Uma semana no norte da Itália: Bolzano, Veneza e Milão

 Comecei falando das férias de outono aqui, com nossos dias nas Dolomitas. Depois de três dias de trilhas intensas, eu estava cansada e pronta pra um city break hehe. Saímos na quinta de manhã, passamos pelo lago de Braies, e seguimos em direção a Bolzano. Bolzano já é o chamado Tirol do Sul (Südtirol em alemão), uma região que pertencia ao império austro-húngaro, e que não fazia parte da Italia até o fim da Primeira Guerra Mundial. E por isso a influência austríaca lá é fortíssima, inclusive as pessoas falam alemão e tudo está escrito nos dois idiomas (Bolzano, em alemão é Bozen). Em nosso caminho pra lá passamos em Bressanone (ou Brixen), uma cidade pequenina mas charmosa, com um centrinho bem animado, e onde, num restaurante completamente aleatório, comi a melhor refeição da viagem rs. 

Centro antigo de Brassanone


E um papardelle ao ragu de cervo, a melhor pasta de uma viagem cheia de pasta incrível!

Seguimos viagem, e chegamos em Bolzano já no fim do dia, e eu fui surpreendida por uma cidade super movimentada, cheia de gente, de vida, comércio agitado, feira e restaurantes cheios. Acabei parando pra ler o wikipedia rs e descobri que é uma das cidades mais ricas da Itália, com muitos estudantes, cena cultural e gatronômica. Uma grata surpresa! 


Imagens do anoitecer em Bolzano





Ao acordar lá na sexta-feira, demos umas voltas pela cidade, tomamos um café gostoso numa praça cheia de gente, e nos preparamos para seguir viagem. Eu fiquei arrependida de não ter planejando mais tempo na cidade - apesar de termos conhecido todo seu centro, tenho certeza que é uma cidade deliciosa de rodar com a bicicleta, e descobrir cantinhos. Um pouco da nossa manhã por Bolzano:






Seguimos viagem para Veneza, e chegamos lá por volta das 5 da tarde. A viagem de Bolzano para Veneza é em torno de 2,5h, mas demos uma parada para comer um sanduíche. Eu ainda não conhecia Veneza, e pra falar a verdade, tinha pouca expectativa. Lugares em que o turismo se massificou tanto me deixam com o pé bem atrás, e por isso acomodei uma noite na cidade nos nossos planos. Tanto marido quanto a irmã, que estava com a gente, já conheciam a cidade, e era eu quem queria dar esse check na minha lista rs. Mas olha... eu fui mais uma vez surpreendida! Tirando a Praça São Marcos, onde as hordas de turistas tiram a graça de qualquer coisa, fiquei apaixonada pela cidade. Linda, linda e linda, romântica, e fora das ruas principais, tranquila. Mais uma vez, uma cortesia de viajar fora de alta temporada, fora do verão. 

Depois de fazer check in no nosso apto, saímos para jantar, e demos de cara com essa (e outras) vistas

Passamos o nosso sábado inteiro perambulando pela cidade, almoçamos num lugar lindo, e nos permitimos nos perder por todas as vielas. No fim, foram 24h em Veneza, que valeram demais, e realmente, me deixaram com vontade de voltar para uma Bienal. 

Aqui, a Veneza cheia de turista. E nas próximas fotos, a Veneza que optamos por explorar...







No sábado de noite seguimos para Milão, e a gente tava é cansado. Nos limitamos a ir jantar num restaurante MUITO bom e ir dormir. No domingo cedo, minha irmão pegou seu voo para a Sicilia, e nós seguimos de volta pra casa. A viagem de Milão pra Zurich não deveria durar mais que 3,5h, mas por conta do trânsito em vários pontos, acabou durando quase o dobro. Ao todo, paramos em 8 cidades ao longo da viagem, nos hospedamos em quatro acomodações diferentes, comemos imensamente bem (variando de sanduiche que fizemos com produtos locais, a restaurantes chiquetosos), bebemos vinho bom, e fomos muito felizes por uma semana no norte da Italia. Uma viagem que mal planejamos, em que deixamos a vida levar, e em que fizemos tantas memórias gostosas. 

Uma semana no norte da Italia: começando pelas Dolomitas

Vocês sabem que o marido é professor, né? E que isso limita bem os períodos em que podemos tirar umas férias mais estendidas. E todo ano em outubro temos uma semaninha, que são as férias de outono. Ano passado fomos para a Puglia em busca de dias mais quentes e um restinho de verão. Esse ano resolvemos abraçar o outono com força e fomos para o norte da Italia, para conhecer uma região que estava no meu wishlist há um tempo. Vou contar um pouco da nossa viagem, mas no fim deixo também umas dicas mais redondinhas. 

