100 Postagens + TAG

Depois de começar o blog lá em janeiro de 2013 como uma ferramenta pra eu por pra fora o fluxo de doideiras que passa na minha cabeça, cheguei na 100ª postagem. Parece muita coisa pra mim, pensando que volta e meia eu nem tenho o que falar. Parece que falo muito sobre o nada, rs... Mas aí lembro que foi pra isso mesmo que criei, e fica tudo bem. 

Como forma de comemorar, achei legal responder uma TAG sobre o blog. Misturei algumas perguntas que encontrei em TAGs por vários blogs e voilà. 

1 - O que te levou a criar o blog?
Minha vontade de escrever e de criar um arquivo sobre as coisas que passam na minha cabeça, relatar minhas impressões sobre o mundo. As vezes fico pensando se, quando tiver com 50 anos, vou olhar pro blog com a mesma vergonha própria que olho pras minhas agendas da Capricho, rs. Mas ainda assim, sinto vontade de escrever. 

2 - Quais são os benefícios que o blog te proporciona?
Acho que o melhor de tudo é dividir experiências e conhecer pessoas. Saber que alguém pode achar algum tipo de ajuda ou identificação no que eu escrevi e, além disso, o debate que muitas vezes algumas conversas começadas em blog podem criar, ver o tanto de gente bacana que tem pelo mundo, e poder dividir um espaço com essas pessoas, tudo isso é legal demais. 

3 - Planeja as postagens?
Não exatamente. Quando começo a pensar num assunto e sinto que ele pode render post, venho e tento escrever. Se sair, saiu. Se não, as vezes vai pra rascunho, as vezes vai pro lixo e assim vai. 

4 - Tem novas ideias para o blog?
Não tenho nenhum plano nem projeto. A ideia sempre foi, e continuará sendo, a de um ~diário virtual~.

5 - Quanto tempo se dedica ao blog?
Não tenho um tempo certo, as vezes gasto mais tempo, as vezes menos, depende do tanto de coisa que tenho pra fazer, da vida social, e de novo, das ideias que rendem post.

6 - Qual é o melhor momento para criar seus posts?
De noite. Normalmente, escrevo a noite coisas que pensei ao longo do dia e na manhã seguinte faço a revisão final e publico (até porque meu olho vai ficando cansado e eu não consigo ver erro de digitação, de escrita e tal). 

7 - Qual post mais curtiu escrever?
Gostei muito dos meus relatos sobre Cuba. Foi a primeira vez que postei logo em seguida de uma viagem, com impressões fresquinhas, fotos bonitas, bem arrumadinho, e foi de fato uma viagem pra lá de interessante.

8 - Já te trouxe problemas (privacidade, fofocas, comentários negativos)?
Não. Não acho que minhas divagações sobre o nada inspirem algum tipo de revolta em alguém, rs.

9 - Seus amigos e familiares tem acesso ao blog?
Eu não divulgo o blog não... Alguns amigos sabem que existe, mas não sei se entram. Acabei enviando o link pra várias pessoas que me pediam dicas de Cuba e, como eu disse, as postagens de lá estão bem informativas, então elas acabaram acessando, mas nem sei se o fazem frequentemente.

10 - Sobre quais assuntos você gostaria de escrever mas não o faz por medo de ter sua privacidade invadida?
Não falo muito sobre meu dia a dia com meu enteado, evito a exposição, até mesmo porque envolve outras pessoas. Também tenho uma superstição besta de não falar sobre planos futuros, então sempre espero. Coisa boba, mas prefiro contar por aqui as coisas quando estão mais certas.
No escuro do meu quarto, onde algumas ideias se iluminam 

