Moscou - A chegada

Meus posts sobre Moscou estão empacados desde janeiro, e eu acho que está difícil pra eu contar sobre a cidade porque a nossa estada lá fui muito curta, porém muito impactante. Fizemos muitas coisas em pouco tempo, e acima de tudo, fomos MUITO surpreendidos. Eu imaginava Moscou uma cidade cinza, meio sombria, meio feia, suja, certamente caótica. E o que eu encontrei lá foi um belo tapa na minha cara. Moscou é linda!

Depois de tanto quebrar a cabeça pra pensar em como contar tudo que fizemos por lá, resolvi que valia a pena dividir por dia. Fizemos coisas suficientes pra encher três posts ;)

Depois de nove horas de voo saindo de Bangkok, chegamos no aeroporto de Sheremetyevo, e meu primo, que é casado com uma russa e visita o país com frequência, já tinha me alertado que a gente precisava ser duro na queda, porque ali o golpe é certo rs. De Sheremetyevo é possível pegar um trem até uma estação central, e então trocar pra metrô. Acho que com acesso a internet, paciência e tempo, é possível. A gente estava bem cansado, e queria "chegar" logo. Optamos por taxi. Meu primo disse que a nossa corrida não deveria dar mais que 1800 rublos (divide por 17 e dá o valor em reais). Devo dizer que a primeira oferta de taxi queria cobrar 7500 !!!!!! Sério gente... é FODA. Eu fiquei bastante frustrada, porque estava exausta, estava frio (e eu vindo da Tailandia), e nenhum taxista queria ligar taxímetro. E muita gente rodeando, um caos. Isso estava acontecendo pra provar meu preconceito de que estávamos adentrando um território de bagunça, rs. Depois de muita negociação, encheção e frustração, cedemos e combinamos um taxi a 2400. Fica aí essa dica... Seja firme na negociação, tenha paciência e força, rs.

No caminho para a cidade, comecei a perceber as grandes lojas, grandes marcas, todas com seus nomes em cirílico: Leroy Merlin, Burger King, McDonalds, etc. O bom humor foi voltando ao meu sistema, e chegamos no nosso hotel, um Ibis na praça Kyevskaya. Meu primo já estava esperando a gente, e saímos rapidinho pra conhecer a cidade. Passando de carro eu já percebi que Moscou não era bem a zona que eu imaginava: avenidas largas, limpas, prédios históricos e edifícios modernos se misturando, uma empolgação crescendo dentro de mim.
Sim, sim claro...
Nossa primeira parada foi a Arbat, a principal rua turística de Moscou. É tipo um boulevard, fechado somente para pedestres, cheios de lojas de souvenir, artistas de rua. Por ali tem também várias redes, inclusive um Shake Shack hahaha. Ficamos passeando, olhando as lojinhas, e curtindo um clima Natalino (!!!). Chegamos em Moscou na quinta-feira que antecede o Natal ortodoxo, e a cidade estava toda no clima, bem delicinha.

Os contrastes de Moscou
De lá seguimos para um dos famosos rooftops de Moscou, o White Rabbit. Ele fica no topo de um edifício comercial, no centro de Moscou. A ideia era tomar uns drinks e apreciar a vista, que é belíssima. Uma das iguarias típicas de Moscou é o caviar, e ali resolvemos iniciar os trabalhos, rs: comemos um blini de caviar. O blini é tipo um crepezinho típico russo, e estava bem gostoso. Pra beber: shot de vodka, claro. O ambiente era todo chic, e eu percebi que não tenho roupa pra frequentar a Rússia hahaha. A mulherada é absurdamente produzida, maquiada, chic de doer, e os garçons e hostess realmente de medem de cima abaixo.

Fomos dormir passando das duas horas da manhã, e eu estava muito, muuuito feliz de estar em Moscou, de estar com meu primo. Foi um dia de reunião familiar, e de celebração. Moscou já estava ganhando meu coração <3

* as fotos desse post são poucas e umas belas porcarias rs... mas é que estava de noite, cansados, somente com o celular, e eu doida pra botar a conversa em dia com a meu primo, mal lembrei de fotografar, sorry. Prometo melhores para os próximos posts.

