Reflexões de Twitter

Esse foi um dos twits que mais me fizeram pensar nesses meus 10 anos de twitter rs. Ao ler, comecei a tentar lembrar meus sonhos de criança. A verdade é que não consegui lembrar de nada rs, talvez ir pra Disney era um. Ai mudei pros sonhos de adolescência, e lembro basicamente de "ser juíza, ser diretora jurídica da Votorantin, viajar". Lembrei nessa ordem e já fiquei incomodada... tipo, que saco, uma adolescente já sonhando com carreira rs. 

Mas logo comecei a pensar por que, tendo nascido onde nasci, eu entendi bem cedo que precisava "ganhar dinheiro" pra realizar outros sonhos. Acabou sendo o campo onde eu projetei mais coisas sobre o futuro. Eu nasci e cresci em Pariquera-Açu. Fui à melhor escola que poderia, mas segue sendo a região mais pobre do Estado de São Paulo, com poucos recursos, poucas empresas, poucas indústrias. Até a conselheira vocacional da escola não sabia explicar o que certas profissões faziam. Design por exemplo, só fui entender o que era depois dos 20 já na faculdade. Relações Públicas? Idem. Ali, naquele ambiente limitado, quem era de humanas fazia direito, quem era de exatas engenharia, e quem era rico medicina rs. Claro que tinha a galera da adminitração, e tal. Mas assim, tudo bem tradicional, você nem consegue vizualizar outras carreiras. E foi assim que eu, de humanas né haha.. fui parar (e odiar) o Direito. 

Lá pro terceiro ano de faculdade eu queria muito largar o curso, porque já odiava o rolê, mas não sabia bem o que fazer. Meus pais insitiram pra eu terminar, porque eu nem sabia o que fazer depois, e porque "agora que começou termina, se forma, vai ganhar dinheiro e depois paga você mesma pra estudar outra coisa". E foi aí que eu achei que a vida era essa merda  de acordar, ir lá fazer um troço que você odeia, ganhar um salário no fim do mês, e ir sobrevivendo. Os meus dois últimos anos de faculdade foram um suplício. Fui muito infeliz, e acho que por isso que, do Mackenzie, só sinto saudade das minhas amigas mesmo. A galera é toda saudosista, vai lá passear na Maria Antonia, e eu quero é distância dessa época que eu chorava no busão. 

Pois bem. Hoje eu tenho uma visão completamente diferente. Eu hoje gosto do que faço, curto meu trabalho e tal, mas assim... Eu trabalho mesmo pra ganhar um salário no fim do mês, e com ele bancar o que realmente me faz feliz. E se lá pra 2008 essa possibilidade de "trabalhar só pelo salário" me deprimia, hoje vejo as coisas com outras lentes. Em algum momento do fim da minha adolescência, eu sonhava com aquela vida de mulher mega ultra bem sucedida sem tempo pra nada, correndo pra lá e pra cá, "diretora jurídica da Votorantim". Hoje eu olho pra essa vida aí, e deus me dibre. 

E é aí que entra a reflexão maior: eu percebi que essa caída na minha "ambição" se deu com a minha vinda pra Europa. Eu percebi que muitas das minhas aspirações de criança e adolescente eram focadas onde eu precisava chegar pra ser alguém na vida, ser respeitada, pra poder viajar, pra poder ter conforto, poder devolver um pouco dos meus pais me proporcionaram. Aqui eu não preciso ser gerente, nem diretora, nem nada, pra ter um salário digno, uma vida confortável e fazer tudo isso, inclusive investir no que me faz feliz fora do horário comercial.

Uma vez conversando com um executivo da empresa onde trabalho, ele disse que o filho dele queria ser jardineiro. E não disse isso com nenhuma conotação, ou julgamento. Era um fato. O menino de 16 anos quer ser jardinheiro. E ele pode ser que não vai passar fome, não vai ser tratado como subalterno ou alguém menor na sociedade, nada disso. E ai fico pensando que em dado momento da nossa vida no Brasil, a gente já nem consegue mais saber qual é o nosso sonho genuíno. Eu lembro que láááá nos idos da minha infância, falava de ser professora, e todo mundo, inclusive meus pais (que são educadores), falavam que é uma profissão muito bonita mas que não da dinheiro. Você logo cedo aprende a nortear suas escolhas pelo que paga as contas, e começa a esquecer quais são os seus reais sonhos.