Brasil em 4 atos

Uma amiga foi embora pra NYC semana passada. Era advogada super bem sucedida na iniciativa privada, largou tudo para ir trabalhar com políticas públicas em Brasilia, e daí pra desilução total foi um pulo. Tive uma despedida no fim de semana, casal de amigos se mudando pra Espanha. Eles tem filho pequeno, ele recebeu uma proposta de trabalho, não pensaram duas vezes. Dia 26 temos outra despedida. Casal gringo brasileiro, desistiram. 
***
Festinha de 3 anos no salão do prédio sábado. Aquelas festinhas que há muito aqui no Brasil, infelizmente, não escuto falar. Nada de buffet rico. Pais assando pizza, pão de quejo, fritando coxinha, adultos ajudando a servir, crianças se matando no pula pula, decoração de papel crepom simples na parede, musiquinha na caixinha do iPhone. Tudo simples, gostoso e divertido, entre amigos. Eis que chega a mulher, o marido, sua única filha e a babá de branco. E enquanto as crianças estão todas soltas correndo, os adultos jogando conversa fora com cerveja, a babá de branco fica lá, no meio das crianças mesmo, totalmente fora de contexto. Fui passar uma rodada de salgadinho, servi ela. Ela diz: imagina, eu busco o meu. E eu quis morrer um pouquinho, mas ignorei e continuei passando a bandeja por ela. 
***
Domingo de manhã no Villa Lobos, crianças no parquinho. Uma grávida e amiga sentadas num banquinho assistindo, de certo pensando como será a vida dela daqui a pouco. Ai que eu sento lá do lado e escuto a conversa. A menina então tava pensando em engravidar, mas ainda não tava tentaaando. Aí começou a perceber que o chefe tava pondo ela de lado, deixando de passar trabalho, ela percebeu também que todas as áreas estavam sendo reduzidas. Aí, vou até abrir aspas "aí eu parei de pensar, tentei e de primeira engravidei. Agora tão lá me engolindo, né. E eu chego a hora que quero, saio a hora que quero, daqui dois meses nasce, depois tem licença, e depois eu vejo o que eu faço. Agora, to curtindo uma folga remunerada". 
***
Domingo de noite fui no cinema do Itau na Augusta. Acabei parando na rua, porque a última vez que paguei um estacionamento por ali, foram R$50 por 3 horas, um roubo. Achei uma vaga bem legal, quase na porta da Bella Paulista, padaria famosona movimentada 24h por dia. Fui assistir meu filme tranquila. Quando a luz do cinema acendeu, a primeira coisa que me veio na cabeça foi "espero que meu carro ainda esteja lá". Voltei andando sossegada, mas quando fui chegando perto da esquina, meu coração já começou a acelerar. Quando virei a esquina, olhei, olhei e não via meu carro. Comecei a correr que nem louca pela rua e finalmente achei ele, exatamente onde deixei. Só quem passou pelo choque de chegar pra pegar o carro e não o encontrar não vai me achar completamente maluca e paranóica. Mas é assim que ando vivendo. 
***

Essas situações, todas se convergindo num final de semana só, me fizeram pensar muito no nosso Brasil. Pensar por vários ângulos, e não só ficar repetindo que tá uma merda, tá uma merda, tá uma merda em looping eterno, como tanta gente vem fazendo. 

Ta uma merda? Não vou negar... Mas vamos olhar mais fundo. Sério que precisamos, em 2015, ter babás de branco na nossa sociedade? Eu não consigo nem formular direito o sentimento que me corre na alma, mas a sensação é que ta tudo errado. Enquanto tiver essa separação tão clara entre quem "é rico", e quem "é pobre", isso tudo não vai mudar. Alias, já que pra mim ta difícil, vou linkar aqui um dos meus textos favoritos sobre a sociedade brasileira, do Daniel Duclos, do Ducs Amsterdam. 

Eu vejo essa moça, tão subserviente, que certamente não ganha mais que 2 salários mínimos para estar trabalhando num sábado até a noite, e fico pensando nos filhos dela, nos irmãos, na família. Que se vira nos 30 pra viver com esses salários, que fica vendo a explosão de "tem que ter", de "quem é maneiro usa isso", de "você é pobre então fica pra lá, enquanto a gente fica pra cá", de área VIP pra todo lado. Penso o quanto esse abismo entre classes aqui no Brasil nos empurra praquela situação ali, onde eu corro pela rua achando que meu carro foi roubado. 