Machismo nosso de cada dia

Estou no nível B2 de alemão, e nesse nível o normal das aulas é ter discussões. Estamos aprendendo a montar frases mais elaboradas, longas, usar conectores, etc, e pra isso, o material é meio que todo propondo discussões sobre os mais diversos temas. Já tivemos aula falando sobre padrão de beleza, sobre mercado de trabalho, sobre questões suíças, entre outras coisas, tudo que leva a colocações como "eu acho que, eu penso que, na minha opinião, discordo porque, etc". E é claro que nessas conversas sempre surgem as mais diversas opiniões, alguns confrontos, tudo normal. Somos uma turma bem diversa - eu brasileira, uma polonesa, uma macedônia criada na Itália, um mexicano, um sírio e uma síria, uma bósnia, um italiano, uma chinesa, uma americana, uma albanesa, um romeno e uma paraguaia - e é claro que essa variedade de culturas, de educação, de contexto histórico rende boas conversas. Masssss... sempre tem o MAS. E é do MAS que eu vim falar aqui hoje. 

Tivemos uma lição há algumas semanas que falava sobre o padrão de beleza. O tema era "die Normalenfrauen", que numa tradução livre significa "mulheres reais de Dove" haha. Antes de mandar o real significado da coisa, a professora se dirigiu aos quatro rapazes da sala e perguntou: o que são mulheres normais? Porque sim, antes de mais nada, o "real" da Dove, em alemão é dito "normal". Aí o romeno falou: mulheres femininas. Rolling eyes. Aí o italiano resolveu tomar a palavra e palestrar sobre como "mulheres normais são aquelas que se vestem com saias, vestidos, que usam maquiagem, que gostam de ser mulheres". Sério, gente... SÉRIO. Como eu já sou meio conhecida na sala por ser meio bocuda, rs, achei por bem só fazer cara de paisagem e deixar a discussão pra quem tem estômago. Ou seja, ninguém hahaha. Menção honrosa vai para o colega mexicano, que olhou pra ele e fez aquele sinalzinho com a mão, tipo, para. 
Exatamente assim
Alguns dias depois estamos lá, vendo um videozinho, que falava sobre zumba. Ai a professora pergunta por que não há quase homens fazendo zumba, porque o público esmagador das aulas são mulheres, sendo que é tão divertido, alto astral, etc. Nosso querido Matteo (irei chamar nosso italiano de Matteo, ta?!) pede licença pra vomitar fala: porque não é coisa de homem, é pra mulher. Aqui devo fazer uma inserção de que a professora é uma senhora muito da porreta, cheia de opinião e tal, e que eu já percebi que é chegada em fazer o circo pegar fogo rs. Ela, ao me ver com a cara contorcida, resolveu pedir minha opinião. E eu, honestamente, não estava afim... 

Pior: ele e o romeno começaram a fazer graça e a dizer que na zumba, o homem só assiste. E ficaram nessa, fazendo piadinha de "mulheres gostosas". Nesse dia cheguei em casa descaralhada da cabeça. Eu não concordo, eu não passo pano, mas eu ~entendo~, com muitas ressalvas, que o romeno fale umas merdas. Ele é mais velho, trabalha em construção, e a gente sabe que não é um campo onde exatamente os homens são feministos, né. E embora ele também fale merda, é sempre mais contido nas suas colocações. Mas não consigo dar respiro pro Matteo rs. Não mesmo. O cara tem 29 anos, nascido e criando no centro da Europa, num país dito desenvolvido, frequentou universidade, já era pra estar mais esperto. E embora eu saiba que a Itália é sim um país machista, eu tinha a doce ilusão de que as gerações mais jovens tivessem mais noção. Porque é isso, falta noção. Numa sala com nove mulheres, o cara tem nem vergonha de ser absurdamente machista. Alias, digo que nem percebe que é. 

Aí há uns dias aconteceu um caso trágico em Zurich. Um italiano matou a sua esposa e em seguida se matou. Alguns jornais disseram que ele estava em depressão, desempregado, e não aceitava que a mulher fosse mais bem sucedida que ele. Enfim, uma merda e tals. Não sei do que estávamos falando em aula, quando a professora trouxe esse caso pra roda. E então, afirmou: isso tem acontecido tanto, cada vez mais, sempre o homem matando a mulher. Se virou então aos homens da sala e perguntou: por que?

E é CLARO que nosso amigo Matteo tinha que relinchar opinar. "Eu acho que isso é coisa da mídia. Morrem tantos homens quanto mulheres, mas a imprensa somente noticia os casos de morte das mulheres". A perplexidade foi tanta, que o sírio mandou em inglês mesmo: man, you are so wrong, that's so fucked up. HAHAHA. Eu tive que rir, porque a gente acha que no oriente médio que reina o machismo, e me vem o sírio, e resume bem resumidinho em uma frase o rebosteio. Ninguém falou nada, a cara da sala inteira estava meio que assim...

