06/12: Agora sim, o meio do ano

 No começo de junho meu instagram foi assaltado por gente que não sabe fazer conta rs... galera falando que metade do ano já tinha pensando, e eu fiquei só a Nazaré. Mas é isso, gente, agora sim, com junho definitivamente despachado, podemos falar que metade do ano já passou. E posso dizer, que entre erros, acertos, dores e delícias, essa metade de ano aí foi bem da boa. Não posso reclamar. Mas não vou ficar fazendo balanço de meio de ano que haja paciência rs.. vamos focar em junho. 


Recebi três amigas em casa, em três momentos diferentes de junho. E se por um lado a casa cheia tem hora que fica caótica, por outro foi DEMAIS porque eu amo receber, amo estar com minhas amigas, e assim... foram amigas queridas queridíssimas, e eu tava com muitas saudades. E além da delícia, da fofocaiada, do blablabla sem fim, das risada e das histórias, a gente aproveita pra turistar onde mora, e também nas adjacências. E Zurich deu show: o verão aqui ta pegando fogo, e em junho deu muito lago, muito rio, muito tudo! Eu sempre faço piada da ironia que é, quem sempre sonhou em ter uma vida de praia, ter encontrado justamente na Suíça, um país sem saída pro mar. Mas olha... eu não tenho mesmo do que reclamar. Verão na Suíça é 10/10. 

Aproveitando uma das visitas, fomos pra Colmar, na França, cidade que amo e que fica pertinho daqui

My people

Verãozão em Zurich

Sandália, café, Carlito, chão bonito... muitas coisas agradáveis numa foto só

Pink sunset


E como sempre, quem vê close, não vê corre. Eu normalmente abro esses posts falando dos passeios porque é a parte mais feliz e fotogênica. Mas entre um passeio e outro, uma foto e outra, tem muito trabalho. E se não tenho muita novidade além do "trabalhei muito" de sempre, teve um negócio legal que achei válido registrar. Recebi uma avaliação muito positiva no trabalho, e entre um monte de coisa bacana que ouvi, uma frase em especial merece uma reflexão. Uma executiva importante lá falou que eu sou corajosa, falo o que penso e que eu ajudo eles a lembrar do porquê estarem ali. E eu fiquei com os olhos cheios de água, porque passei uma vida ouvindo que sou bocuda, que eu tenho que baixar a bola, que eu tenho que me comportar, baixar o tom, etc etc... e eu escuto essas coisas, eu respeito, e eu tento me adequar. Mas a real é que nem sempre a gente se segura, né? Afinal de contas, é parte da minha personalidade, de quem eu sou. E eu sou "no bullshit", eu não gosto de enrolação, e eu sou direta. Eu tambéms sou respeitosa, eu tenho noção, mas ainda assim, eu ficava por aí me sentindo inadequada, e tentando ter menos personalidade do que tenho rs. Então ter esse reconhecimento, nesse país diferente, numa área diferente, e vindo de uma pessoa que está tão alto na hierarquia da empresa, deu um quentinho bom no coração. 


E agora vamos lá, pras metas do ano, e como eu segui com elas em junho: 

- as esquecidas no churrasco, continuam esquecidas no churrasco rs: nada de estudar alemão e ser saudável. Duas coisas que não fiz em junho. NEXT. 

- ler dois livros por mês: pois li dois livros bem bons e diferentes. Ela, sempre ela, única e maravilhosa, Elena Ferrante. Pois li A Filha Perdida. E que livros, meu povo... que livro. O hype não é em vão. Como sempre, mulheres reais, fortes, conflituosas, sentimentos que a gente se identifica. Nesse caso, o livro é sobre maternidade, uma vivência que eu não tenho, mas eu ainda assim mergulhei com força nos conflitos, sentimentos e egoismos da protagonista. Tem um filme baseado no livro, que não assisti mas ouvi falar muito bem porque justamente provoca esses sentimentos com imagens. Quero ver! 

Meu segundo livro foi O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório. É um livrão, se não me engano ganhou um Jabuti. E é BOM, muito bom. Mas tem pouquíssimo tempo que li Amarelo e Marrom, do Paulo Scott. E os livros tem ali suas sinergias. Ambos falam de racismo, falam de Porto Alegre, tem uma linguagem e cadência similar. E por isso eu não apreciei tanto quanto deveria. Se soubesse que tinham suas similaridades, teria guardado pra ler mais pra frente. Em todo caso, como disse, é um livro que merece a atenção que recebu da crítica. Mas foi um timing ruim pra mim. 