Aí olho pra essa crise, onde empresas estão enxugando o quadro, e vejo essa moça grávida se aproveitando da legislação para jogar outra pessoa na fogueira. Porque sim, se todas as áreas da empresa estão sendo reduzidas e aparentemente o plano do gestor dela era reduzir justamente ela, se ela não foi, outra pessoa deve ter ido ou irá. E eu penso aqui: é justo? É justo que a nossa legislação crie esse tipo de situação? É justo que a nossa população se sinta tão confortável com o que a legislação dá, que em momentos duros e de austeridade como esse, alguém se dá ao luxo de "curtir uma folga remunerada"? Eu não faço ideia do que a moça faz, qual é o trabalho dela, mas penso... quantas pessoas desempregadas nesse momento não estariam aproveitando essa oportunidade para fazer algo melhor? Por que é que a postura dela não me surpreendeu? Será que é porque eu, trabalhando em conjunto com o RH, vejo isso todo dia?

Eu não tenho certeza de nada, mas tenho a leve impressão que quem cria nossos problemas somos nós. Se o país ta uma merda, é por nossa causa. A gente que elege representantes, a gente que não arruma uma cama e paga uma ninharia pra alguém fazer isso, a gente que pede pro médico botar mais um dia no atestado, a gente que faz um monte de coisa sem raciocinar o impacto direto das nossas ações nesse país, e a hora cansa porque ta muita merda, a gente acha que mudar pra Miami vai fazer tudo isso desaparecer. 
Foto famosa do Tuca Vieira, com o claro contraste brasileiro
OBS necessária - eu não só não vejo problema algum em mudar de país, como considero muito isso pra minha vida, já disse aqui algumas vezes. Mas com o advento do facebook, vejo muita gente que se exime de todas as responsabilidades, e só fala em "fugir daqui", pra logo em seguida reclamar da empregada que pediu aumento. Pior: andei lendo texto da internet sobre "como somos melhores quando saímos do Brasil". Oi? Ser melhor no Brasil não precisa? Enfim... é disso que eu to falando. 

Abotoar ou não abotoar, eis a questão

Eu fui uma criança muito magricela, do tipo que arredondava o peso pra cima. E sabe o que rola com uma criança magra assim? Ela acostuma a comer tudo o que quer. Sem o menor pudor, a menor cerimônia. Todo mundo acha lindo ver aquela caveira infantil lambendo as beiradas do prato, nadando numa tigela de purê. E aí que eu me aproveitava mesmo... Tinha bolo em casa? Eu basicamente sentava com a forma em frente a tv, e ia cortando quadradinho por quadradinho, assistindo o Chaves, o Jornal Hoje, o Video Show com o Falabella, o vale a pena ver de novo, a Lagoa Azul e quando chegava Malhação a forma estava vazia. Meu corpo é tão cara de pau que nem dor de barriga não me dava. Minha mãe ficava muito puta da vida, me dava sermão, mas no mês seguinte tinha bolo de novo, ela mandava não comer e ia pro trabalho... Senta lá, Claudia. 

Eis que virei adolescente, e dei aquela engordada básica. Na cidade pequena onde eu morava, foram perguntar pra minha melhor amiga se eu tava grávida, rs. Mas fato é que só ganhei uma bunda, umas perninhas, e tal, mas gorda mesmo, não fiquei. Que que eu fiz? Aprendi a fazer uma gororoba com batata. Põe a batata no microondas até ela ficar mole, depois amassa, depois taca sal, manteiga e queijo em cima, bota de volta no microondas pra derreter, e se joga. Eu me jogava. Todo dia. Ganhava uns 3 gramas cada vez que fazia isso. 

Bom lembrar que nessa época, além de comer feito uma louca, eu dançava ballet, sapateado, desbravava Pariquera-Açu de um canto ao outro numa tarde montada na bicicleta, trepava em todas as árvores possíveis e imagináveis, ia até na padaria de patins, e depois subia um puta dum morrão em cima deles mesmo pra chegar em casa.

E aí minha gente, como é que faz pra botar na cabeça de uma criatura com esse histórico que não da mais pra comer que nem lutador de sumô? Como entender que o metabolismo aos quase 30 não é mais o mesmo metabolismo de os quase 13? Que o único exercício que faz é correr atrás de um pimpolho dentro de um apto de 50 m2, e ainda assim fica ofegante? Eu não sei. 