A professora então perguntou se alguém queria opinar, e depois de tanto fazer a phyna, eu achei que tava na hora de honrar minha fama de bocuda rs. "Então, né.. realmente muitos homens morrem todos os dias. Por causa de acidente de trânsito, de tráfico de drogas, de briga de bar. Agora eu gostaria que você me falasse UM caso em que a mulher assassinou o marido porque ele tinha mais sucesso que ela. Você consegue?" Claro que Matteo nessa hora tava com cara de cu. "Não. E alias, praticamente todos os maridos ganham mais, tem mais reconhecimento que a mulher, né... Mas você conhece algum caso de mulher matando homem porque não concordou com o fim do relacionamento? Porque acha que o homem é propriedade dela?" Ai ele.. "não, mas eu estou falando de morte no geral".  - Entendi... Na hora que interessa você não entende alemão, né? 

*CLIMÃO*

Enfim... essa semana teve dia 8 de março, Dia Internacional das Mulheres. A professora perguntou pra todo mundo como é celebrado o dia da mulher no nosso país, e deixou a parte da Italia pra outra italiana da sala, rs. E é esse o tal do MASSS que eu queria comentar. Esse debate multi cultural pode ser muito legal. Mas quando se trata de machismo, ter esse tanto de gente diferente na sala de aula só me mostra que mulher é menos em qualquer canto do mundo. Que no fim, a gente vai ser ofendida, diminuída, onde for. Que o caminho é longo, que a luta não tem fim, e que a gente tem que aprender a falar "VAI SE FUDER" em tudo que é língua pra sobreviver nesse mundo. 

Sleding em Bussalp

Grindelwald bem linda
Sábado eu e umas amigas pegamos o trem em Berna e seguimos rumo às montanhas. Trocamos de trem em Interlaken, e no fim, chegamos ao nosso destino, Grindelwald. É uma das charmosas vilas alpinas suíças, e das mais famosas: Grindelwald fica na região de Jungfrau, e quem sobe no Topo da Europa acaba passando por lá. É também a base de várias estações de esqui, como Wengen e First. Então, nessa época do ano, por lá é só badalo. Mas a gente não foi esquiar, e dessa vez o plano era descer a maior pista de sled da Europa. E como eu nem sabia o que era sled até me mudar de mala e cuia pra esse país, esclareço que nada mais é que descer a montanha num trenózinho rs. 

Chegamos em Grindelwald e algumas das meninas não estavam com roupas apropriadas pra rolar se divertir na neve. Então fomos numa loja logo em frente a estação alugar, e depois pegamos o ônibus em direção a Bussalp. Foi nessa hora, inclusive, que começou a nevar BEM. Com o ônibus você sobe a montanha até o ponto final, onde é possível alugar os sleds. Para os mais animados, de lá é possível fazer uma caminhada de 2h até o topo da montanha, e aí siiim você desce a pista mais longa completa. Mas a gente já estava tomando um vinhozinho, rs, e ficamos na preguiça. Decidimos descer ali de Bussalp mesmo. Mas antes, porque não fazer snowtubing? Lá é possível pegar boias de graça e subir a pé um pouquinho, e depois escorregar, tipo tobogã de parque aquático, só que na neve haha.. Foi muito divertido. 
Subindo
Fazendo tipo rs
E descendo
Depois pegamos nosso trenó e aí sim começou a brincadeira. A partir de Bussalp o trajeto é de 8 km montanha abaixo, mas confesso que eu nem vi passar, de tão divertido e rápido que foi hahaha. Basicamente você controla o troço com o pé, brecando e forçando as curvas. Agora imagine que você faz isso numa estrada por onde sobem os ônibus, aqueles mesmo em que você subiu rs... Aí de repente você ta a milhão na garupa do trenó e escuta uma sirene e tcharam: é o ônibus. Quem tem controle para. Eu no caso me joguei no meio do mato. Outra coisa legal é que no meio do caminho tem vários huts com música, vinhozinho, agitação. Da pra ir parando de cabana em cabana e se divertindo. A gente se acabou! Agora o melhor mesmo é a paisagem. Você está lá, cara a cara com uma natureza maravilhosa. A gente deu muita sorte, estava nevando muito, e embora a visibilidade não estivesse das melhores, estava tudo lindo de doer.  

Tem que tomar um negocinho pra esquentar e dar coragem rs
Mas aí a gente desce...
E essas paisagens? Uma cachoeira congelada...


