O que eu quero pra 2022?

Mais um ano, mais uma lista de resoluções. Encerrei 2021 de forma bem positiva, tendo cumprido quase todas as metas que me propus. Isso dá um bom gás pra começar um ano novo, mas como eu disse no post anterior, eu preciso focar em algumas poucas e certeiras metas. Ficar criando listas extensas é uma armadilha: no início de janeiro parece tudo lindo, fácil e motivante, mas ao longo do ano, é só mais uma forma da gente se sentir vagal, pouco comprometido e tal. Então prefiro focar aqui em algumas poucas coisas. E voilà.


Em 2022 eu quero... 

- ler ao menos dois livros por mês: manter o hábito da leitura, no ritmo que li em 2021

- continuar minha busca por uma rotina saudável, com alimentação balanceada, exercício, e pouca neura: cuidar do lado de dentro, do lado de fora, ser constante. E nessa, eu resolvi ser bem ousada: quero, em todos os dias úteis (de segunda a sexta) tirar pelo menos cinco minutos para cuidar de mim. Seja 5 minutos de exercício, de ioga, de meditação, de respiração. Claro que se puder ser mais, ainda mais em se falando de exercício, seria ótimo. Mas o ponto é: todos os dias, pelo menos 5 minutos. Valendo. 

- voltar a estudar alemão: no verão de 2021 larguei as aulas. Agora quero voltar, quem sabe tirar um certificado? Sem grandes pressões... voltando a estudar já está de bom tamanho 

- fazer 12 hikes: a princípio a idéia era um hike por mês, mas considerando o foco em não me auto sabotar, eu sei que não vai rolar fazer hike no inverno, então vamos botar a média anual como meta

- conhecer um lugar novo por mês em Zurich: alguns anos atrás fiz essa meta com Berna e foi muito legal. Hoje moro num bairro que tem muita coisa, é central, e acabo ficando muito por aqui. Voltemos a explorar! 

Por fim, deixo aqui uma foto minha prestes a descer uma pista vermelha... Em 2017 eu tracei uma meta de terminar a temporada descendo pista vermelha. Na época não rolou rs... Mas 2 anos depois, lá estava eu descendo pista vermelha abaixo. E acho que é importante me lembrar que a gente faz o que dá, o importante é seguir na jornada. 


E comecemos 2022!

12/12: e o que você fez? Eu fiz o que deu!

E é assim que a gente vai ficando velho... sem nem me dar conta direito, mais um ano se passou. Não precisa dizer muito que, no contexto global, 2021 foi um ano horroroso. Mas se eu resolver focar no meu umbigo, 2021 foi um ano bem bom. Eu e minha família passamos ilesos de covid, todos com saúde. Concluí a mudança de carreira com a qual venho sonhando há pelo menos 6 anos. Consegui uma posição permanente na empresa em que eu gosto de trabalhar, depois de três anos de dedicação. Voltamos a fazer algumas viagens, e pude até nadar no mar. Consolidamos amizades, e nossa vida em Zurich. Entre dias bons, dias ruins, momentos incríveis e choros inevitáveis, me senti feliz. Principalmente: eu realmente entendo, aceito e me sinto cada vez mais confortável com a idéia de que a vida não é, e não será perfeita. Que a felicidade plena reside justamente em reconhecer e aproveitar os bons momentos e passar pelas merdas da vida sem perder a esperança, sabendo que não há mal que dure para sempre. 

Do ponto de vista mais prático, me sinto vencedora com relação às minhas metas - e eis aí mais uma coisa que aprendi nesses 35 anos bem vivids rs: ser realista, justa e generosa comigo mesma. Ficar fazendo lista de 30 resoluções é receita certa pra decepção e auto depreciação. Em 2021 me propus a cumprir 5 metas, algumas mais focadas em mudança de hábitos, e outras mais pragmáticas: 

"cuidar mais do meu corpo e da minha saúde: em 2021 quero perder os kilos encontrados em 2020, quero me exercitar ao menos três vezes por semana, e quero me alimentar de forma saudável de segunda a sexta.":  adotei uma dieta mais saudável e balanceada, fiz exercício com certa frequência, e esse combo, além de me dar uma sensação de bem estar, me fez perder sim uns quilos. Posso considerar essa meta 100% cumprida.

