Roadtrip Parte 1: De Zurich pra Bolzano e até Rovinj

Comentei aqui que essa viagem foi tão legal que merecia um post próprio. E assim vamos, num flashback dos tempos que eu fazia post detalhados de viagem nesse blog. Ano passado fomos pra Dubrovinik e eu não fiquei impressionada. Achei tudo cheio, caro, meio tourist trap. Mas eu sabia que ali era o auge do turismo croata, e quando um amigo comentou sobre Rovinj, cidade na região da Istria, fui dar uma olhada. Rovinj parecia linda, quase na Itália, e o fato de eu nunca ter ouvido falar dela já me apeteceu rs. Coloquei no mapa, e quase 10h de carro da Suíça. Estavamos procurando um destino para irmos pra praia com Carlito, e bingo! Achamos nosso destino. Montando a rota, definimos um círculo, e marcamos a parada na ida em Bolzano, e na volta em Verona. 


Saímos daqui na sexta as 16h, sentido Bolzano. Quando fomos pra essa região ano passado fizemos o caminho passando por Innsbruck na Áustria. Então dessa vez optamos por ir pelo Graubünden, na Suíça. O caminho passa por Davos, cruza os passos de Flüela e Offen, e entra na Itália já na região do Trentino-Alto Adige. Nunca tínhamos dirigido nessa área para além de Davos, e a estrada é um absoluto desbunde. O Flüelapass é uma das estradas mais lindas pelas quais já passamos, e olha que já passamos por muita estrada linda. Só de passar por ali já deu muito clima de férias e roadtrip. Eu estava dirigindo, então to pegando umas fotos do google pra ilustrar. O Graubünden, maior cantão suíço, é mesmo maravilhoso. Nesse caminho a gente dirige por mais de 2 horas dentro do cantão, e tanta paisagem linda, tanta vila pitoresca. O Offenpass também é bonito, mas menos impactante que o Flüela. Em todo caso, fazer os dois da sequencia é incrível. E quando cruzamos a fronteira, saímos numa área da Itália onde só tem pequenas vilas, muitos castelos pelo caminho, e chegamos em Bolzano já passando das 9 da noite. 

As curvas do Fluela, em foto do Adobe Stock

Aqui quando você chega no topo do Fluelapass... Foto do Creative Commons 

E aqui a única que eu tirei numa paradinha pra apreciar a vist lá de cima

Quando fomos pra Bolzano ano passado, eu não tinha nenhuma expectativa com a cidade, e acabei reservando pouco tempo pra passar lá. Na época chegamos já perto do jantar, e saímos no dia seguinte depois do café da manhã, mas o pouco que vimos nos encantou. Uma cidade italiana, que fez parte do império austro-húngaro, e cujas marcas dessa fase estão por tudo: arquitetura, cultura e principalmente língua. Alemão é a primeira língua de Bolzano. Então pra gente saindo aqui da Suíça, ela é um sonho: organização, beleza e limpeza, mas com a comida, a alegria e o borogodó dos italianos rs. 


Não sei se Bolzano ta passando por um boom turístico ou o que, mas a oferta de apartamentos e hotéis na cidade é ótima. Da outra vez ficamos num apartamento novinho em folha, moderno, renovado, espaçoso, meio chique, lindo, e na principal rua de compras da cidade. Poderíamos repetir facilmente, mas encontrei um bed & breakfast lindo na rua dos melhores restaurantes, também no centro histórico. E eu fiquei completamente apaixonada já pela estadia rs. Lugar lindíssimo, num casarão histórico, em que mantiveram as fundações originais, mas modernizaram através do acabamento e decoração. E foi um alívio que gostamos e ficamos tão confortáveis nesse lugar, porque no sábado o digníssimo acordou se sentindo doente, e acabamos passando metade do nosso dia no hotel. Saímos pra tomar um café da manhã e logo voltamos, pra ele descansar. E como já conhecíamos um pouco da cidade, também não tivemos pressa. Lá pelas 14h, quando ele estava se sentindo um pouco melhor, saímos para andar pela cidade. 



Primeiro: olha esse bed & breaftast, que lindo! 