- fazer 12 hikes: Pois em junho teve hike sim. Aproveitamos um feriado de sol para fazer uma trilha no Graubunden, um cantão que adoro, e finalmente conhecer o Caumasee e os canions do Reno. É um role bem legal, mas que poderia ser MAIS legal ainda se eu não tivesse dado de cara com uma novidade na Suíça: um lago fechado em concessão. O Caumasse é um lago absurdo, de uma cor doida, mas nem me ocorreu pesquisar antes de ir. Pois ele é fechado, cercado inteiro, e para entrar tem que pagar. Tem área de banho, restaurante e afins, e assim como na maioria das áreas da banho do país, não aceitam Carlitinho. Então acabou que só vimos o lago de fora (spoiler: é um escandalo!), e seguimos morro acima até um mirante ontem ficamos ali embasbacados com o Rheinschucht, ou canions do Reno. Ficam aqui umas fotos desse dia! 

Caumasse: a COR desse lago! 

Rheinschlucht, visto de uma plataforma

E tinha mais um lago pelo meio do caminho... 

Alguém completamente exausto depois de um dia de caminhada

E mais uma vez subi e desci pra Uetliberg, a montanha da cidade aqui de Zurich. Não é um hike inédito, mas é hike, e um dos que adoro. Ta valendo!

E Zurich vista do topo da Uetliberg

- conhecer lugares novos em Zurich: meta alcançada com louvor, de novo rs. Conheci o Palestine Grill - que nada mais é que um kebab, num trailer, no coração imundo da Langstrasse. Mas valeu demais, porque o shawarma deles é muito bom! E barato. Recomendo. 

Também fui, finalmente, ao Lilly's, um restaurante de fusion asiático. Demorei, porque tem uma casa aqui na frente, e porque todo mundo fala bem. Pois não fiquei encantada e não entendi o hype rs.. tava gostosinho, ok, mas nada demais. Tem MUITO imigrante asiático em Zurich, e tem comida thai, vietnamita, etc, muito melhor. 

Kraftwerk: barzinho hipster, com ambientes de container, na beira do Sihl, ótimo pra um happy hour. Não fiquei muito tempo, e não explorei muito o cardápio, mas tomei ali um aperol, e foi gostoso. Em todo caso, o objetivo desse exercício de conhecer lugares novos é justamente esse: pensar em lugares diferentes quando marca um encontrinho com amiga, etc. Então tudo bem não ter me refestado  por lá rs.. motivo pra voltar. 


Em breve saio de férias, então o post de julho vai demorar mesmo rs.. mas enquanto isso to curtindo muito o verão, conhecendo coisas novas, lendo muito, e até fazendo post extra, veja só... Até mais!

Um post sobre looks do dia - e sustentabilidade

A idéia de second hand sempre me agradou, mas há uns 15 anos atrás, quando entrei no meu primeira brechó, eu achei a experiência meio complicada. Lembro de ter ficado completamente inerte diante de TANTA coisa. Foi ali que eu descobri que eu gostava de garimpar até a página dois. Uns anos depois, quando descobri o Enjoei, a coisa mudou de figura: era uma experiência muito mais fácil e agradável, e eu comecei a dar mais chances pros usados no guarda roupa. Lembro bem da minha primeira peça de segunda mão, uma "blusinha de trabalhar" da Cris Barros - uma marca completamente inacessível pra mim na época. E nem só de comprar se faz essa história, mas também de vender. Desapeguei de muitas coisas pela OLX e com amigos, e quando chegamos aqui, acertamos que tentaríamos achar o máximo que desse de coisas usadas pra nossa casa e vida - é sustentável, é o futuro, e é também o jeito de não ter uma casa que parece um catálogo da Ikea rs. 


