura (obra mais faraônica que já botei os olhos, suprassumo do comunismo por aquelas bandas). Acabei parando para comer mais pierogis, e nessa hora, chegaram Anna e Piotr para me fazer companhia. Andamos pela cidade velha inteira, rodeamos a muralha, passamos pela casa do Presidente, pelo memorial aos soldados mortos e não identificados, pela praça medieval - que como as outras, era também muito bonita. Me levaram pro que sobrou Gueto de Varsóvia e, de carro, fomos andar na parte underground e pobre da cidade, o bairro de Praga, que é sim bem pobre, cheio de prédios velhos, abandonados, com marcas de bala. Talvez de lá pra cá esteja melhor, a Polônia está economicamente muito bem, e o estádio fica no bairro, coisa que ajuda a dar um up. Ao final do dia estava exausta. Fomos pra casa, e as 6h da manhã segui pro aeroporto rumo à Praga - a cidade.

Foi uma semana. Uma grande semana... Não tenho intenção de ser blogueira de viagens, de me sentir expert no assunto, mas se pudesse dar um conselho, seria "abra seu coração pra Polônia". Que país delicioso... Historicamente muito rico, com um povo que sofreu tanto, mas é extremamente divertido, alegre. E se não sai vodka das torneiras, é quase isso. Foi uma das grandes surpresas da minha vida. Como eu não conheço a Itália, a França, a Espanha, muita gente me pergunta o que é que eu fui fazer na Polônia. Mas tenho certeza que o meu sorriso (devidamente escondido na foto abaixo) responde a pergunta.



Pronta pros 30?

Eu tenho 28 anos. Embora eu sinta a maturidade, perceba que estou "envelhecendo", eu não sou ridícula de falar que sou velha, eu sei que sou nova. Mas volta e meia fico com a sensação de que a vida ta passando, e eu tenho tanto o que fazer...
E toda vez que vejo uma listinha do tipo "100 coisas de fazer antes de casar", "50 cidades para conhecer antes de morrer", e coisas do tipo, eu fico ansiosíssima pra saber onde eu estou. É óbvio que isso não dita a vida de ninguém, mas eu gosto de saber.
E aí que eu me deparei com essa lista aqui: 10 coisas que você deve fazer antes dos 30. E vá lá que ela é toda genérica, né... porque essa de experimentar coisas diferentes, se você falar pra c e r t a s p e s s o a s que eu conheço, vai dizer que é beber cerveja, hahaha.... Mas eu fiquei admirada porque é isso, de acordo com essa criatura que eu não conheço e fez essa lista, faltando 6 meses pra fazer 29, to prontinha pros 30. EEEEEE!!!!!!!!!!
 
 
Enfim, vamos pegar uma tacinha, ligar esse sonzinho que eu dançava loucamente aos 25 (meio da década e tals), e bora dar uma olhada nessa maravilhosa dessa vida?
 
1 - Morar Sozinho
Essa é fácil... no texto ele diz aí no sentido de morar sem pais, ser responsável pela sua higiene e limpeza, e isso eu faço desde antes dos 20. Check.
 
2 - Experimentar coisas diferentes
Não tem como falar muito disso aqui sem expor coisas que não devem ser expostas (eu acho que ninguém lê esse blog, mas aí, é só falar coisa que não deve pra se ter desagradáveis surpresas). Mas fato é que um dia eu decidi (i) ir morar no Wisconsin para (ii) experimentar uma cultura diferente (iii) num inverno de -30 graus (iv) ganhando a vida como Lifeguard de parque aquático.
 
3 - Viajar para o exterior
Quando fiz 20 anos, conhecia apenas o maravilhoso Brasil. Hoje conheço Estados Unidos, Holanda, Alemanha, Polônia, Republica Tcheca, Inglaterra, México e Argentina. Não viajei nem um décimo do que eu gostaria de ter viajado, e tem muito chão pra comer, mas já deixei minha pegada por aí.
 
4 - Dominar um idioma.
Eu sempre sonhei ser poliglota. Ainda não consegui nem dizer que sou trilíngue, mas graças aos meus anos de dedicação forçada (obrigada mãe <3 ) sou fluente em inglês.
 
