O Rio de Janeiro continua...

Eu e o Rio temos um caso muito bem resolvido de amor. Não aguento ficar longe da cidade maravilhosa, e já estava cheia de saudades. Rolou uma mudança na programação com o baby em cima da hora, então compramos passagens de ônibus mesmo, fechamos um quartinho num hostel e fez-se a mágica... Passamos 3 dias de descanso, paz, praia, algum sol, pedaladas, chopinhos, comidinhas, amigos, amor demais. Foi ótimo pra repor as energias depois de uma semana muito estressante e pesada. 
Começando o feriado sem filtro <3
A energia que corre naquele lugar é de outro mundo, um clima bem mais descontraído, pura leveza. Eu já fiz vários tipos de viagem pra lá, e a programação muda de acordo com a ocasião: ano novo, carnaval, pegada turística, etc. Qualquer hora faço um post dos meus favoritos cariocas. Mas dessa vez ficamos num esqueminha mais relax, sem programação, e foi bom demais. 

Ficamos no Oztel, um hostelzinho arrumado no Humaita (eles dizem Botafogo, mas ta ali na esquininha com o Humaita). Fiquei lá uma outra vez em 2012 com uma amiga, num quarto compartilhado e gostei, então voltamos agora para ficar numa das suítes privativas. As acomodações são simples, o preço é justo (pro Rio, que está tudo absurdamente caro), tem um café da manhã básico porém gostoso, com frutas, pães e bolo, e a localização é excelente. No bar do hostel rola um movimento bom aos sábados, inclusive com locais. Tem linhas de ônibus por perto, vários bares delícia pela redondeza, predinhos e pracinhas charmosas, e pertinho da Lagoa. Recomendo!
Oztel em foto tirada daqui
Todos os dias pegamos as bikes do Itaú pelo aplicativo (serei eternamente grata por essa lindeza existente no Rio e em SP), numa estação exatamente ao lado do hostel, e circulamos a Lagoa. Eu acho que não tem nada que traz mais bom humor pra um dia do que dar de cara com um cartão postal logo de manhã. A Lagoa é incrível! Ali do Humaita, tanto circundando ela por um lado, quanto pelo outro, em meia hora chega-se em Ipanema ou Leblon. 

Embora a Zona Oeste esteja cheia de praias de tirar o fôlego, tipo a Joatinga, Prainha, etc, eu acabo sempre ficando pela Zona Sul por questões de praticidade. É duro chegar nesses paraísos sem carro, e impensável no taxi! E apesar da lotaçãozinha básica, pegar praia em Ipanema é benção. 

Apesar do feriado chuvoso Brasil afora, demos muita sorte! Sábado foi dia de praia, com um sol escaldante até as 6 da tarde. Domingo teve praia com o sol até umas 3 da tarde e depois partimos pro centro rumo à farra. Fomos pra Praça Mauá, e sério! Que lindeza que está. Tiraram a Perimetral, uma via elevada que ficava por ali embarangando o lugar. Fizeram um projeto urbanístico foda, dando uma nova cara pensando nas Olimpíadas, e o espaço ficou ótimo. Ali tem o MAR - Museu de Arte do Rio, que visitei num dia chuvoso em outra viagem, e vale muito a pena. Mas caso o dia esteja claro, vale também sentar e tomar uma cervejinha com uma bela vista pra Ponte Rio-Niteroi. 

Por ali estava rolando algumas festinhas de rua, tipo preparação pros blocos de Carnaval (pois é, JÁÁÁ). Nós fomos pro Bunytos de Corpo, um bloco de carnaval que é bem bagaceira, tipo eu, cheio de lurex, brilhantes, com muita música pop eletrônica das boas. 
Povo chegando pra festa, ponte ao fundo <3
Aos poucos a galera foi chegando, a farra partiu pelas ruas do centro, eu fui me enchendo de sacolé de vodka, muita dança, movimento sensual e bambolê, uma maravilha. O melhor foi a hora que desceu um descarregamento de turista japonês na praça, e tava essa galera nesses lindos outfits, dançando Khaled. A cara dos japoneses foi impagável, hahaha... 