Nosso café bem reforçado rs.. esse foi no Bogen

Com Carlito de companhia a gente não tem como visitar museus, então optamos por subir para a área das vinícolas. A maioria só abre pela manhã aos sábados, mas como acabamos perdendo a manhã, achamos uma que oferecia degustação pela tarde. Foi muito legal porque estávamos só nós e um outro casal, e a senhora da vinícola já estava em clima de fim de semana, então acabou sentando com a gente e batendo o maior papo. A produção é toda familiar, a família toda tira férias para fazer a colheita das uvas juntos, eles fazem poucos rótulos, e no total produzem cerca de 12 mil garrafas por safra - ou seja, é algo bem artesanal. Ela contou também sobre as mudanças na região, a questão da língua e como os mais jovens hoje preferem falar italiano, mesmo sendo a segunda língua oficial. Comentou sobre as mudanças climáticas na área, e como antigamente eles tinham neve na cidade e hoje as netas dela mal veem neve. Agora o melhor pra mim: como não falam dialeto, mas hoch deutsch, eu consegui ter essa conversa toda em alemão. Fiquei orgulhosíssima, embora tenha ouvido mais do que falado rs. 



Bolzano vista do morro 

Depois de provar, e comprar alguns vinhos (vantagem da viagem de carro, né... zero limite pra líquidos rs), voltamos pra cidade e seguimos batendo perna, até que uma chuva do cão nos pegou rs. Seguimos pra jantar, e quando a chuva passou voltamos a andar pelo centro, paramos para uns drinks, e 11 da noite voltamos pro hotel. Acabou que apesar de não termos feito todo o programa que tínhamos imaginado, como andar até um castelo e tal, por conta do nosso comeco tardio, aproveitamos bastante o nosso dia em Bolzano, e confirmamos que é uma cidade que a gente gosta muito, meio que de graça rs.


No dia seguinte acordamos e fomos tomar um café da manhã num dos poucos lugares da cidade que abre aos domingos. Acabei não reservando o café da manhã do B&B porque o Carlito não podia entrar na sala do café e ele não ficam bem sozinho em quarto de hotel. Ele fica meio desesperado de estar sozinho e no lugar desconhecido, late, uiva, e incomoda os vizinhos. Então pra gente não é opção largar ele sozinho, e quando tem essa limitação nos hotéis, a gente toma café fora. E depois do check out, pegamos a estrada sentido Trieste, cidade portuária na costa da Itália, já no Adriático. 


O caminho mais óbvio e rápido é pela auto estrada, passando por Trento. Mas auto estrada nunca é bonita e interessante, e numa roadtrip, a idéia é que a estrada seja parte do destino rs. Então a gente pegou uma estrada pequenina, cruzando os alpes pelas Dolomitas, depois a região de Trentino, descendo até o Veneto e só pegando a auto estrada umas 3 horas depois. Esse caminho adicionou pelo menos 1h a mais de viagem, mas as paisagens não tem preço. Falei do nosso rolê pelas Dolomitas ano passado aqui, e como essa área tem vários vales incríveis, que dão vista para diversas montanhas, tudo muito absurdo. Paramos no Lago di Carezza, que é bem na beira da estrada e lindíssimo, e está registrado nas fotos abaixo. Sério, ao longo do caminho era UAU atrás de UAU. A região de Trentino tem gostinho especial, afinal de contas, eu sou Trentino rs. É meu nome, embora a família seja mesmo da região de Mantova, um pouco mais embaixo. Depois de algumas horas de montanha acima e montanha abaixo, pegamos a auto estrada e, uns 100km depois, chegamos em Trieste. 




Eu não esperava nada de Trieste também rs.. acho que por quase nunca ter ouvido falar, achei que não fosse ser bonita ou interessante. E surprise, surprise.. é bonita AND interessante. Também fez parte do império austro-húngaro, teve setores que eram parte da antiga Iuguslávia, e por anos no pós guerra foi território independente, sendo administrada pelos americanos e britanicos. Está somente a 8km da Eslovenia, e tudo na cidade é escrito em italiano e esloveno. Foi uma parte bem importante do governo austro-hungaro, então é cheia de construções imponentes e belíssimas, e mais: tem ruínas romanas, um anfiteatro super bem preservado. E fica ao mar. Depois de dar uma boa passeada pela cidade, paramos pra jantar na praça principal de Trieste, onde fica o palácio do governo, a antiga bolsa, entre outros belos prédios. E seguimos então pra um gelato, que foi um dos melhores da viagem. E de lá pegamos nosso carro pra nossa última hora de viagem. 






