Povo estranho

Eu não fui a favor da candidatura do Brasil para receber a Copa, e nem das Olimpíadas. Fui bombardeada na época. Todo mundo sabe da minha vontade de morar fora do país, e tudo que eu ouvi foi "você é ridícula, só gosta de coisa de fora".
Eu sempre achei que uma Copa no Brasil seria linda, mas não agora. O Brasil tem um sem número de necessidades e, pra mim, qualquer retorno do oba oba em cima da economia brasileira deveria ser investido em necessidades básicas, principalmente em educação. O investimento massivo em tais setores nos levariam a estar em permanente estado de "oba oba", com a proliferação de bons profissionais, profissionalização do mercado, etc. Também observei que, com exceção da África do Sul, todos os países que recebiam a Copa estavam muito além de nós nesses quesitos: Alemanha, Japão, Itália, EUA, Coreia do Sul. No fim, o Brasil investiria muuuuito, prioritariamente, em coisas que estão longe de ser prioridade.
Fato é que o Brasil foi eleito pros dois maiores eventos esportivos do mundo, todo mundo comemorou muito, eu continuei lá, sendo tachada de ridícula. Até que veio Junho de 2013.
Aí todo mundo resolveu ser contra a Copa. Mas né...povo estranho. Nessas alturas, eu já era a favor.
Não que eu tenha mudado de opinião, não que eu ache virou um bom negócio, ou tenha me rendido aos encantos da Fernanda Lima, Ronaldo e cia. Mas é que a Copa virou realidade. O dinheiro já foi gasto, o Brasil já estava na mira do mundo, e aí, o melhor pra nós é que essa Copa fosse a melhor de todas. E o povo resolveu boicotar... lógica pra que, né?
Agora eu quero que os gringos venham, que se sintam seguros em vir, confortáveis em deixar seus muitos dólares, euros e afins. Que gostem tanto, que voltem depois, e depois e depois de novo. Que a imprensa internacional veja nossas necessidades, mas também as nossas qualidades. Enfim... que essa Copa, que nos foi tão custosa, nos beneficie.
Mas não... O povo ta aí, bagunçando os acessos aos estádios, torcendo pra tudo dar errado, amando odiar a Copa. Vai entender... 

Conta Gotas

* Conheci mais um país. Fui rapidinho ao México a trabalho, e fiquei muito surpreendida. Os mexicanos são uns doces - pessoas de riso fácil, que te recebem bem e fazem você estar falando bobagem depois de 5 minutos. A comida é uma delícia (e não, nunca fui fã de restaurante mexicano aqui no Brasil, e muito menos gosto de pimenta) e farta. Cidade do México é uma São Paulo mais charmosa, com muitos restaurantes gostosos, avenidas largas e arborizadas, prédios baixos, pichações, fiquei mega interessada em voltar. Ah! Lá também me deparei com o meu primeiro terremoto, um belo 6.9 na escala Richter. Uma curta porém intensa experiência.
 
* Tirei férias. Pois é, depois de 2 anos e alguns meses, eu finalmente reencontrei o caminho das férias. Foram 2 dias voando e 15 dias inteirinhos em New York. Gostei muito do que encontrei, mas não sei se entendi bem porque tantos brasileiros gostam de passar todas as férias lá... alias, até entendi, mas estou longe de concordar. Por outro lado, é uma cidade na qual eu moraria: é agitada, o ritmo é frenético, tem mil possibilidades, bebe-se bem, come-se melhor ainda, tem muita programação cultural, e o Lower East Side.. que charme! Você encontra todo tipo de gente, dos mais variados estilos, sentar num banco e ficar observando pessoas (um dos meus programas favoritos) é garantia de diversão. Ainda tem a vantagem de que, tirando um ponto ou outro, os turistas se misturam, e não se sobrepõem aos locais. Então, você sabe que ta cheio de turista por perto, mas escuta inglês, vê o povo que mora lá. Foram dias muito bons de muita caminhada, sol, reencontros, risadas, compras, bons drinks e uma nova tatuagem. Também foram muitos ratos pela rua, metro sujo, contas caras, garçons e taxistas de cara amarrada. Definitivamente é um lugar onde eu moraria, mas para visitar, ta visitada. Só volto em alguma ocasião especial.