Hoje eu como menos bobagem. Mas AMO fazer um mega prato de arroz, jogar feijão por tudo, botar bife, botar batata (gente, não vivo sem batata), mandioca. Ou então fazer um risottinho, assar uma carninha. Ou ainda quem sabe fazer uma sopinha... e tomar mil pratos dela. Sério. Tomei 3 pratos cheios de sopa ontem, pro horror dos demais componentes da mesa. Mas é que estava tãããão gostosa... e era de legumes, e foi minha mãe que fez. 

To sofrendo... To sofrendo porque eu to engordando. Não vou ser besta de falar aqui que to gorda, porque acho até falta de respeito, mas to engordando devagarinho. Uma calça que eu comprei faz 3 meses (antes do projeto #morraBeckyBloom) já não ta querendo fechar. Vou em restaurante e fico com vergonha, porque todo mundo parou de comer, e eu quero comer pra sempre. Sofro porque simplesmente não sei passar vontade. Como tudo que quero, e quero comer tudo. 
To aqui pensando se vou ter que vir a público fazer promessa de diminuir a comilança, porque pelo jeito, só assim eu crio vergonha na cara. 

Viagens Possíveis

Contei outro dia que aproveitei uma promo anunciada no Melhores Destinos, e pá... comprei uma viagem de ocasião. Mas a verdade é que estou com algumas viagens engatilhadas para os próximos meses. E aí, a pergunta que fica é: ta dando dinheiro em árvore? Como faz? Pra começar que não, não ta dando dinheiro em árvore, rs... E por isso mesmo, resolvi dividir meus truques por aqui, vai que ajuda alguém, né?
- Melhores Destinos - ou MD para os íntimos
Ta pensando em viajar pra algum lugar mas ta achando tudo caro? Ta querendo viajar mas não sabe exatamente pra onde? Olho no MD! Eles anunciam ali praticamente todas as promoções de companhias aéreas que operam no Brasil (e também de algumas redes de hoteis). Se você já tem destino, fica de olho porque eventualmente vão anuncir uma promo praquele lugar que você tanto quer ir. Se não sabe bem pra onde ir, mas queria fazer uma viagem barata, fica de olho também.. ali você pode acabar achando uma promoção pra algum lugar legal, e já fechar sua viagem. Eles tem twitter, newsletter, enfim... vale ficar atento!

- Ativar todos os alertas possíveis e imagináveis
Hoje você consegue fazer uma busca pela passagem que você quer, e por um alerta para receber - diariamente, semanalmente - as variações de preço. O Skyscanner, Decolar, Momondo e Kayak são os que eu uso, mas sei que tem outros. E apesar do saco que é ficar recebendo trocentos emails sobre o mesmo assunto, o melhor é por todos mesmo. Essa semana o Kayak me alertou sobre uma passagem que não aparecia em nenhum dos outros buscadores ou alertas, nem apareceu a promo no MD, nada. Enfim, consegui comprar a passagem pra uma viagem que eu teria que fazer anyway, pelo preço mais baixo que já vi na vida. 

- Parcelamento amigo
Gente, vamos aproveitar que isso aqui é Brasil sil sil e parcelar, rs... Vai viajar em março? Estamos em Setembro? Encontrou uma passagem legal? Parcela aí pra terminar de pagar antes de viajar (SEMPRE). Na suavidade tudo é possível. O que não dá é pra estar na deprê pós viagem e com parcelas a perder de vista, né. Inclusive, tem companhia gringa com site hospedado no Brasil que dá essa possibilidade, tipo Avianca e Tap, assim você compra direto no site da cia e não paga taxa de administração pra sites tipo Decolar da vida. Usa só pra achar o melhor preço. 