Cruzamos a pequena costa Eslovenia, e entramos na Croácia já no escuro. Num posto de gasolina ainda na Itália nos compramos a vignete da Eslovenia, que é um ticket que todo mundo tem que ter para dirigir no país (e substitui o pedágio - aqui na Suíça também funciona assim, e em alguns outros países também). Foi 15 euros para uma semana, mas tem a opção de um dia, duas semanas, um mês, etc. Outra coisa é que na Eslovenia e na Croácia é obrigatório ter um kit de primeiros socorros e uma lanterna no carro. Aquela coisa idiota que teve no Brasil uns anos atrás, que é fruto de puro lobby pra forçar pessoas a comprar coisa desnecessária. Em todo caso, por 20 euros, comprei. Acabamos não sendo parados em nenhuma dessas fronteiras (e em nenhum momento da viagem), mas estávamos seguindo todas as leis. 


Chegamos em Rovinj quase 10 e meia da noite, e depois de seguir as instruções, estacionamos nosso carro num convento com o qual o nosso B&B tinha convenio, e seguimos a pé para a cidade antiga, onde ficava nosso apartamento. A gente estava com mala, cachorro, sacola, e a caminhada era de uns 15 minutos. Vou falar de Rovinj na parte dois desse post, mas já adianto que o centro antigo é um labirinto de ruazinhas, e a gente se perdeu um monte rs. Chegamos no apartamento cansados e mal humorados, mais de 11 da noite e prontos pra dormir. Só dois dias de féria e fizemos e vimos tanto! 

7/12: Julho


Escrever esse post significa que dobramos a reta final do verão aqui. Estou chegando naquele ponto em que eu vou ficando desesperada porque a minha época do ano vai acabar, e eu vou encarar longos meses pela frente rs. E julho foi um mês maravilhoso porque o verão da Suíça mais uma vez entregou tudo e mais um pouco. Mas comecemos do começo. 

Começamos julho na California, ainda nas nossas férias em família. Eu comentei aqui que a primeira semana das minhas férias, em junho, foram focadas em me recuperar e tirar o atraso do mestrado. Mas exatamente no dia 1 de julho pela manhã eu submeti meu paper, e pude ir curtir a minha segunda semana de férias com sossego. Fomos ao LACMA, o museu de artes de Los Angeles, que estava no meu radar há muitos anos. Fomos também mostrar Hollywood pra Baby (ele achou um mico, e é mesmo rs..), comemos hot dog, fomos pra San Diego, andamos em muitas montanhas russas, fomos encontrar amigos, fazer compras, pular na piscina, comer tacos, tacos, tacos, beber micheladas, micheladas, micheladas. Essa é nossa vida na California, e eu adoro! A segunda semana de férias foi um pouco mais agitada, mas ainda assim, voltei de lá completamente relaxada, bronzeada e feliz. Sensação de férias daquelas que a gente descansa. 

Fazendo uma trilha

Passeando pela Old Town de San Diego

As focas de La Jolla Cove

Quatro de julho


Depois de 12h de voo, cheguei em Zurich num sábado a tarde, enquanto acontecia a ZuriFascht, a maior festa da Suíça. Essa festa acontece só de 3 em 3 anos, e estava atrasada por conta da pandemia. Basicamente todo o centro da cidade, da estação central até o lago, e de Tiefenbrunnen at Mytenquai (ou seja, de uma ponta do lago à outra), fica tomado de palcos com música, brinquedos, barracas de comida. Tem shows, fogos de artifício, e um tanto de gente que eu nunca tinha visto nesse país. Eu fui sábado a noite encontrar amigas, numa tentativa de ficar acordada e lutar contra o jetlag. Foi muito legal, e fiquei feliz de ter conseguido viver essa experiência. É muvucado, é barulhento, é uma coisa meio carnavalesca, inclusive com a galer ficando doida (pero no much como na Streetparade, que ta chegando). Indo com isso em mente, da pra curtir. No domingo Mati chegou ao fim do dia, fui buscar ele no aeroporto e de lá fomos pegar Carlito na creche. Família reunida em casa, coração cheio, fim de férias - por ora. 

A volta ao trabalho foi tranquila. Verão por aqui é tudo mais parado, muita gente fora, tudo anda devagar, e eu tive bastante tempo pra botar emails em dia, resolver pendências e entrar no ritmo. E com as temperaturas pegando fogo, também teve rio e lago praticamente todo dia depois do trabalho. Eu absolutamente amo essa vida de praia que eu tenho num país sem mar rs. Aqui no bairro, por estarmos bem perto do rio, não é incomum ver gente molhada com a marca do biquini, enrolada na toalha... Chegando perto do rio a maioria das pessoas está mesmo em roupa de banho, carregando bóias, é uma delícia. Eu aproveito pra dar um mergulho todos os dias, mesmo que seja rápido. As vezes só vou, tomo um sol até esquentar, pulo na água, saio, deixo o sol secar, e venho embora. Isso já me deixa num outro humor. 
Festa de verão do trabalho 

Mais trilha

Verão do bairro

E mais verão do bairro <3 

Passamos três semanas em Zurich, nessa vida de trabalho e praia, e curtindo os fins de semana. Teve uma festa muito divertida no trabalho, teve drinks com amigos, teve hike, teve organização da casa, teve jantares delícia, pedaladas pelo lago... enfim, vida normal e feliz do verão. Mas teve um negocinho aqui que eu queria falar.