* A Copa ta chegando, e com ela o caos está instalado: semana passada, eu não estava aqui, mas ficou público que o trânsito de São Paulo parou e as pessoas quase dormiram na rua. Agora estão tentando arrumar as vias que não arrumaram nos últimos 3 anos, e tá difícil andar pela cidade. Paulista, Rebouças e várias das vias importantes da cidade estão sendo recapeadas - ao mesmo tempo. Você não consegue entrar no carro pra uma viagem de menos de meia hora. Qualquer ida na esquina toma pelo menos isso. Com isso, o bom humor que eu regatei com 2 semanas de férias foram embora com 2 dias de ida e volta à Alphaville. Não tem como ser feliz assim, levando 1 hora pra ir trabalhar, e levando outras 2 pra voltar.

* Estou apaixonada. E sobre isso não falo mais, porque acho que ainda não consigo.
 

Movimenta, meu bem, movimenta

São tempos bem movimentados. Mudei de emprego, estou organizando férias (pois é, haha..mudei de emprego, mas consegui manter as férias que falei aqui), reforma em casa, uma vida quase nova.
Emprego novo é uma coisa. Se ambientar ao lugar, às pessoas, ao ritmo, aos novos assuntos. Chegar numa empresa nova é como chegar no primeiro dia de aula do colégio. O desafio é ótimo, e eu estou muito animada. Mas é tanta informação, tanta coisa pra ler, um negócio novo pra entender, que o cansaço mental derruba. Eu ando meio slow por conta disso. Por outro lado, da um ânimo absurdo ver que tem empresas preocupadas com o bem estar do funcionário, em criar um bom ambiente. Pra mim, é como se fosse um "admirável mundo novo", onde apesar de toda a pressão, a pessoa jurídica enxerga a pessoa física.
Já a casa foi engraçado... faz meses que a Susan Miller bota no meu horóscopo que a atenção de áries estaria voltada para o lar, para a reorganização, decoração e energias que lá circulam. Eu, tem hora que dou bola pra essas coisas, tem hora que não. Mas esse final de semana o bicho da mudança me mordeu com força. Com a ajuda do irmão e da amiga, colocamos quilos de lixo pra fora, jogamos fora muito papel e bagulho que tinha em casa, trocamos o sofá, a mesa, limpamos o quartinho do fundo (quem não tem um quartinho no fundo atolado de inutilidades que atire a primeira pedra), sapatos, bolsas, até uma seca roupas estragada. Foi ótimo ver o espaço se abrindo. Ontem foi dia de comprar tinta, lona, e essa semana a baderna da pintura vai começar. Depois, tem mais pela frente. Serão um ou dois meses de bagunça em casa, mas que vão se pagar. Quando estiver tudo pronto, e lindo, vai ter valido muito a pena.
E FÉRIAS, elas, que eu tanto espero faz mais de dois anos. Estão ali, dobrando a esquina, 12 dias de distância. Nem consigo acreditar. Mas o mais engraçado... a pessoa passa anos esperando, compra a passagem com meses de antecedência, e chega em cima da hora o que ela fez? NADA. Pois é... me falta fazer só tudo: comprar dinheiro, dar uma lida em programas off tourist, organizar documentos necessários, etc etc... tudo por fazer, e assim continuará até um dia antes, quando eu vou sair tacando tudo dentro da mala, e trocando dinheiro no aeroporto com lágrimas nos olhos pelo câmbio zoado.. paciência..

Vida que vai se desenrolando da melhor forma possível... talvez tenha sido tudo isso que eu pedi pulando as minhas ondas de ano novo.

Mais um dia

Aqui quem vos fala é uma gastadora. Sim, eu confesso, sou uma bela duma gastona.
Mas estou vindo aqui assumir, publicamente (embora esse blog não seja divulgado, ninguém conheça, e ninguém leia - eu entendo como compromisso público, haha), o compromisso de melhorar esse aspecto da minha vida.
Já fui pior, já tive mês de gastar o que não tinha, mas essa fase já passou. Hoje trabalho com o possível, mas confesso que tenho preguicinha de pensar no futuro e fazer economias pensando em comprar carro, apartamento, etc. Acho que isso me remete à vida adulta, e né, embora esteja bem perto dos 30, ainda não me considero uma - síndrome de Peter Pan é foda.
De qualquer forma, comecei a pensar que preciso ter meus fundinhos para, pelo menos, poder mandar chefe escroto pro inferno, caso um desses me apareça pelo caminho novamente.
E é isso - a partir de agora, teremos Gabi poupadora. Dentro de alguns meses, volto pra contar como está esse projeto.