Aqui é pra estadia. O Booking devo confessar que usei pouco, já que minhas viagens são sempre meio pobretas e não comportam hoteis bonitos e cheirosos, rs. Mas já achei bons deals para Buenos Aires, Amsterdam (que acabei preferido não usar, por motivos que contei aqui), Londres, etc. Várias amigas também usam, e você vê que o desconto é real. No hotel delicinha que fiquei em Buenos Aires, a tarifa no site era muito maior do que eu paguei pelo Booking. O AirBnb é o favorito de Mati. Antes dele, tinha usado uma vez: foi onde achei a casa-barco dos sonhos de Amsterdam. Mas ele é o rei do AirBnb, haha.. já tem o histórico de bom hóspede no sit, e tem faro. Os preços podem ser muito bons, mas tem que saber procurar. No Rio, por exemplo, tem apartamentos com preços irreais, mas buscando direitinho, tem coisa boa. E o Hostelworld é basicamente a melhor ferramenta pra achar hostels no mundo. De todos, o que mais usei, em tudo que é lugar. Nos 3 sites, o X da questão são as reviews. É por ali que você vai ver se a localização é boa, se o café da manhã vale os dinheiros extras, se o staff ajuda, ou se periga você encontrar Mickey Mouse no quarto (reviews pelo mundo afora mostram que ratos e hoteis se amam). Ah... tem gente que usa o Couchsurfing, que é de gratis! Eu nunca usei, não posso dizer - mas uma amiga foi pro Egito (!!!) de Couchsurfing e adorou o esquema. Pra quem tem as manhas, outra opção para economizar. 

- Airport Bus Service
Essa é pros paulistanos que estão viajando com poucas malas. Tem voo em Guarulhos? Não pague os dois rins em taxi. Pegue o metrô, aquele lindo, e vá debaixo da terra até a estação Tatuapé (driblando o trânsito, por consequência). Lá, desça a escada onde tem a placa "Terminal Urbano" e tcharam... Pegue o Airport Bus Service que vai até GRU, parando nos 3 terminais. Na volta, o ônibus sai da faixa do meio do desembarque. Essa jornada vai te custar os 3,50 do metrô + 4,50 do ônibus. Nada nem perto dos cento e tantos reais do taxi. Os ônibus saem a cada 15 minutos, a viagem dura uma meia horinha em condições normais, nunca peguei super cheio a ponto de ficar desconfortável, e de novo: só de ir de metrô até o Tatuapé, moradores de outros cantos como eu já escapam lindamente do trânsito das grandes avenidas ou marginais. Eu ainda fico besta como pouca gente conhece essa maravilha. Tem Airport Bus Service saindo de outros pontos da cidade também (acho que de Congonhas, Itaim, hotel Maksoud e República), mas é um ônibus com pinta de fretado, e custa 30 e poucos reais. O baratíssimo é esse do Tatuapé.

- Comida de rua
Comer num restaurante elegante e refinado é bom? Ô se é! Mas quando você ta viajando é muito legal ver qualé a do dia a dia das pessoas. Eu, por exemplo, adoro levar meus amigos gringos que visitam pra comer pastel na feira. Assim, tento achar o "pastel da feira" dos lugares que vou. Doner kebab e currywurst em Berlin, batatas com maionese no cone em Amsterdam, choripan ou empanadas em Buenos Aires, tapioca e acarajé na Bahia, um pão com gordura na Polonia, e por aí vai... Além de você sentir o sabor local, você economiza. Eu tento revezar: se fizer um almoço bacana, como mais baratex no jantar, ou vice versa. E se eu curtir muito a bendita da comida, como o currywurst, eu como no almoço, na janta, no café da manhã, etc etc. 

- Transporte público
Use e abuse. Em alguns lugares, como Buenos Aires, Bolivia e Peru, os taxis são baratos, e aí, dependendo da pressa que você ta, da programação do dia, da preguiça, da temperatura, vale a pena. Em outros lugares, eu acho perda de dinheiro. O negócio é baixar Apps que te indiquem os caminhos pelo transporte público (até o Google faz esse serviço), e se jogar com força. Você tem a possibilidade de desbravar cidades inteiras, se deparar com outros costumes, ver locais em ação e de quebra, economizar um dinheirinho. 

Enfim, poderia me estender aqui e fazer deste o post mais longo desse blog (se é que já não é), falando sobre procurar atrações gratuítas, free walking tours, passagens com saída numa segunda-feira, etc... Fato é que em tempos peludos de inflação galopante, dolar a 4 reais, euro a 5 e libra a 6, qualquer dinheiro mal gasto pode inviabilizar sua viagem. E eu não quero ter que pensar que não dá mais pra escapar da realidade de vez em quando, então vou cortar todo e qualquer gasto que precisar, mas eu vou fazer o que mais gosto na vida. 

