Change ahead

Mudanças são sempre benvindas, mas dão um trabalho do cão. Seja mudança na vida, na casa, no coração, de trabalho, de cabelo, de cidade... Dá trabalho. Mas vamos combinar que depois de uma mudança, a gente fica mais leve, né?

Há alguns anos, mais precisamente em 2011, eu explodi. Explodi por conta disso aqui. Não foi uma super mudança porque, felizmente, sou cercada de pessoas incríveis, e to falando de um ou outro parasita. Ainda assim, à época foi um inferno, mas eu saí de tudo tão melhor... Me sentindo mais sossegada, e cercada pelos poucos e bons. 

Ano retrasado eu mudei de cabelo. Fui lá no salão fazer a unha, fiz a louca, mandei passar a tesoura, saí direto pra um casamento e mal fui reconhecida por pessoas com quem trabalhei por 5 anos. Achei maravilhoso. Me senti mais bonita, me senti diferente, me senti cuidada, me senti rock´n roll, e puta merda... foram só uns bons dedos de cabelo. 

Ano passado eu fiz uma reforma no meu quarto. Enchi uma mala de roupa que pesava mais de 40kg. Parte foi pras amigas, parte pro Exército da Salvação. Outros sacos imensos com mais de 20 pares de sapato, bolsas que nunca usei, e tantas outras coisas, também foram. Fiquei passada com o espaço que encontrei lá dentro do meu quartinho mequetrefe 3x2. Deixei ele bem lindo, com a minha cara, virou meu canto favorito da casa. 

Mas e agora? Mudar é preciso, e eu quero mais. Em breve, vemos mudança por aqui. E por aí?


Sobre as voltas da vida

Hoje um amigo que está pensando em ir passar um tempo fora me ligou pedindo dicas. Eu disse pra ele que já não sabia mais muito sobre "intercambios", que jajá vai fazer 8 anos que eu voltei. E então ele soltou a frase: "você chegou mas nunca voltou, né?"

E sim, é verdade... eu cheguei, mas nunca voltei. A pessoa que foi praquela viagem nunca mais voltou, porque ela nem existe mais. E essa é a beleza de fazer um intercâmbio, de ir morar fora, de ir embora: se abrir pra um novo mundo, pra novos pensamentos, pra uma nova vida. Quando você está lá, sozinho, longe das coisas e das pessoas que você conhece, é que você descobre quem você realmente é, do que você realmente gosta, a força que você tem e como você é longe da influência de outras pessoas, como pai, mãe, grupo de amigos, etc. Quando você percebe, já está ouvindo outras músicas, vestindo outros estilos, fazendo novos planos, convivendo - e adorando - com pessoas com outra visão de mundo.

Quando eu olho pra trás e vejo tudo que eu aprontei naquele Wisconsin, eu sinto um orgulho imenso da minha pessoa (e várias vergonhas também, rs). Eu cheguei lá crente que falava muito inglês... Precisei nem de 5 minutos em solo americano (ainda no primeiro aeroporto) pra descobrir que eu falava muito menos do que achava e pior: não entendia absolutamente nada.

Eu tive que mudar de "casa" 6 veses, eu passei uma semana com minhas roupas no porta mala de um carro - alias, eu tive que ensinar o conceito de parcelamento pra um gringo, pra poder adquirir meu carro, hahaha -, eu me dei muito bem com a neve e tomei 9 tombos em 4 meses de inverno (o primeiro 12 horas depois de por o pé no Wisconsin), eu me apaixonei por um cara e quebrei a cara, eu me apaixonei perdidamente por outro e fui muito feliz, eu briguei com uma polaca que queria me roubar, eu chorei de medo um psicopata bêbado batendo na janela do meu quarto de madrugada e falando obcenidades, eu virei salva vidas de parque aquático, eu vi uma colega deixar uma criança morrer afogada, eu fiz amigos e vi eles irem embora, eu fiz novos amigos e então fui embora. 

Eu acredito que não teria feito metade disso aqui no Brasil. Na segunda mudança de casa, inclusive, teria ligado aos prantos pra minha mãe, teria pedido colo e teria me sentido amada. Mas lá eu não tinha essa opção, então respirei fundo e enfiei, seis vezes, minha viola no saco. E eu me senti forte feito um touro por isso. 