Its like coming of age...

Dizem que que de 7 em 7 anos algum planeta ai completa uma volta em torno do sol, ou dele mesmo, não sei, mas que isso influencia diretamente na nossa vida, nas mudanças que sentimos, nos questionamentos, e que os 7, 14, 21, 28 e por aí em diante, costumam ser anos difíceis. 
Eu acabei de virar os 28, e o que posso dizer, é que não podia estar mais feliz. As mudanças estão chegando, e eu estou lidando muito bem - como eu disse aqui, eu me preparei pra elas. 
A vida não está maravilhosa. Eu perdi o meu avô, eu tive que abrir mão de um trabalho que quis tanto por motivos injustos, etc... Mas estou me sentindo otimista. 
Consigo enxergar que meu avô foi pro céu que ele rezou a vida inteira pra merecer, arrumei outro emprego melhor, tenho força pra obedecer minhas vontades. 
Na semana do meu aniversário, passei 3 dias descansando, olhando o mar, e de certa forma, sentindo um orgulho imenso de ser quem sou. Óbvio, tem muito o que melhorar, sempre. 
Mas me senti feliz por ter corrido atrás do meu futuro ao invés de ficar reclamando diante da insatisfação, por ter entendido que ficar frustrada é normal, viver em estado permanente de frustração, não. Me diverti sozinha, mergulhei, engoli cada caloria com a maior satisfação, sem pensar muito, encontrei pessoas divertidas, estabeleci novas amizades, ouvi música, e agradeci, agradeci muito. 
Foi tudo delicioso, e eu só consigo olhar o futuro com muita empolgação - embora o inverno esteja chegando, e todo mundo sabe o quanto eu odeio inverno. Eu estou pronta. 


Meu Xanduisci

Já fez um mês, e volta e meia me pego pensando que o mundo seria muito melhor se tivessem mais Zé Trentinos por aí. Meu vô sempre foi a pessoa mais doce e mais tranquila do mundo. Era tudo na calma, observando, pensando tanto pra falar que dava tempo de esquecer. Foi o avô mais companheiro, que me levava pra "surfar", que levava a gente pro fundo no mar, que tentava ensinar a pescar, e que quando o circo pegava fogo na briga da primaiada, só fazia dar risada. Tinha devoção pela minha avó, e não saiu um minuto do lado dela em momento nenhum. Me fez acreditar que amor pode ser pra sempre, e que você pode ser muito apaixonado aos 88 anos de idade. Meu vô também me mostrou que o importante é ter flores no jardim, gostar da sua casa, ter um lugar pra pendurar uma rede e tomar a fresca na calçada quando o sol baixar. O meu vô falava que queria comer xanduisci. E eu ria toda vez... durante quase 28 anos. Ele era meu herói. Porque era de verdade, de carne, osso e barriga. E eu vou sentir saudade das nossas férias todos os dias, porque o mundo poderia ter muito mais Zecas, mas já não tem mais nenhum. 


Aproveite o Reino dos Céus, Vô, porque se tem um anjo que merece muito estar aí, é você.

Do Futuro

Ando meio brigada com o cinema. Nem sei porquê, mas ando fugindo de ficar umas horinhas na sala fechada. Enfim.. deve ter a ver com o momento mimimizento que eu to vivendo, e eu não quero parar um minuto, porque se parar, eu penso na vida. E a vida ta meio bosta. Enfim. 
E aí que eu tenho visto eventos pré Oscar, Globo de Ouro, teasers e o escambau a quatro, e até agora, nada me fez querer sossegar o faixo e ir lá, no bendito do cinema. Rola até aquela vergonhazinha quando as pessoas falam "ai, ta cheio de filme maravilhoso no cinema", ou "meniiina, veja tal filme, incrível", e eu só pensando em que horas vai passar o próximo bloquinho de carnaval, que horas posso ir comprar ovo de páscoa ou correntes de neve pra pregar no meu carro que jamais sairá do Brasil. 
Masssss.. pra tudo tem uma exceção. E ai meu bem... colocaram Wagner Moura, Berlim e David Bowie num clipe. E pronto! Quero por tudo assistir essa belezura. Chega dia 1o de maio.


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