E a chegada
Você acaba voltando todo o trajeto até Grindelwald de trenó. E foi assim que umas duas horas depois a gente chegou no ponto de onde partimos haha. Fomos então procurar um lugar pra comer um fondue e encerrar o dia maravilhoso. Foi tudo tão legal, tão divertido, que eu fiquei na loucura de repetir, e acho que irei com Mati esse próximo fim de semana. Importante aproveitar antes que a temporada acabe, né?
Aproveitar essa paisagem enquanto dá <3
Informações importantes:
- o valor do trem até Grindelwald vai depender do seu ponto de partida. Aqui de Berna saí 40 francos por trecho, e demora uma hora e meia. Quem tem halbtax, como eu, paga meia. Quem tem o SwissPass, ta incluso. Uma vez fomos para lá com amigos, acabamos indo de carro, pois valia mais a pena. Tem bastante estacionamento na cidade; 
- o ônibus pra Bussalp custa 24 francos e é privado, e por isso não entra no SwissPass. Mas quem tem SwissPass ou halbtax paga meia, 12 francos. O legal é que uma vez que você paga, você pode subir quantas vezes quiser, e desejando, passar o dia inteiro descendo morro abaixo de trenó; 
- tem que ir vestido como se fosse esquiar, com roupa impermeável e quentinha. Recomendo também capacete e máscara. O capacete por razões óbvias (você está descendo uma montanha sobre duas lâminas rs), mas a máscara porque voa neve na sua cara. Óculos de sol já ajuda. Sapato tem que ser impermeável. Eu, bem desavisada, ia de Ugg Boots. Ainda bem que Mati me alertou que seria o último passeio delas, e que elas iam morrer depois hahaha.. Você usa o sapato pra brecar, então chafurda o pé na neve. Sapato impermeável, period. 
- o aluguel do trenó para o dia inteiro custa 14 francos, você aluga lá em cima da montanha, e tem vários pontos onde você pode deixa-los quando acabar de usar. Vai ter uma placa com um trenó pendurado rs. 
- é possível fazer com crianças - alias, tem vááárias crianças com um trenózinho diferente, de plástico. E também adultos com crianças na garupa. Há rotas mais leves, para família. 

Quem anima?

O tal do saco cheio

Durmam com um barulho desse: fevereiro A-CA-BO-U. To chocada rs... A real é que eu só me liguei que hoje era dia 28 quando liguei pra uma amiga pra bater um papo maroto, e depois de 15 minutos ela me fala: viu, você não me ligou pra dar Parabéns não? Hoje é dia 28, meu aniversário rs... Pois é, eu sou dessas. E pois é, fevereiro acabou. 

No "campo das metas" fevereiro foi muito bem, obrigada. Segui lendo livros, me exercitando, conhecendo lugares novos, estudando alemão, etc. Mas a verdade é que há umas semanas que eu ando sentindo meu saco bem cheio, sabe... Eu estou cansada, cansadíssima eu diria, de não trabalhar. De não me arrumar pra trabalhar, ter uma mesa, ter problemas pra resolver, ter colegas pra conversar, e ter horário de almoço pra desopilar. Cansei dessa vida que é um eterno horário de almoço, rs. 

No fim de janeiro eu fui fazer a entrevista pro tal curso para o qual me candidatei, e a entrevista foi dentro de uma das empresas parceiras da universidade. Passar pelo meio das baias, olhar as salas de reunião, ver a turminha do cafezinho, a princípio, foi ótimo. Sentei naquela entrevista com fogo saindo das minhas entranhas: eu preciso voltar pro jogo. Mandei bem, mandei benzaço. Fui aceita no curso, fui tão bem avaliada, que depois de negar a vaga por falta de bolsa, me ligaram oferecendo tudo que eu pedi e quase mais um pouco. Tudo lindo. 

Mas senti que aos poucos essa visita mexeu muito comigo, me desestabilizou. Evidenciou, e muito, a falta que eu to sentindo de ser desafiada, de me sentir produtiva, de me sentir inteligente, enfim, da minha carreira. Sinto falta de ter algo que é "meu", só meu. E esse algo é ver as minhas ideias impressas em políticas, é ver a minha opinião ser requisitada, é me sentir útil. E é também, claro, ver o dinheiro caindo na conta no fim do mês, e caber a mim decidir o que fazer com o fruto do meu suor. 