É maravilhoso aprender a se comunicar, se virar, se defender numa nova língua. É maravilhoso entender como a vida anda em outro hemisfério, como os hábitos mudam, como é incrível ter sol depois das 9 horas da noite, como a escuridão do inverno deprime, como a neve é fofa na primeira hora, e mortalmente escorregadia a partir da segunda. É bizarro ver como sabem pouco sobre o Brasil fora daqui, como pensam que podemos ser subestimados por sermos imigrantes.

Mas intercambio é maior do que isso. Um intercambio é menos sobre o lugar pra onde você vai, e mais é sobre como você vai e, principalmente, como você volta. Ou você não volta... como aquela Gabriela que saiu daqui em dezembro de 2006, achando que só queria aprender inglês e voltar pra casa, e nunca mais voltou. 

Saturno, seu lindo

Eu não sou das pessoas mais espiritualizadas. Isso é um fato. Mas eu acredito em várias "coisas". Deus é uma dela. Retorno de Saturno é outra, Incoerente, I know, mas quem nunca, neam? E aí que o meu retorno está por aí já faz um ano... E como eu disse, eu me preparei pra ele. 

Dia 04 eu fiz 29 anos, e apesar de detestar fazer aniversário, posso dizer que nunca estive tão feliz. Estou em paz comigo mesma, com minha vida, com minhas escolhas. Dizem que durante o Retorno de Saturno você se confronta com o seu "eu" adulto, que rola tipo uma TPM adolescente só que com relação à maturidade: a vida mostra o que/quem não está adicionando nada, coloca os desafios na sua frente, te mostra que você é cresceu e tem responsabilidades, e se você não estiver muito preparado, sofrimento à vista. 

Mas não é meu caso. Não me acho "ui, super adulta e bem resolvida", mas todo esse processo de sofrer por amizades que não eram bem aquilo, por não me encontrar na profissão, por me sentir incompreendida, entre tantas outras coisas, ficaram no passado. Hoje eu sei do que gosto, sei do que não gosto, entendo a minha capacidade de mudar coisas que me fazem infeliz, entendo minhas limitações com relação à tantas outras coisas. Dou mais valor ao que tem valor de fato, e tento não me deixar levar pelas irritações momentâneas. Tenho dúvidas, incertezas, angústias e muita rebeldia dentro de mim, mas elas já não dominam a minha vida. Tem aí mais um ano de retorno pela frente, mas não ligo não...

Enfim... é uma delícia fazer o que fiz no meu aniversário esse ano: pegar a taça de vinho e brindar pela felicidade plena que estou sentindo. É uma delícia olhar pra vida e ver o copo meio cheio. É uma delícia olhar pros 30, que estão aí pela frente, e não ter medo de ser engolida. É uma delícia estar em paz. Comigo e com o mundo. 
Party, by Gabriela Milan

Q & A

Comecei esse blog um dia porque queria voltar a escrever, queria colocar em algum lugar as coisas que eu vejo e sinto, de um jeito que eu pudesse voltar, anos depois, e encontrar o meu "eu" do passado. Eu queria mesmo é fazer um diario de papel, mas perdi totalmente a habilidade de escrever sem uma tecla de backspace. Então me coloquei nesse mundo. Mas não sou blogueira... 

E por não ser blogueira, sempre vi essas TAGs e achei que não eram pra mim. Porém, volta e meia eu me pegava tentando responder as perguntas, e não sabia, minha cabeça não conseguia ser rápida. Fiquei imaginando que se eu fosse fazer um bate bola com a Marília Gabriela ia ficar parecendo um tonta, hahaha.. Aí lembrei dos cadernos de perguntas de antigamente, lembrei que eu sabia sim falar a meu respeito, e achei que valia a pena praticar. 

1. O que você costuma pedir no Starbucks?
Os frapuccinos... De morango ou moccha. Não gosto do café de lá, mas aiiii esses frapuccinos cheios de chantilly....

2. Qual item do seu armário você não consegue viver sem?
O bom e velho vestido preto, que vai comigo pras festas, pros bares, jantares, vira fantasia improvisada de carnaval e me salva nos momentos de histeria. 

