Saímos de São Francisco no domingo ao escurecer. Ver a Baia ficando pra trás me deu até dor no coração. Mas por outro lado é sempre interessante desbravar o novo, né? E foi assim que, em instantes, mudamos de leve a rota da viagem - uma das delícias de viajar sem muitos planos. Alias, daqui pra frente vocês vão perceber que esse mapa é meramente ilustrativo, porque ele mostra o que queríamos fazer, e não o que acabamos fazendo, rs.
![]() |
| De B a C foi o plano para nosso domingo. Na hora, acabamos descendo pela última "tripa" amarela, abaixo de Palo Alto |
A tão falada Pacific Road (PCH para os íntimos) é a estrada número 1, que vai de São Francisco até Los Angeles. A parte efetivamente turística dela começa em Santa Cruz, e disse Mati que o primeiro trecho logo na saída de SF é bem perigoso e sem atrativos. Assim a gente ia por dentro até San Jose, e depois pegar a PCH. Mas no meio do caminho resolvemos descer antes, e saímos num lugarzinho chamado Half Moon Bay. Uma cidade mini, com um downtown todo fofinho, nenhuma grande cadeia de restaurante ou loja - nem um Starbucks! - , só comércio e restaurantes locais. Puro charme. Ali, Mati usou uma expressão pra descrever o lugar, e que depois apareceu em mais algumas ocasiões: "northern California beach community". Da pra imaginar o clima surf hipongo da coisa, né?
Chegamos então em Santa Cruz, onde passaríamos a noite. Santa Cruz é onde Mati fez faculdade, então tinha todo um clima nostálgico no ar. Na segunda de manhã fomos andando até a praia, onde Mati jogou volei de praia nos anos em que morou lá. A praia é bem simples, nada demais, tem um pier imeeeenso e um parque de diversões. No pier tem restaurantes, e debaixo dele algumas foquinhas usam a estrutura de madeira pra tomar um solzinho de inverno. Anote: se você estiver andando num pier no norte da California e ouvir um grito, olhe pra baixo.
| Afinal de contas, quem não quer tirar a nhaca do inverno? |
É uma cidade universitária, mas que tem um clima sossegado. Wikipedia me diz que tem mais ou menos 60 mil habitantes, e uma população de estudantes da UCSC (Universidade da California, Santa Cruz) de 17 mil. Ou seja, muito na cidade gira em torno dos estudantes. Santa Cruz também se destaca por ter sido pioneira na alimentação orgânica. Tem uma comunidade alternativa bem grande - e vou dizer que em termos proporcionais, vi mais gente louca lá que em São Francisco, rs.
Em Santa Cruz visitamos muitos lugares que Mati gostava de ir, entre cafés e bares, fui ver a casa onde ele morou, e ele também me mostrou a faculdade, que me deixou muito impressionada. Um campus imenso, no meio da natureza e totalmente integrado à ela. Trilhas pra ir de um prédio a outro, algumas de madeira, muitas árvores, um cheiro maravilhoso de madeira misturado com a brisa do mar. Entendi de pronto porque Mati só queria estudar lá. Preciso abrir um parênteses e contar o maior orgulho: não sei se já falei aqui, mas Mati joga volei, e já jogou profissional em alguns países da Europa. Pois cheguei lá na faculdade, e no ginásio tinha uma plaquinha de 2006 com o nome do meu digníssimo - "most valuable player of the year". É ou não é pra se orgulhar?
| No campus da UCSC |
Nós acabamos dormindo duas noites em Santa Cruz, porque tiramos uma tarde para subir no Vale do Silício e visitar uns amigos do jogador favorito deste blog, rs. A viagem de Santa Cruz ao vale foi de uns 40 minutos. Fomos a Cupertino, cidade onde está sediada a Apple, e a Mountain View, casa do Google. Confesso que fiquei bem interessada por este pedacinho da California: gente nova e criativa passeando por todos os cantos, e foi por pouco que perdemos o carro sem motorista do Google passando na rua.
Mas voltando à Santa Cruz, acho que pra quem faz essa viagem no verão vale parar na cidade para ir às praias. A gente não gastou muito tempo nisso, por motivos de: 10°, mas as praias fora da cidade são lindas, cercadas por natureza. Vi várias fotos que me fizeram suspirar. No inverno, acho que vale parar pra almoçar, dar uma esticada nas pernas, mas não é nada imperdíííível! Pra mim, no entanto, considerando que essa viagem tinha como pano de fundo A descoberta do Mati do passado, foi muito especial.
Mas voltando à Santa Cruz, acho que pra quem faz essa viagem no verão vale parar na cidade para ir às praias. A gente não gastou muito tempo nisso, por motivos de: 10°, mas as praias fora da cidade são lindas, cercadas por natureza. Vi várias fotos que me fizeram suspirar. No inverno, acho que vale parar pra almoçar, dar uma esticada nas pernas, mas não é nada imperdíííível! Pra mim, no entanto, considerando que essa viagem tinha como pano de fundo A descoberta do Mati do passado, foi muito especial.
Saindo de Santa Cruz, o que a maioria das pessoas faz é parar em Monterey, onde tem um aquário famoso. Eu não sei se já comentei aqui, mas depois de grande, desgostei de lugares onde animais ficam em cativeiro, como aquário e zoológico. Entendo que uma criança tenha curiosidade e acho ok levar, mas euzinha prefiro ver animais silvestres na TV, no Google e no mato (nessa ordem). Por isso pulamos Monterey.
Depois de pouca estrada chegamos em Carmel, uma cidadinha de praia onde os ricos passam seus verões. Curiosidade sobre Carmel: seu prefeito mais ilustre é nada mais, nada menos, que Clint Eastwood. A cidade é toda charmosa, é um vilarejo com estrutura, sabe? Não sei se no verão fica over, mas pra mim ali tava parecendo uma fonte inesgotável de sossego. Fomos andar na praia e eu senti a maior paz. Muitas pessoas brincando com cachorros, uma neblina fina e o Pacífico quebrando umas ondas imensas e barulhentas, coisa mais linda.
Em Carmel amoçamos numa casa de lanches muito boa, e da-lhe estrada. E então nós chegamos no melhor ponto da estrada: aquele momento em que a Pacific é uma rocha de um lado, um despenhadeiro com pedras e pedras e ondas imensas de outro. E daí pra frente foi tudo tão, mas tão incrível, que merece um post próprio. Por isso teremos Parte 2 ;)