E aí, tem algum truque? Divide aqui :)

Step by step

No dia em que conheci o Matt, ele logo deu um jeito de falar que era pai solteiro. Pra mim foi um choque, porque eu era daquelas que achava que crianças começariam a participar da minha vida daqui uns 10 anos, através das amigas. Mas também não dei muita bola, porque achei que esse rolo, assim como todos os outros, não ia muito longe.

Ha. Ha. 

Cá estamos, um ano e meio depois, madrasta (quase) full time, rs. Digo quase porque o esquema é como guarda compartilhada, ou seja, metade pra cada. Isso significa metade da semana, metade dos finais de semana, metade dos feriados, metade do carinho, metade das fofurices, metade dos pitis, metade dos cocos. E tem sido, de longe, o maior desafio da minha vida, porque (i) eu tinha zero intimidade com criança, (ii) embora eu esteja aqui o tempo todo, ele tem pai e mãe, então, na maior parte do tempo eu sigo as regras dos outros, (iii) eu, que não estava nem mais familiarizada com o "relacionamentos", entrei em que tinha ~algumas~ responsabilidades a mais.

Só fui conhecer o baby quando tinhamos muita certeza sobre nós. Estávamos juntos há alguns meses, e eu já tinha aquela sensação de ter encontrado um parceiro pra vida. Então, achamos que era hora, e eu fui encontrar o toquinho de gente, 1 ano e meio de vida na época. De lá pra cá, tem sido um exercício diário. Exercício de aprendizado, de paciência, de entrega, de muito amor. Amor pelo baby, amor por Mati.

Falei outro dia aqui do fato de sermos civilizados. E somos mesmo... Mas isso não quer dizer que seja fácil, né. Tem que gerenciar o calendário de 3 adultos, as programações, as necessidades, os humores, etc, e sempre priorizando quem é o mais inocente nisso tudo. As vezes eu me pego pensando que a Gabriela de dois anos atrás jamais imaginaria que agora estaria lidando com os dilemas de um pequeno que não sabe se quer comer feijão ou iogurte, ou os dois juntos, ou nenhum dos dois e tacando tudo junto na parede.

Tem dias que são só alegrias, tem dias que são puxados. Mas a maioria é vida real mesmo, brincadeiras aqui, birras ali, e vamos seguindo. As lindezas são mais presentes, mas ainda assim, tenho uma criança em full terrible twos pela vida. É também por isso, entre tantos outros motivos, que eu tenho certeza do amor incondicional pela família que comecei. Porque mesmo nesses momentos complicados eu só quero ficar, ficar e amar.

Vamos balançar?

Gente, só to passando aqui pra falar que acordei e puta que o pariuuuu.. ainda é agosto!


Mentira... Agora resolvi que vou fazer balanços mensais. Fiz um em julho gostei muito. Da sensação de realização, sabe? Acho que daqui pra frente vai ser assim. Vou indo de mês em mês, e as promessas de ano novo vão ficar pra outra vida. Enfim, vamos lá. 

* conheci vários bares e restaurantes novos (tenho mania de ficar repetindo os mesmos, e andei me comprometendo a variar). Boca de Ouro, La Central, King of Fork. Considerando que to segurando a onda na gastação, ta de bom tamanho. 

* comprei o bendito do carro e fiz minha mudança, como falei melhor no último post

* recebi, HOJE, o pagamento da indenização final do seguro. To achando que vou ignorar o fato de que é segunda feira e vou gastar tudo num buteco pra comemorar o fim de agosto


* fiz a prova final do meu curso online, passei com 92% de sucesso e to orgulhosa que dói


* passei, mais um mês, sem comprar roupas, bolsas e sapatos. Poréééém, como não sou de ferro e fiz uma mudança, comprei tigelinhas pra minha casa. Vale ressaltar que, além de estarem na mega promoção, eram de extrema necessidade, pois aparentemente gringos não foram educados para tomar sopa/cereal no prato fundo e meu dignissímo já lavou o tapete da sala com leite várias vezes. Antes eu ficava indignada, mas o tapete era dele, haha. Agora que é nosso, acabou a patifaria. 