5 - Curtir a vida adoidado
Meu. Deus. Se não da pra falar das coisas diferentes, disso aqui dá ainda mais medo. Enfim, um dia eu vou fazer o tributo que a minha vida de solteira merece, mas eu posso dizer que eu curti (e continuo curtindo, graças) MUITO. Eu vivo a vida que eu quero, tive incontáveis ressacas, tive uns causos "românticos" extremamente divertidos, nadei pelada no mar, sambei na frente de uma torcida (vai Curintia), corri uma Maratomba de cerveja, vi o sol nascer deitada na praia, fiz amigos pelo mundo, dancei no palco da balada, dancei em cima da mesa de bar, deitei na rua em São Paulo, cantei no karaokê,  participei de campeonato de barrigada, chorei por rapazes, ri da cara deles, e não paro de gargalhar toda vez que sento com as amigas pra falar das delícias dessa vida. É bonita, é bonita e é bonitaaa.. 
 
6 - Construir hábitos saudáveis
Foi aqui que eu quase derrapei. Mas hoje faço ioga com regularidade, tento ir a academia com alguma frequência também, corro de vez em quando e me alimento ok - saladas são sempre mais benvindas. Aprendi a usar filtro solar, a dormir cedo durante a semana e a tomar 2 litros de água por dia. To bem.
 
7 - Levar o trabalho a sério
Minha carreira vai muito bem, obrigada. Eu, que detestava o Direito, achei meu nicho, hoje sou relativamente feliz no trabalho (digo relativamente, porque só a Megasena me traz um brilho ridículo no olhar). Levo a sério e colho os resultados.
 
8 - Considerar a carreira acadêmica
Considerei, e desconsiderei logo em seguida. Não é pra mim.
 
9 - Construir bons relacionamentos
Eu tenho bons amigos. Eu diria que são os melhores do mundo, do meu mundo. Em quantidade, são muito menos do que eu imaginava que seriam nessa altura da vida, mas em qualidade, eles são muito melhores do que eu poderia pedir. São aqueles pra tudo. Pra toda hora. Pra agora, pra sempre.
 
10 - Apaixonar-se de verdade
Eu já me apaixonei muito nessa vida.. mas amar, acho que é a primeira vez. Pois é, eu estou amando. E sou correspondida. E isso é lindo.
 

Buenos Dias

Eu não sei se já falei por aqui, mas a minha mãe é a criatura mais fofa desse mundo. É compreensiva, calma, de bem com a vida, calma, bem resolvida, calma, um docinho, de tudo! E ela gosta muito de viajar. Me preenche a alma ver a carinha de felicidade dela, a curiosidade em olhar tudo, em andar por tudo, em esquecer a idade que tem, o pé que dói, e querer conhecer tudinho, tim tim por tim tim. Em ver ela parar para olhar florzinhas, tirar foto sem saber exatamente do que, se ajoelhar com fé em cada igreja, bater papo com gringos desconhecidos em português, querer comer as coisas diferentes do cardápio, se jogar na cama no final do dia e cair na gargalhada.
Passei 4 dias por aí viajando com mamãe. To com a alma que transborda de tanta doçura! 