Testamos alguns bares e restaurantes novos, e voltamos a alguns queridinhos. Conheci o Comuna em Botafogo, um bar com música boa, galera bonita e um hamburguer arrasa quarteirão. Também fui conhecer o Escondido, um bar em Copa bem legal, com cervejas artesanais, importadas, um bolinho de arroz com queijo muito bom. Entre os lugares que sempre valem o retorno está o Gringo Café, ótima pedida pra um brunch bem gordo, com ovos, pancakes e mimosas com refil free. 

Segunda estava incoberto, então aproveitamos pra fazer uns exercícios, Mati arrasando nas manobras no skate, pulamos em alguns bares praquele chopinho esperto, e assim fomos nos preparando pra voltar pra casa e cair na realidade. 
Rio de Janeiro sendo lindo em preto e branco
E foi assim que eu deixei um outubro xoxo pra trás, e entrei com pé direito numa fase que vai ser deliciosamente atribulada. Que as aventuras de novembro sejam todas tão boas quanto foi esse começo <3

*agora em novembro tenho algumas viagens legais, entre trabalho e divertimento. Quem quiser ficar de olho, me segue no instagram @gabtrentini

Salve, Salve

Outro dia falei aqui das minhas escorregadas musicais. Pra limpar minha barra, fiz uma seleção das minhas músicas brasileiras favoritas. Eu tenho certa preguiça da atual música brasileira, mesmo sabendo que tem coisa legal acontecendo. Como eu disse, é preguiça, e a preguiça é problema do preguiçoso, né. Mas ahhhh as coisas antigas... Como eu gosto!

O melhor de tudo é que a maioria da minha lista destoa tanto do que eu gosto de ouvir no sentido geral, das minhas bandas e músicas favoritas da vida (mas Marisa Monte tem muito). Mas pra mim isso aqui tem gosto de raíz, de Brasil, de vida, e me lembro tanto de chorar de saudade daqui no WI ouvindo algumas delas... Tem barulho de casa. É amor demais. 

1- Não enche, do Caetano

2- Palco, do Gil

3- Dança da solidão, da Marisa - menção honrosa a 4 por 4, novela que formou meu caráter 

4- Anunciação, do Alceu Valença

5- Segue o seco, também da Marisa, pra mim o símbolo da era de ouro do DiskMTV

6- Saber amar, dos Paralamas

7- Por onde andei, do Nando Reis

8- Você é linda, do Caetano, uma das músicas mas bonitas do mundo, e que me fez delirar que um dia eu queria ser musa de alguém que me compusesse algo do tipo (risos eternos). 

9- Doce Vampiro, da dívissima Rita Lee

10- Samba de Benção, de Vinícius, em sua versão mais sensual e encanta gringos, da Bebel Gilberto

E podia aqui me estender e ficar aqui enfileirando belezuras dessa música brasileira que é bonita, é bonita e é boniiiita... Mas o verão chegou e o feriado também :)

Girl Power

Trabalho numa empresa americana de médio porte. Meu time aqui na América Latina tem 5 pessoas. Por algum acaso, todas mulheres. Quando houve a última contratação, um ano atrás, eu recebi mais currículos de homens, mas na hora do vamo vê, uma mulher se destacou e virou nossa 5ª integrante. Na Europa a equipe é também liderada por uma mulher, que tem outras 3 pessoas no time. Todas mulheres. 

Fui contratada pelos nosso General Counsel, baseado nos EUA, que chefiava todas as equipes no mundo, e óbvio, a equipe local, também composta por outras 4 mulheres. Pois bem, ele deixou a empresa, e acabaram de contratar o seu replacement: uma mulher. 

E eu estou maravilhosamente maravilhada de fazer parte de um departamento jurídico que, no momento, é mundialmente composto de mulheres. É um pequeno passo para a humanidade, mas um orgulho imenso que mal cabe no meu coração. 

Passando vergonha

Acho que todo mundo tem seus pecadinhos, né? Famoso guilty pleasure, quem nunca? Pois é. Eu tenho uns vários. E ontem fui pega de calça curta. Estava eu parada no trânsito da marginal, com o rádio no maior volume, me imaginando num karaoke e cantando uma música ZOADA, quando olho pro lado um cara gatinho bem apessoado, olhando tipo wtf?. E a vergonha... enfia onde? E aí que não bastasse fazer vexame pelas ruas de SP, vim expor minha ridiculosidade por aqui. Vou contar umas coisas ridículas que amo/sou. Poderia contar até um pouco mais, mas preciso manter alguma dignidade perante a ~rede internacional de computadores~. 