Logo depois das férias, eu fiz um detox. Não é a primeira vez, quase todas as férias eu arrumo um detox depois, simplesmente porque eu e férias e viagem é sinônimo de excesso rs.. excesso de comida, de vinho, de doce, de ultra processado, e eu uso o detox como uma forma de me recolocar numa rotina mais regrada. Eu infelizmente sou a pessoa 8 ou 80 quando o assunto é corpo e mente rs. Ou to fazendo tudo direito, ou to escangalhando geral. E quando eu to no modo vidaloca é difícil demais pra voltar, então eu uso uns programas mais organizados como forma de ir voltando pro 8 rs. Optei, pela primeira vez, por um esquema um pouco mais restrito, um fast mimicking, porque queria entender como meu corpo responderia. O programa que fiz é bem prático, porque recebi as comidas dos 5 dias todas prontas em casa. É só mesmo seguir a risca as orientacoes e voilà. Pra minha surpresa, meu corpo respodeu super bem. Não passei fome (mas passei vontade de comer rs), me senti disposta, meu corpo funcionou super bem, e eu senti um reset. E como sempre, sai mais regrada dessa experiência. Comendo melhor, percebendo que eu exagero demais nas quantidades, que eu tenho um medo irracional de passar fome rs (esse daí eu até levei pra terapia), e mais focada nas minhas escolhas e exercícios. Inesperadamente, esses 5 dias de pseudo jejum me trouxeram muitas reflexões. E por fim, um ps. Não me pesei antes nem depois. Meu objetivo não era perder peso, e quando busco isso, procuro outro tipo de programa. Qualquer dieta super restritiva não é sustentável, e você recupera peso assim que volta a comer normal. Só quis comentar mesmo porque girou uma chave aqui dentro e eu quero registrar. 

Outra coisa: eu já comentei do mestrado, né... e entre junho e julho tive meu primeiro módulo, sobre Strategic HR Management. Em junho eu já comentei que fiquei atrasada, desmotivada, que sofri etc. Enfim, julho foi o mês de correr atrás. Entre trabalho e mergulhos, eu tive que encaixar bastante coisa. Ainda assim, minha participação foi aquém do que eu gostaria, e quero definitivamente ser uma aluna melhor no próximo módulo rs, que começou essa semana. 

E pra fechar, meu balanço mensal:

- fazer um programa cultural por mês: começamos o mês numa vista ao LACMA, o Museu de Artes do Condado de Los Angeles. Eu tinha muita vontade de conhecer, e superou as expectativas. A coleção do museu é muito impressionante.. cheia de grandes nomes, como Mondrian, Frida Kahlo, Diego Rivera, Picasso, Giacometti, etc. Passamos quase 2h lá dentro, e poderia facilmente ter dobrado esse tempo se não fosse por um pré adolescente já morrendo de tédio rs. 


- priorizar exercício físico: meta super alcançada. Durante as férias eu tava de férias rs... mas ainda assim andamos bastante, fizemos um hike, e fui bem ativa. Mas de volta à rotina, eu realmente priorizei os exercícios e fiz ao menos 3 vezes por semana, fiz musculação, aerobico, fui na academia mesmo. Fiquei bem orgulhosa <3 

- conhecer lugares novos pela Europa: mais uma meta alcançada com succeso rs. Terminamos julho numa roadtrip da Suíça para a Croácia, e eu quero fazer um post dedicado porque essa viagem foi muito legal. Em todo caso, se a maior parte da viagem foi em agosto, já posso dizer que passamos por lugares novos na Itália e chegamos em Rovinj, no norte da Croácia, no dia 30 de julho. Ou seja, bingo! 



Junho: 6/12

Junho foi um mês muito difícil por aqui. Em algum momento eu tive certeza que nem voltaria pra falar sobre porque queria mesmo era esquecer dessa época. Mas depois de dias de férias, família e sossego, estou aqui de energias renovadas. 