Voilà 
***

Saímos daqui num domingo de manhã em direção a Cortina D'Ampezzo. A viagem é de 450km, e em tese deveria durar cerca de 5 horas, passando por 4 países. Na prática, foi um dia inteiro de viagem porque paramos bastante, olhamos bastante coisa pela janela e nos divertimos. Saímos de Zurich, passamos por Liechtenstein, depois almoçamos em Innsbruck na Áustria e por fim adentramos a região do Tirol do Sul na Italia, chegando em Cortina já de noite.  
Viajamos num dia meio chuvoso, e a vista em Liechtenstein não estava das melhores...

... e a paradinha para almoço em Innsbruck


Cortina é uma vila alpina que no inverno é focada em esqui - aliás, sediarão os próximos Jogos Olímpicos - e é bem grandinha, então tem bastante estrutura de hotéis, restaurantes, etc. Alugamos um apartamento um pouco fora da cidade (coisa de 5 minutos de carro), mas que tinha uma vista absolutamente espetacular, uma cozinha bem equipada e rodeado de muita natureza (todo dia a noite viamos uma família de viadinhos, muuuito fofos). Em cada um dos dias que passamos lá, acordamos de manhã, passamos o dia fazendo trilha e fomos jantar no fim do dia completamente cansados. 
Alugamos um apto pelo booking, que era super simples e aconchegante, com ESSA vista

Fizemos 3 trilhas: 

- Cinque Torri: uma trilha bem fácil, mas que num momento fica um pouco mais técnica por conta das pedras. Tem vistas incríveis das montanhas da região, e dos refúgios usados por soldados das guerras mundiais. É bizarro ver o tanto de cabana e disfarce escondido nas montanhas, e ainda mais se pensar que alguns deles foram construídos há mais de 100 anos. 
A trilha começa bem tranquila, por uma estrada pavimentada...

.., chegando decara para as cinco torres...

... aqui os esconderijos do exército italiano, todos encravados nas rochas e completamente disfarçados...

... e vai terminando assim, com mais pedras.


- Tre Cime: a trilha mais famosa da região, absolutamente espetacular (e cheia). Embora seja mais turistona, valeu cada minuto. A primeira parte é mais fácil e acessível, então é ainda mais cheia. Se você segue para dar a volta nos três cumes as vistas vão mudando, vai exigindo mais das pernas rs, mas vale a pena demais, porque além de linda, tem menos gente. 
Começando a trilha dos três cumes...

... a paisagem mais icônica das Dolomitas...

... surra de beleza...

... e terminando um dia com cafezinho e apfelstrudel!


- Croda da Lago: uma trilha em meio a floresta, com partes mais puxadas, mas no geral bem tranquila, e que te leva até um lago lindíssimo. Foi a mais vazia de todas, acho que ao todo encontramos 8 pessoas ao longo da trilha. 
O começo da trilha...

... conforme vai subindo, você tem vista das Cinque Torri (lá da primeira trilha)...

... chegando no refúgio, onde almoçamos...

... e o lago, lindíssimo!


Essa época é baixa temporada, os refúgios de montanha (com restaurante, banheiros, etc) estão em sua maioria fechados, então tem que levar comida, e se preparar. Mas achei muito bom porque, tirando a Tre Cime, estivemos sozinhos praticamente as trilhas todas, só ouvindo os barulhos da natureza. Só tivemos um restaurante aberto da Croda da Lago, e aí pra variar almoçamos lá. Nos outros dias, nos planejamos pra fazer picnic. 

Na cidade as coisas estão abertas, e tem uma variedade boa de restaurantes. Passamos no mercado e compramos coisas de café da manhã, coisas de picnic, e petiscos pro fim do dia, mas quase todos os dias jantamos em restaurantes (os meus favoritos foram o Dolom'eats para jantar, e o L.P 26 para comer petiscos e tomar vinho). 