1- eu sei exatamente quais as músicas eu cantaria se fosse participar do X Factor, meu programa de calouros favorito (é muita merda numa frase só, to sabendo). Eu ensaio todas elas no trânsito, grito feito ridícula e uma vez, depois de um engarrafamento monstruoso na Castello, cheguei rouca no escritório, de tanto me esgoelar as 7 horas da madrugada. Inclusive, eu tenho a minha música da semana temática das Divas...

2- quando estou sozinha em casa de noite eu corro. É bizarro, eu corro pra trancar a porta, eu saio do banho e corro pro quarto, se tiver que tomar água antes de dormir eu corro mais, eu fico imaginando que sei la, Fredie Kruger vai me pegar se eu der bobeira. Não sei qual é a explicação racional pra isso, mas tem hora que me enterro debaixo da coberta de vergonha própria, depois de terminar uma maratona entre cozinha, banheiro, sala e quarto.

3- sei falas e episódios do Chaves decor e salteado. Eu amava aquilo quando era criança/adolescente, assistia t o d o s os dias, Chapolin e Chaves em sequência. Meu pai queria me matar, mas eu não dava a mínima. Quando meu chefe mexicano disse que tinha uma casa em Acapulco, meu olho brilhou mais que de criança, ele percebeu e eu fiquei com cara de trouxa porque era nova no trabalho e não podia explicar porquê, né, e quando o Bolaños morreu umas lágrimas escaparam. 

4- gosto de muita música ruim. Eu tenho um bom gosto musical, juro. Escuto muita banda bacana, música boa mesmo, dou dica pras amigas, tal. Maaaaas... eu adoro uns pop idiotas. Não escuto no fone, não compro CD, não sou fã, mas no trânsito não há nada que eu curta mais do que por na Jovem Pam, aumentar o volume e dançar Shake it off da Taylor, Rihanna, Britney. Tem também a tal da música que eu tava cantando quando o mocinho me viu... We can´t Stop da Miley Cyrus. Em minha defesa devo dizer que esse foi o jeito que arrumei de não estragar meus dias por causa de trânsito. Pra mim funciona e juro que não fico mal humorada depois de horas de estrada. 

5- não posso com uma video cassetada. Seja no Faustão ou na vida real. Eu caio na gargalhada mesmo, e é muito foda. O mundo espera de uma senhoura de quase 30 anos um pouco mais de compostura. E eu não tenho. Alias, óbvio que já aprendi a ter noção... Eu me escondo, me tampo, me seguro, e teve vezes já de eu engasgar com os risos presos, começar a escorrer lágrimas dos meus olhos e água do nariz, tipo quando você engasga com Coca Cola. Mas era risada. Uma vez, nos longínquos anos de mil novecentos e saca rolha, eu e minha mãe na 25 de março, veio um cara carregando um carrinho de caixas por trás da minha mãe. Bateu nela pelo tornozelo, sabe, e ela se estabacou no chão. Foi muito feio, e eu achei que ela tinha morrido, quebrado o pescoço, sei lá. Assim que constatei que ela estava inteira porém imunda, eu comecei a rir e não parei nunca mais. No começo ela gargalhou muito também, mas depois de 2h que eu chorava de rir, ela ficou um pouco irritada. É horrível, é irritante, é infantil, eu sei. Não me orgulho. 

Bom, ao menos, ficou bem claro que se eu morasse numa cidade sem trânsito, seria menos ridícula. Mas até aí, quem não é, né? Fico pensando que sempre podia ser pior, e eu podia ser que nem certos técnicos de futebol, que limpam o salão no gramado da Copa do mundo.

Querem continuar sendo meus amigos?

The other side

Vejo aqui no Brasil uma idealização dos Estados Unidos. Desde que me dou por gente, o sonho do brasileiro é conhecer a Dinsey e Nova York. É gastar tubos em Best Buy, Victoria Secrets e Abercrombie. E todo mundo pensa que a vida por lá é só aquilo que vimos em seriados como Sex and the City, Barrados no Baile, etc. Em tempos de crise no Brasil, o que mais vejo é gente que não tem o menor conhecimento de como as coisas realmente são por lá, querendo fugir pra Miami. E tendo, no mesmo final de semana, visto algumas pessoas falando umas asneiras no fb, acabei vindo aqui dar meus pitacos. 