O mês passou num blur, enquanto eu lidava com questões de saúde física e psicológica. Tive que fazer uma pequena cirurgia, e em determinado momento achei que meus planos e minhas férias iam por água abaixo. Meu mestrado começou, e me faltava saúde e animo pra assistir aula, interagir com a classe. Tudo indo completamente contra o planejado e o desejado. E eu ali, completamente derrotada e tentando não sucumbir demais. Mas no dia 23 a minha médica me liberou, e eu consegui no dia 24 entrar num trem pra Frankfurt e ir no melhor show que eu já fui. Finalmente meu encontro com a Beyonce aconteceu, e foi tão apoteótico como eu sempre imaginei. A Bey veio me salvar rs... é cafona, é exagerado e é bobo, mas a real é que naquelas horas entre ir pro show, esperar por ele, curtir cada música e sair dali num extase profundo, eu sorri muito, eu cantei, eu dei pulinhos e bati palma, me senti muito feliz, e eu lembrei que a minha vida é no geral muito boa.

Alias, deixa eu abrir um parenteses importante aqui. Uma das grandes dificuldades de morar fora é começar tudo do zero, inclusive amizades. Quanto mais velho a gente fica, mais difícil é fazer amigos, por N motivos, que nem vou entrar em detalhe aqui porque não é novidade. Fazer, cultivar e aprofundar amizades nessa fase da vida é um investimento de tempo, de energia, de disposição. Porque amizade mesmo começa com o tempo, conforme você vai dividindo momentos, experiências, conforme você vai conseguindo sair dos papos superficiais e aprofundar as conversas. E ta todo mundo ocupado, todo mundo tem família, tem trabalho, tem rotina, nem sempre é natural e flui. Mas topar sair, topar encontrar, topar se colocar out there, é um esforço que vale a pena. Sei que eu sou bem social e tendo a ter mais amigos, ser mais agregadora, juntar turmas, e nem todo mundo é assim. Mas ainda que seja alguns poucos e bons, vá atrás de encontrar os seus, de estabelecer e fortalecer conexões. Porque você está longe da família, de todo mundo, e na hora que a porca torce o rabo, é importante ter gente que vai segurar a sua mão. As vezes metafórica, as vezes literalmente mesmo. Eu tenho uma rede aqui, e foram fundamentais nesses dias difíceis. A amiga que me chamou pra almoçar despretenciosamente, e acabou num taxi pro hospital segurando a minha mão medrosa, que ficou lá até marido chegar, mesmo tendo pavor te agulha e quase desmaiando, amigos que me ajudaram de várias formas. A minha família, as minhas amigas da vida também se fizeram muito presente. Mas ainda assim é muito importante ter gente perto que te mostra que vocês não estão sozinhos quando tudo fica difícil. E depois de tudo de ruim que passei nesses dias, eu tive esse grande consolo. Eu me senti amada e amparada pelos meus. 

No dia seguinte ao show da Bey, eu embarquei pra California, rumo a duas semanas de férias com meu Baby e com a família. Veja que rolou um planejamento forte rs.. eu comprei até minha passagem pras férias conectada com o show. Foram quase duas semanas que terminaram de me recuperar. Muito tempo de qualidade com Baby, que aos quase ONZE anos é um pré adolescente. Ele é um menino muito legal, muito carinhoso, esperto e engraçado, e estar junto dele me faz sentir muita saudade da nossa vida no Brasil, mas também é muito legal ver ele crescer e se desenvolver. 

Na primeira semana das férias, que ainda era junho, eu ainda estava na marcha lenta, terminando de me recuperar da cirurgia, e correndo atrás do atraso nas atividades acadêmicas. Acabamos ficando bastante em casa, curtindo a piscina. No dia que a família toda foi pra Disney, eu fiquei pra trás porque ainda não estava em condições de passar um dia inteirinho andando, e aproveitei pra terminar minhas entregas do mestrado. Na nossa segunda semana de férias lá fizemos mais coisas, mas aí já era julho e eu vou contar só mês que vem haha. 

Deixo aqui umas imagens do mês, quando o verão finalmente chegou com força. 








E vamos às metas: 
- Priorizar exercício físico: ZERO. Passei o mês praticamente inteiro de repouso. 

- Fazer um programa cultural por mês: meta cumprida. Em junho rola o Art Weekend em Zurich. É um evento para promover as galerias da cidade, e então muitas delas ficam abertas ao público, inclusive com horário extendido, por um fim de semana inteiro. Alguns museus também entram na parada. Nós visitamos várias galerias entre o sábado e domingo, aproveitamos pra ver alguns grandes nomes que estão a venda pela cidade, e eu curti bastante porque nada é muito cheio, já que o evento é super espalhado. Deixo aqui duas imagens dessas visitas. Show também entra nessa categoria, e eu fui, né rs... 



