Isso é uma vergonha!

Essa história de rede social é um barato mesmo... As pessoas estão aí, fazendo belíssimo papel de trouxa há muito tempo. 
Primeiro foi o ICQ com seus lendários ~nicknames~ (que na minha cidade algumas pessoas carregam até hoje, tipo uma menina que chama Ana, e ninguém sabe de que Ana estão falando. Mas se falar Ana Lazy... Aí sim, todo mundo sabe que é a Lazy Girl do ICQ). Esses eram engraçadinhos...
Depois veio o Orkut, que o povo ficava mudando a descrição do perfil, colocando músicas sofridas, ou frases enigmáticas a lá "se definir é se limitar". Eu achava tudo bem cafona, mas era minha escolha ir lá xeretar a cafonisse da pessoa na página dela, beleza.
Com o MSN vieram as indiretas virtuais, esse mal que perdura na humanidade até hoje. O povo colocava o humor do dia, e lá mandava um belo "aprendendo a não confiar nas pessoas". Até eu, num desses dias que você não deve ter nenhuma tecnologia ao alcance das mãos, mandei uma indiretinha por lá. Pois é, quem nunca, neam?
 
E aí, MEL DELS. Inventaram a timeline do Facebook, essa grande esfregação contínua de bizarrice na cara dos outros. As vezes fico pensando que se o diabo existe, a tal da timeline é arte dele. Quantos amigos "perdi", quantas pessoas deixei de admirar, quanta vergonha alheia sofri. E continuo sofrendo.Vergonha na época das manifestações, vergonha monstra nas eleições, e muita vergonha em decorrência de diversos acontecimentos diários. Sabe aquele carinha que você achava muito legal AND gatinho? Pois é, ele achou graça da fala do Bolsonaro para a Maria do Rosário. Sabe aquela colega gente fina de trabalho? É... gente fina até falar que era hora de dividir o Brasil. Agora, a moda é falar que lindas mesmos são as leis da Indonésia, aquele país onde a justiça é levada a sério. Muito me intriga que essas pessoas, que entendem muito sobre o maravilhoso sistema judiciário local, não saibam que lá em algumas províncias o relacionamento gay é proibido e punido com chibatadas, a pena de apedrejamento para adúlteros é regulamentada por lei, etc.
 
Aparentemente essas pessoas ainda não entenderam o alcance das redes sociais hoje, o eco que essas falas desajustadas produzem e onde podem chegar. Saem falando um monte de papagaiada sem pensar que pode chegar no chefe, num possível empregador futuro, nos ouvidos do seus filhos - ou pais, etc. Pior: parece que nem memória não tem. Quando a Dilma foi eleita em 2010, uma estudante de Direito falou um monte de bobagens sobre nordestinos. Foi demitida, processada, passou um apuro do qual não deve ter se recuperado até hoje. Eu ainda lembro o nome e sobrenome da criatura, depois de tanto tempo. Na época todo mundo caiu de pau... mas muitas dessas pessoas, 4 anos depois, estavam falando as mesmas bobagens de forma diferente, com esse papinho escroto de "muro". Melhor ainda as que defendem o fuzilamento do cara, mas são contra aborto, afinal de contas, são defensores da vida. Eu fico parada, olhando pra tela do computador, e não sei nem o que falar, só sentir...
 
E aí, como nem tudo nessa vida é tão pesado, tem aquelas pessoas que da vontade de pegar no colo e falar com voz de criança: vamo para de se constranger, vamo?
Tem um cara que estudou comigo na faculdade, que eu não vejo desde então, mas to sempre sabendo se ta namorando, se tomou pé na bunda, porque um dia ele posta músicas melosas do Bon Jovi "praquele alguém especial", exatamente assim, tipo programa de rádio dos anos 90, e no outro tá lá "antes só do que mal acompanhado". A pior das piores foi uma amiga da escola, que estava grávida, e postou um meme que era uma criança no ultrassom com um balãozinho saindo da boca dizendo "ei papai, para de tomar o meu leitinho". EU JURO. Essas daí me dão muita vergonha, mas me dão ainda mais ternura, porque tão no limite da incapacidade, sentido jurídico da coisa. E é por elas que eu não consigo sair do Facebook. Eu preciso constatar todos os dias, com meus próprios olhos, que eu posso não ser o Steve Jobs, posso não ser uma gênia, e nem ter inventado nada revolucionário que me renderá royaties pro resto da vida, mas eu to bem. É nobre da minha parte? Nem um pouco. Mas todo mundo tem defeitos, e pelo menos os meus não passam por ser fã do Bolsonaro.
 