"Ah, mas você está aprendendo alemão, está usando a cabeça, se ocupando e produzindo outras coisas". É verdade. Estou. Porém desafio um lado do meu cérebro. O outro quer morrer com essas simulações de "reserva em hotel", "papo de super mercado", "conversa sobre sentimentos", etc e tal. É ÓBVIO que estratégias corporativas não são discutidas na aula de alemão, e nem deveriam hahaha.. mas é delas que eu to sentindo falta. E o alemão tanto não anda suprindo as demandas da minha cabeça, que eu to de saco cheio dele. Eu to cansada, distraída, a aula anda me dando nos nervos. 

O bottom line disso tudo é que eu estou impaciente. Depois de um ano e sete meses de Suíça, eu estou quase lá. Em julho (se a lei não mudar nesse meio tempo haha) eu devo pegar o visto de residência fixa, com o qual posso trabalhar. Acho que a "proximidade" com a possível ressurreição da minha carreira está me deixando ansiosa, e me fazendo olhar com mais azedume a minha vida do momento. To mala, to mal humorada, to de mal com a vida. Não nego que o frio da Sibéria pode ter culpa nisso também - porque se me lembro bem, quando to nadando no rio e tomando sol eu não sinto falta alguma de chegar perto de um escritório.

Esse é um bocado do meu fevereiro: reclamar e emburrar rs. Mas nem tudo é reclamação nessa vida. Amanhã é março. Em março eu volto pra universidade. É possível que no fim de março eu esteja aqui pedindo arrego e reclamando de outras coisas. Veremos. 

Playlist

Já faz um tempo que eu não boto uma playlist aqui, né?! Enfim, um pouquinho do que anda rolando no meu fone:

* I feel it Coming, The Weeknd

Pra mim uma das melhores músicas dos últimos anos. Pegada boa, suinguinho bom, vozinha boa <3

* SeeSaw, Jamie xx

Batidinha delícia, ainda mais pra sair pedalando com vento na cara

* Something good can work, Two Door Cinema Club

Amor antigo, e que eu passei uns 3 anos sem ouvir, e que anda animando meus dias de novo. I feel soooooo back to 2012

* Don't save me, Haim
To obcecada com Haim já faz mais de ano, e pra não botar aqui os dois Cds inteiros, escolhi essa

* Painful to Watch, Fours

É ou não é uma delícia de música?

*First, Cold War Kids

Outra que dá vontade de cantar junto

*Everything now, Arcade Fire

Mais uma pra dançar!

*Gamesofluck, Parcels

Desafio ouvir e não sair cantando tanana tanananananana hahaha

*Wonder, Naughty Boy ft. Emeli Sande

Porque essa pegada contagia!

Eu não saio de casa sem fone, eu canto alto no meio da rua, eu fico animada como se tivesse numa balada, e assim vou sobrevivendo ao inverno, porque na minha orelha é só verão <3

Dicas de Koh Lanta

Aqui contei sobre nossos lindos dias em Koh Lanta. Agora bora pras dicas. 

Como ir?
Koh Lanta fica bem próxima de Krabi, e de lá saem vários barcos para o Pier Saladan, o principal da ilha. Mas a gente estava em Phuket, que é um pouquinho mais longe. De lá o jeito mais comum é ir de ferry para Koh Lanta, mas se atente para os horários rs. Os grandes ferries encerram no mais tardar às 15h (na internet tem trocentas informações sobre o assunto, com diversas empresas diferentes). A gente estava ressacado do casamento e perdeu esse último horário, mas descobrimos um outro - e longo - jeito de chegar lá. Pegamos um carro particular de Phuket até o Koh Lanta Pier em Krabi. Foram 3 horas dentro do carro e 5 mil bahts (mas como estávamos em 4 pessoas saiu pouca coisa mais cara que o ferry), e assim chegamos na ilha. Atenção: o Pier Saladam é no centro da ilha e de lá é facinho de pegar tuktuk ou taxi. Porém o ferry que sai desse Pier de Koh Lanta em Krabi não chega em Saladan, chega num outro Pier (Koh Lanta tem 5), e o ideal é que você combine com o pessoal do seu hotel/hostel para te buscar lá, porque é bem ermo o lugar. A gente pegou carona, rs. Para a volta fechamos com uma agência um ferry rápido no Pier Saladan e traslado direto para o aeroporto de Phuket. Custou 1200 Bahts por pessoa, e foi ótimo não ter que se preocupar com mais nada. 