Se fossemos ficar mais dias, teria valido a pena mudar a base para Val Gardena. A região das Dolomitas tem vários vales, e dirigir de um pra outro pode demorar mais de hora, então nós focamos nas atividades que eram mais perto de Cortina, mas tem várias outras trilhas e paisagens incríveis em outras áreas. Val Gardena seria uma boa base - quem sabe numa próxima. Depois de três dias inteiros ali, nós encerramos nossa viagem nas Dolomitas e seguimos para Bolzano. No caminho, paramos no Lago di Braies, que foi muito recomendado por um monte de gente. É sim um lago bonito, rodeado de montanhas, e tem bastante infra-estrutura (ótimo para quem ta com crianças): aluguem de barcos, parquinho, restaurantes. Tomamos um café, curtimos um pouco a vista e seguimos viagem... e vou fazer uma segunda parte. 
Mais uma manhã normal no apto belíssimo que escolhemos :)

E o Lago de Braies, também belíssimo

Se as Dolomitas valem o passeio? DEMAIS! Recomendo muito, e imagino que seja um lugar pra aproveitar nas quatro estações do ano. Seja esquiando no inverno, ou aproveitando as trilhas nas outras estações. Já quero voltar!

Back from ashes...

Eu sei, eu sei... faz é tempo que não apareço aqui, e ninguém deu falta, porque ninguém lê rs. Mas eu senti falta de escrever aqui. Senti falta de registrar os últimos meses da vida. Mas também senti falta de energia, senti o rolo compressor da vida passando por cima de mim de jeitos e formas inimagináveis. E foi assim que o tempo passou e eu sumi. 


Acho que no momento nem tenho forças pra olhar pra trás, e recontar o que aconteceu. E acho que nem quero. Tivemos algumas perdas, tivemos momentos tristes, e tivemos a vida nesse mundo capitalista maluco que mal te dá tempo pra processar, sentir e superar. Mas também tivemos momentos belíssimos, reencontros e visitas, passeios, e a reafirmação pelas nossas escolhas, apesar de todos os pesares. E não é que eu queira pintar uma vida irreal por aqui, em que só coisas boas acontecem, mas é quase o contrário. Eu quero que a Gabriela do futuro veja que, em meio ao caos emocional que foram esses últimos meses, teve também momentos bonitos e felizes :) 


Esse pôr do sol lindo, na companhia de amigos, sob o Lago de Genebra

Esse recebido lindo

Um cafézinho no Acid, aqui na vizinhança

Um chamego nele...

Acordar com essa vista...

Comer extremamente bem na Itália...

Pelas ruas de Bolzano...

E um esse restaurante fofo...

Finalmente conhecer Veneza...

Abrir a temporada de caminhar na neve...

Esse por do sol maravilhoso...

E esperança de dias melhores pro nosso país <3

08/12: Agosto

Agosto começou com férias, sol, calor e Paris, e vai terminando com aquele feeling de reta final do ano, que muito me assusta rs. Apesar das temperaturas ainda bem agradáveis, o outono ta querendo dar as caras aqui na Suíça, e essa pra mim é a pior parte. 

Começamos em Paris, encontrando nosso baby amado, que está muuuuito longe de ser um baby, e já é um pré adolescente. Passamos dias felizes em Paris, fomos conhecer a Normandia, pegamos praia, jogamos Uno, contamos histórias, brincamos muuuuito com Carlito, tivemos conversas filosóficas, sofremos pelo tempo que passa tão rápido quando estamos com ele. Foram dias muito felizes, e chegamos ao fim com a sensação de quero muito mais. Devo dizer que fizemos o que deu, já que a viagem dele era pra ter sido em julho, com muitos mais dias juntos, aqui em casa, etc. Imprevistos mil aconteceram, e a gente mudou nossos planos, e ficamos felizes de, apesar de tudo, poder passar tempo com ele. E é isso que importa. Criamos memórias e matamos saudades. Depois, com calma, volto pra contar dessa viagem, porque agora que contei de Lyon e lembrei como é bom fazer um relato detalhado, vou tentar fazer mais. 

Dias parisienses...


... e pelas praias de pedra da Normandia


Voltamos pra Zurich dia 10, numa viagem pancadão direto de Paris pra casa. 7h de estrada. Mas eu só voltei a trabalhar dia 15, então tivemos ai uns dias pra descansar, fazer uns rolês bacanas, e estreiar na Street Parade, um festival de música eletrônica que rola nas ruas de Zurich todo ano em agosto. Achei beeem vibes carnaval, com a galera coberta de glitter, descoberta de roupa e pudor rs. Todo mundo bem sem limites, subindo no poste, dançando pelado, ficando bebado, e jogando lixo no chão. Confesso que eu sempre gosto desses momentos de ver os suíços perdendo a linha um pouco.. humano, sabe? E me diverti bastante. Não sei se é um rolê pra fazer todo ano nessas alturas da vida, mas na nossa descoberta de Zurich além da pandemia, era uma experiência que queríamos viver. 
Street Parade nas ruas...