Então o que aconteceu é que esse twit, e todas as reflexões a que ele me levou, me mostraram de maneira clara que o Brasil mal deixa a gente sonhar rs... Não gosto da ideia de que sonhos sejam resumidos a trabalho. E ai fico pensando na tristeza que é ver crianças, adolescentes, que quando podem escolher o que fazer, acabam escolhendo a partir do que pode dar dinheiro, do que põe comida na mesa.

A volta dos que não foram

Tem hora que eu não sei nem por onde começar. Tenho vindo super pouco aqui no blog, e não é por falta de assunto. É mesmo que a vida real anda tomando muito do meu tempo, da minha energia, da minha criatividade. Eu sabia que quando começasse a trabalhar e entrasse no modo automático, essa coisa do ócio criativo ia dar uma sumida rs... Embora não ande conseguindo nem pensar em assunto pra escrever, confesso que sinto falta do blog, da interação com gente interessante que conheci por aqui, de registrar coisas da minha vida. E por isso, achei de bom tom dar uma passada de leve pelos acontecimentos dos últimos meses rs.

Italia
Esse, sem dúvidas, foi o semestre italiano. Fui pra Italia 3 vezes dentro de poucas semanas. Ao Lago de Como com meus pais, depois para Cinque Terre e Milão para feriados. E gente.. ESSE PAÍS! Por que tão maravilhoso?! Comi comidas deliciosas, vi paisagens incríveis, me senti em casa com gente muito boa, e também dei risada do mal humor de certos italianos rs. Além de tudo, quem mora na Suíça aproveita visitas aos países vizinhos pra fazer comprinhas, e eu não fiz diferente. Pra coroar tudo, ainda encontrei uma grande amiga por algumas horas. E foi excelente! Eu vou sentar pra escrever aqui sobre Como e Cinque Terre, porque acho que vale a pena em tem umas dicas boas pra dar. Agora Milano, se fala tanto sobre ser capital da moda, do luxo, e não sei que mais, que eu esperava uma cidade podre de chique. E não é. Tem sujeira, gente demais, carros demais, não achei fácil de gostar. Mas curti Milão numa vibe diferente, meio que de cidade grande, que por mais que não seja a mais bela de todas, tem muito a oferencer. E fica ainda mais interessante quando você vive a vida na regradinha Suíça rs. Daqui de Berna são só 3h no trem, portanto, Milão que me aguarde. Voltarei. 
Navigli em Milão
Die Länggasse
Nos mudamos em fevereiro e a cada dia que passa eu amo mais esse bairro. Além da conveniência de estar pertíssimo da estação de trem, do centro da cidade, de fazer tudo andando, ainda é cheio de restaurantes, bares e vida. Tem rua fechada pra picnic no fim do dia, tem as casinhas mais fofas dessa Berna, muitas jovens famílias, estudantes universitários, uma filial da melhor sorveteria. Eu poderia passar um bom tempo falando das coisas boas que encontro por aqui, porque mesmo depois de quatro meses de intensa exploração, seguimos encontrando coisinhas novas. Sinto que encontrei nosso lugar: nosso apartamento, nossa vista da janela, e o entorno. Tenho amigos morando aqui, a gente se encontra sem combinar pela rua, fazemos jantares noite a dentro porque ninguém precisa pegar transporte na saída, encontramos festinhas aleatórias espalhadas pelo bairro. Não ligo de viajar 1h por dia para Zurich, porque fico feliz demais de voltar pra cá todos os dias.

Não é fofo demais?!

Trabalho
Falando em viajar pra Zurich... Pra morar onde eu moro, e trabalhar onde trabalho, eu tenho que viajar. E viajo feliz, porque da mesma forma que estou amando o bairro, estou amando meu trabalho. Mesmo com todas as complexidades, dificuldades e frustrações, tem sido um grande aprendizado, uma super expriência, e eu estou me desenvolvendo em várias direções. Estou trabalhando muito, mas quase todo dia termino feliz, exausta mas feliz. Mas ainda to longe de ter sossego: trabalho sob um contrato temporário que acaba em 31 de dezembro. Agora começa a luta para ser efetivada.