Antes de começar, que fique claro que eu acho sim os EUA um lugar muito bom. Meu ponto é que vejo uma idealização, uma visão distorcida das coisas, como se os Estados Unidos fossem o paraíso onde tudo é lindo, tudo funciona, não existem problemas, e toda vez que faço contra pontos, vejo feições confusas. A maioria esmagadora das pessoas aqui realmente não faz a menor ideia de como é a vida - e não as férias - em terras americanas. E não é que eu sei porque morei um tempinho lá. Tem sim a parte da minha vivência, tem o fato de eu estar na segunda empresa americana e ter que ficar explicando pra gringo o custo trabalhista no Brasil, mas tem também o fato de que eu sou curiosa. Na época que ficava choramingando que queria sair do Brasil, pesquisei muito sobre lugares, e aprendi um monte. Aprendi que lugar perfeito não existe. 
Foto: Melissa Lopez
Mas vamos lá. Direitos trabalhistas quase inexistentes. Quando comento com amigos que não existe licença maternidade remunerada, férias remuneradas como regra, 13º salário, seguro desemprego, FGTS, o povo quase cai de costa. Mas é isso mesmo. A licença maternidade é via de regra 4 semanas, e não remunerada. São 4 semanas nas quais você "falta no trabalho", sem que o seu empregador te desconte algo ou te mande embora. Quanto às ferias, quem trabalha no esquema mensalista negocia as próprias férias e, normalmente, é coisa de 7, 10 dias úteis. Conforme você vai tendo mais tempo de casa, vai ganhando mais dias. Pra quem trabalha no esquema horista - como eu trabalhei - vale a máxima aprendida no Chapolin: Time is money. Quer ganhar bem? Trabalhe 80 horas por semana. Quer viajar no feriado? Viaje, mas não receba. Ta com diarréia? Call in sick. E não receba. Se for mandado embora, é isso aí... recebe o do período trabalhado, e boa sorte. Não tem multa, não tem rescisão. De novo, as coisas mudam um pouco caso você ocupe um cargo melhor numa empresa, que pode ter alguns benefícios. 

E o sistema de saúde? Povo aqui xinga muito no SUS e diz que "nunca que nos EUA acontecia uma coisa dessas". Então amiga... Não existe saúde pública nos EUA. Ok, existe, mas ficaria corada de vergonha diante do nosso SUS. No geral, as pessoas tem um "seguro", que não é como nosso plano de saúde. Quase não existe isso de ir no hospital e não tirar um centavo do bolso. Você paga por utilização, e o seguro pode simplesmente resolver não cobrir seu atendimento. To com uma conhecida que teve um princípio de AVC, mas o seguro achou que como foi só princípio, ela não deveria ter ficado 3 dias internadas. Resumindo, não quer pagar a conta de 30 mil dolares. Se você sofrer um acidente, a ambulância vai te levar pra um hospital. Privado. E aí depois você vai ter que se virar. Minha ex vizinha sofreu um acidente lá, e ficou 2 anos em disputa judicial pra não pagar a conta de 180 mil dolares. Gastou uma grana menor com advogado e funcionou. Mas gastou.
Imagem: The Wall Street Journal
Aposentadoria pública, vulgo nosso INSS, é outra coisa que o povo não sabe se é de comer ou de passar debaixo do braço. Só existe fundo de pensão privado. Uma das coisas que mais me cortou o coração nos EUA foi ver velhinhos, nos seus 80 anos, procurando emprego, porque caso não trabalhem, irão passar fome. Alias... A famosa profissão de Greeter do Walmart, tem coisa mais melancólica? Toda vez que eu entrava, eu tinha vontade de abraçar o senhorzinho, chorar, mandar ele pegar um avião pra Pariquera, sei lá. Eu acho digno que encontrem energia, que estejam dispostos, que consigam. Mas não é o sonho de todo mundo poder, ao menos na velhice, descansar? Ou trabalhar por opção? Afinal de contas, é maravilhoso que muita gente consiga se programar, ter uma pensão privada. Mas sabemos que a vida as vezes nos põe obstáculos. Pior que isso: alguém que teve problemas de saúde, que já comprometeu o orçamento da família e que deixou de receber salário por não estar apto a trabalhar, pelos motivos que já disse aqui, simplesmente não tem de onde tirar dinheiro. É a terra das oportunidades... Pra quem tem saúde. 