- Fazer um curso na minha área profissional: com o mestrado em curso, vou deixar de reportar progresso nessa rs, e volto aqui só quando acabar.  

- Conhecer lugares novos pela Europa: essa meta tem bastante a ver com uma particularidade minha: eu gosto muito de voltar a lugares conhecidos rs, e isso somado à pandemia nos fez passar muito tempo na Suíça e arredores. Então o foco aqui é diversidade dentro dos países que já conhecemos e também em conhecer países novos. Em junho acabei conhecendo Frankfurt, que apesar de ser "arredores", foi novidade pra mim pois só tinha passado pelo aeroporto. A real é que não achei a cidade super interessante. Tem ali um centrinho antigo, uma beira do rio bem arborizada e tal, mas não vi muito charme e não fiquei doida pra voltar com calma não. 

E é isso... dado o avançado do mês, jajá eu volto com Julho rs. 

Maio: 5/12

Olha só que dessa vez eu até apareci entre um mês e outro rs... E inclusive, acabei refletindo que a minha preguiça de escrever, postar e dar atenção pra esse blog tem a ver, entre outras coisas, com o fato de que a vida aqui engrenou numa vibe muito normal - não tem novidades. Porque assim que teve uma, deu vontade de vir aqui contar rs. Mas enfim, é isso aí. As vezes não acredito que já vai fazer 7 anos que moramos na Suíça, que estamos tão adaptados à vida na Europa, que temos um cachorro, que eu trabalho numa das grandes empresas suíças, que já é quase o emprego mais longo que já tive na vida, que eu esquio, que eu faço hikes entre lagos e montanhas alpinas e que... EU ACHO ISSO TUDO NORMAL! Haha.. que viagem... 


Mas vamos pra Maio, um dos melhores meses do ano por motivos de: muitos feriados e começo de primavera. Já começamos o mês no 1o de maio, né. E uma curiosidade: 1o de maio não é um feriado nacional na Suíça. Alguns cantões tem o feriado, outros não. E o digníssimo trabalha num cantão vizinho a Zurich, e não tem. E eu paro onde larguei: Barcelona. O boy voltou pra casa mais cedo da viagem, e eu fiquei com as amigas pra mais um dia de rolê. Comecei o mês nessa cidade que eu já achava que gostava muito, mas que nessa viagem confirmei que gosto mesmo. Um lugar inclusive onde gostaria de me aposentar hahaha. Fizemos um rolê muito legal no Recinto Modernista de Sant Pau, um antigo hospital, projetado por um arquiteto modernista, e que tem toda uma pegada colorida, arborizado, um hospital dos sonhos, mas de um tempo que não existe mais.. e a estética parece de um filme do Wes Anderson haha. Também sentamos em muitos rooftops, bebemos cava, comemos jamon, e vivemos muitos dias em um só.






De volta pra Zurich, e tivemos duas semanas de "calmaria". Nesse tempo, tive a finalização do processo do mestrado, teve um show lindo do Emicida em Zurich - das coisas mais gostosas que tem, é ver nossos artistas por aqui, sempre com gostinho de casa, teve encontro com amigas, fiz uma feijoada delícia aqui em casa, numa festa que durou 12 horas rs, e depois teve um feriadão de 4 dias em Milão. 


Um sábado de hike e uma floresta cheia de alho selvagem <3 

Emicida

Milão é muito perto de Zurich - 3 horas de trem, vários trens direto por dia, é muito fácil. A gente já parou por lá algumas vezes a caminho de um lugar ou outro, e também passamos alguns dias em 2019, também num desses feriados de maio. Mas foi muito gostoso voltar, com Carlito, e passsear pela cidade, sentar em ótimos bares e restaurantes, me jogar com força nas pasticcerias, e descansar. A pena foi que choveu, MUITO, em dois dos nossos dias por lá. Chegamos na quinta na hora do almoço, mas sexta e sábado foram de pura chuva. Domingo o sol deu as caras, mas as 3 da tarde entramos no trem de volta. Em todo caso, eu sei que voltaremos, porque Itália é Itália, e mesmo debaixo de chuva, é sempre maravilhosa. 