"ler um livro por mês: eu leio muito em férias, e quase nada no resto do ano. Mas é isso, em 2021 eu quero ler um livro por mês (e não é média, mas acumulativo).": mais uma meta 100% cumprida. Em todos os meses do ano eu li pelo menos um livro, mas cumulativamente, eu dobrei a meta rs. Terminei 25 livros em 2021, e deixei 3 não terminados pelo caminho. A minha idéia era retomar o hábito de ler mais romance e menos noticiário rs, e me deixa muito satisfeita ver que incorporei mais leitura no meu dia a dia. 
E para não deixar de fora, aqui vão os dois livros lidos em Dezembro: 
- Vulgo, Grace, da Margaret Atwood: a autora é bem conhecida pelo Handmaid's Tale, e esse livro é mais uma excelente obra. Conta a história de Grace Marks, uma assassina do século 19 no Canadá. Eu não conhecia a história, então a leitura ficou ainda mais interessante. É baseado em fatos verídicos, mas devidamente romanceado pra ficar ainda mais envolvente. 
- A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, da Martha Batalha: mais um delicioso romance brasileiro. Alias, fiquei bem satisfeita com o tanto de autores brasileiros que li esse ano. A história se passa num Rio de Janeiro lá pros anos 50, e é muito gostosa de ler. Impossível não identificar nossas avós, tias e mães nessa história de mulheres maravilhosas. 

"conhecer os cinco cantões que ainda não conheço na Suíça: Nidwalden, Glarus, Appenzel Aussernhoden, Appenzel Innerhoden e Thurgau": Pois foi a meta não cumprida do ano rs. Mas conhecemos Thurgau e Appenzel Inner. Ficam aí 3 cantões para 2022. 

"ser menos procastinadora: não deixar nenhum email sem resposta de um dia para o outro. Isso aqui é um problema específico das coisas que eu não quero fazer. E eu HEI de ser maior que a minha preguiça.": Até que fui maior que minha preguiça sim. Acho que saio de 2021 bem menos procrastinadora. E pro que sobrou de procrastinação em mim, não acho que tenha (e nem que precise ter) solução. Ta tudo bem deixar pra amanhã alguma das coisas que poderíamos fazer hoje né? O importante é não deixar tudo hahaha e esse balanço acho que encontrei. 

"fazer uma girls trip: em quase todos os últimos anos, rolou alguma viagem bacana com amigas. Já teve os carnavais da vida, já teve Cartagena, Paris, Amsterdam. Em 2020, o mais próximo que cheguei de uma girls trip foi passar um dia em Lugano com uma amiga querida rs. Em 2021, nem que seja num chalé aqui em Zurichberg, eu quero passar uns dias só mulherada.": Mais uma meta devidamente dobrada. Fiz duas girl trips, com a mesma turma. Comentei aqui de amizades consolidadas, né? Hoje sinto que tenho alguns poucos grupos de bons amigos na Suíça, e entre eles, uma turma ponta firma de amigas queridas, e com elas fui à praia, e fui ao frio. Passamos 5 dias em Mallorca no verão, e um fim de semana prolongado em Copenhagen. Dias de muita risada, presepada, histórias engraçadas e a sensação de que a gente segue muito jovem na vida. 

Não tenho do que reclamar, né? Metas cumpridas, dobradas e no geral, uma sensação de que Yes, I Can :) Ou seja, 2021 foi mesmo um ano bom pra mim. E eu quero mesmo é que 2022 seja bom não só pra mim, mas pro mundo. 

Encerro com alguns highlights do ano, e desejando a todo mundo um 2022 M A R A V I L H O S O! 