Saúde
Há uns dois meses eu comecei a fazer aula de Body Pump. To meio chocada com a gravidade que atingiu meu corpo de uns 2 anos pra cá, e resolvi fazer algo a respeito. Pra falar a verdade, nem sei se vi algum resultado no físico, mas no psicologico ta sendo ótimo hahaha.. saber que eu tenho tentado fazer alguma coisa além de reclamar já me acalma. Hoje também corri a Frauenlaufen, uma corrida só de mulheres em Berna. É um evento super legal. São mais de 10 mil mulheres que participam, em algumas diferentes modalidades: 10km, 5km, ambos corrida e nordic walk (que é aquela caminhada rápida com os pauzinhos de apoio). Tem gente de todas as idades, crianças correndo com suas mães, senhoras bem mais velhas, amigas vestidas em grupo. A organização é toda feita por voluntários, e no dia da corrida mesmo, a maioria dos voluntários são crianças e adolescentes. Eles entregam água nos pontos de apoio, entregam os brindes, acodem quem precisa de ajuda, é uma graça de ver. A cidade vai toda pra varanda, pra calçada, incentivar e torcer pela mulherada. Tem bandas, e é uma energia incrível. Esse ano eu não treinei, só me inscrevi e fui. Acabou sendo bem difícil, mas terminei os 5k sem caminhar no meio, e com um tempo ainda melhor que do ano passado rs. Vai entender... enfim, minha breve carreira de musa fitness é essa daí. E to feliz com ela rs.

A vida ta assim... e acho que lendo assim, elencadinho, tudo que tem me ocupado, deu pra perceber porque ta faltando tempo pro blog. Mas antes devagar do que parado, né?! 

As dores da partida

Meus pais estiveram aqui pela segunda vez. Foram dez dias maravilhosos... conversamos sobre tudo, mostrei a eles alguns dos meus lugares favoritos em Berna, fomos pro Ticino e também pra Italia, eles viram a primavera explodindo por aqui, e deram sorte com dias lindos e ensolarados. Foi tudo bem gostoso. Mas foi também melancólico. 

Melancólico porque mais uma vez percebi que, ao deixar o Brasil, deixei também a convivência próxima com eles, o contato frequente, um dia a dia que, mesmo distante, é mais perto, e que nos matem acostumados uns com os outros. Além disso, meus pais não são muito jovens, alias, já passam dos setenta. E com a idade, vem manias, teimosias, que talvez sempre estivessem lá, mas que eu nunca me dei conta. Me peguei em vários momentos irritada com besteiras, os criticando por coisas que eu nunca tinha dado atenção, e indo dormir todos os dias mortificada por culpa de não ser uma filha melhor.

São coisas que talvez, se eu ainda vivesse no Brasil, sentiria também. Mas que por não viver, ficam martelando culpa na minha cabeça. Uma culpa que nunca imaginei sentir. Culpa por estar longe, por ter escolhido viver distante, por ser feliz aqui tão longe, por não ser mais presente, e por ter me tornado tão diferente. Por ficara querendo que eles sejam milimetricamente igual à imagem que eu tenho na minha cabeça, por não dar a eles a folga que eu pedi a vida inteira.

De todas as dificuldades de morar fora, essa é a mais difícil. Porque todo o resto é sobre minha minha vida e minha felicidade. Mas essa é também sobre a deles. E apesar de todas as implicâncias, dos cutucões e das diferenças, o que eu tenho de mais forte e profundo dentro de mim, é o amor por eles. Sentir que, ao colocar um oceano entre nós, deixei com que tantas outras coisas entrassem no caminho, é difícil pra mim. No fim, acho que a gente sempre espera que, na relação de pais e filhos, os culpados por tudo sejam eles. Ao me pegar tão culpada por tudo, senti mais que nunca a responsabilidade pelas escolhas que fiz. E tal qual a criança que sempre serei aos olhos deles, não sei lidar com ela. 

TAG - Personalidade

A Ana me indicou pra responder uma TAG, e eu adoro TAG, estilinho caderno de perguntas. Além de tudo, não ando com muita inspiração pra escrever, então é um ótimo jeito de dar movimento nesse blog caído. Voilà.

1. Qual o motivo da tua maior alegria, actualmente? Dias ensolarados. E meus pais, que chegam amanhã <3

2. Qual o motivo da tua maior ansiedade, actualmente? Trabalho, trabalho, trabalho. Eu não sei brincar... Começo a gostar de um emprego e deixo ele dorminar minha vida, meus sonhos de noite, meu estômago, tudo.