 

London called

Sempre tive expectativas altíssimas com Londres. Achava que era meu lugar no mundo, muito antes de sonhar em pisar nela. Foi aí que nosso relacionamento meio que esfriou, porque né... aquela máxima da vida "crie até pôneis, mas não crie expectativas". Veja bem, não é que não gostei de lá, gostei sim, e bastante. Mas eu achava que só entraria de volta num avião amarrada e empurrada a força pela polícia, e no fim, consegui ir andando sozinha mesmo. Isso foi porque a cidade é tão, mas tããão cara cheia de gente, de turista, de tudo, que você não consegue enxergar ela direito. É difícil ouvir inglês, é difícil conseguir parar pra olhar o que ta acontecendo em volta, e isso pra mim tira um pouco do encanto. Devo reconhecer, no entanto, que ao final dos meus dias lá, deu uma esfriadinha, e num sábado achei a cidade mais vazia e ó: <3.
Lendo fofocas no The Sun

Foi em 2012 que passei uma semana em Londres. Eu não gosto de viagens corridas, passar 2, 3 dias em cada lugar e ver muito pouco e superficialmente. Óbvio, tem lugar que não requer muito mais tempo do que isso, então beleza. Mas Londres é uma cidade gigante, cheia de coisa pra fazer e achei por bem reservar metade das férias pra ela.
Foi uma viagem de amigos, rolou uma mistura boa de turma, entre amigas da faculdade, amiga da vida, amigas do intercâmbio. Nem sempre tava todo mundo junto, porque né.. grupo grande é assim mesmo. Por óbvio, não tem como dar ruim. Danem-se as expectativas frustradas, you´re going to have the time of your life. Era março, a primavera estava dando as caras, pegamos dias maravilhosos de sol, calor de usar shorts durante o dia, noites amenas. Coisa fina.

Fiquei num hostel em Camdem (St. Christopher Inn) e não era muito bom, mas era OK. Além do que, os preços em Londres passaram há muito da hora da morte (socorro, libra!) e era o que dava pra pagar. Amei a localização - além de ter vários pubs, restaurantes e o famoso Camdem Market, é um bairro onde é possível ver muitos locais perambulando AND a uma distância andável do belíssimo Regents Park, com seus jardins lindos - passeio que vale a pena para quem tiver pela área. A região em si já é um programão, e passamos um bom tempo explorando as ruazinhas, lojinhas e minha nossa.. os cafés. Nada como Eggs Benedict em Londres :)
Fiz quase todos os passeios que a bula de turista recomenda: andei do BigBen ao Palácio de Buckingham, passei pela Abadia onde a Princesa casou (mas não entrei porque paga, e eu preferiria gastar com birita estava em choque com os preços da cidade), St. Paul Cathedral, London Bridge, Tower of London, Trafalgar Square, Hyde Park, Tate, Millenium Bridge, Picadilly Circus, Covent Garden. Presenciamos - e participamos - inclusive, de um protesto em frente ao Parlamento.
Não fui a alguns outros locais que gostaria, como Abbey Road, porque não tem jeito, você pode ficar 1 mês lá, e não vai esgotar as possibilidades. E como eu não gosto de passar correndo por tudo só pra dizer que fui, segui no meu ritmo. Mas vamos aos meus favoritos, aqueles lugares que fazem meu coração se encher novamente por aquela Londres dos meus sonhos.
St. James Park