A tal da endometriose

Hoje, 20 minutos após abrir um exame, por coincidência topei com uma reportagem sobre endometriose que saiu na Maire Claire. A matéria é bem completa e esclarecedora, mas mostra um lado da doença que eu, como portadora, nunca senti.
A vida toda senti cólicas horrorosas, menstruava um volume bizarro - tinha anemia de tanto sangue que perdia - sofria muito mesmo. Me lembro de, aos 15 anos, ter feito uma conta de quantas menstruações eu ainda teria ao longo da vida, e ter chorado ao ver o número final, hahaha...
Durante a adolescência, o ginecologista falou algumas vezes sobre ovário policístico, mas ficou nisso.  Em 2006, com 20 anos, tive uma crise de dor aguda no meio da rua (ou melhor, dentro do ônibus), com direito a desmaio e resgate por carro de polícia. Acabei indo parar no Pronto Socorro do HC, e Senhores, garanto, vocês não querem saber. Enfim, depois de muita onda, tomei um Buscopan e voltei pro aconchego do lar.
As cólicas continuaram, a recomendação pelo uso da pílula também. Tentamos de tudo, pílula contínua, baixa dosagem, etc. Em março de 2011, uma nova síncope. Mais uma crise de dor, mais uma visita ao hospital, que dessa vez resultou em internação de 3 dias e o diagnóstico preciso da endometriose. A minha médica então sugeriu um acompanhamento por 6 meses, com alteração na pílula. Após esse período, constatamos que o nódulo que crescia no meu ovário esquerdo tinha aumentado, e muito. A cirurgia seria o próximo passo. Como ela não operava, eu de início à caçada do médico que faria a minha cirurgia.
À época eu tinha um convênio muito bom, e acabei chegando até a Dra. Rosa Neme, super autoridade no assunto. A Dra. Rosa acho que foi a responsável pela minha tranquilidade com a minha doença - tranquilidade tanta, que esse texto é a primeira referência que faço na vida a uma "doença". Nunca me senti doente, nunca me senti preocupada.
Em outubro de 2011 fiz a cirurgia por vídeo laparoscopia, que acabou sendo um pouco longa porque eu já tinha aderências no ovário, fundo do útero, e algumas em torno do intestino. O pós operatório foi relativamente tranquilo - eu que nunca tinha feito cirurgia, e vejo esse povo indo pra faca por qualquer coisinha, achava que seria um passeio no parque, e não é exatamente isso. Mas ok, superável. Na mesma cirurgia, foi colocado em mim o Mirena, DIU que, em 90% das mulheres, cessa a menstruação, e por isso ajuda a combater a endometriose. Eu não tive essa cessação e hoje estou num momento de fazer exames e descobrir se estou com o problema de volta.
 
Acabei contando a história toda pra expor o quanto a forma que você vai lidar com tudo depende do seu médico. De ele conhecer o problema, de saber expor o problema pra você, de dar as alternativas possíveis, de ter a sensibilidade para lidar com uma doença hormonal. Em momento algum me foi dito que isso traria dificuldades para engravidar. Sempre me foi falado o seguinte: doença, como todas as outras, precisa de tratamento e cuidado. Nas vezes em que eu questionei sobre essa dificuldade, a resposta que me foi dada é de que a fertilidade é afetada por inúmeras coisas, e que eu devia focar no meu tratamento. Outro conselho valioso que a Dra. Rosa me deu foi de não olhar ao Google. Ela me disse: Gabriela, não vá. Se proíba de ir até o Google e digitar "endometriose". Você vai se desesperar e me ligar chorando. Confie em mim. E eu confiei.
O que vi muito no relato das mulheres da reportagem foi uma angústia, uma ansiedade e um sofrimento latente, que acabou por prejudicar ainda mais o processo. É claro que o fato de eu ainda não querer engravidar me ajuda a relaxar.. talvez se quisesse, a conversa seria outra. Mas a Dra. Rosa sempre me fez acreditar que aquilo era um problema removível, que ela ia me ajudar a tratar, e tudo ficaria bem. Eu sempre acreditei que tudo deu certo - mesmo agora, que os focos talvez tenham crescido novamente. Sei que faz parte do que é a endometriose, e me sinto bem para começar tudo de novo. Penso que talvez eu seja inconsequente e evite pensar na parte grave da coisa... Pode ser, mas acho que se for isso mesmo, me foi benéfico no tratamento. Mesmo quando já internada, e na sala de pré cirurgia, eu não estava nervosa, fiquei sossegada o tempo todo.
 
Na reportagem da Marie Clair também falam que, pelo fato de ser uma doença nova, muitos convênios não cobrem o tratamento. O meu cobriu todos os exames e me reembolsou por todos os gastos com a cirurgia - todinhos. Me senti amparada, e isso é fundamental para se encarar as coisas com mais leveza. Me sinto privilegiada, e fico angustiada que a maioria das mulheres mal possam ter um diagnóstico. Ainda por cima, ficam colocando como se fosse uma consequência do "egoísmo feminino", de mulheres que colocaram a carreira à frente da família, o "mal da mulher moderna", e esquecem de lembrar do mundo em que estamos vivendo. Me recuso a aceitar essa culpa. Nenhuma mulher deve se sentir culpada por ter uma doença, seja ela qual for, e decorrente do que for.
 