11/12: Novembro

Comecei Novembro em Amsterdam, vendo amigos e pensando que a vida estava voltando ao normal, e terminei atordoada com a tal da Omicron e todo o stress que ela trouxe. Mas enfim, apesar dessa lufada de bad news, Novembro foi um mês bem legal: teve jantares gostosos com amigos queridos, caminhadas no sol, Thanksgiving, um fim de semana em Copenhagen com as amigas, e a chegada da neve em Zurich. Teve também uma gripe demoníaca, que me fez, pela primeira vez nesse rebosteio todo, realmente achar que eu estava com covid. Fiz o PCR e me aliviei com o negativo, mas fiquei derrubada em casa enquanto o escritório fechava novamente por conta da pandemia, a Omicron aparecia e o mundo entrava novamente em modo de alerta. 

 Esse ano acabei não entrando no clima de Natal. Não montamos árvore, não estamos fazendo calendário do advento, e to morrendo de preguiça de me jogar nas compras de fim de ano. Por outro lado, resolvi ir ao Brasil no Natal, e por isso eu mal posso esperar. Estou muito ansiosa para ver minha família, conhecer minha sobrinha, abraçar meu pai, e fofocar infinitamente com minha mãe. Quando ela veio visitar em setembro eu me dei conta de quanto tempo passou, do medo que eu senti de perde-los, e resolvi que, embora o nosso combinado fosse esse ano passar o Natal com a família de marido, eu iria mudar a rota. Pela primeira vez em 7 anos eu e Matt passaremos o fim de ano separados, e isso me deixa sim um pouco triste, mas estou também bem animada pra passar um fim de ano 100% dedicado a minha familia. Não nego também que estou bem doida pra fugir do frio e curtir umas semanas de verão :)

Novembro sempre vem como uma pancada na minha vida europeia: os dias escuros, curtos, o tempo cinza, o frio que chega pra valer, tudo isso me da uma deprê danada. Nos primeiros anos eu demorei a entender que a minha confusão mental vinha do tempo, hoje já estou sabendo melhor e me preparo um pouco mais. Começo a tomar minha vitamina D, me organizo para ter uma programação leve mas cheia de afeto, estar rodeada de pessoas queridas, fazer caminhadas quando o tempo permite. E mesmo assim, é pesado e eu sinto o poder do clima sobre a minha vida. E esse ano, apesar da preparação e das coisas legais, não foi muito diferente. 

01.11, um por do sol lindo em Amsterdam para começar o mês


Jantar em família


Copenhagen

Das esquisitices: adoro pedalar no frio

Nova foto de perfil

A primeira neve do ano


Em termos de metas, foi mais um mês que não conheci um novo cantão - acho que a ideia de matar os cantões que faltava esse ano já pode ser considerada um fail rs... temos ainda três cantões suíços para conhecer. Esse mês voltei para a academia, então tivemos progresso na área de cuidado e bem estar, e apesar de ter enfiado o pé na jaca nas viagens, quando voltei pra casa sempre consegui voltar pra rotina e me alimentar melhor. E li 3 livros, e todos interessantes: 


 - Stay with me, da Ayobami Adebayo, mais uma escritora nigeriana que descobri amar. É um romance muito bom, muito forte, que faz a gente dar um mergulho não só na história que ele conta, mas na cultura em que está inserido. Recomendo muito. 

 - E se eu parasse de comprar? Da Joanna Moura, a blogueira que eu gosto rs. Sigo a Joanna nesse mundo virtual desde 2011, lá pelo segundo mês do desafio de um ano sem compras que ela se propôs (Quem conhecia o Um Ano Sem Zara?). O livro é bem legal, porque ela foca menos na auto ajuda, e mais em contar a história mesmo. Chega uma hora que você ta ali acompanhando um romance, torcendo pelo prêmio de Cannes rs. Li rapidinho num dia só, e foi uma leitura bem da boa. 

 - O fio da trama, da familia Pascolatto. Saindo da leitura da Joanna, eu tava na pegada de ler coisas leves, ler em português, e achei que a história da família da Costanza Pascolatto seria interessante. E é. Principalmente a primeira parte, que conta a história da Gabriella Pascolatto, a mãe da Costanza, que fugiu da Italia no pós guerra. Tem passada de pano pra vovô fascista? Tem. Tem white people problem das netas já nascidas em berço de ouro no Brasil? Tem também. Mas o livro é bem gostoso de ler, e foi uma boa companhia por uns dias.