3. Qual coisa as pessoas provavelmente não sabem sobre você?
Que eu aprendi a ler e escrever com 5 anos, antes de entrar na pré- escola. Quando entrei, virei a criança prodígio, que ajudava a professora a corrigir prova dos amiguinhos e ainda fui fazer um "estágio" na primeira série e aprendi a fazer continha "de pé". Ahh.. e que eu fiz Kumon (essa ninguém sabe porque com minhas habilidades matemáticas, não tem quem diga).

4. Diga uma coisa que você quer fazer antes de morrer.
Um retiro espiritual na Ásia.

5. Qual a comida que você não consegue viver sem?
Batata. Em todas as variações possíveis... Frita, cozida, amassada, gnnochi, doce, etc.

6. Qual a frase que rege a sua vida?
"Não sabendo que era impossível, foi lá e fez". 

7. O que você gosta e não gosta sobre o YouTube?
Gosto de ver clipes de músicas. Não gosto das propagandas, haha.

8. Qual é a sua música mais ouvida no iTunes?
Essa aqui eu fui pega de surpresa, e adorei.. Midnight City, do m83.

9. Como você definiria o seu estilo?
Prática com sal, hahaha.. Gosto de me vestir de forma mais despojada mas com algum estilo. 

10. Número favorito.
13. E foi por isso que resolvi que essa era a TAG pra eu estreiar, hahaha.. porque tinha 13 perguntas. 

11. Dois hobbies:
Dança e moda. 

12. Duas coisas que te irritam pessoalmente:
Arrogância. E gente que entra no elevador/metrô/ônibus e para na frente da porta (serve também pra quem desce da escada rolante e para, NA FRENTE).

13. Um prazer culposo:
Doces. Eu não vivo sem um pudinzinho, uma tortinha de limão, um bolinho de fubá cremoso, etc.

A TAG eu tirei do blog Casei com o Mundo. Beijos!

Hola, Chicos

A vida anda muito corrida, trabalho ta tenso, mas no meio do caminho tinha um feriado, tinha um feriado no meio do caminho, e eu voltei a Buenos Aires. Dessa vez acompanhada de Mati, para comemorarmos o aniversário dele, o meu e o nosso. Escolhemos a cidade porque ambos já conhecíamos, e não queríamos nos preocupar em turistar. Passamos 3 dias descansando pelos parques verdes, andando pelos nossos cantos favoritos, vendo gente bonita, bebendo muito vinho e comendo bem, extremamente bem. 
Obelisco, by Gabriela Milan

Quando fui com a minha mãe, em novembro, fizemos mais os programas turísticos. Passamos por tudo, então agora dava pra ficar mais sossegada... Outra coisa bacana é que fiz uma viagem na primavera e outra no outono. Duas boas escolhas: dias ensolarados e quentes, noites frescas. Na primavera a cidade estava cheinha de flores roxas, coisa mais linda, e agora tinha folhas marrons pelo chão. 

Somando as experiências das duas viagens, deixo aqui as minhas impressões e ~dicas~:

- PALERMO. Este é o lugar do meu coração. Restaurantes charmosos, mercadinhos de frutas coloridas, bares animados, tudo para se alcançar a pé. Nas duas viagens fiquei no bairro, mais especificamente em Palermo Viejo, e não tem erro. Tem também muita lojinha, de roupa, de coisa pra casa, de coisa vintage, de vinho, de doce de leite... As ruas mais gostosinhas de andar são a Gurruchaga e a Honduras. Em ambas se encontra muito entretenimento, mas o bairro todo é delícia demais. 
Palermo Viejo, by Gabriela Milan
Uma das esquinas charmosas
- A Recoleta também tem seu valor. Uma feirinha de artesanato delícia no sábado, com muitos músicos passando o chapéu, muito hippie e uma igreja que é branquinha fofa por fora e pura lindeza por dentro. Quando estive lá com a mama nós entramos no cemitério, e demos aquele pulo básico no túmulo da Evita. Te falar que é aquela coisa, né... viu, ta visto, vamo embora. Mas o cemitério em si tem seu charme (por mais creepy que isso seja), tem muitos mausoléus com artes. Acho que é um passeio que vale muito a pena, pelo combo Praça + Cemitério + o peso que acompanha. 
Recoleta, by Gabriela Milan
E o charme do músico?
Iglesia, by Gabriela Milan

