Se por um lado parece que foi ontem que eu estava em êxtase por voltar a trabalhar, por outro parece que couberam 6 anos nesses 6 meses. Por questões estratégicas, por feeling, por um monte de coisas que eu poderia contar outra hora em outro post, optei por aceitar a vaga temporária de estagiária que me ofereceram, mesmo tendo uma oferta de emprego permanente e bem remunerado na outra mão. Eu sempre tomei decisões estratégicas na minha carreira, decisões que algumas pessoas não compreendiam muito, mas que pra mim faziam sentido no longo prazo. Não foi diferente dessa vez.
Só que pra um estágio fazer sentido nessas alturas da vida, eu tinha que fazer ele render muito. Eu tinha que me mostrar muito, mostrar tudo que aprendi nessa vida, e que eu era uma estagiária "diferenciada". Depois daquela primeira semana que é sempre meio marasmo, eu comecei a me jogar de cabeça no trabalho. Me enfiar em tudo que é reunião, puxar qualquer coisa pra mim, botando a cara no sol rs... Acabei ganhando um projeto de presente, e aos poucos fui criando meu espacinho. Comecei a mostrar para as chefes (sim, ainda tem isso, entrei numa equipe feminina muito incrível :) que eu conseguia fazer muita diferença. E começou a dar certo.
Terça-feira encerrei meu estágio com um contrato de especialista assinado :) Ainda não é uma vaga permanente de emprego, mas um contrato atrelado ao projeto que estou liderando, até dezembro. Se tudo correr como previsto, e o projeto decolar, a gente vê como fica depois. Mas eu estou com um orgulho que não cabe em mim. Por ter seguido minha intuição mais uma vez (e num ambiente tão desfavorável, vamos combinar), por ter conseguido provar meu valor, por estar de volta com tudo nesse mundo corporativo do qual tanto falo mal mas ao qual sou bem apegada rs. Some-se tudo isso que eu estou curtindo muito a empresa, sou liderada por mulheres inspiradoras, aprendo muito, conheço muita gente interessante.
E por fim, mas não sou hipócrita de dizer que é menos importante: financeiramente entramos numa nova fase aqui. Não que a gente vá ficar rico, porque eu ainda sou empregada, não a dona da empresa hahaha, mas vamos ter um respiro. Nos dois anos em que não trabalhei nos descapitalizamos muito. A Suíça é cara, nós temos Baby que mora em outro país, e tínhamos economias em Reais. A gente não sabia desse problema do visto quando viemos (uma cortesia do RH do emprego de Mati, que nos informou incorretamente), e estávamos preparados para uma eventual demora para eu encontrar emprego, mas pensávamos em coisa entre 6 meses e um ano, mas não dois anos sem poder nem procurar. Eu encontrar um emprego o quanto antes (depois da novela do visto) era imperativo para continuarmos na Suíça. Tínhamos alguns planos B, C, etc, que ao invés de dar conforto, me tiravam o sono à noite. A verdade é que eu gosto muito, mas muito mesmo, de morar aqui e sair desse país sem ao menos ter tido a oportunidade de experimentar o mercado de trabalho era um cenário que me deixava deprimida. E ainda que o estágio não me pagasse um baita salário, ele já possibilitou que a gente refizesse um pouquinho as nossas economias. E agora, voltando a exercer um cargo de profissional graduada, a gente meio que entra numa "vida normal", como seria no Brasil, ou em qualquer outro lugar em que estivéssemos.
Entre um contrato e outro eu pedi férias. Va lá que são não remuneradas rs, porque um contrato terminou e o outro não começou. Mas tudo bem. Passei os últimos dias dando um tapa na casa nova, que ta uma ligeira bagunça rs, e sábado vamos para uma semana de férias nas montanhas. Na volta eu ainda tenho um tempo para curtir minha Berna, relembrar meus dias de absoluta folga por essa cidade (dos quais, não nego, sinto certa saudade, porque o ser humano é um bicho complicado mesmo), tomar todos os cafés com minhas amigas, para retornar ao trabalho zerada. O futuro, ele chegou :)











