08/12: Agosto

Eu sei, eu sei, reta final de outubro já... mas estou comprometida a registrar 2023 mês a mês, mesmo que com muito atraso. Agosto foi um verão lindíssimo dentro do meu ano. Começamos de férias (comecei a contar mais detalhes aqui e aqui, e tem mais um post a caminho), e depois de volta a Zurich, a vibe sol, calor, festa, delícia, seguiu firme e forte. Muitos dias de mergulho depois do trabalho, encontro com amigos, e uma rotina de trabalho ainda não das mais pesadas, já que muita gente ainda segue tirando férias. Agosto é uma festa! 





E teve a street parade, que é a maior festa aberta de eletrônico do país... coisa de um milhão de pessoas na rua, fritando em techno, o pesadelo do jovem adulto, inclusive o meu, mas como sou arroz de festa, fiz o que? Isso mesmo, eu fui rs. Depois de 4h, deu pra mim, e voltamos em casa prontos pra assumir a velhice e deitar no sofá. Mas foi legal! É um fim de semana em que a cidade fica muito agitada, tem muitas festas paralelas, muito turista, e que me lembra bastante o clima de carnaval. 






Também fizemos um hike por uma cachoeira linda, passamos um dia chuvoso em Berna visitando amigos, fui ao lago pra fazer stand up paddle várias vezes, fomos a festinhas de bairro, e me dediquei firme a fazer exercícios. Olhando pra trás, depois do fim das férias, se por um lado não teve muita novidade, por outro tivemos ai 3 semanas de vida bem tranquila e gostosa. Tudo é melhor no verão rs... 








Vamos ao balanço do mês: 

- fazer um programa cultural por mês: fomos finalmente na Amazonia, exposição do Sebastião Salgado, que estava aqui em Zurich desde maio. É uma exposição maravilhosa. O Sebastião dispensa apresentações e comentários. A Amazonia traz um retrato lindíssimo do nosso povo e da nossa terra, imagens poderosas, e que dão a dimensão do que é a floresta, e de como um fotógrafo sensível consegue passar todos os verdes e cores através de imagens em preto e branco. Além disso, tem vídeos fortes das lideranças indígenas se posicionando, trazendo um pouco da realidade deles, e mostrando que tudo, TUDO, é político. Acho que a exposição ainda está em Milão, e sei que a daqui de Zurich já se mudou e inaugurou em Madrid. Quem tiver oportunidade de visitar, não perca! 



- priorizar exercício físico: fui disciplinada demais em agosto, fiz exercício pelo menos 4 vezes em cada uma dessas semanas pós férias ( e nas férias andei pelo menos 12 mil passos todo dia). Sucesso! 

- conhecer lugares novos pela Europa: bingo, mais uma meta alcançada. Já tínhamos estado no sul da Croácia, mas agora exploramos o norte. Também adicionamos um país novo na conta, pois passamos uma tarde na Eslovênia. E ainda aproveitamos para conhecer Verona e o Lago de Garda, dois lugares novos na Itália. 

Roadtrip Parte 2: 4 dias na Istria, Croácia


Comecei a falar da viagem aqui, e escrevi bem de leve sobre a nossa chegada em Rovinj. Acordamos na segunda de manhã numa cidade ensolarada, colorida, de ruazinhas fofas, roupas penduradas no varal. Ficamos num bed & breakfast muito bem localizado, um studio bem pequeno, mas perto da praça principal da cidade e num puro silêncio. Comecamos bem devagar, tomando um cafe da manhã em casa mesmo, e definindo o que faríamos do nosso dia. Alias, uma das coisas que combinamos nessa viagem é que justamente viveríamos um dia de cada vez, e não íamos roteirizar nada dos dias seguintes. E assim fizemos. 


Nosso primeiro dia foi todo em Rovinj. Fizemos um tour dos pontos de interesse na cidade, que basicamente se resume as ruazinhas, praças e a greja principal, paramos pra um cafézinho, e depois seguimos debaixo de um sol escaldante pra sede de uma vinícola, a Dobravak. A Croácia está começando a ganhar alguma notoriedade pela produção de vinhos, mas ainda é bem low profile. Nós fizemos uma degustação de 7 labels acompanhada de queijos da região, tomates e azeitonas do jardim, e gostamos muito de tudo. Aliás, o atendimento ótimo, a sommelier super querida, pediu se a gente não toparia ser modelo pra ela fazer um reels hahaha. A gente topou, e eu até repostei no meu instagram no dia. De lá seguimos pra um beach bar, Porton Biondi, com uma vista da cidade, cadeiras e guarda-sol. Ficamos por lá até quase o por do sol, tomando drinks, mergulhando, lendo, relaxando. De noite fomos jantar, e depois fomos até o Mediterraneo, um bar de drinks na beira da água que de cara já virou meu favorito rs. 