Onde ficar?
Koh Lanta é bem grande e tem várias praias. Tem também old town, que é o lugar onde eu recomendo fortemente NÃO ficar rs. É longe de praia e do "agito", passamos por lá durante o dia uma vez e só. Nos arredores do Pier Saladan tem bastante vida, bastante restaurante, casa e afins, mas nós gostamos mesmo foi de Phra-Ae Beach. Lá tem vários resorts, e diz que na baixa temporada é bem barato de se hospedar num deles. Mas tem também várias pousadinhas gostosas. Estávamos com mais dois casais, cada um ficando num lugar. Nos hospedamos no Lanta Sunny House, um "resort" (risos, muitos risos, risíssimos) de bungalows. O bungalow era bem velho, com cara e cheirinho de décadas passadas, e eu confesso que por 50 dólares a noite na Tailândia eu esperava mais, considerando que gastamos 25 num lugar delicinha em Chiang Mai. Mas a localização valia os ácaros dentro do armário rs. Tinha saída própria pra praia, e em 2 minutos de caminhada você caia na boca de restaurantes maravilhosos, casas de massagem e afins. Além disso, eles tem a própria agência de passeios, onde compramos o dia do kayak, Phi Phi e o retorno pra Phuket, tudo com desconto. 
Nosso bungalow
Preços
Como deu pra perceber, a estadia não foi das mais baratas. Mas tenho certeza que se deve às nossas datas: chegamos lá dia 29 de janeiro e saímos dia 3 de janeiro. No olho do furacão de ano novo. Mas comemos super bem em restaurantes deliciosos gastando 30 dólares o casal. E em cada esquina tem mocinhas fritando frango frito, e eu recomendo, se joga, come aí esses franguinhos porque eles são maravilhosos e custam menos que 2 dólares. O aluguel da scooter ficava entre 150 e 250 bahts por 24 horas (o que é bem barato, se considerar que qualquer rolê de tuktuk sai por 200, 300). A massagem tailandesa custava entre 250 e 350 Bahts a hora. Um pouco mais caro que Bangkok e Chiang Mai, mas mais barato que Phuket. Um outro detalhe é que usamos cartão de crédito lá, e nos dois lugares eles repassaram para mim a taxa de 3% da operadora. Isso não tinha acontecido em Bangkok, onde também usamos. 
Eu na garupa do Bozo Mati
Restaurantes e Bares
Nós comemos super bem na viagem inteira, claro, mas eu achei Koh Lanta super fácil, não tinha lugar ruim rs. Comemos diversas vezes franguinho frito pela rua, principalmente pra matar aquela fominha de meio do dia sabe... Mas eu queria deixar aqui registrado meus restaurantes favoritos:
* Patty Secret's Garden, um restaurante super fofo e com um staff super amigável. Tudo que comemos lá estava maravilhoso de bom, inclusive resolvemos esbanjar e pedimos espumante, e ainda assim a conta deu 120 reais por casal.
* May's Kitchen, um outro restaurante super simples, porém com comida deliciosa, e preço amigo.
* Moonshine Beach Bar, para drinks num charmoso lugarzinho na praia (o serviço é lerdo mas super atencioso).
Alias, no geral, em todas as nossas refeições em restaurantes tailandeses a gente pedia de entrada salada de papaia pra comer com stiky rice, sempre alguém pedia curry, outro alguém pedia sopa, e a gente ia dividindo tudo. Eu amava e já to toda saudosa de comer uma papaia salad. Outra entradinha gostosa era o Morning Glory, que é tipo uma couve cozida, bem temperadinha, bem gostosa. O morning glory do May's Kitchen foi o melhor da viagem. 
Franguinho frito na calçada... das delícias da Tailândia
Eu e meu peixe inteiro, outra delícia que comi tantas vezes quanto pude
Passeios
A gente organizou tudo por lá mesmo, e acho que não tem porque se adiantar. É possível negociar preço, escolher um dia que lhe seja conveniente, sem ficar se engessando com antecedência. Lá pela ilha tem trocentas agências, mas a gente acabou fechando tudo com a agência do lugar onde ficamos, por comodidade mesmo. Agora para quem deseja fazer mergulho, ainda mais se for alta temporada, eu sugiro procurar com antecedência sim. No dia 30 nossos amigos foram ver porque queriam fazer, e não havia mais disponibilidade em lugar nenhum até pelo menos o dia 4 de janeiro. Ou seja, se é seu sonho mergulhar na Tailândia, aí sim é bom se programar pra não ficar sem. Sobre os preços dos passeios saindo de Koh Lanta: fizemos o tour de Kayak e saiu 1000 Bahts por pessoa, já Phi Phi pagamos 1450 Bahts por pessoa (lembrando que é mais ou menos cortar um 0 para converter pra reais, ou seja, 100 reais e 145 respectivamente).
O sonho de Maya Bay, em Phi Phi Islands
Curiosidade
Koh Lanta é uma ilha cuja população é composta por mais ou menos 50% de muçulamos. Eu fiquei bem chocada, porque não esperava. É bem contrastante ver gente andando praticamente pelado de biquini o dia inteiro, e o tanto de mulher coberta dos pés à cabeça. A maioria das mulheres lá usa o Niqab, aquele lenço que só deixa o olho de fora. E nas horas de oração rola o chamado, e foi a primeira vez que ouvi aquilo na vida. Fiquei impressionada, maravilhada, com o canto. Adorei, e ficava feliz de ouvir todos os dias. 