Que parque lindo! O St. James vai do BigBen ao Palácio de Buckingham. Dá pra você fazer esse caminho por fora, ou ir por dentro dele, se apaixonando pelos lagos, esquilos, jardins e, se em março/abril, cerejeiras. De encher os olhos.
Borough Market
Outra maravilha na terra. Fomos sem pressa, descemos na London Bridge, e passamos algumas várias horas divinamente entretidas por muita comida boa. Sério... chegamos por volta das 11h da manhã e saímos perto das 15h, hahaha.. Tinha muitos londrinos almoçando de terno e gravata, no meio do expediente (se entendi bem, a área onde estão os bancos e afins é por ali). Mesmo assim, não estava super cheio. Estávamos em 3, e fomos dividindo os pratos pra todo mundo provar de tudo. Como não me deu uma dor de barriga, eu não sei. Mas comemos paella, um gnocchi super levinho, tortinha inglesa, pastas árabes, raclette suiça, macaroons  e sorvete de sobremesa. Fui muito feliz.
London Eye
É turistagem? Pura. Vale a pena? DEMAIS.
A fila anda rápido, e do preço você se recupera a hora que o negócio começa a subir. A vista é linda de doer. Fomos ao final do dia, e a luz natural estava bem bonita. A capsula é grande, cabe bastante gente, mas não deixam apinhar, então você consegue achar espaço na janelinha, e a volta toda demora tempo suficiente pra você olhar pra todos os lados da cidade com calma. Embaixo dela, tem um passeio que margeia o Thames, e ficamos lá até acender as luzes do BigBen, falando bobagens, dando risada, sendo puramente felizes, como o momento pede.
Notting Hill
Foi aqui que meu coração definitivamente fez as pazes com Londres. Fomos ao Portobello Market, que é o mercadinho de antiguidades famoso. Ele é bem lotado, e tem muita tranqueira, mas lá pelas tantas aparecem muitas coisas legais.
O mercado é bem longo, e da pra passar várias horas andando, vendo coisinhas, olhando as ruas laterais. Tem música, tem comidinhas e tem muita gente interessante.

Ao final, você chega no coração do bairro, onde tem casinhas britânicas coloridas, e da vontade de ficar ali mesmo, pra sempre. De achar marido, criar filhos e ver a vida passar. Tudo permeado por cerejeiras que estavam floridas e rosas. Eu não sei se eu sou muito retardada, mas de tempos em tempos a voz do Elvis Costello começava a cantar "She" na minha cabeça, e eu ficava com o sorriso de orelha a orelha. Ah é.. ainda tem essa. A lojinha do filme ta lá, mas não é mais uma livraria de viagem, mas de sapatos feios, rs.
Fomos a vários pubs, à uma taverna tradicionalíssima onde alguém muito importante estava quando a notícia do fim da 2a Guerra chegou (pois é, não lembro quem), e ao Fifteen do Jamie Oliver - que foi o programa rico da semana.
Londres tem esse detalhe: te faz sentir pobre, muito pobre. É tudo muito caro, e é possível gastar quase R$50,00 num café da manhã bem simples num restaurante idem. Por isso, dá uma desanimada. É muito ruim contar dinheiro em viagem, mas não tem jeito, se você não ficar esperto, muito antes do fim da sua estadia vai estar zerado. Por isso, é possível que eu não volte tão cedo.
Os dias estavam tão bonitos (ao contrário do que se espera da cidade) que queríamos aproveitar pra fora, então acabei indo a poucos - ou melhor, a UM - museu, o que é quase um pecado. Mas quem sabe alguma reviravolta na vida, tipo uma megasena, assim, não me empurra de volta pra lá em breve, né?
Mas é isso, na sessão nostalgia de férias que estou vivendo, muito me alegra lembrar que eu tive o prazer de passar uma semana ensolarada em Londres, que pode até não ser exatamente aquela do meu imaginário romântico, mas é sim uma cidade encantadora.