A nossa rua, super calma, mesmo a 2 minutos do fervo






Um pouco do nosso primeiro dia em Rovinj

No nosso segundo dia fomos pra Pula logo pela manhã. A cidade é um pouco mais conhecida porque tem um aeroporto, então muita gente chega na Croácia por ali, e é pouco menos de 1h de carro de onde estávamos. Achei a cidade menos charmosa que Rovinj, é maior, mais movimentada, mais turismo de massa. Mas tem sim seus pontos de interesse: muitas ruínas romanas, inclusive uma arena super preservada, lindíssima. Depois de rodar por Pula, seguimos pra uma praia que tava lotadíssima, uma vibe piscinão de Ramos ahahaha.. not impressed. Mas ficamos lá tomando nosso solzinho, mergulhamos, achamos um restaurante na beira da água pra comer uma lulinha frita, e férias né? Até quando tá ruim, ta bom. Mas a real é que a gente fica achando que nesse verão europeu só tem praia paradisíaca, e não... ta CHEIO de praia com pula pula na água, gentarada, povo com caixa de som alto, como sempre, onde tem ser humano, não tem paz. Galera largando sujeira na praia, um horror. Mas voltamos pra Rovinj debaixo de uma lua bonita, tomamos um sorvetinho, demos uma caminhada pela orla da cidade, e fomos dormir. 




Todo santo dia a gente lutou contra os carrapichos em Carlito rs.. um dia tiramos mais de 50



No terceiro dia resolvemos ir pro interior. Depois do café da manhã, dirigimos por cerca de 1h, e chegamos num estacionamento onde devemos deixar o carro para subir com o ônibus municipal até Motovun, uma vila muito bela no topo de uma montanha. A vilinha é pequena, você consegue andar por ela inteira em um hora. Tem muitas lojinhas de artesanato, casas, cafés, e uma vista panoramica do interior croata, que é super verde. Como essa área é conhecida pelas trufas locais, ligamos e conseguimos uma reserva no Zigante, um restaurante cuja especialiade é trufas. Foi uns 8 minutos de carro do estacionamento de Motovun até lá, descendo uma serrinha. A refeicão foi uma das melhores da viagem. Tudo muito gostoso, mas principalmente esse tagliatelle trufado. Saímos de lá felizes, comprei umas coisinhas na loja do restaurante (e o aceto balsamico é maravilhoso), e fomos pra um beach bar em Novigrad, onde mais uma vez ficamos até o por do sol, e depois dirigimos pra Rovinj e fechamos a noite nos drinks do Mediterraneo. 





Pelas ruas de Motovun

Um dos pratos mais gostosos que já comi na vida

No nosso último dia ficamos em Rovinj, e seguimos pras praias em direção sul. Nessa direção estão os resorts 5 estrelas de Rovinj, e os beach bars são absurdamente caros (150 euros a diária de cadeira e guardasol, ridículo). Mas passando eles você entra num parque nacional, e dali pra frente tem praias com bares mais gente como a gente rs. Mais uma vez, passamos o dia tomando sol, mergulhando, lendo, tomando drinks e curtindo a vista. Foi uma delícia! Fechamos nosso dia jantando e tomando mais um gelato. Alias, achei toda as nossas refeições, todos os gelatos, muito gostosos, e com preços bem justos. Rovinj está muito perto da Italia, e a influência na gastronomia é bem evidente. 







Na sexta-feira acordamos, arrumamos as nossas coisas e fomos tomar café da manhã num restaurante na nossa rua. De repente caiu uma baita chuva e, como a cidade é numa montanha, toda cortada por degraus, a enxurrada veio com força, muito rápido, quase assustador. Mas mudamos nossa mesa pra dentro, comemos, e quando terminamos, já tinha sol no céu. Aproveitamos pra seguir pro carro e nos despedir de Rovinj. Dirigimos para Verona, na Itália, mas fizemos umas paradas no caminho, e eu vou terminar essa viagem num último post. 


Roadtrip Parte 1: De Zurich pra Bolzano e até Rovinj

Comentei aqui que essa viagem foi tão legal que merecia um post próprio. E assim vamos, num flashback dos tempos que eu fazia post detalhados de viagem nesse blog. Ano passado fomos pra Dubrovinik e eu não fiquei impressionada. Achei tudo cheio, caro, meio tourist trap. Mas eu sabia que ali era o auge do turismo croata, e quando um amigo comentou sobre Rovinj, cidade na região da Istria, fui dar uma olhada. Rovinj parecia linda, quase na Itália, e o fato de eu nunca ter ouvido falar dela já me apeteceu rs. Coloquei no mapa, e quase 10h de carro da Suíça. Estavamos procurando um destino para irmos pra praia com Carlito, e bingo! Achamos nosso destino. Montando a rota, definimos um círculo, e marcamos a parada na ida em Bolzano, e na volta em Verona. 