Enfim, acho que o assunto precisa ser abordado de uma forma real, sem o clichê "moderno", e também sem fatalismos. Teve uma novela aí, que a Camila Pitanga pegava o Lázaro Ramos, e falava que "não podia engravidar porque tinha endometriose". Foi na mesma época da cirurgia, e eu fiquei pensando que grandes merdas pra se falar em novela das 9.

É uma luta, é um saco, é um incômodo que pode ser diário... mas acho que o essencial é se manter firme, tranquila e positiva. Força meninas!

Existe amor em SP

Que eu amo São Paulo desde sempre não é novidade. Desde o dia que vim morar aqui, sempre soube que era o meu lugar. Amei ser mais uma na multidão, poder ir no mercado às 3h da manhã, achar cinema passando todo tipo de filme, restaurante com todo tipo de comida, os mais variados eventos culturais, o fato de você poder ser e fazer o que quiser.
Mas me incomodava um pouco o tanto que o centro era excluído, como a gente só circulava pelas mesmas áreas, o quanto interagíamos pouco com a cidade em si, como arriscávamos pouco, como tentávamos todos ser iguais, o quanto todo mundo era igual podendo ser tão diferente.
Chicago foi a primeira cidade grande que estive fora do Brasil e me fascinou. Eu fiquei louca com aquelas pessoas todas vestidas com muita personalidade, cada um de um jeito, tinha rapper, clubber, boys de ternos super bem cortados, todo mundo andando no trem. Tinha arte por tudo, e eu fui à loucura mesmo. Voltei pro Brasil dizendo que era a minha cidade favorita no mundo, porque as pessoas eram livres.
Vieram outras viagens, e cada vez mais eu ficava desapontada com a capacidade que tínhamos de jogar toda nossa personalidade fora. Como a gente ignorava aquele centro maravilhoso? Por que todo mundo só andava de jeans e blusa preta? Por que tanta gente odeia o metrô que nunca andou? É óbvio que isso é uma visão geral, e gente estilosa e lugares bacanas sempre existiram, mas por que olhando o geral, era tudo tão igual?
Pois bem.. São Paulo está se tornando o turbilhão que sempre mereceu ser. A cidade está aflorando como nunca... agora tem arte por tudo, as pessoas estão mais na rua, a interação entre o cidadão e a cidade está tão linda.
Elza no Ibirapuera, by Gabriela Milan
Temos shows nas ruas com muito mais frequência, festas no centro, as tão faladas ciclovias, os espaço públicos estão cada vez mais públicos. Os museus estão lotados, não param de chegar exposições. Claro que tem o fator econômico, o fato de o Brasil ter se tornado estável. Mas tem, acima de tudo, a vontade do Paulistano de encontrar a personalidade da cidade. Eu vejo assim...

Tem muita coisa importada de fora? Claro que tem. E é bom assim... temos que trazer as ideias boas, temos que trazer pra perto de nós tudo o que gostamos de ver fora (inclusive a civilidade, né.. mas é papo pra outro post). Parque Augusta, by Gabriela Milan
 As pessoas estão pedindo parques, áreas verdes, usando praças, estão preterindo a cultura do condomínio. Eu sei que não estou falando dos 10 milhões que vivem na cidade. Mas estou falando de uma onda crescente que eu estou vendo por aí. A foto ao lado é uma manifestação pacífica pela construção do Parque Augusta, quando num domingo um grupo fez um grande picnic na Rua Augusta, em frente ao terreno que querem transformar em mais torres de escritórios e apartamentos. Tinha música, tinha cartaz, tinha criança, e tinha a imensa vontade de ver a cidade mais bonita e mais verde.
 Também começaram agora com a onda dos foodtrucks, que eu acho uma palhaçada o nome e tal, porque nada mais é do que o bom e velho carrinho do cachorro quente, né... Mas a ideia é a de comer com mais informalidade, de sentar na mesa coletiva, do paulistano parar de querer ser podre de chic a todo custo o tempo todo. Eu acho tão bacana um povo que não se leva tão a sério... Isso não quer dizer chegar atrasado em todo compromisso, mas é saber que não precisa estar de salto e com barba feita para ser elegante.
Eu, que sempre quis morar fora, que contava os dias pra me formar e deixar o país, fui ficando, e fui ficando, cada vez menos sinto essa urgência, porque estou começando a encontrar aqui tudo que mais admiro lá fora.
Grafitti em SP, by Gabriela Milan