E depois de voltar de Milão, e uma semana intensa de trabalho, sexta a tarde já me enfiei num avião rumo a Malaga, na Espanha. Meu irmão está fazendo uma roadtrip com a família pela Andaluzia, e eu consegui encontrá-los lá. Mas eles só chegavam sábado de manhã, então eu tive 24h todinhas pra mim, e foi uma delícia. Tomei sol, tomei café, jantei sozinha num restaurante maravilhoso, apreciei a vista, terminei de ler um livro lindo, e pensei muito na vida, nos últimos meses, em algumas dores... foi puro tempo de qualidade comigo mesma. E depois tive 48h de pura alegria com meu irmão, minha cunhada e minha sobrinha linda! A pimpolha ta pura graça, é cheia de carisma, de energia, dois anos de puro fogo no rabo. Foi muito gostoso! E Málaga é um lugar muito bacana. A cidade tem praia, mas uma praia bem meia boca, rs.. a graça mesmo está numa cidade antiga, cheia de ruínas do tempo da invasão moura, com ruínhas labirítincas, restaurantes deliciosos, uma vibe muito diferente da Europa do Norte. Amei, e quero voltar, pra também conhecer as vilas no entorno, que tem praias mais belas. 

Pelos labirintos de Málaga


A praia de La Malagueta

Pestinha mais linda


Bumbum de pestinha e o Pompidou de Málaga

E entre tanta viagem e passeio, maio acabou. Mas ficam aqui os balanços das metas do ano: 

- Priorizar o exercício físico na minha rotina: esse mês foi de constância nos exercícios, mas priorizando os mais leves. Consegui atingir minha meta e me movimentei ao menos 3x por semana. A Bárbara fez um desafio no Strava, de 40 min de exercício por dia, ou 20h no mês. Eu não alcancei as 20h, mas me sinto satisfeita. e vamos de desafio de novo em Junho.


- Fazer um programa cultural por mês: esse mês teve bastante coisa. Como disse, o show lindo do Emicida, mas também fui ao Museu Picasso em Málaga, ao Pompidou também lá, e recomendo demais. O Pompidou é um museu menor, e foi bom porque entramos lá na hora que começou a chuviscar e depois de uma hora, tínhamos visto a coleção permanente - bem legal, e que incluia inclusive um Miró lindo! Já o Museu Picasso é outra coisa. Ele nasceu em Málaga, e muitos dos seus trabalhos - menos famosos, devo dizer - estão nesse prédio. Nós só fizemos a coleção permanente, mas ainda assim, 1:30h de trabalhos incríveis, de Picasso. Eu absolutamente amei! 

Dentro do Pompidou

E uma das muitas belíssimas imagens de Picasso


- Fazer um curso na minha área profissional: maio foi o mês em que coloquei esse plano em ação. O mestrado está aí, virou realidade, e as aulas começam em junho. 


- Conhecer lugares novos pela Europa: mais uma meta cumprida em maio. Málaga foi um novo lugar, numa região da Espanha que não conhecia, e entregou exatamente o tipo de experiênca que eu tava procurando quando estabeleci essa meta: cultura, arquitetura, comida, coisas diferentes do que eu vejo aqui na Suíça e seus vizinhos. 

Loucuras que eu invento: fazer um Mestrado

 No começo do ano eu fiz aqui a seguinte resolução:

Fazer um curso na minha área profissional: não sei se saudade de estudar é a melhor forma de descrever o que sinto rs.. Mas me sinto uma esponja com tudo que é sobre recursos humanos, minha nova área de atuação. Ao longo de 2022 fiz muitos cursos rápidos, e achei tudo muito interessante. Então fica aí essa idéia de começar um curso mais intenso na área. 


No fim do ano passado eu já tinha começado a pesquisar cursos disponíveis aqui na Suíça, e depois de uma conversa com meu chefe, tinha pensado em expandir essa pesquisa pra mestrado, e também em outros países - simplesmente porque quase toda oferta na área de RH aqui na Suíça é em alemão ou francês, duas línguas que não domino a ponto de me meter num curso academico. Então naturalmente comecei a focar minha busca em programas oferecidos online, que me permitiriam continuar morando exatamente onde moro - quero estudar, não quero me mudar rs - e com o bônus de flexibilidade, poder ajustar meu calendário de estudos ao meu trabalho. 