Das coisas que eu não entendo

1 - Eu não sou vegetariana. Eu amo carne. Eu respeito muito quem é vegetariano, porque como eu amo carne, fico com a ideia de que essas pessoas fazem um esforço descomunal para viver assim (embora muitas nem façam, rs). Admiro mais ainda gente que se propõe a viver de um jeito e vai em frente, segue sua vontade. Acho foda. Eu jamais passaria um bife cheiroso na cara de um vegetariano e diria "olha a suculência que você ta perdendo". Eu não entendo porque vários vegetarianos que eu respeito tanto ficam tentando me doutrinar e falando de todos os bichos que EU, assassina, estou impiedosamente botando pra dentro do MEU corpo, que eles carinhosamente chamam de cemitério.
 
2 - Eu tento viver minha vida do jeito que eu acho que é certo pra mim, me esforço pra respeitar minhas vontades, pra respeitar a vontade dos outros, e bola pra frente. Curto muitas coisas bacanas, música alternativa, vou à exposições, leio bons livros, gasto dinheiro com viagens e não com carro ou outros itens de status. Mas também gosto de um monte de merda: gosto sim de umas fofoquinhas (óbvio, daquela que você faz com suas melhores amigas e não de sair apontando o dedo por aí), gosto de BBB - pelo menos gostava até uns tempos atrás, os últimos foram fraquíssimos, hahaha - gosto de Taylor Swift, assisto comédia romântica boba, li Crepúsculo. E acabei reparando que tem um movimento estranhíssimo no ar: as pessoas que antes se preocupavam no que "sociedade" ia pensar, agora não se preocupam mais. Agora elas se preocupam com o que "a sociedade alternativa" vai pensar, rs. Tem gente por aí que se não botar pelo menos uma peça de roupa esquisita, não consegue sair pra rua. Salto alto, então... rola todo um pavor de confiscarem a carteirinha de hipster. Música pop? Oh no, odeio mainstream. Enfim... eu achava que a ideologia hippie-hipster passava por não se preocupar com o que os outros pensam. Mas por "outros" digo qualquer outros. Sejam os outros almofadinhas, sejam os outros qualquer um.
 
3 - Eu sou católica. Não sou muito praticante. Eu respeito todas as fés - e não fés - do mundo. Acho que, sem radicalismo, é bom acreditar ou deixar de acreditar no que quiser. Acho que todo mundo merece ter paz interior, e cada um deve buscar isso onde melhor for encontrar. Eu não entendo gente que vem, a toda e qualquer hora, me enfiar palavra de Jesus guela abaixo. Você dá o endereço da festa pro taxista, e ele já diz que lá é o lugar onde o diabo se esbalda. Você ta com pressa na rua, é parada por um irmão de fé, você diz que não tem tempo, e já toma um "infieeel, vai padecer no purgatório".
 
Pelamor, o purgatório é aqui, e eu já estou padecendo, sabe...
 

Mensagem para você

Ontem fui tomar um sorvete e vi uma cena tão triste mas tão bela, que não saiu da minha cabeça até agora. Uma velhinha, aparentemente com Alzheimer, chorava aos soluços sofridos porque sua roupa estava feia. Era um choro tão doído que foi duro me segurar e não chorar junto com ela. O marido, um senhorzinho todo grisalho, falava "sua roupa é nova,você tá linda". E eu vi aquilo com uma dor enorme e uma admiração ainda maior. Lembrei tanto do meu vô, durante os quase 30 dias de coma da minha vó, que chamava todos os dias "Acorda Dirce, acorda que eu quero falar com você" e entendi que é isso mesmo... a vida vai nos lembrar sempre, de um jeito ou de outro, que ela é sofrida, a jornada é longa, mas o importante é não faltar amor.