Saímos daqui na sexta as 16h, sentido Bolzano. Quando fomos pra essa região ano passado fizemos o caminho passando por Innsbruck na Áustria. Então dessa vez optamos por ir pelo Graubünden, na Suíça. O caminho passa por Davos, cruza os passos de Flüela e Offen, e entra na Itália já na região do Trentino-Alto Adige. Nunca tínhamos dirigido nessa área para além de Davos, e a estrada é um absoluto desbunde. O Flüelapass é uma das estradas mais lindas pelas quais já passamos, e olha que já passamos por muita estrada linda. Só de passar por ali já deu muito clima de férias e roadtrip. Eu estava dirigindo, então to pegando umas fotos do google pra ilustrar. O Graubünden, maior cantão suíço, é mesmo maravilhoso. Nesse caminho a gente dirige por mais de 2 horas dentro do cantão, e tanta paisagem linda, tanta vila pitoresca. O Offenpass também é bonito, mas menos impactante que o Flüela. Em todo caso, fazer os dois da sequencia é incrível. E quando cruzamos a fronteira, saímos numa área da Itália onde só tem pequenas vilas, muitos castelos pelo caminho, e chegamos em Bolzano já passando das 9 da noite. 

As curvas do Fluela, em foto do Adobe Stock

Aqui quando você chega no topo do Fluelapass... Foto do Creative Commons 

E aqui a única que eu tirei numa paradinha pra apreciar a vist lá de cima

Quando fomos pra Bolzano ano passado, eu não tinha nenhuma expectativa com a cidade, e acabei reservando pouco tempo pra passar lá. Na época chegamos já perto do jantar, e saímos no dia seguinte depois do café da manhã, mas o pouco que vimos nos encantou. Uma cidade italiana, que fez parte do império austro-húngaro, e cujas marcas dessa fase estão por tudo: arquitetura, cultura e principalmente língua. Alemão é a primeira língua de Bolzano. Então pra gente saindo aqui da Suíça, ela é um sonho: organização, beleza e limpeza, mas com a comida, a alegria e o borogodó dos italianos rs. 


Não sei se Bolzano ta passando por um boom turístico ou o que, mas a oferta de apartamentos e hotéis na cidade é ótima. Da outra vez ficamos num apartamento novinho em folha, moderno, renovado, espaçoso, meio chique, lindo, e na principal rua de compras da cidade. Poderíamos repetir facilmente, mas encontrei um bed & breakfast lindo na rua dos melhores restaurantes, também no centro histórico. E eu fiquei completamente apaixonada já pela estadia rs. Lugar lindíssimo, num casarão histórico, em que mantiveram as fundações originais, mas modernizaram através do acabamento e decoração. E foi um alívio que gostamos e ficamos tão confortáveis nesse lugar, porque no sábado o digníssimo acordou se sentindo doente, e acabamos passando metade do nosso dia no hotel. Saímos pra tomar um café da manhã e logo voltamos, pra ele descansar. E como já conhecíamos um pouco da cidade, também não tivemos pressa. Lá pelas 14h, quando ele estava se sentindo um pouco melhor, saímos para andar pela cidade. 



Primeiro: olha esse bed & breaftast, que lindo! 

Nosso café bem reforçado rs.. esse foi no Bogen

Com Carlito de companhia a gente não tem como visitar museus, então optamos por subir para a área das vinícolas. A maioria só abre pela manhã aos sábados, mas como acabamos perdendo a manhã, achamos uma que oferecia degustação pela tarde. Foi muito legal porque estávamos só nós e um outro casal, e a senhora da vinícola já estava em clima de fim de semana, então acabou sentando com a gente e batendo o maior papo. A produção é toda familiar, a família toda tira férias para fazer a colheita das uvas juntos, eles fazem poucos rótulos, e no total produzem cerca de 12 mil garrafas por safra - ou seja, é algo bem artesanal. Ela contou também sobre as mudanças na região, a questão da língua e como os mais jovens hoje preferem falar italiano, mesmo sendo a segunda língua oficial. Comentou sobre as mudanças climáticas na área, e como antigamente eles tinham neve na cidade e hoje as netas dela mal veem neve. Agora o melhor pra mim: como não falam dialeto, mas hoch deutsch, eu consegui ter essa conversa toda em alemão. Fiquei orgulhosíssima, embora tenha ouvido mais do que falado rs. 