As vezes, quando comento de tantas coisas que são second hand aqui de casa - e também do meu armário - muitas pessoas ficam surpresas. Ouço as vezes de amigas coisas do tipo.. "não sei como você acha essas coisas, não consigo". E é mesmo um processo e um exercício. Processo de ir achando as lojas que você gosta, que tem curadoria interessante, e ter um pouco de persistência. Nem sempre você vai achar coisas legais, mas quando você acha... você acha! Outro dia comentei que meu estilo mudou bastante ao longo dos últimos anos, e hoje, vejo que muito do que é novo no meu armário pra sustentar essa mudança, veio de lojas de segunda mão. E resolvi que hoje ia encarar uma ego trip aqui e postar meus looks do dia de second hand sim, e quem saber, convencer você - se ainda não deu uma chance aos brechós - para que dê. Como eu não sou uma blogueira de respeito, só vai ter foto de espelho rs. Mas fica aí essa dica: quando se achar bonita no espelho, tira foto mesmo e depois faz um post para a posterioridade :) 

Esse shorts, que é uma das minhas peças favoritas do momento
Um jeans bem diferentão

Vestidão de verão

Essa blusinha, achada num desapego de instagram

Essa blusa preta, que vai pro trabalho e pra baladinha

Um blaser bem lindão

E o favoritíssimo de todos: esse casaco peludo maravilhoso

Meu olhar melhorou demais, e hoje minhas compras são sempre certeiras - porque tem um perigo aí que é comprar coisa usada por comprar, porque é barato, e que vai deixar de estar encalhada no armário de alguém pra encalhar no seu. Sim, já caí nessa presepada, e talvez você caia também. Mas ir apurando o olhar, começar a pensar se vale a pena, mesmo sendo tão barato, é um caminho natural. 

E aí pra não ficar só nas fotos de bonita, ainda tem outros achados. A minha casa é metade mobiliada e decorada pela IKEA, e a outra metade por coisas que achamos pelas brockis, como são chamadas as lojas de segunda mão aqui. E se um dia eu fizer uma parte dois desse post, eu venho com mais imagens. Mas achei essas duas fotos no rolo da câmera e achei que valia mostrar: 

Esses pratos lindos, que custam uma fortuna cada um, vieram de um brechó: 50 francos por 6 grandes de 11 pequenos

Mesa encontrada no marketplace do facebook, e cadeira diretamente do garage sale da firma rs

E veja só, pra finalizar, uma histórinha. Em 2016, quando chegamos na Suíça vi no jornal o anúncio de uma bike bem linda. Eu já estava estava procurando uma, mas com um budget bem apertado, então aquele preço dela novinha era fora da realidade. Corta pra 2020, eu procurando uma bike nova e mais moderna pra substituir a minha, e quem aparece num site de revenda? Ela mesma, aquela lá de 2016. Por 40% do preço rs. E foi assim que Josephine entrou pra família. 


Reciclar e reutilizar é o futuro por muitos motivos. E num mundo de tendências que vem e vão cada vez mais rápido, pode ser também um caminho para atualizar o guarda-roupa e a casa sem ir à falência. Você deixa de produzir lixo, você deixa de utilizar mais recursos naturais, mais matérias-primas, e dá vida extra a algo que não serve mais pra vida de alguém, mas serve pra sua. E esse pensamento me deixa feliz :) 

05/12: Maio

Pois parece que foi ontem que eu tava aqui falando de abril, e já estamos quase em julho rs.. Zoeiras a parte, mais um mês que eu só apareço pra fazer resumo mensal e olhe lá. Não que alguém se importe, mas eu realmente quero manter um mínimo de organização nesse pequeno blog que ninguém lê. 


Maio já parece muuuito distante, mas foi uma DELÍCIA de mês. Porque além da primavera estar full on, é um mês que tem feriados, e que dessa vez trouxe foi logo um verão de vez pra minha vida. Temperaturas na casa dos 30 graus, meu coração não aguenta de felicidade. Teve também uma visita mais que especial: meu irmão, minha cunhada e Olivia, minha sobrinha linda. Eu até hoje passei pouquíssimo tempo com a Olívia, e esses dias aqui com ela foram um sonho. Muita brincadeira, muito abraço naquele corpinho, muito dengo. Passeamos muito por Zurich, fomos pra Berna e pra Lucerna, e botamos muito papo em dia. Meu irmão ainda não tinha me visitado, e foi muito bom dividir um pouco da minha vida aqui com eles, mostrar meus lugares favoritos, e conversar até o papo acabar. 