Feliz dezembro e boas festas pra vocês! Quem sabe eu volto antes do fim do ano, mas se não voltar, já aproveito para desejar um excelente fim de ano :)

10/12: Outubro

Mais um mês, e dessa vez teve até um post entre um resumo e outro rs. Nem acredito. Mas bora lá pra mais um resumo do mês, porque infelizmente Novembro, o mês mais cinza e deprê do ano nessa Suíça, chegou. E quem sabe ficar aqui resmungando que o tempo voa faça ele passar mais rápido rs. 

Mais um mês intenso, com muito stress de segunda a sexta, e muita diversão de fim de semana. Fizemos caminhadas pelo mato, pela cidade, encontramos amigos, voltamos a viajar, e fomos acometidos pelo começo oficial de um inverno pesado. E inverno combina com o que? Com feijoada rs. Teve também feijoada, mas tirando uma foto no stories, só sobrou imagens da mesa pra postar aqui. Teve também férias, e sem dúvida, a viagem que contei melhor em outro post, e um fim de semana prolongado em Amsterdam, foram os highlights do mês. 

É maravilhosa essa sensação de voltar a sair da toca, agendar voos, ver outras paisagens. Tem ainda medo de covid? Tem. Mas eu realmente estou me sentindo a vontade pra encarar essa vida que agora é assim: com medo, com máscara, e com vacina. Por outro lado, agora a gente tem um cachorro, né? E fazemos de tudo pra deixar ele bem cuidado e confortável, na creche que ele já conhece e tal, mas gente... eu fico morrendo de acabada de saudade do cachorro. Em dado momento das férias, me dei conta conta que tava falando muito dele rs... A vida tem dessas. Mas é bom demais voltar, ir buscar e ter ele todo feliz de volta em casa. De qualquer forma, temos agendados vários voos que foram cancelados no último ano e meio, e tirando eles, eu resolvi que qualquer outra viagem há de ser de carro pra levar o Carlitinho rs. 

E vamos de balanço? Vamos também! 
Vou ser bem honesta... nesse mês não teve exercício, não teve dieta, não teve cantão novo, não tem nada. Sabe o que teve? Livro rs. Pois eu li cinco, isso mesmo, CINCO livros nesse outubro movimentado. Alguns livros eram mais curtos, mas tudo livro bom, ta? Quer dizer... um eu gostei mais ou menos, mas vamos lá. 

Noite em Caracas: esse é uma porrada. Uma escrita boa, uma história que tem um quê de não ficção, uma mulher forte, e uma Venezuela em ruínas. Recomendo demais. 
Tudo é Rio: de repente eu comecei a ver o nome desse livro em todo canto, e resolvi me aventurar. Curtinho, que eu li muito viciada num domingo chuvoso. Comecei pela manhã, e acabei aos prantos quando fui dormir. Livro lindo, história que prende, personagens cativantes, sério... Maravilhoso. 
Descobri que estava morto: empolgada com os autores nacionais, fui pra esse que tinha ouvido falar bem. Não morri de amores, porque o carioca esquerdomacho não é algo que faz muito minha cabeça. Mas a leitura flui, a história intriga, e mesmo quando eu tava é de saco cheio do protagonista, ainda deu fôlego pra continuar rs. Recomendo? Médio, se você estiver meio sem idéia do que ler e querendo impulsionar a literatura nacional hahaha. 
Manual da Faxineira: sendo bem sincera, eu não li sobre o que era o livro. A autora chama Lucia Berlin, um nome que bem podia ser brasileiro. Achando que ia ler aí umas histórias óbvias de como a classe média brasileira é podre, acabei surpreendida ao me deparar com um livro de contos de uma escritora americana celebrada (e que eu claramente não conhecia rs), cheio de histórias interessantes, envolventes, mulheres fortes, problemáticas, gente esquisita, tem hora que o livro fede tamanha a precisão das descrições da mulher rs. Gostei muito, e é o tipo de livro que daqui uns anos eu vou querer ler de novo. 
Laços: não me lembro quem me indicou, mas me disse que era uma história muito boa. E que história, meu povo... pra começar que eu amo história baseada na Italia, porque o imaginário da gente é cheio de referência e a gente vai longe na viagem. Gosto de criar personagens com traços definidos na minha idéia, casas com decoração que eu visualizo rs. Uma história muito bem contada, uma porrada sobre relacionamento, maternidade, paternidade, machismo, casamento. Tudo isso dentro de um livrinho cativante e uma história singela, e quando você vê, te deixa com a cara no chão. Leia. 