* * *
Esse é o último post sobre a Tailândia. Foi a viagem mais longa que eu já fiz na vida, e a mais relatada aqui no blog. Já reli alguns posts pra matar saudade da viagem, e acho que é por isso mesmo que é legal contar tudo aqui. Adorei também ler os comentários com experiências diferentes da minha, informações complementares, etc. Espero que ajude e/ou inspire outras pessoas a conhecer o país! 

Um dia em Koh Phi Phi e Maya Bay

Quando fechamos o nosso passeio para Koh Phi Phi e Maya Bay eu já sabia que ele era meio farofento. Alias, entre todas as farofas possíveis, ele era até o mais de boa. O barco era relativamente pequeno, com 25 pessoas (nada perto das mais de cem que saem em alguns barcos de Phuket). Mas o roteiro era daquele jeito... hora pra chegar em cada paradinha, hora pra sair, sobe, desce, chacoalha, vamoembora. Eu sabia, e não estava ligando. Nessas alturas da viagem eu já tinha certeza que eu voltaria pra Tailândia (a verdade é que eu sempre acho que eu vou voltar pra todos os lugares, rs.. mas pra Tailândia eu tenho certeza absoluta, e qualquer hora conto porquê), e não estava desesperada para o ter o time of my life. Eu só queria ir lá ver Phi Phi, queria ver Maya Bay, queria olhar o hype. 

E realmente, foi assim... saímos de barco de Koh Lanta e coisa de 45 minutos depois paramos nas encostas de uma ilha para fazer snorkeling. Tudo muito bonito, não tinha muita gente em volta, dava pra ver uns peixinhos e tal, mas a verdade é que não tinha nem comparação com Noronha, rs. Quem mergulhou por lá acho que não consegue se impressionar muito. Ao ver minha cara de decepção, o guia logo explicou que o tsunami de 2006 levou todos os corais, e por consequência a vida marinha que tinha por ali. Sobrou bem pouca agitação, uma tristeza para um lugar tão lindo :(