Olivia e Carlito <3


Foram dias deliciosos, que terminaram meio abruptamente quando eles foram pra Portugal de madrugada. Nem nos despedimos porque nós seguiríamos em outro voo para encontra-los para um feriadão. Pois em janeiro comprei esse voo com a TAP, recebi email de confirmação com localizador e tudo. Eis que na hora de fazer o check in aqui, reserva não encontrada. As malas já prontas, Carlito já no hotel de cachorro. E eu descubro que lá em janeiro o banco bloqueou a transação no cartão, meu pagamento não foi efetivado, e a dona TAP cancelou as passagens sem dar a menor satisfação. Nem um email pra avisar. Comprar uma passagem da Suíça pra Portugal é um preço absurdo, do tipo que sai mais barato voar pra NYC. E a TAP nem se prestou a nos dar um desconto pela cagada deles. Fiquei muito chateada, chorei um monte, de raiva da TAP, de raiva de mim por não ter percebido lá atrás que o valor não estava na fatura do cartão, e de raiva de tudo. Não nos despedimos, não dei um último abraço na Olívia, mas pelo menos fico com a certeza de que eles gostaram tanto daqui que logo estão de volta. 


E se a visita da família foi o highlight, tivemos ainda outros momentos muito legais. Depois de 10 anos, voltei a Berlim, que um dia foi minha cidade favorita no mundo. Essa visita foi rápida, somente um fim de semana. Foi também BEM diferente das outras vezes que estive lá: sem balada lost, sem sair parecendo Walking Dead da Bergheim, sem me enfiar por uns infernos muito loucos. Aproveitamos muito os dias, e fomos dormir cedo rs. Quase um casal de velhos, QUASE. Eu segui amando Berlim, e quero voltar muitas e muitas vezes, mas percebi que hoje tenho a vida que, 10 anos atrás, eu sonhei enquanto andava pelas ruas de Berlim: vivo numa cidade em que aproveito os espaços públicos, tenho liberdades, ando de bicicleta, tenho qualidade de vida. Resumindo, o X da questão não era Berlim em si, mas eu que já estava entrando em crise com a vida de São Paulo na época. É tão bom olhar pra trás e ver que consegui muito do que sonhei lá atrás... 




Alias, em maio eu fui a Berna duas vezes. Fui passar um dia com meu irmão e família, mas fomos também passar um fim de semana para visitar amigos. Nesse fim de semana, acabamos nos hospedando há uma quadra de onde morávamos até a mudança pra Zurich. E eu sou muito apaixonada por Berna, e mais ainda por aquele bairro. Fiquei nostálgica, emocionada, e sei que é porque eu fui muito feliz lá. 


Enfim, maio foi essa mistureba intensa, e agora escrevendo, percebo o quanto de reencontros eu tive em maio: meu irmão, Berna, Berlim, etc. No meio de tanta emoção e coisa pra processar, não por acaso não sobrou muito tempo pra eu cumprir minhas metas rs. Sobre as metas, vamos lá:

- ler dois livros por mês: esse mês fiquei devendo, e li um livro só. Livro excelente, aliás. The Secret Diary of Hendrik Groen. O diário de um homem numa casa para idosos. Pode parecer meio desinteressante, mas é uma ode ao nosso envelhecimento, as amizades, ao amor. Amei demais. 


- fazer 12 hikes: engrossamos a lista com um cantão inédito. Fomos conhecer o penúltimo cantão, Appenzel Ausserrhoden, e fizemos um hiking de algumas horas até o Hundwiller hoch. Era um dia que tava prometendo chuva, mas nossa teimosia foi recompensada e nada de chuva. Mas a vantagem é que a trilha tava bem vazia, tranquila, e foi um domingo gostoso - fiquei depois com dor nas pernas? Fiquei. Mas sempre vale a pena. 



- conhecer lugares novos em Zurich: em maio fui pela primeira vez no La Taqueria, um mexicano bem relax, mas que vive cheio e por isso nunca tinha conseguido mesa (sempre em cima da hora rs). Gostei bastante do clima, a michelada é DELÍCIA, e a comida estava boa. Gostei muito que você pede tacos individuais, então proveite ao pastor, carne asada e frango, e o primeiro definitivamente o melhor!