E foi isso.. agora vamos de fotos? 

Pelo mato, e Carlito mostrando o caminho

Trabalhando num café num dia chuvoso

Bem endiabrada de drinks no primeiro dia das férias

E fingindo finesse na Italia

Mesa posta

Terminando o mês em Amsterdam

Puglia: meus dias na Italia fora de temporada

Teve um tempo em que eu fazia posts completíssimos sobre viagem nesse blog, porque eu achava que poderia ajudar alguém. E de fato, as vezes ajudava e bastante gente apareceu aqui por conta dos relatos de Cuba. Mas hoje em dia não é mais o caso, e aí eu me pergunto: a quem interessa um post de viagem? E eu me respondo: a mim mesma. Acho que preciso me lembrar que há vida na beira da praia fora do calor escaldante do verão. 


O nosso planejamento de férias é sempre um pouco complicado porque Matt não tem nenhuma flexibilidade. É professor, e só pode tirar férias durante as férias escolares. Alguns lugares, como a Grécia, o litoral Italiano, são excelente pedidas no mês de setembro, quando a horda de turistas da uma reduzida, mas a temperatura segue alta suficiente pra dar praia. Porém as férias da escola são em outubro, rs. E com outubro tive que me contentar. Pensamos em vários lugares mais quentes, como Egito, Marrocos, Jordania, mas embora os destinos em si fossem bem em conta, as passagens saindo da Suíça estavam pela hora da morte. E foi assim, que voamos pra Brindisi, uma cidade portuária no salto da bota italiana, a região da Puglia. A expectativa de temperatura da época é entre 13 e 23 graus, bem longe dos 40 do verão, e também longe dos 4, 5 que tem feito em Zurich. 


Passamos cinco dias baseados em Lecce, uma cidade maravilhosa de origem grega, e explorando a região de carro. Foram cinco dias de comidas incríveis, paisagens lindas, cidades encantadoras, e principalmente, de sossego. Pouca gente, pouco turista, e zero necessidade de se preocupar com reserva, com lotação, com lugar pra estacionar, com covid, com nada. Até os lugares mais pitorescos e instagramáveis estavam puro sossego. Foi maravilhoso. E quando digo sem nem preocupar com covid: a Italia ta é de parabéns. Ou a Puglia, sei lá. Mas muita gente usando máscara, todo mundo mantendo distância, e um balé coordenado de gente com noção que você nem lembrava que tinha que se preocupar. Era só botar a máscara e ir, porque tudo ia fluindo de forma segura. 


Não vou entrar muito nos detalhes de roteiro acho que tem gente por aí fazendo conteúdo mais apropriado. Mas aos poucos acabamos desbravando a região quase toda, aproveitamos dias de praia (sem mar pra mim, marido até se jogou na água), vimos pores do sol espetaculares, dirigimos sob a lua cheia todos os dias, e registramos memórias que vou dividir em imagens, mas queria também registrar algumas coisas: 

  • entre 14 e 17h, as cidades dão uma dormida geral. Tudo fecha, o povo some da rua, e quando visitamos algum lugar nesse período, ficava aquele feeling de cidade fantasma hahaha... Mas aí eu penso: onde foi que isso se perdeu? É maravilhoso que as pessoas vão lá almoçar, primo, secondi, comem horrores, depois tiram uma sonequinha, e ai voltam pra vida. Quero! 

  • depois de um tanto de tempo sem ser "turista" eu achei muito estranho ir num lugar bem turístico, como Alberobello, e me sentir numa cidade cenográfica rs. Porque tudo vira loja de souvenir, café e barzinho charmoso, e as pessoas que moravam ali somem, né? De repente, não tem gente, não tem dia a dia, só tem turista andando pra lá e pra cá. E deus me dibre de encarar Alberobello numa alta temporada. 