3. Como lidas com as criticas? Gostaaaaaar assim, a gente não gosta. Mas tento sempre refletir e ver se faz algum sentido. 

4. Cita duas pessoas que tu ames muito. Tem quatro que eu queria falar. Como manda falar só duas, não vou falar nenhuma hahaha

5. Cita um defeito teu. Ansiosa, impaciente.

6. Cita uma qualidade tua. Lealdade

7. Poucos amigos ou muitos amigos. Tenho bastante amigos.

8. que te faz sentir raiva de verdade. Gente malvada. Ver a maldade tomando forma ali, de propósito.

9. Doce ou salgado? Primeiro salgado e depois doce e depois salgado e depois doce

10. Vingança ou meditação. Tenho preguiça das duas coisas, mas acho que seria mais fácil eu me vingar que meditar hahaha

11. Conta algo obscuro sobre a tua personalidade.  Eu tento fingir que não sou azeda, mas ai vou guardando o azedume, e a hora que ele explode, Mel Dels. Sai de baixo. 

12. Relembre uma surpresa boa que te fizeram. Minha despedida de solteira

13. Esta semana estarias grata pelo quê? Por ter a oportunidade de receber meus pais em casa, mais uma vez. 

14. Um medo que assombra a tua vida... morte, acidente, desgraça. 

15. Tens algum vicio? açúcar e internet

16. Fazes coleção de alguma coisa? Não

17. És sonhadora ou vives apenas o momento? As duas coisas. Adoro ficar viajando na maionese, porém não me descolo da realidade.

18. És calma ou nervosa? hahaha pergunta pro povo que me atura.. vão dizer que sou calmíssima rs.
Meu espírito animal rs
19. Coisas que mudarias na tua personalidade? Mais paciência, com os outros, comigo, com a vida

20. Marca 5 pessoas que gostarias que respondessem a esta TaG: 
Quem queira responder  :)

E la nave va

Já contei aqui um monte de merda que acontece comigo rs... Contei do roubo do carro na primeira semana, do roubo do apartamento na segunda semana na casa nova. Já contei que fui comprar uma lasanha congelada no mercado e voltei com 4 pontos na perna. E tem um monte de coisinhas que vão acontecendo e eu sempre penso "tinha que ser comigo, né...". E toda vez tem alguém pra me chamar de azarada. E toda vez eu fico meio contrariada.

Amanhã eu faço 33 anos, e nessa minha curta existência, eu nasci numa família estruturada, que me deu muito amor e possibilidades. Fiz amigas maravilhosas em todas as fases da minha vida, e mantenho o laço com muitas delas até hoje. Fui bem privilegiada, apesar de só ter me dado conta disso há poucos anos. Mas sim, pude me dedicar aos estudos sem trabalhar, frequentar uma boa faculdade, aprender línguas, fazer um intercâmbio. Tive um irmão que conheceu uma menina numa rave, e ela me indicou pra uma vaga de estágio que abriu, direta ou indiretamente, todas as portas da minha carreira. Fui num Lolapalooza, e naquele mar de gente se achando e mal vestida, encontrei o amor da minha vida e casei com ele.

Entre uma coisa e outra rolou um cóccix quebrado, um assalto a mão armada, um coração partido. Mas azarada? Eu diria que não. Sei que tive sorte em muitos momentos da minha vida, mas em todos os outros tinha eu e minha vontade de ser feliz, ou mais ainda, minha falta de paciência pra ficar pra baixo. Eu sempre tive meus momentos de chorar, descabelar, desopilar, e pronto... bola pra frente. Porque é isso, eu gosto de estar tranquila, sem drama, sem estresse, de viver despreocupada. Felicidade pra mim é isso, é poder viver sem complicação. E acho que posso dizer que, no momento, vivo uma vida bem descomplicada. Estou feliz. Então, parabéns pra mim.

E segue o baile.

