O fim da saga da cidadania italiana

No dia 31 de maio a minha cidadania italiana foi reconhecida, e eu contei aqui em mais detalhes. Vou contar o que aconteceu desde então, pra encerrar o assunto. 


O reconhecimento da cidadania veio por email, com um anexo atestando o reconhecimento, e oficiando as autoridades competentes da minha comuna de origem (a comuna na Italia onde nasceu meu antenato italiano). Eu então entrei no site do Consulado da Italia em Zurich para solicitar o meu registro no AIRE, que é o registro de italianos vivendo no exterior. Todo italiano que mora fora da Italia deve estar registrado no AIRE no consulado de competencia da sua localidade, e é assim que você pode solicitar passaporte nesse lugar, votar, etc. É importante manter ele atualizado com todos os registros da vida civil. Enfim, o processo você faz online mesmo, anexando os documents que eles pedem - um formulário com dados pessoais, o reconhecimento da cidadania, visto de moradia, comprovante de residência. 


Depois de uns 15 dias, eu recebi por email a confirmação do meu registro no AIRE pela minha comuna de origem, ou seja, eles receberam lá a informação de que eu vivo no exterior, e atualizaram meus registros. Dessa forma, eu fiquei registrada no Consulado de Zurich, e a comuna lá na Italia tem essa informação que é onde eu vivo. E com isso abriu o calendário para eu agendar o pedido de passaporte (e poderia também agendar para fazer a identidade italiana, mas eu ainda não fui atrás de descobrir qual a vantagem de ter uma). O agendamento pro passaporte foi um saco. Eu tenho vários amigos italianos aqui e já tinha ouvido todo mundo reclamar que é um saco, que eles nunca tem data, que é impossível. Eu estava determinada a resolver isso tudo ainda esse ano, porque queria estar com tudo em ordem quando o bebê nascer, então por uma semana eu entrava todo dia no site do consulado italiano, e ficava ali dando f5 nas datas. Isso era julho, e um belo dia apareceu uma vaga disponível para setembro e eu agendei. Um parenteses aqui: se você tentar agendar o passaporte antes de estar registrado no AIRE, você vai conseguir mas uns dias depois eles vão extornar o agendamento porque entendem que não tem competência para processar seu passsaporte. Aconteceu comigo rs. 


Estive essa semana no consulado, e foi tudo muito fácil, muito perfeito. Com o agendamento em mãos, você só precisa levar uma cópia de documento oficial (se for primeiro passaporte, se for renovação, só levar o passaporte antigo), comprovante de residência, e uma foto. Eu acabei imprimindo também uma cópia do reconhecimento da cidadania, a cópia da confirmação que recebi da comuna, e a cópia do meu visto suíço. Depois daquela experiência pavorosa na embaixada em Berna, eu queria ter tudo em mãos pra garantir que ia dar certo. Mas aquela experiência ficou pra trás... Cheguei no consulado uns 10 minutos antes do meu horário marcado, peguei uma senha, e depois de 20 minutos fui chamada. O atendente foi extremamente gentil, super tranquilo. Acabou que ele ficou com as cópias de documentos que eu tinha levado, só porque era mais fácil e ele não precisava fazer uma rechecagem no sistema. Ali na hora ele emitiu o passaporte. Depois de meia hora da minha chegada, eu paguei 114 francos, assinei o recibo e peguei o passaporte em mãos. Quando eu estava de saída, ele percebeu minha barriga e, com um sorriso no rosto, falou que o baby já ia nascer italiano, e deu orientações sobre como registrar o bebê e fazer o passaporte pra ele. Eu fiquei muito feliz com isso tudo. Não só de finalmente estar com o passaporte italiano na mão, depois de uns 15 anos de ter encontrado a certidão de nascimento do meu antenato italiano. Mas de ter sido bem tratada e respeitada por, afterall, um dos meus. 


Uma vez eu escrevi aqui nesse blog que eu me sentia um pouco italiana. Hoje eu olho pra trás, e vejo que eu estava só querendo me sentir mesmo rs, mas não sabia o que estava falando, tal qual os caras tontos da Mooca que ficam se achando super europeus. Desde que me mudei para a Suíça, me sinto 100% brasileira, quase uma bandeira ambulante, por meus gostos, hábitos e costumes, na minha forma de pensar e agir. Por outro lado, ao me aproximar e estreitar relações com muitos italianos, eu entendi exatamente porque somos do jeito que somos. Tem sim muito do jeito italiano de ser em SP (e no Brasil) mas em todo mundo que é cria dali, não só nos descendentes. Em todo caso, eu exerci um direito que era meu, e sinto uma enorme satisfação por isso, e também, óbvio, pelas tranquilidades que ele me traz. É o fim da Terra Nostra burocrática rs. 

Um comentário:

  1. Morrri com o "vejo que que eu estava só querendo me sentir mesmo" hahahhahaha Eu fiz minha árvore genealógica e descobri que meu trisavô era francês. Mas não tenho direito à cidadania francesa porque na França as regras são outras e a minha bisa já nasceu no Brasil. E eu me sinto zero francesa hahahaha O importante é que tua novela chegou ao fim e agora você pode viver feliz para sempre com seu passaporte italiano.

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