De novo, digo: eu não acho um lugar ruim pra viver. Muito longe disso. Eu vivo com um americano aqui, e consideramos sim a hipótese de ir pros Estados Unidos. Como eu contei na minha saga do Wisconsin, eu me sentia muito segura. Eu sentia uma tranquilidade em termos de segurança que não tem nem comparação. E pra mim isso não tem preço. Além disso, tem educação, tem infra estrutura, tem muito trabalho pra quem quer e pode trabalhar. Mas acho que precisamos olhar pra todos os lados. Precisamos entender um troço que o americano diz: there is no free lunch. O american dream te dá vários benefícios, e te tira tantos outros. Precisamos saber das coisas, precisamos parar de achar que existe paraíso. O paraíso se chama férias, e ele dura alguns dias por ano. 

Agora, gostaria de convidar os mais entendidos a enriquecer essa conversa. 

Quer pagar quanto?

Longe de mim que este blog vire o programa do Celso Russomano, o espaço diário de desabafo pro consumidor injustiçado, mas eu preciso falar da minha indignação com essa São Paulo cara dos infernos. 

Sábado eu tava desemxabida que estava passando o feriadão em SP e resovi fazer um dia de beleza. Fui fazer as unhas e depilar no salão perto da minha casa nova. Salãozinho de bairro, pintado de cor de rosa, com Alpha FM bombando no radinho. Entre pé, mão, meia perna e virilha, ficou R$144 reais no salão. CENTO E QUARENTA E QUATRO reais, sabe. Quando vi a comanda, minha reação foi mais ou menos assim...
Fiquei com vontade de pedir pra mulher grudar meus pelos de volta e sair correndo. Mas, né... Só de raiva comprei um Satinelle, aquele depilador elétrico da Phillips, também conhecido como instrumento de tortura moderna. Eu tenho pelo demais, depilo de 2 em 2 semanas, e não dá pra gastar 100 reais pra arrancar cabelo, né. O aparelho custou 199 reais, ou seja, se pagará em um mês. Morri de saudade de meu salão querido da Vila Mariana, onde a maior dor da depilação era quando a Sandra puxava a cera. 

Já comentei que tem estacionamento aqui em SP que tem a cara de pau de cobrar R$30 reais pela primeira hora e 10 pelas demais? Vá a merda, né. Eu tento usar o carro só pra trabalhar, já que não tenho como chegar no cafundó onde trabalho de transporte público. Mas as vezes acabo parando direto do trabalho em algum lugar, e se não tem vaga na rua já da vontade de chorar só de pensar em pagar estacionamento.

Outro dia fui com minha amiga que vai ser madrinha de casamento procurar vestido. Pois que deu vontade de chorar. Um vestido mais feio que o outro, todos com quilos de glitter, paetês e rococós, custando algumas parcelas do Minha Casa Minha Vida. Sério... Vestidos bem medonhos custando 3 mil reais. E não, não fomos nos endereços caros de SP. Vimos um basiquinho bonito, bem simples, paninho quase sem vergonha, 1350 reais. Vai se foder, né. É muito desaforo!
Ontem fui ao mercado comprar coisas básicas. Cereal, leite, suco, legumes, frios, frutas. Não peguei nenhum produto de limpeza - que esses estão todos sempre perto dos 10 reais cada coisa. 10 reais um pacote de sabão em pó, 10 reais um multiuso, etc. Não peguei nada. Também não comprei shampoo, condicionador ou desodorante, outros multiplicadores de conta. A única coisa que peguei da sessão de higiene foi papel higiênico. Pois um pacote de 4 rolos do glorioso Neve estava saindo 7 reais. A conta deu 150 dilmas. 
Neve virou coisa de um passado luxuoso e distante. Trouxe um outro lá que parecia bom e já disse a Mati que vou apresentar algo que ele nunca mais vai se esquecer na vida: papel Primavera. Entendedores entenderão. 

O litro da gasolina está custando 3,30 reais nos postos mais baratos. Do álcool, 2,10, e ambos estão pra subir. O kg do filé mignon anda batendo os 28. A conta de luz da minha casa, onde não fica ninguém durante o dia, e onde moram dois adultos e uma criança, bateu em 110, e também está pra ser reajustada. Em qualquer padaria mais próxima, 1 real compra DOIS pães. Tem condição?