Pra ser feliz em 2015

O mar de esperança que me invade todo ano novo ainda não chegou. É que eu preciso estar na praia para ser alcançada por ele, e hoje é dia útil. Com certeza invadirá em 24 horas. Mas achei bom aproveitar justamente a onda realista, antes da onda otimista, pra estabelecer aqui algumas metas para 2015. Não quero nada que me consuma, mas sim coisas que me motivem. Depois de muito pensar, vamos lá.
1- Voltar a estudar. Um curso curto, uma pós, tanto faz. Aprender alguma coisa nova é o que eu quero.
2- Fazer mais exercícios. Estava indo bem, mas preciso focar mais nisso.
3- Ler mais livros. Li mais em 2014 do que em 2013, mas tá pouco. Usei meu vale compras de Natal do trabalho na Saraiva e comprei um número de livros já maior do que li este ano, pra impulsionar o desafio. Ler todos eles já é um começo.
4- Triplicar o valor que eu tenho guardado em conta. Tenho alguns planos grandes para o futuro, e planos grandes demandam orçamento grande.
5- Voltar à Europa. Eu sei que é complicado triplicar a poupança de um lado, e ir pra Europa com o Euro quase em R$4 do outro, mas essa é a grande beleza da vida: se virar nos 30 e fazer acontecer.
6- Não fazer compras por impulso. É uma tarefa árdua pra mim, mas ajudará e muito nos itens 4 e 5. E eu preciso mostrar praquele guarda roupa quem manda nessa bagaça, hahaha.
7- Fazer voluntariado. Esse ano fiz várias pesquisas sobre instituições, participei de algumas ações, mas quero algo mais concreto e efetivo.
8- Conhecer algum lugar novo no Brasil. O Brasil é tão rico, tem tanta coisa, e a gente aí, sempre fazendo mais do mesmo. O Rio de Janeiro é lindo e eu amo ele, mas eu preciso dar meus feriados para algum outro lugar.
9- ter (ainda) mais filtro. Antes eu queria consertar o mundo, e já passei dessa fase. Agora, me limito a dar minha opinião quando é solicitada. Ainda assim, preciso lembrar de guarda-la para quem de fato está interessado nela.
10- keep positive. É o principal. Esse ano, apesar de tudo que passei, me mantive sempre positiva e ó, faz uma diferença inacreditável. 
Feliz 2015!

Amsterdam (e a vontade de férias)

To com saudade de férias... MUITA saudade! Vai chegando dezembro, e tudo que eu queria era ter 15 anos de novo e passar a vida no mais delicioso dolce far niente.
Pra matar essa saudade (já que férias mesmo, acho que só em junho), vou fazer aqui uma série de posts sobre algumas viagens que fiz. Mais uma vez, importante lembrar que não sou uma viajante profissional e não tenho pretensão de ser uma blogueira de viagens, até mesmo porque acho que não tenho repertório pra isso. Mas escrevo esse blog como um arquivo de memórias, e as viagens são doces memórias que amo reviver. Além disso, eu me diverti pencas lembrando da minha viagem pra Polônia (e ainda serve pra responder aquela pergunta que sempre fazem "como foi a viagem?" e que você não sabe nem por onde começar a falar). Voilà.
***
Amsterdam foi a porta por onde entrei na Europa a primeira vez (e curiosamente, na segunda também). A primeira vez que fui, fiquei na casa de um amigo, que estava me esperando no aeroporto. A Europa sempre foi um sonho pra mim, e ir vendo a cidade no nosso caminho até o centro me deu muita vontade de chorar de alegria feat. emoção. Como não era um amigo super próximo, segurei a onda. Chegamos em casa, mal deixei as malas e ele já tava pronto pra gente ganhar a rua. Eu estava tão mais empolgada do que cansada, que nem me liguei que não tinha tomado nem banho depois de 14h de trânsito. Eu fui, e essa foi a primeira foto que tirei:
Não tem como não se apaixonar muito por Amsterdam. É uma cidade em sépia, gente, hahaha... Apesar de venderem muito como a cidade da porralouquice, eu acho uma cidade extremamente romântica. Meu amigo andou muito comigo, me mostrou vários pontos turísticos, como a casa da Anne Frank, o Red Light District, a pequena Chinatown que tem por ali, a Centraal Station (que eu acho divina de linda), o colossal estacionamento de bicicletas, alguns coffee Shops, a Dam Plein, o Iamsterdam. Me levou pra comer comida local, me joguei nas bitterballs e fui a loucura com o stroopwafel. Também me deu algumas dicas de turismo avançado em Amsterdam, tal como fazer check in e check out com o bilhete no transporte público, para pagar somente o preço equivalente ao trecho percorrido e não o preço cheio. Fomos em baladas, e eu passei dias incríveis por lá. Como ainda estava engatinhando nessa vida de viagens e achava que nunca mais voltaria lá, me ative, em 95% do tempo, em programas para turistas facilmente encontrados em qualquer guia. Nos outros 5% do tempo, ele me levou pra um programa incrível: fomos a Zaanse Schans, em Zaandam.
Zaandam é uma cidadezinha coisa de 20 minutos de Amsterdam. Tem inclusive um ônibus que saí da Centraal Station (91 de acordo com o Google). Nela tem Zaanse Schans, que é um museu a céu aberto, coisa mais linda. Um campo com inúmeros moinhos, fábrica de queijos, fábrica de tamancos, fazendinha pra crianças, aluguel de bicicletas, e eu nem sei explicar a lindeza que é olhar aquilo.