Também conheci o Das Gleis, possivelmente meu novo bar preferido da região. É bem tranquilo, pra um happy hour no fim do dia, pra ouvir música boa, ver o vai e vem de trens chegando e saindo da estação em Zurich, ver gente bonita e descolada rs. Não tem uma super oferta de comida, não é pra djantar, é bem bar mesmo. Aprovado por esta que gosta bastante de um boteco rs. 

- aprender alemão, viver uma rotina mais saudável: como sempre, as esquecidas no churrasco rs

04/12: O meu mês

Abril é um mês muito feliz nessa casa. Dia 4 de abril de 1986 eu nasci. Em 5 de abril de 2014, fui comemorar meu aniversário no Lollapalooza em São Paulo, e conheci o cara com que, no dia 30 de abril de 2016, eu me casei. Abril chega aqui em casa cheio de festa, sempre. Eu fico contemplativa, eu me sinto amada com a avalanche de mensages que chegam, a gente planeja comemorações com muito carinho, e como se não bastatesse tudo isso, a primavera sempre da as caras deixando os dias mais longos e coloridos. 


E abril de 2022 não foi diferente. Teve bolo de aniversário no escritório, teve festa rave que durou 12 horas, teve viagem de Páscoa, teve jantar chique, teve tudo! Aqui em baixo deixo alguns registros desses momentos festivos e felizes. 

Um arco íris em nosso jantar comemorativo de 6 anos de casamento

Beleza por tudo: Kayserberg, Alsace, na França

Um registro da minha rave de aniversário - um dos poucos publicáveis

Zurich vestida de primavera

Páscoa em Reims, Champagne, na França

Nem só de belezas e festas é a vida. Passamos um susto com um familiar do marido, e ele fez quase um bate e volta pra California. A gente foca no lado bom das coisas, mas se tem um lado negativão de mudar de país, é esse: estar longe da família, em todos os momentos. Nos bons momentos a gente sofre de vontade de estar lá, mas nos difíceis a gente sofre e sente culpa. Lá em casa sempre fomos criados pro mundo, seguir vivendo na cidade dos meus pais nunca foi uma opção, e tomar decisões de morar longe da família pra mim nunca foi muito complicado. E mesmo assim, quando da uma merda, a gente se culpa. Se culpa pelas escolhas que fez (mesmo sendo muito felizes com elas), se culpa por não poder fazer muita coisa, se culpa por não estar lá pra segurar a mão, se culpa até por não ter vontade de arrumar as malas e se mudar pro Brasil. Viver fora do país vai sempre ser esse monte de emoção: orgulho, culpa, não pertencimento, conquista, etc. Eu sempre digo que nenhuma decisão precisa ser pra sempre, e não é mesmo, e que o mesmo avião que traz, leva de volta rs. Falo isso sempre, pra todo mundo que pede meu conselho sobre morar fora. Mas é muito importante estar confiante e confortável com a decisão que toma, porque momentos como esses de dificuldades na família fazem você repensar tudo. 


E passada a crise, voltamos ao trabalho, a primavera, e aos dias cada mais claros, quentes e longos. Sério, essa época do ano eu sou muito feliz, e acabo ficando com muita energia, o que ajuda demais com as metas: 

- ler dois livros por mês: em abril li dois livros, de autoras argentinas, e lindos, lindos, lindos. 

O parque das irmãs magníficas, de Camila Sosa Villas: o livro mais lindo que li esse ano. Eu quis ler devagarinho, porque ele começa lindo e forte, e eu já sabia que era meu tipo de livro. Embora fictício, a história tem sim muito da vida da autora, uma mulher trans sobrevivendo pela vida na província de Córdoba, Argentina. Fala sobre força, sobre feminismo, sobre preconceito, sobre violências, sobre tudo que é tirado de uma mulher trans, sobre toda sorte de abuso que lhes são impostos. Leia, apenas leia. 

Morra, amor, da Ariana Harwicz: esse daí é mais porradão, uma leitura menos linear, mais visceral, e mais uma vez, sobre mulheres. Eu não amei o livro o tempo todo, mas em sua maior parte. 