Bolzano vista do morro 

Depois de provar, e comprar alguns vinhos (vantagem da viagem de carro, né... zero limite pra líquidos rs), voltamos pra cidade e seguimos batendo perna, até que uma chuva do cão nos pegou rs. Seguimos pra jantar, e quando a chuva passou voltamos a andar pelo centro, paramos para uns drinks, e 11 da noite voltamos pro hotel. Acabou que apesar de não termos feito todo o programa que tínhamos imaginado, como andar até um castelo e tal, por conta do nosso comeco tardio, aproveitamos bastante o nosso dia em Bolzano, e confirmamos que é uma cidade que a gente gosta muito, meio que de graça rs.


No dia seguinte acordamos e fomos tomar um café da manhã num dos poucos lugares da cidade que abre aos domingos. Acabei não reservando o café da manhã do B&B porque o Carlito não podia entrar na sala do café e ele não ficam bem sozinho em quarto de hotel. Ele fica meio desesperado de estar sozinho e no lugar desconhecido, late, uiva, e incomoda os vizinhos. Então pra gente não é opção largar ele sozinho, e quando tem essa limitação nos hotéis, a gente toma café fora. E depois do check out, pegamos a estrada sentido Trieste, cidade portuária na costa da Itália, já no Adriático. 


O caminho mais óbvio e rápido é pela auto estrada, passando por Trento. Mas auto estrada nunca é bonita e interessante, e numa roadtrip, a idéia é que a estrada seja parte do destino rs. Então a gente pegou uma estrada pequenina, cruzando os alpes pelas Dolomitas, depois a região de Trentino, descendo até o Veneto e só pegando a auto estrada umas 3 horas depois. Esse caminho adicionou pelo menos 1h a mais de viagem, mas as paisagens não tem preço. Falei do nosso rolê pelas Dolomitas ano passado aqui, e como essa área tem vários vales incríveis, que dão vista para diversas montanhas, tudo muito absurdo. Paramos no Lago di Carezza, que é bem na beira da estrada e lindíssimo, e está registrado nas fotos abaixo. Sério, ao longo do caminho era UAU atrás de UAU. A região de Trentino tem gostinho especial, afinal de contas, eu sou Trentino rs. É meu nome, embora a família seja mesmo da região de Mantova, um pouco mais embaixo. Depois de algumas horas de montanha acima e montanha abaixo, pegamos a auto estrada e, uns 100km depois, chegamos em Trieste. 




Eu não esperava nada de Trieste também rs.. acho que por quase nunca ter ouvido falar, achei que não fosse ser bonita ou interessante. E surprise, surprise.. é bonita AND interessante. Também fez parte do império austro-húngaro, teve setores que eram parte da antiga Iuguslávia, e por anos no pós guerra foi território independente, sendo administrada pelos americanos e britanicos. Está somente a 8km da Eslovenia, e tudo na cidade é escrito em italiano e esloveno. Foi uma parte bem importante do governo austro-hungaro, então é cheia de construções imponentes e belíssimas, e mais: tem ruínas romanas, um anfiteatro super bem preservado. E fica ao mar. Depois de dar uma boa passeada pela cidade, paramos pra jantar na praça principal de Trieste, onde fica o palácio do governo, a antiga bolsa, entre outros belos prédios. E seguimos então pra um gelato, que foi um dos melhores da viagem. E de lá pegamos nosso carro pra nossa última hora de viagem. 






Cruzamos a pequena costa Eslovenia, e entramos na Croácia já no escuro. Num posto de gasolina ainda na Itália nos compramos a vignete da Eslovenia, que é um ticket que todo mundo tem que ter para dirigir no país (e substitui o pedágio - aqui na Suíça também funciona assim, e em alguns outros países também). Foi 15 euros para uma semana, mas tem a opção de um dia, duas semanas, um mês, etc. Outra coisa é que na Eslovenia e na Croácia é obrigatório ter um kit de primeiros socorros e uma lanterna no carro. Aquela coisa idiota que teve no Brasil uns anos atrás, que é fruto de puro lobby pra forçar pessoas a comprar coisa desnecessária. Em todo caso, por 20 euros, comprei. Acabamos não sendo parados em nenhuma dessas fronteiras (e em nenhum momento da viagem), mas estávamos seguindo todas as leis. 


Chegamos em Rovinj quase 10 e meia da noite, e depois de seguir as instruções, estacionamos nosso carro num convento com o qual o nosso B&B tinha convenio, e seguimos a pé para a cidade antiga, onde ficava nosso apartamento. A gente estava com mala, cachorro, sacola, e a caminhada era de uns 15 minutos. Vou falar de Rovinj na parte dois desse post, mas já adianto que o centro antigo é um labirinto de ruazinhas, e a gente se perdeu um monte rs. Chegamos no apartamento cansados e mal humorados, mais de 11 da noite e prontos pra dormir. Só dois dias de féria e fizemos e vimos tanto! 

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