Chego, por fim, a uma conclusão:

O tal do consumismo

Estamos em outubro, o que significa que estou há 3 meses sem fazer compras de roupas/bolsas/sapatos além da minha lista de necessidades. Dos itens da lista, comprei só o sapato de trabalho, pois apareceu a promoção que eu estava esperando. Psicologicamente falando, to me sentindo muito bem. Leio várias reportagens e posts sobre essa onda de consumo consciente e me sinto tipo *beijinho no ombro* que eu já to na dianteira. 

Olhar a fatura no cartão e não ver nenhuma parcelinha de Zara, Farm ou Forever 21 é bem delícia, devo admitir. Inclusive, reparei que já andou sobrando um dinheirinho na conta. Dinheiro esse que está sendo devidamente direcionado a outros projetos mais nobres e frutíferos. Mas mais do que o dinheiro extra na conta, andei aprendendo uma ou duas coisas nesse período, e achei legal dividir aqui. Spoiler: nenhuma delas é novidade, mas nada como olhar da experiência, rs.

Fast fashion é amor, mas amor desses amores sem vergonha, sabe? Pois é, a maior parte do meu guarda roupa, como dei a entender ali em cima, vem de fast fashion. E aí que essas roupas me fazem feliz, e mais perto da moda, masss... como são descartáveis! Vão criando bolinha, esgarçando, soltando fio e, em um ano, estão prontas pra ir pro lixo. Aí pergunto: será que não vale a pena comprar menos, coisas de melhor qualidade, gastar um poquinho mais e ter coisa boa, que dure? Minha mãe sempre foi adepta dessa teoria, compre menos e compre melhor, e nada como o tempo pra mostrar que sim, talvez mamãe tenha razão.

Roupa enjoa, enjoa muito. Inclusive até entendi da onde vem meu ímpeto de comprar: me sinto entediada com o que tem dentro do armário de tempos em tempos, aí penso que se eu achaaase um cardiganzinho colorido, ele ía dar novo sentido às roupas velhas. É bem assim que minha mente funciona, e é justamente por esse motivo que quase todo mês eu sinto uma pontadinha de vontade de comprar alguma coisinha, coisinha qualquer. E é aí que entra a criatividade, né. Usar coisas de jeitos diferentes, tacar colar, lenço, o escambal pra dar uma animadinha no vizu, e parar com essa de que "aquela coisinha que tem ali naquela loja vai ser a salvação do meu final de semana".

Fiquei também muito feliz por perceber que eu fiz umas compras espertas de sapatos e acessórios no passado. Tenho sapato vermelho, bolsa verde, bolsa amarela, lenço de bolinhas, sapatilha laranja, colares imensos, etc. Eles estão me ajudando a espantar esse tédio do parágrafo acima, posto que também realizei que a maioria esmagadora do meu guarda roupa é composto de coisas pretas, brancas, cinzas e azul marinho.

Alias, entendi como nunca o conceito de compra inteligente. Coisas que você consegue usar muito, em circunstâncias diferentes, que se combinam, que casam com seu estilo e o resto do seu armário. Apesar de ter ficado bem satisfeita por ter muito disso no meu armário, identifiquei alguns elefantes brancos lá. Coisa parada, difícil de usar. Como a maré não ta pra peixe, to botando todos esses elefantes pra circular na rua, mas né... fica de lição.

Por fim, se eu pudesse dar um conselho a qualquer pessoa sobre esse assunto, seria *faça limpezas periódicas no seu armário*. Em maio do ano passado, doei quase 20 pares de sapato, uma mala de 35kg cheia de roupas e uma sacola de bolsas. Esse ano, pré mudança, enchi a mesma mala de roupas, e mais uma vez se foram muitos sapatos. Dei a maioria das coisas, mas também consegui vender peças que estavam em ótimo estado e que custaram mais caro, como vestido de festa, jaqueta, etc. Tinha sim muita coisa fruto de compra de doida, mas a maioria das coisas era acúmulo dos anos. Sabe quantas dessas peças me fizeram falta até agora? NENHUMA. Além de ter feito uma graninha com as vendas, pessoas felizes com as doações, também descobri coisas esquecidas e que agora estou usando pra espantar a mesmice das peças favoritas. Além do que, fiquei martelando na minha cabeça pra queeee tanta roupa Gabrieláááá?. Pois é... pra que?

E assim vamos indo... vivendo, aprendendo, e de quebra economizando.

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