Mobility: carro compartilhado na Suíça

Desde que chegamos aqui a gente sempre reparou nos carros vermelhinhos espalhados por Berna. Eles estão por todos os lugares. Mobility é uma cooperativa para compartilhamento de carros e para utiliza-los você pode se tornar um cooperado, pagando uma anuidade, ou pagar somente quando quiser usar. O custo de um aluguel varia com o tempo que você fica com o carro, e com a quilometragem usada. Se você for cooperado, tempo/quilometragem são mais baratos. Eles estão pela Suíça inteira, ouso dizer que por tudo que é bairro das cidades maiores. Os carros são dos mais diversos tamanhos: tem mini, tem compacto, tem perua, tem van, etc. Você escolhe de acordo com a necessidade do dia. A gente não tem carro aqui, e ter a possibildiade do Mobility também nos ajudou a relaxar nesse sentido. A gente quase nunca precisa de carro, mas se precisar, é só recorrer a um vermelhinho (isso no caso de pequenas distâncias, necessidades e passeios curtos. Se a ideia é ir mais longe, ou passar alguns dias, o ideal é fazer aluguel normal mesmo). Como sei que o compartilhamento de carro é uma tendência mundo agora, achei legal vir falar do Mobility e saber como que é em outros lugares. Voilà. 

Registro
O registro é feito através do site. Primeiramente você precisa decidir o que vale mais a pena pra você, ser cooperado com taxa anual (pra quem pretende usar o carro com mais frequencia) ou o Click&Drive, que é pra não cooperado, sem taxa e com um valor de aluguel um pouco mais alto. O requerimento básico é ter carta de motorista suíça (sim, turista não usa Mobility rs). Você faz o registro com seus dados pessoais, e anexa a frente e o verso da carta de motorista. Em menos de 1 hora recebi a aprovação do registro, e tava feito. 

Reserva
Através do app da Mobility é possível gerenciar tudo. Ta precisando de um carro? Entra lá, e é possível ver os carros perto de você, ou ainda escolher o tipo de carro que você precisa (tipo um van pra ir na Ikea) e ver onde tem um mais próximo. Então você coloca suas datas, estima o tempo que vai ficar com o carro, e pronto, ta feita a reserva. 

Retirada 
Não sei bem quais as outras possibilidades, mas eu atrelei o Mobility ao meu Swiss Pass, que é o cartão de transporte suíço. Então você vai até o carro reservado, e abre ele colocando o seu Swiss Pass no para-brisa, onde eles indicam. O carro abre automaticamente, e pronto, só sair dirigindo rs. 

Uso
Das grandes vantagens do Mobility: você ta automaticamente segurado, e também não precisa pagar combustível, é só ir num posto Shell credenciado (quase todos que eu vejo, são) e abastacer. Quando você para nos lugares, você tranca e reabre o carro com o Swiss Pass no pára-brisa, super prático.

Devolução
A devolução deve ser feita no mesmo lugar da retirada, e isso as vezes pode ser meio saco. Mas no geral, quem usa retira perto de casa, e devolve também, então ok. Se você quiser devolver mais cedo do que colocou na reserva, é possível no app terminar seu aluguel antecipadamente (e assim economizar uns dinheirinhos). Tem lá a opção Terminate. Se você se atrasou e vai precisar demorar mais, entra lá e arruma o horário de aluguel também fazendo uma alteração na sua reserva. Se tiver alguém agendado pra usar o carro logo depois de você, não é possível fazer alteração, e as multas de atraso são bem caras. Mas se não tiver, eles aceitam a alteração automaticamente.  

Pagamento
Você escolhe o modo de pagamento quando está fazendo seu registro. Tem opção cartão de crédito, smart pay e boleto. Eu, boa brasileirinha que sou, sou chegada num boleto hahaha. 

Acho que no geral, o uso do Mobility é bem simples. No site deles também é possível fazer um cálculo de qualto vai custar o seu aluguel, e aí você pode calcular direitinho e ver o que vale mais a pena. Ah... e falando em mobility, a Suíça ta cheia de shared bike, shared patinete. A hora que usar eu venho aqui contar :)

Esquiando nosTrois Vallées, França

Assim que assinei o contrato de 6 meses de trabalho em julho do ano passado, eu já agendei férias para quando o contrato acabasse rs. O fim do meu contrato coincidia com as férias escolares de Mati (aqui na Suíça, e acho que na Europa em geral, as escolas tem um break em fevereiro). Férias de esqui são caras, e tem que ser planejadas com antecedência, então mesmo em julho eu não consegui achar acomodações baratíssimas. O que quero dizer com isso é que, pra quem ta pensando em tirar um break desse ano que vem, jajá é hora de começar a se planejar. 