  • acabamos vendo dois funerais, um deles numa vila bem pequena chamada Locorotondo, com banda, cortejo e me fez pensar que até essa dignidade foi tirada de tantos nessa pandemia. Tanta gente que não teve funeral, tanta família que não teve um rito de passagem, tantas comunidades que não prestaram suas homenagens. Me fez ter um respeito ainda maior pelo que estava acontecendo a minha volta.

  • comida italiana não tem erro. A região é tem uma culinária bem rica, com muito frutos do mar, pasta, azeitonas (o que você vê até perder de vista é oliveira), petiscos. Come-se muito bem, a preços muito bons, e em quantidades absurdas. Eu amo comer, e viajar pra mim é sinonimo de me aventurar pelas delícias dos lugares que visito. Mas o ponto alto pra mim foi o "pasticciotto lecchesi", um bolinho recheado com custard, que comi todos os dias de café da manhã, e comeria todos os dias pro resto da vida.

  • eu gosto de second hand shopping, e estou cada vez mais afiada. Algo que gostamos de fazer, quando viajamos, é procurar lojas de segunda mão. Já faz muitas viagens que o souvenir que acabo trazendo pra casa é justamente isso: algo único, garimpado em algum brechó, e que não fica pendurado pela sala, mas faz parte do meu dia a dia. E quando alguém elogia essas peças, adoro também contar de onde vieram, dar aquela relembrada da viagem. E em Lecce achamos umas 4 lojas excelentes - e juntando com a experiência que já tive em outras cidades italianas, me faz achar que o país é a meca de quem compra roupas vintage. Sempre seleções ótimas, peças em perfeito estado, tecidos ricos, etiquetas de peso, em lojas organizadas e bonitinhas. Recomendo.


Agora voilà, chega de falação, e vamos de belezas, que é pra lembrar que as férias de outubro de 2021 foram delícia: 

Cidades ocres...

... com pitadas de cor (e com uma menina exibida posando pra tudo que é foto rs)

Pasticciotto & Capuccino, minha dupla favorita 

Paisagens lindas

E cidades fofas

Ruas que encontrar o mar

E essa luz 

Selfie no por do sol, bem podrinha e feliz <3

9/12: Setembro

Setembro foi um mês muito feliz, e é com atraso mas muita nostalgia que venho contar sobre ele. Se o verão foi bem capenga por essas terras, setembro nos reservou dias bonitos, ensolarados, de temperaturas as vezes amenas, as vezes pra dar um gostinho do calor que quase não tivemos. Tivemos dias incríveis na beira do rio, e pela primeira vez pegamos um barquinho e desaparecemos pelo lago de Zurich. Também fui numa festa - a céu aberto, mas uma festa - pela primeira vez em um ano e tanto, e me dei conta de como sentia falta disso. Tive meu momento de beber muito vinho e acordar de ressaca e com passagem pra um fim de semana com as amigas compradas. E o principal: setembro eu revi a minha mãe, num reencontro bem avassalador e que mexeu demais com meu coração de imigrante. 


Essas lembranças me fazem esquecer que eu estive a beira de um ataque de nervos esse mês: trabalhando muito, até tarde vários dias, com várias frustrações, cansada, negligenciando a casa, o cão, sobrecarregando o marido, e pensando várias vezes onde amarrei meu burro. Mas eu me cerco de pessoas incríveis, e quando desligo o computador, eu to no meu mundo, e eu sempre dou meu jeito de me divertir, de relaxar, de focar no lado bom da vida. 


Ficam aqui registros desse mês feliz, que trouxe uma perspectiva forte de vida normal, cheio de felicidade, reencontro, e sol. 

Com Cartlitinho na beira do rio


Montanha acima

Vinho a dentro

Festando

Mergulhando


A vida que eu pedi

E também teve as minhas metas, né?! Que seguem aqui, firmes e fortes: 

- cuidar do corpo e da saúde: não fiz nenhum exercício além de andar por aí, pedalar de bar em bar e carregar garrafa de vinho. Comi bastante porque não é todo dia num ano pandêmico que minha mãe vem aqui né? E isso foi é um bálsamo pro meu psicológico, então ta valendo DEMAIS. 