- os Parques e as praças de Buenos Aires são uma atração a parte. A cidade é verde, muito verde. Um argentino me explicou que uma legislação local determina que a cada 10 quadras se tenha um parque ou praça - ou algo parecido. O resultado é uma cidade muito arborizada, com parques e praças bem cuidados, muitos argentinos batendo sua bolinha e tomando seu mate. 
Palermo, by Gabriela Milan
Plaza Armenia, em Palermo
Ruas verdes
Acho, inclusive, que isso foi o que eu mais gostei na cidade. Dá pra perceber que é uma cidade que empobreceu, que tem sujeira na rua, prédios envelhecidos e mal cuidados, mas as áreas comuns permanecem impecáveis e as ruas fechadas de árvores dão uma tranquilidade, um respiro. Bonito de ver. E a gente, como não é besta nem nada, aproveitou essa belezura também, acompanhados de vinhos e empanadas, porque mate não é a nossa praia.  
Picnic, by Gabriela Milan

- San Telmo tem a feirinha de antiguidades e quinquilharias, tango na rua, um mercado muito alegre, mas confesso que fico meio aperreada com feirinha de rua muito cheia de gente e de tranqueira, porque perco um pouco a vontade de olhar no detalhe as coisas. Sei que o bairro é cheio de brechós interessantes, e fiquei curiosa, mas não rolou aproveitar. Por ali também achamos uma bodeguinha, chamada La Coruña, onde comemos muito bem e barato. Atenção especial ao Waffle de dulce de leche da tiazinha que gentilmente convidei para vir morar aqui em casa, e ela gentilmente recusou :( É lá também que está a nossa querida Mafalda, mas não consegui sentar para tirar uma fotinha com ela.. Mafalda é muito concorrida, e a fila pra sentar com ela é muito maior que a minha paciência.
San Telmo, by Gabriela Milan

- com mama estive no Puerto Madero, e achei a ideia toda maravilhosa. Regiões portuárias normalmente são mal tratadas, e ali é um pouco diferente. A área é revitalizada - com adivinhem? - verde, prédios residenciais com o design bonito, vários restaurantes. Um baita up num ponto que poderia ser baixo. O restaurante que fui por ali achei apenas OK (comparado com o que tem pela cidade) e caro, mas ainda assim, valeu. Se eu tivesse ido de novo nessa segunda visita, teria levado meu bom vinhozinho, pra ficar sentada olhando a água, no esquema picnic. Adoro olhar água, gente.

Puerto, by Gabriela Milan
Primavera no Puerto Madero
- não achei que a visita em La Boca vale a pena. Gosto meu, claro... também fui lá com mami, e achei puro tourist trap. Super lotado, gente tentando te vender toda sorte de pacote de mau gosto, restaurantes mequetrefes, boneco de Maradona, de Papa Francisco, e tudo mais correndo atrás de você por uma foto, e até as casinhas do Caminito, que são engraçadinhas com suas cores, acabam perdendo a graça com aquele mar de vendedor tentando te enfiar coisa guela abaixo. Enfim, a menos que esteja com tempo de sobra, não aconselho. 

- e last but not least, a comida, gente. A. CO. MI. DA. Se argentina fosse eu, viveria para comer. Que comida maravilhosa... As empanadas são demais da conta, o dulce de leche é de cair pra trás, as carnes, os vinhos, os gelattos... Meu Deus. Como se é feliz naquele lugar. Você engorda sem um pingo de culpa, tudo vale muito a pena. Como disse ali em cima, até o restaurante OK é bom demais. Teria uma lista de restaurantes para indicar, mas aí quem quiser é só pedir. Os vinhos, então.. Você encontra no mercado, por o equivalente a 12 reais, coisas que aqui custam 100. Em restaurante você paga 50 reais numa garrafa maravilhosa de Malbec que harmoniza maravilhosamente com o bife de chorizo maravilhoso. Enfim... É um paraíso gastronômico. Por mais que a cidade esteja mais cara para nós brasileiros, os preços, se comparados com SP e a qualidade da comida, ainda são bem atrativos.
Helado, by Gabriela Milan
Helado é vida, helado é amor
Foram dias maravilhoso, de muito dolce far niente, que me deixaram com a bateria recarregada de um lado, mas sedenta por férias longas de outro. 