Na época escolhi a região dos Três Vales - Courchevel, a prima ryca e famosa, Meribel, onde ficamos, e Val Thorens, porque li bastante sobre, e vi que era a maior área de esqui do mundo (600km de pistas no total), com slopes de todos os níveis. Por mais que eu esquie com alguma frequência no inverno aqui, meu nível ainda não é maravilhoso não, e eu prefiro ficar nas pistas azuis (para efeito informativo, o nível das pistas, do mais fácil para o mais difícil, é verde < azul < vermelha < preta). Aqui na Suíça não existe pista verde, os resorts tem pistas azuis, mas tem mais pistas vermelhas, o que dificulta pra mim. Lá na região é possível ir de uma vila pra outra só esquiando por pistas azuis, e esquiar vários dias sem sequer repetir. Ideal. Além de tudo, a viagem de carro aqui de Berna dura mais ou menos 4 horas somente, dependendo do trânsito. A título de informação, o aeroporto mais próximo é o de Genebra, de onde é possível pegar transfers etc. Mas nós alugamos um carro mesmo, e fomos. 

Eu escolhi Meribel por ser o vale do meio, e menos badalado - e caro - que os outros. Achei a escolha acertadíssima, porque a vila é bem fofinha, e sem afetação. No dia que fomos esquiando até Courchevel, já fiquei meio passada com a montação da galera, tanto pra esquiar quanto pra flanar rs. Em Meribel o esquema é mais pé no chão, todo mundo numa pegada mais esportiva mesmo. Por lá os dias começam cedo, todo mundo indo pros lifts por volta das 9h, passando o dia subindo e descendo montanha, tomando uma cervejinha entre uma coisa e outra, curtindo um après ski (a baladinha no fim do dia) e caindo morto na cama no máximo as 10 da noite rs. Claro que pra quem quiser tem balada, mas nem preciso dizer que não chegamos perto haha. 
Fim do dia e nós voltando para Meribel, essa vila embaixo do morro
Pelas ruas de Meribel
Comemos muito bem, em restaurantes pra todos os bolsos. Alguns dias um esquema mais budget, outros normal, e na nossa última noite, um jantar francês bem chique. Meribel tem um pouquinho de tudo. Bebemos muito bem também rs... Quase todos os dias, chegando no hotel, a gente ia ao mercado, comprava umas garrafas de vinho francês, e bebíamos na varanda. Olha que belezinha de fim de dia? 
Ficamos num hotel beeeeem budget, digamos que um patamar acima de hostel, e ele era muito bem localizado, com um bar e restaurante ótimo, mas MUITO barulhento. O vizinhos falavam dentro do quarto deles e eu achava que tinham entrado no nosso quarto. Barulho da rua também, dava pra ouvir tudo. Pra melhorar, eles fizeram algumas baladinhas no bar alguns dias, e não teve plug auricular que desse jeito. Enfim, para o esquema budget que estávamos, em que a outra opção era não viajar rs, recomendo. Mas espero numa próxima poder ficar num lugar com mais paz haha. O nome é La Taverna. Mas sem dúvidas, se voltar a Meribel, voltarei para comer no restaurante deles, comida excelente com precinho justo. 

Mas nós fomos pra esquiar, e nesse quesito foi tudo sucesso. Pegamos dias ensolarados maravilhosos, e a região é um baita acerto. Tem, realmente, muita pista para iniciante e intermediários. Assim, MUITA. Claro que tem também muita gente, mas é tanta pista, que as vezes a gente se pegava sozinho no meio do nada. Passamos 5 dias lá, e esquiamos 4 (um dia fizemos uma pausa porque as dores estavam osso rs), e repetimos pouquíssimas pistas. É possível passar dias por lá só vendo paisagens novas, pingando de vilinha em vilinha. Fomos para Courchevel, St. Martin, Mottaret, etc. Também dá pra ir atrás dos bares animadíssimos pelas montanhas. 
Cap Horn, um dos bares badalados em Courchevel
La Folie Douce, a balada mais cafona e divertida rs
Enfim, eu já falei bastante de esqui pela Suíça, mas se eu pudesse recomendar um lugar pra quem quer aprender a esquiar e curtir, eu recomendaria a região do Trois Vallées com força. Apesar de ainda ser cara (ainda estamos falando dos Alpes franceses, rs), é beeeem mais barato do que na Suíça, e tem muito mais opção de pistas. E pra coroar, a região de Savoya, onde ficam os vales, é também famosa por seus queijos, e por lá da pra comer fondue, raclette, e muita coisa maravilhosa. Se endividar em francos pra que?! 

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