- ler um livro por mês: Li o hypado "Maybe you should talk to someone", livro de uma terapeuta e sobre terapia. É meio auto ajuda? É. É bom? Também. Eu acredito muito em terapia, fiz por anos, e voltei a fazer ano passado depois de uma crise. Acho que todo mundo se beneficia de auto conhecimento, e o livro faz um belo serviço em trazer essas perspectivas de que terapia é pra todo mundo, afastando esse eterno preconceito de que é coisa de doido. 


Sobre procrastinar menos, uma nota: no post de agosto tive dois comentários comuns, de gente que me conhece, falando que dado o tanto de coisa que eu faço, não tem como eu ser tão procrastinadora. Pois vejam bem: eu não procrastino tudo, o problema é justamente coisas que me dão preguiça. Isso pode variar da planta que ficou aqui mais de 3 meses pra ser replantada (e acabou salva pelas mãos de mamãe), como pode ser sobre coisas de trabalho. Eu tenho uma tendência a ignorar coisas que não quero fazer. E ai elas me mordem na bunda lá em cima do prazo. Melhorei? Sim. Sigo procrastinando? Também. 


Também não visitei outros cantões, mas to dobrando a meta na girls trip rs 

08/12: Agosto

E eu sigo prometendo, mas só aparecendo de mês em mês rs... Porém prefiro isso a nada. Então se você ainda tiver saco pra mais um resumo de mês, vem comigo 

Comecei o agosto entrando de férias. Parece que foi anos atrás, mas foi só mês passado. Depois de trabalhar uma semana em horários bizarros, pude finalmente aproveitar a California. Fomos pra praia, fomos pra Disney, fizemos umas compras, comemos coisas gostosas, brincamos muito na piscina, e nos curtimos muito. Foi relaxante, foi um abraço na alma depois de um ano e meio de stress e ansiedade. 






De volta em Zurich, a vida voltou ao normal: chuva e trabalho. Mas eis que tivemos sim uns dias de verão, e eles foram devidamente curtidos na beira do rio aqui, e também em Berna <3 Entre uma coisa e outra, na esperança de termos agora mais visitas, demos uma mudada nas coisas aqui em casa. Desde julho tenho ido ao escritório duas vezes por semana, e essa vai ser minha rotina, independente de pandemia, e por isso também fez mais sentido organizar um home-office mais confortável. Ainda falta um tapetinho e pendurar um quadrinho, mas já fiquei feliz. 

Verão de muita chuva...

E por isso aproveitamos todo e qualquer dia de sol

Foto de qualidade bem meh, mas importante registrar meu pulo da ponte no Aare rs

Dia de escritório

E dia de home office

E cheirinho no Carlito, sempre

Agora bora pro balanço mensal: 

- cuidar do corpo e da saúde: por incrível que pareça, Agosto foi um bom mês. Se por um lado na California comi e bebi muito além do que deveria, por outro me exercitei quase todos os dias. Não me arrependo de nada rs. Na volta, fui correr atrás do tempo perdido e voltei a me alimentar melhor. Andei trabalhando muito e sem energia pra me movimentar, o que não é bom. Mas o saldo final do mês foi bem positivo nesse quesito. 

- ler um livro por mês: li a Biografia da DV: Diana Vreeland, uma ícone da moda do século passado. Diana foi editora chefe da Vogue nos anos 70, e ditou muita moda mundo afora. A realidade de alguem que nasceu podre de rica nos anos 1900 contrasta demais com o que é bem aceito, bem visto, nos dias de hoje. Então me tomou uma dose extra de paciência e tolerância ler alguns trechos do livro. Mas foi uma leitura interessante, a mulher teve uma vida cercada de luxo, famosos, e foi de uma super influência. Em vários momentos, no entanto, fica bem claro como a elite, seja ela de onde for, é um grande atraso. 



- ser menos procrastinadora: já fui melhor, já fui MUITO pior.

- visitar cantões não visitados: nada

E agora, vou me despedir do verão la fora, e mais uma vez, espero voltar aqui antes do mês acabar. Mas se não rolar, até mês que vem rs. 

Follow @ Instagram

Back to Top