Virei Tia

To velha. Essa foi a sensação que eu tive ao adentrar ao meu 4º Lollapalooza. Eu sabia que tinha envelhecido (mentalmente) nesse um ano, mas não sabia quanto. 

Já fui em muito festival na vida, inclusive em todos os Lollas aqui do Brasil, virei muita noite em rave, sempre fui adepta da bagunça coletiva. Quando o boy me surge, no almoço de sábado, com o ingresso surpresa, me senti uma adolescente. Uma troca de roupa, duas garrafas de cerveja e um passeio de trem depois, ao me deparar com aquele enxame de gente vestido igualzinha mas se achando muito autêntica, me senti uma tiazona. 

Não que eu nunca tenha feito dessas - saído por aí me achando A estilosa, estando igualzinha a metade do mundo. Mas eu fazia isso quando era jovem, jovenzíssima, hahaha.. então tive uma bela crise de idade no meio do festival. 

Lolla, by Gabriela Milan

Mas foi um dia delicioso... Chegamos na mosca pra ver o Robert Plant. Eu não conheço nada da carreira solo, mas ele cantou coisas do Led Zepellin, e o show foi bonito. Multidão cantando, os tiozões se emocionando, aquela vibe gostosa de festival. 

De lá fomos pro Skrillex.. tipo outro festival, haha.. música eletrônica, molecada indo à loucura, muita luz, muita projeção, mão pro alto, lazer no céu, UHU. Foi divertido, dançamos bastante, mas não é a música eletrônica que me faz esquecer da vida. 

Depois ficamos perambulando, ouvimos um pouco do Major Lazer, que é o projeto do Diplo, passamos no Bastille, e fizemos um pouco de people watching, que eu adooooro.. ainda mais no meio daquela fauna enlouquecida. 11h da noite, quando os fogos anunciaram o fim dos shows, a gente já estava sentando no trem, a caminho da cidade, pra curtir uma bela ressaca em casa. Mati estava doidinho pra emendar uma festa e virar a night na balada, mas a tia veia aqui arrastou o homi pra casa. 

Eu nunca imaginei que eu seria a pessoa a negar balada, mas confesso que não sirvo mais pra eventos megalomaníacos, em que se anda muito, bebe muito, pula muito e se joga muito. Por outro lado, acho que foi essa foi uma despedida da minha vida de festivais à altura, com música boa e a melhor companhia do meu mundo. 

Ontem, vendo o line up, ouvindo o Foster the People, me deu até uma coceirinha, aquela vontadinha de me enfiar no trem de novo. Ao olhar pra cima e ver a nuvem preta no céu, senti menos culpa por ter que rumar pra Alphaville, e trabalhar no escritório por horas a fio em pleno domingo. No fim, é isso mesmo... eu to velha, e a ressaca interminável na cabeça somada às responsabilidades nas costas não me deixam esquecer disso. 


De onde vim

A minha empresa aprontou uma daquelas... Durante uma conferência, fizeram um trabalho forte de valorização do que é importante. E no fim, cada um recebeu um envelope. Ao abrir o meu, eu quase caí da cadeira. Era uma carta dos meus pais. Porque sim, eles é que são importante. 

Ao ler aquela carta, além de dar uma choradinha, óbvio, eu fiquei muito feliz e orgulhosa. Orgulhosa da relação que tenho com eles, pela visão clara e real que temos uns dos outros. Lendo ela pela primeira vez, eu já percebi que eles tinham escrito a carta juntos, e sabia quem escreveu cada parágrafo. Vendo o que escreveram, percebi que eles sabem exatamente quem é criatura que soltaram no mundo. 

Sabem das minhas loucuras, da minha obstinação, do porquê de cada escolha. Sabem que sem meus amigos não sou ninguém, sabem do meu imenso conflito entre razão e emoção, sabem que eu estou aqui pro que der e vier. 

Ao pensar que tanta gente não conhece o filho que tem, fiquei feliz que eles, além de me conhecerem nos mínimos detalhes, com tudo de bom e de ruim que tem dentro de mim, sentem orgulho de quem sou. E mais... terem plena consicência de que é isso que eles me criaram para ser: um bicho livre. 



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