Países de língua inglesa foram o caminho mais óbvio, mas também olhei programas na França, na Espanha etc. Acabei me interessando muito por 3 programas. Dois no UK, um nos EUA. O dos EUA acabou sendo descartador por motivos de: 60 mil dólares o programa, somados ao custo de viagens, pois embora online, teriam alguns poucos módulo no campus. A real é que nessas horas também a gente tem que ser bem honesta com a gente mesmo: qual é o meu objetivo? O que eu quero tirar desse curso? Pra quem tem um interesse de virar C-suite (CEO, CFO, CHRO, etc), um investimento desse tem seu valor. Eu hoje não vejo nenhum desses cargos no meu futuro, e meu objetivo é mesmo ganhar conhecimento teórico, expertise, e sim, ter um diploma na área e de uma universidade que esse mundo europeu valoriza mais (papo pra outro post, mas tem essa questão). 


Fiquei então com duas opções no UK: Universidade de Manchester, e Universidade de Liverpool. A princípio, olhando pra ranking de melhores universidades do UK, Manchester seria a melhor opção, pois melhor posicionada.  Mas mais uma vez fui olhar para o que realmente importa pra mim: conteúdo, currículo do curso. Olhando pra dentro do RH da empresa em que trabalho, do caráter global não só da organização em que estou, mas das organizações que me interessam, achei o currículo do programa oferecido lá muito centrado no UK. E aí Liverpool acabou saindo na frente na minha seleção: eles oferecem um Masters de International Human Resources - o foco é realmente em práticas globais, problemas complexos que as grandes organizações enfrentam nesse mundo onde tudo está mais fluído e muda cada vez mais rápido. Outro ponto a favor de Liverpool é que a grade deles é modular: fazendo alguns módulos pré determinados, você pode obter um certificado. Adicionando outros módulos, pode obter um diploma. E concluindo a tese, vem a gradução no mestrado. Eu não pretendo largar o osso rs... mass se quiser pode, e não saio de mão abanando. 


O processo foi relativamente simples. Depois de trocar alguns emails com a coordenação do curso sobre metodologia, avaliações, férias, pagamento, etc, optei por me candidatar. Precisei ir atrás dos meus diplomas, histórico da faculdade, fazer tradução juramentada de tudo, atualizar currículo, carta de intenção, e acho que foi isso. Também conversei bastante com o meu chefe, e minha empresa topou investir em mim e cobrir metade do custo :) Isso me deixou muito feliz por vários motivos, mas principalmente por eles reconhecerem meu potencial e apostarem nele. 


Quando enviei meu application, a única documentação que ficou faltando era um teste de inglês. Eu não tenho TOEFL, Cambridge, etc, e a universidade disponibiliza uma plataforma onde você pode fazer o teste, chama KITE. O nível necessário é C1 e se você não atingir esse nível, só pode refazer o exame em 6 meses. Depois de praticar algumas vezes por testes que achei online, fiz a prova. Durante o exame me deu vontade de chorar, porque é tipo o psicotécnico, que no meio você acha que é doida rs... mas deu certo, e meu resultado foi C2. Mais um motivo de alegria.. foi o primeiro certificado de inglês que eu fiz na vida rs. Com tudo pronto, algumas semanas depois eu recebi a oferta da vaga, e agora, sou oficialmente uma estudante de mestrado! 


Os próximos capítulos dessa história vai ser xingar muito no twitter, mas isso daí já é normal haha! 

04/12: Abril de 2023

Eu tentei escrever sobre abril algumas vezes.. não é que tenha sido particularmente especial, ou difícil, ou nada do tipo. Abril nessa casa é um mês de festa: começa com meu aniversário, termina com nosso aniversário de casamento. E entre uma coisa e outra, tivemos visita da família, tivemos um rolê pela Suíça com belos dias de primavera, teve o casamento de uma amiga querida numa viagem divertidíssima pra Barcelona, teve um monte de pequenas coisas, e teve eu, meus pensamentos, ansiedades e paranóias. 


E acho que por isso que abril ficou emperrado. Não gosto de vir aqui bater ponto sem colocar um pouquinho dos meus sentimentos. Mas por conta do que já comentei, minha escrita no blog ta travada. Uma amiga sugeriu fazer uma newsletter, mas a newsletter pra mim tem uma percepção de ser focada no outro, no leitor. Não me levem a mal, mas esse blog aqui é todinho pra mim, pra eu do futuro, que as vezes ta sem nada pra fazer, cata um mês aleatório, relê posts antigos, vê fotos, sorri, e até chora. Então para além de achar que ninguém se interessa por o que está aqui, eu não acho que a newsletter oferece a dinâmica que procuro. E enquanto não me acho com o blog, com as palavras, com o conforto de me enfiar inteira aqui, eu vou deixar umas imagens de abril... porque sim, abril existiu, foi vivido, foi sentido, e merece ser registrado. 









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