De lá seguimos em direção à Maya Bay, a tal da praia, a famosona, a mais bonita do mundo, a do Leonardo di Caprio. Maya Bay tem uma fama que não cabe em seus 250 metros. E ao chegar lá me deu uma crise de riso. Crise daquelas, porque assim, parecia um estacionamento. De dentro do mar você não conseguia ver a faixa de areia, de tanto barco que tinha na frente. E quando eu consegui ver a faixa de areia, a crise de riso intensificou, seguida de uma vontade de chorar rs. Sério, gente... não tinha 2 metros de areia livre, sem exageros. Alias, das coisas mais patéticas que eu vi foi um grupinho tentando tomar sol, estirado lá, enquanto centenas de pessoas passavam pra lá e pra cá levantando areia. É claro que o grupinho era brasileiro, porque a gente não desiste etc etc etc, mas tava feio, tava cafona rs. Mal tinha espaço para as pessoas andarem, e os nossos amigos lá, estirado no chão crente que estavam numa ilha deserta. Mas tudo bem, cada um com seu cada qual. A gente ficou lá tentando tirar umas fotos people free, eu até dei um mergulhinho, mas fiquei mesmo foi pensando no absurdo que é não limitar o acesso de gente a um lugar desse. Fosse limitado talvez eu nem tivesse ido, ok, mas quem fosse teria uma experiência melhor. Passamos um pouco menos de uma hora lá e Maya Bay e pra mim foi é tempo demais.
Você pensa que Maya Bay é assim?
Assim?
Ou assim?
Mas ela é assim!
Voltamos pro barco, e aí foi a vez de passar na tal da Monkey Island, uma ilha cheia de macacos. O barco para, você desce, e aí a natureza espera que o bom senso passe pela sua cabeça. Eu fiquei meio agoniada de ver os macacos tão "gentrificados" rs... eles posavam pra foto sem necessitar de comando. Um imbecil lá jogou uma garrafa de água e o macaco abriu e bebeu como se gente fosse, sem nem pensar duas vezes no que ele deveria fazer com aquele objeto. Eu fiquei bem desgostosa. Tirei uma fotinho com o macaco posador, sem chegar perto demais ou encostar nele, ao contrário de praticamente todo mundo que estava por lá, e subi pro barco bem agoniada com o ser humano. De lá vi mais gente jogar água pros macacos, vi outro macaco tentar roubar um celular, e no fim fiquei tipo "o que a gente ta fazendo aquiiii?!?!?!?!". Sério, porque a gente é assim? E é a gente, eu também, porque também fui lá tirar minha foto com o macaco. Fica aí essa pergunta: POR QUE O SER HUMANO É UMA MERDA, HEIM? 
Entre uma ilha e outra, surra de beleza
Phi Phi Leh muito esplendorosa
Eu, o macaco que posa pra fotos, e as inúmeras possibilidades de reflexão sobre o ser humano 
Mas aí pra passar meu aperreamento, a gente parou numa outra ilha pra comer. E aí ficou delicinha a coisa, porque eu estava morrendo de fome. Serviram um franguinho frito, arroz, curry com batatas, coca cola e água pra beber, fruta de sobremesa. Estava incluso no passeio e montaram um buffet na praia pra gente se servir. A praia era bem gostosinha, e acho que a mais vazia do passeio. Eu fui nadar e a água tava delícia, umas pessoas chegando de kayak, foi um momento bem relax e gostoso. 
A praia onde paramos para comer, nadar e ver barcos flutuar rs... olha a cor dessa águaaaa
De lá paramos em mais um lugar para fazer snorkeling. Mais uma vez eu foquei em mergulhar, em me refrescar, em curtir a água salgada que tanto amo, porque a vida marinha seguia sem ser muito impressionante. Veja bem, não é que não é bonito... a gente viu bastante peixinho colorido e tal. Mas a última vez eu que eu fiz snorkeling eu nadei com trocentos peixes diferentes, arraias, tartarugas e o escambau, então devo dizer quanto a esse assunto eu sou fresca, e minha barra ta bem alta rs. 

Por fim, chegamos em Phi Phi Dom, a última parada do passeio. Apenas esclarecendo, quando a gente fala de Phi Phi Islands, é uma referência ao arquipélago composto pelas ilhas de Phi Phi Leh e Phi Phi Dom. A primeira ilha é menor, não tem cidade, é um parque nacional onde não se pode dormir, e é onde fica Maya Bay. A segunda é uma cidadinha, cheia dos hotéis e infra estrutura. Alias, tem zero charme tailandês, porque infelizmente foi toda destruída pelo tsunami, e reconstruída já com influencia do turismo de massa e afins. Mas é gostosa mesmo assim, tem praias lindas, com a água azul cristalina e as rochas imponentes. Passamos mais de uma hora por lá, tomando uma cervejinha e esperando a chuva passar. Pois é, chegamos em Phi Phi Dom junto com a chuva, mas sem problemas. 
A vila
E as praias lindas de Phi Phi Dom, mesmo na chuva

De lá seguimos de volta para Koh Lanta, e eu fiquei com o aprendizado para dividir por aqui. Para quem não quiser se decepcionar com Maya Bay, o caminho é se hospedar em Phi Phi Dom e pegar um barco taxi logo cedo pela manhã, para chegar lá antes dos grandes barcos de passeio. É meio ridículo ter que madrugar para pegar uma praia com ocupação normal? É. Mas fazer o que... pelo menos a sua experiência vai ser melhor. Se eu me arrependo de ter ido de passeio? De jeito nenhum. Eu queria ir ver, eu queria por meus olhos naquelas rochas, naquele mar azul, e assim eu fiz. E apesar de toda a multidão que nos cercava, eu me senti feliz. Então ta bom, né?! A outra reflexão a ser feita é até onde vale a exploração nervosa do turismo de massa... porque eu fiquei bem desgostosa de ver aquela loucura em Maya Bay. Não dá dignidade ao paraíso que é. Eu sei que todo mundo quer ir, todo mundo quer ver, mas acho que todo mundo quer mais do que uma foto, né? Não seria maravilhoso efetivamente APROVEITAR o paraíso? Alias, não seria maravilhoso CONSERVAR o paraíso? Na pegada do que eu vi, eu não sei por quanto tempo Maya Bay se sustenta... acho que não existe ecossistema que aguente uma exploração tão brutal.
Fica aqui o registro da maravilhosa experiência que é tirar foto em Maya Bay hahaha

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