... e na água


A minha semana de volta ao trabalho foi meio sofrida rs. Normalmente eu volto das férias cheia de gás, vontade de fazer e acontecer, e dessa vez deu alguma pane na matrix. Passei uns dias desmotivada, e rezando pra ganhar na megasena. Acontece, e tudo bem passar uns dias de merda, né? O importante é não deixar a coisa tomar proporções muito grandes. Aos poucos eu voltei ao meu normal, e o trabalho engrenou legal. E fora do horário comercial tive um fim de semana de festa e agitação comemorando os 30 anos de dona Ana, um dia de voluntariado fazendo trabalho braçal no campo (para adicionar perspectiva, entre outras coisas, foi excelente), um festival de música, e por aí vai. Resumindo: eu não quero que o verão acabe, mas pelo bem da minha saúde talvez seja necessário rs. Que eu não sossego o facho faz é tempo. 
Celebrando...

... voluntariando...

... e festivalizando


E vamos de metas: 
- Ler dois livros por mês: e vamos de mais um mês de meta muito bem batidas. 

On the bright side: the new secret diary of Hendrik Groen - Em maio eu li o primeiro livro dessa sequência, e foi uma agradável surpresa. O diário de um personagem que vive numa casa de repouso nos arredores de Amsterdam. O segundo livro é tão lindo quanto o primeiro. Me apeguei demais aos personagens, chorei muito e ao finalzinho fiquei torcendo para que tenha mais um. São entradas diárias, que retratam a singeleza da vida, das amizades, dos momentos que importam, ... lindo. 

Malibu renasce, da Taylor Jenkins Reed: mais um novelão dramático, que você lê rapidinho porque é história cativante e tal, mas que me deixou meio whatever no final... e mais uma vez li em Português, e não recomendo essas traduções.

Cidadã de segunda classe, da Buchi Emecheta: INCRÍVEL. Mês passado eu li outro dela, e acabei ficando sedenta por mais. É um livro muito doloroso, ainda mais sabendo depois que é baseado na história da autora. Mas tão, TÃO importante... Sério, escritoras nigerianas são uma potência. O livro faz parte de uma sequência que ela depois nomeou como "Adah's story",  e eu quero ler os outros. 

Um outro adendo: percebi aqui que em Junho esqueci de documentar dois livros lidos, e são tão bons que não dá pra deixar de mencionar. Um é o M Train, da Patti Smith, e que eu li por recomendação da Alê. Obrigada, Alê. Esse livro é um abraço. Um livro pra saborear, pra ler devagar, que me fez pensar nos lugares que marcaram minha vida, nas pessoas de todo dia, no casaco que abraça a gente no inverno. Se o outono fosse um livro, ele seria esse <3 O outro foi A Cachorra, da Pilar Quintana. É um livro curtinho, e que tem muito pra dizer por meio de uma história singela. Sobretudo, acho que é um livro sobre maternidade, mas ser ser. Enfim, se alguém ler, volta aqui pra contar rs. 

- Fazer 12 hikes: em Agosto fizemos um hike que ta na minha lista há anos, em Stoos. É um ridge hike, você anda no topo de uma montanha, cercada de vistas de tirar o fôlego. Falando assim parece perigoso e doidera, mas não é. Tem bastante espaço, é super seguro, tinha criança fazendo. Mas eu achei bem difícil e requer um certo condicionamento físico. Enfim, vale a pena demais, e eu recomendo muito para quem quiser fazer um day trip e hike com vistas de cair o queijo (bem acessível de Zurich ou de Lucerna - eu linkei aqui um post que é do blog onde a gente pega muita dica de hike, e eles dão detalhes de como chegar até os lugares, é ótimo). 




- Conhecer um lugar novo em Zurich:
Sternen Grill, aparentemente uma instituição de Zurich. É uma versão suíça do que a gente chamaria de espetinho lá no Brasil rs. Tem as salsichas, linguiças varias, coisas fritas em geral. Você pega no balcão e come ou numa mesa, ou vai pra beira do lago. É delícia, preço bom, e ótimo pra quem ta fazendo um dia de turistagem pela cidade e quer comer algo local e barato. Recomendo muito a Wiediker, linguiça aqui de Zurich. 

- Viver uma vida mais saudável: não da pra dizer que estou super satisfeita com o desempenho em Agosto, mas fui bem ativa, fiz bastante exercício, e até voltei pra academia rs. 

Agosto acabou com os dias já ficando mais curtos, e comigo carregando um casaquinho ao sair de casa, porque de noite as temperaturas mais amenas estão dando as caras. O verão vai realmente ficando pra trás, e eu vou ficando é mais melancólica. Mas não tenho do que reclamar: verão de 2022, você foi incrível!  


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