Passei horas incríveis no maior sossego. Era um domingo de sol em janeiro, não estava muito frio e não estava cheio. Tinha muitos holandeses com os filhos, e me pareceu um programa bem fora da rota turística. Alias, para ver moinho, vale muito mais a pena do que aquele que tem no meio da cidade. Voltamos para a cidade, meu amigo foi pros afazeres dele, eu fui fazer um boat tour e olha... só recomendo se estiver chovendo, ou caso tenha (muito) pouco tempo na cidade, tipo algumas horas de conexão. A cidade é pequena, e da pra cobrir todos os pontos que o tour mostra a pé, podendo tirar fotos mais belas, no seu tempo, sabe? Eu fiquei encantada com o aspecto "casa de boneca" das construções por lá, mas mais encantada ainda eu fiquei com as casas-barco. Durante o boat tour, passei por um casal mais velho tomando café da manhã num barquinho, e eu decidi que era missão de vida morar numa casa daquelas.
Pois bem... em 2012 eu voltei para Amsterdam (pra quem achava que nunca mais voltaria, voltei bem rápido), e morei numa casa barco por 3 maravilhosos dias.

Sabe aquela varandinha ali no canto direito?

Pois é. Em 2012 fiz uma viagem, que até agora considero a melhor viagem da vida (intercâmbio é intercâmbio, não é viagem, rs), acompanhada de grandes amigas. Depois de ficar muito passada com o preço dos hotéis (que eram muito caros e com avaliações que iam de bedbugs até ratos) e dos hostels, lembrei que era hora de realizar aquele sonho. Recomendo fortemente. Nossa casinha ficava num dos principais canais no Jordaam, o Prinsengracht. O Jordaam é um bairro mega charmoso, cheio dos cafés, restaurantes e holandeses. Sério.. é até sofrido, porque você quer ficar em casa vendo a vida passar pela janelinha, mas quer sair porque né.. está em Amsterdam. Outra parte interessante da experiência foi provar um pouco da falta de privacidade das casas holandesas. Eles vivem com as cortinas abertas, acho incrível que você anda pela calçada e vê a família inteira jantando na moral, com as cortinas abertas, hahaha... Na nossa casa tinha umas janelinhas no nível da rua, e obviamente umas criaturas enfiaram a cara lá, né. Eu tenho um pouco de irritação com lugar apinhado de turista, e o Jordaam é um bairro um pouco mais sossegado.
Ruas do Jordaam
Por ali fomos no restaurante com a melhor torta de maçã que eu já comi. A dica é quentíssima, anote: Winkel 43. O restaurante é puro charme, a comida é muito gostosa (comi uma carne bem delícia) e essa torta... é o sonho em forma de torta. O restaurante fica na pracinha do Noordermarkt onde, às segundas tem um mercado muito legal, com muita roupa, quinquilharias interessantes, discos, tecidos, coisa de babar. Aos sábados na mesma praça tem um farmers market bem animado também.