* consegui aproveitar uma promoção do Melhores Destinos e comprei uma passagem baratex para sair um pouco de SP em novembro. Falta tempo ainda, mas eu sempre vejo as passagens e nunca que elas me servem, então tocou musiquinha do Airton Senna na minha cabeça quando apertei no "comprar". 

* fui numa balada chamada Tropicanagem Baianada e dancei TODAS as coreografias axezentas da minha adolescência na Ilha Comprida. Além das músicas boas tipo uns Caetanos maravi, aproveitei pra me acabar no movimento é sensual, la vai raimunda passeando pela feira, segure o tchan, a noiva loira do tchan, tchan na selva, tchan no egito, tchan no havai, tchan na casa do capeta... Enfim, eu adoro uma festa bagaceira, saí suada, descabelada, feliz e descadeirada. Tenho mais idade pra isso não.  

* aprendi a vender coisas. Nunca gostei de vender coisas pessoais, sempre dei pra amigas e conhecidos. Acontece que eu, poucos dias antes de conhecer Mati, fiz um projetinho pro meu então quarto. Comprei TUDO novo e pela primeira vez na vida, tava feliz em morar e dormir em algo que tinha a minha cara e o meu gosto e não era sobra da casa da mãe, tia, vizinha. Pois é... 1 ano e meio depois, tava eu tendo que me desfazer de tudo. Foi um exercício imenso de desapego me desfazer de cada coisinha escolhida com tanto carinho. Aí respeirei fundo, e pá.. botei na OLX. Parabéns pra mim, que me distanciei um pouquinho de aparecer no acumuladores da Discovery. 

Acho que foi isso aí... ta bom, né? 

Agosto, o terrível

Agosto ta rolando faz uns 6 meses, já... Ta dando uma canseira do inferno, e a impressão é que chega Simone cantando entãããão é Natal!, mas não chega setembro. Apesar de estar de saco pra lá de cheio de agosto, o mês não foi de todo ruim, não. Eu ainda não recebi a indenização integral do seguro do carro, mas consegui dar um jeito e já comprar o carro novo. Assim, pude dar cabo da minha mudança, finalmente. 
Hello, nova vizinhança
Uma vez mudada, minha qualidade de vida vai dando passos largos rumo à decência. Só o fato de, ao invés das 2h de antes, eu gastar meia hora pra voltar do trabalho pra casa, já é um grande adianto. Mas além disso, no prédio novo tem uma mini academia, onde tenho ido dar umas caminhadas na esteira. Também estou me inteirando da programação do Sesc Pinheiros, e em breve quero começar a me exercitar por lá, porque agora sobra tempo, gente! Pra finalizar, lá na casa antiga eu era a louca do delivery. Pedia umas comidinhas todo dia (ou saia pra comer). E por mais que eu não seja nenhuma Ofélia, tenho tentado não sobrecarregar o boy com as tarefas domésticas. Com isso estou me aventurando mais na cozinha, o que significa menos refeições fora de casa, ou seja, money na carteira.

Ali pela vizinhança também tem alguns amigos de Mati. Já faziamos várias coisas juntos nos finais de semana, mas agora tem rolado algumas distrações semanais, e esses gringos tem cada ideia, hahaha... Um dia ficamos viajando com um telescópio, vendo pessoas entrando e saindo do metrô, mocinhas retocando maquiagem no trânsito da marginal e uma menina brincando de fantasma com um lençol no jardim de casa. Eu sei que tem todo um quê de voyerismo, mas foi divertido por uma meia hora. Ontem fomos brincar de fazer sushi, e acreditem se quiser: ficou bom. 

Agora, o que queria dizer mesmo, é que parece que comprei carro faz 6 meses, mas faz 20 dias. Que mudei faz 2 meses, mas faz só 2 semanas. Parece também que comi sushi 10 dias atrás, mas foi ontem. A sensação é essa mesmo... Que o tempo ta arrastado, que o verão não chega nunca, que as férias aconteceram em outra vida, que o futuro mora longe. Eu quero feriado, quero sol, quero dias longos, quero mar, calor e carnaval. Quero que agosto fique pra trás, quero setembro branco pra eu pintar de vida colorida. 

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