Food Park, by Gabriela Milan

Victor Civita, by Gabriela Milan

Ainda tem o que melhorar? Ô se tem... A gente tem muito o que caminhar, principalmente enquanto cidadãos, precisamos alinhar nossas prioridades, precisamos querer ser cada vez mais aqui o que gostamos de ver lá fora. Precisamos cuidar dos espaços públicos, precisamos pensar mais coletivamente, precisamos olhar mais uns pelos outros, deixar de julgar tanto o próximo. As pessoas precisam cada vez mais se sentir confortáveis na pele que tem, em vestir o que quiser, em ir onde quiser, dançar como quiser. Mas eu estou muito crente de que estamos no caminho certo... Sério, SP, eu te amo cada vez mais e mais.

Deixe ele entrar

Por muito tempo, mesmo sendo muito feliz sozinha, eu sempre disse que se achasse alguém que fosse meu número, eu ia querer namorar com ele. Alguém que risse das mesmas coisas que eu, que gostasse de dançar até de madrugada, que tivesse mais sonhos além da casa própria, que não se importasse em dirigir um carro velho, que achasse graça nas bobagens que eu e as minhas amigas falamos, que gostasse de cantar música ruim bem alto.
E aí que eu achei essa criatura. Eu acho ele lindo, eu adoro o jeito que ele dança, a gente ri sozinho de pessoas cafonas pela rua, gostamos de dividir os pratos nos restaurantes, em casa ele cozinha e eu lavo a louça, quando eu viajo ele stalkeia pela Infraero onde está meu avião só pra saber o que eu estou vendo pela janela, e todas essas coisas somadas à tantas outras me fazem sentir muito feliz. Que acreditar por todo esse tempo que me diverti com os errados pensando em encontrar o certo valeu mais do que a pena.
Mas como é difícil deixar alguém entrar na nossa vida... Mesmo A pessoa, mesmo ele.
A gente tem hábitos, manias, quer decidir tudo sozinho, quer sair combinando, quer que ele concorde com tudo, quer que ele queira participar de tudo. E não é assim. A gente emburra, e lembra como era mais fácil quando era sozinha... A gente quer planejar as férias, e o outro as vezes não ta nem pensando no jantar de hoje. A gente quer que tudo se resolva, e eles querem deixar rolar.
Eu sei, é bobagem... É princípio básico de relacionamento. Mas em tempos de tantas reflexões sobre os relacionamentos modernos, eu fico pensando que esse é um problema que extrapola o whatsapp, tinder e facebook. É uma questão de estar aberto, de entender que pro outro entrar, a gente tem que abrir a porta e ter espaço. E isso sempre foi assim. Mas quando é com a gente parece tão mais complicado, né?
Nessas eu tenho aprendido muito. É difícil, mas tento ser a pessoa que entende, que conversa e que acredita na decisão conjunta. E são nesses momentos que eu percebo que ele é mesmo o meu par, porque só ele pra resgatar esse lado de mim que vivia tão, mas tão escondido, que eu nunca tinha visto.
* Ouvindo músicas doces, muito doces.

Superando medinhos

Sempre tive medo de fazer lista. Lista de metas para o ano que vem, lista de lugares que quero conhecer, lista de coisas a não fazer, etc. Tudo por medinho de não cumprir, de ver o "fracasso" enumerado na minha frente (já falei aqui que só metas profissionais vingam pra mim). Pois bem. Começando o segundo semestre, essa desgraça de semestre sem feriados, sem Copa - volta Podolski!, acho que é apropriado tentar superar alguma coisa aqui, e estabelecer algumas metas a serem cumpridas até 31 de dezembro de 2014. Vão ser poucas e singelas, claro, porque né, não precisa sair se lambuzando...
 
1- perder peso - qualquer tanto, mas PERDER;
2- voltar a fazer alguma atividade física com regularidade;
3- viajar para algum lugar que ainda não fui;
4- não comprar nenhum biquíni;
5- elogiar mais as pessoas;
6- ir aos médicos e fazer os exames que eles pedirem.
 
E vamos acompanhar.  

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