Fomos ao Van Gogh (missão que eu havia falhado miseravelmente um ano antes). Era segunda de tarde, e não tinha fila. Achei impressionante tanto o acervo quanto a beleza do museu, que fica na Museumplein, praça com os grandes museus de Amsterdam. É lá também que fica o letreiro Iamsterdam e tiramos todas as fotos necessárias para que não confiscassem nossa carteirinha de turista. Depois sentamos na pracinha e eu comi Stroopwafel feito na hora, quentinho, e quase chorei de emoção. Ali do ladinho tem o Vondelpark, o parque mais famoso e gigantesco da cidade. Lá é bem lindo, e tem uma mistura bacana de turista e holandeses fazendo picnic.
Indo pra outra ponta da cidade, à esquerda da Centraal Station, fomos na Openbare Biblioteek Amsterdam - OBA, a maravilhosa biblioteca pública de Amsterdam. Na minha primeira ida li a respeito do observatório no 6º andar, e gostei muito quando fui. Já que estava lá, vamos repetir, né? A biblioteca tem 5 andares de muito entretenimento, com livros, áreas de estudo, brinquedoteca para os pequenos etc. No último andar, tem um restaurante com comidas mais em conta (Amsterdam é bem carinha) e um terraço com uma bela vista:

Nesse pedaço tem esse restaurante oriental flutuante, que não sei dizer se é bom mas é bonito, vai, e também o Nemo, que é um museu científico. Tem ainda o museu do mar que é em forma de barco, que também não fui mas to mencionando para quem se interessar se programar pra visitar tudo de uma vez. Esse museu do mar deve ser interessante, se pensar que a Holanda briga com o mar desde que o mundo é mundo. Taí, acho que preciso ir lá ver com meus olhos.   
Fomos a diversos coffeeshops e cafés (o café é bar, coffeeshop são aqueles, que não vendem bebida), andamos muito, vimos várias lojinhas de mimos e todos os dias voltávamos felizes pra casa, pra ver os nossos patos de estimação no canal. Sério, apareceu até um cisne na nossa varandinha... Estar num lugar desses com duas melhores amigas é uma coisa inexplicável. Como eu disse, é a cidade da porralouquice, então a gente tomou umas (muitas) biritas, dançou pros barquinhos que passavam na nossa varanda (como eu passei um ano antes) e várias dessas merdas que amigas fazem quando se reúnem. Foi ainda mais especial porque uma das minhas amigas tinha se mudado 6 meses antes para Berlim, e foi nossa primeira reunião. Imagine o grau da idiotice das garotas né?

Amsterdam só me traz memórias incríveis, e por ser o primeiro lugar, foi o início de duas belas jornadas. Não tem como não morrer de amores. Quanto mais eu olho essas fotos, mais eu escuto a música (sim, porque sempre tem um músico na rua tocando algo que faz você se sentir num filme com trilha sonora e tudo), e me sinto romântica. É isso, Amsterdam traz uma sensação de estar apaixonada sem estar, de que você está vivendo um filme europeu da melhor espécie. Já passou da hora de voltar.

Em 2014 eu...

... comecei o ano assim, e um ano que começa desse jeito não tem como ser ruim, né?

Mas fato é que foi um ano muito diferente, e acho que o mais marcante dos últimos tempos, porque tive grandes impactos tanto na vida pessoal como profissional. Passei por coisas extremamente dolorosas, mas por outras muito deliciosas.

Reconheci que estava sofrendo assédio moral no trabalho, que não eram as pressões do cargo, que não eram coisas do mundo corporativo. Uma coisa que nunca imaginei passar na minha vida, de certa forma achava que nem existia. Foi frustrante, me deixou marcas profundas, mas me deu força para dar o maior salto da minha carreira: em 2014 eu virei Gerente.

Na minha casa, as mudanças não poderiam ser melhores. Uma das minhas melhores amigas veio morar comigo, e tudo funcionou lindamente. Trouxe leveza para os meus dias, fortaleceu ainda mais a parceria, e não poderia ter sido melhor. Fiz as mudanças que queria, arrumei um quarto novo, e hoje adoro estar em casa.


Eu viajei até que bem... sempre menos do que eu gostaria, é verdade, mas não posso reclamar. Passei um final de semana em Detroit e uma semana no México por conta de trabalho, fui a Buenos Aires com mamãe, e finalmente tirei férias... foram 15 dias incríveis em NYC, cercada das melhores amigas e excelente energia. Conheci Holambra, um cantinho (muito) holandês a 2 horas de São Paulo. Fui ao Rio algumas vezes, e não tem erro... quanto mais eu vou, mais eu quero ir. Que saudade do carnaval... ahhhh que saudade! 

Eu superei medinhos. Perdi peso (o peso que tinha ganhado durante esse ano, e nem foi tudo, mas ta valendo, né?), voltei a fazer atividade física, fui a dois lugares que ainda não conhecia, não comprei nenhum biquíni, fui ao médico e fiz os exames. A parte que mais gostei dessa listinha? Elogiar as pessoas... botei em prática, e me senti feliz. Como é bom fazer um elogio sincero, né? É de se pensar como a gente sempre tem uma crítica na ponta da língua quando alguém faz merda, mas fica silenciosamente admirada quando alguém manda bem. Esse ano exercitei meu lado elogioso, e me fez muito bem (e tenho certeza que aos elogiados, também). Prática para manter em 2015. Eu também cumpri outra promessa feita no blog, virei uma poupadora. Vá lá que poupei menos do que gostaria, hahaha.. mas é um começo, vai.
Percebi que meus pais estão envelhecendo e sofri. Mas ao olhar a vida que eles viveram, e que ainda vivem com tanta alegria, senti um imenso orgulho de tudo que construíram, da educação que me deram. Família é assim... a gente briga, a gente se ressente, mas é o que de mais valioso que a gente tem. Eu passei bons momentos com meus pais, e melhorei muito o relacionamento com meus irmãos. Sofremos todos juntos a partida do Vô, e acho que, ainda que silenciosamente, saímos todos vitoriosos de 2014.

Conheci a pessoa mais especial que já cruzou o meu caminho. Uma pessoa que só soma e que me fez descobrir as melhores nuances do meu "eu". Uma pessoa que escuta Beattles de manhã comigo, que tem os sonhos mais doces, que gosta das gororobas que eu cozinho, que dança esquisito comigo na balada, que defende um mundo igualitário, e que fez a minha vida mais feliz. Junto com ele, um grande desafio: me tornei "madrasta". Entrei num relacionamento que está longe de ser simples, mas que me recompensa todos os dias. Me sinto feliz, me sinto amada, me descobri madura, responsável e capaz de encarar uma pedreira. 
   
Agradeci todos os dias por ter as amigas que tenho. Vi - do altar - minha primeira amiga de infância a se casar. Vi minhas amigas realizarem seus sonhos, darem a volta ao mundo, viverem dias difíceis, sofrerem perdas, se procurarem, algumas se encontraram, outras ainda estão na luta... mas todas juntas, sempre juntas. Não me faltaram em um minuto, e eu também não faltei. Estiveram do meu lado durante tudo que eu disse aí pra cima. Foi um ano em que todas vivemos intensamente, umas mais perto, outras mais longe, cada uma trilhando seu caminho, todas lado a lado. 

As melhores da minha vida. E tem gente que não ta nas fotos, mas tá no coração <3 

Acho que é isso... saio de 2014 com o coração preenchido, uma tatuagem nova, mais histórias pra contar e com a sensação de ano bem vivido. Que 2015 seja positivo assim :)

Follow @ Instagram

Back to Top