- Conhecer lugares novos em Zurich: 

Pois vi que eu falei do Cartell em março, mas eu fui nele em 1o de abril hahaha.. em todo caso, ta falado. Fomos também no restaurante do Markthalle, tipo um mercadão de produtores aqui do bairro. O restaurante é lindo, embaixo do Viadukt, uma estrutura de arcos. As comidas são feitas com ingredientes das lojas do mercado, mas o ponto alto mesmo foram os drinks feitos por um barman muito apaixonado pelo rolê. Um melhor que o outro. 

Também fomos finalmente comer o hamburguer do Blacktap, uma rede de NY que tem uma filial aqui em Zurich. Achei o hamburguer bom, mas considerando o tanto de fila que faz no lugar, acho que eu esperava mais rs. E eles tem aquelas taças lambuzadas de milkshake, e eu tenho pavor rs. Mas voltaremos sim, porque hamburguer BOM é algo que não tem aqui, e esse daí se sai bem. 

Terminamos o mês conhecendo o restaurante Alex, do hotel do mesmo nome, que fica em Thalwil, na "grande Zurich" rs. O hotel é 5 estrelas, o restaurante tem uma vista linda sobre o lago (da foto que abre o post) e serviço de wannabe Michelin star (no momento, é só Michelin guide, e tem uma pontuação boa no Gaut Millau). É bom? É. Mas eu achei o cardápio pouco inovador rs. É um restaurante bem caro, até pros padrões já caros da Suíça, e por isso eu gostaria de ter visto coisas mais diferentonas no menu rs. Mas tava tudo uma delícia, pratos bonitos, e valeu a pena. 


Me exercitei mais, bati minha meta de passos por vários dias, e alternei com dias de alimentação muito saudável com dias regados a champagne e queijo. É o ideal? Não. Vou pra França e vou ficar noiando pela alimentação ideal? Também não. Então a beleza ta em encontrar esse equilíbio rs. Encerro o post com essa foto do casal de milhões de centavos completamente ressacado mas fingindo riquena na beira do canal em Zurich num dia BEM lindo. 


* post esquecido nos rascunhos rs, mas antes tarde do que nunca

Março 2022

O tempo está voando, é oficial rs. E nesse momento, isso não é um problema pra mim, já que eu quero mesmo que o tempo voe e tão aguardado verão chegue logo. Março foi um mês que se desenrolou do jeito que eu precisava: depois de tanto tempo falando aqui que to trabalhando igual uma camela, foi um mês em que o trabalho entrou num ritmo bem mais favorável. Tive mais descanso, tempo e vivemos dias lindos de uma primavera cada vez mais próxima. Veja bem, enquanto escrevo esse texto, 2 de abril, está nevando cântaros lá fora. Mas todo ano é assim: a primavera aparece, da um belíssimo teaser do que está por vir, a neve e o inverno voltam para seu BIS antes de irem de vez pra trás das cortinas rs. Estamos vivendo esse momento, e sigo otimista. 


Comecei março indo encontrar uma amiga da faculdade em Davos. Ela mora na Alemanha e estava passando uma semana aqui com amigos. Foi meio uma excentricidade, porque Davos fica a 2h da Zurich e eu fiz bate e volta, mas valeu a pena demais pra colocar o papo em dia, pois não nos víamos desde outubro de 2019. E pra compensar o esforço, ainda fez um dia pra lá de lindo, ensolarado, com neve ótima, perfeito. Esquiamos bastante, conversamos muito e voltei pra casa acabada e dormindo de boca aberta no trem rs. E pra encerrar a temporada de esqui, em meio de março fomos passar um dia em Andermatt, uma estação bem famosa da Suíça, no cantão de Uri. De carro em 1:20h se chega lá, e o resort é IMENSO. Da pra passar muitos dias explorando as várias montanhas, mas fomos num dia de bastante vento e ficamos na montanha mais desafiadora, só de pista vermelha. E assim, encerrei minha temporada com muita superação. Se me contassem que eu terminaria num dia só de pista vermelha eu teria duvidado. 

Dia lindo em Davos

Chegando em Andermatt, pra encerrar a temporada

Mas nem só de esqui vive essa pessoa. Com os dias esquentando e o sol saindo com força, passeei bastante por Zurich, já tive minha primeira tarde de tomar sol na beira do rio, e tivemos um fim de semana delícia no Porto. Aproveitando um dos vouchers que tínhamos com a EasyJet dos problemas pandemicos, escolhemos ir ao Porto porque é um dos poucos destinos saindo de Zurich (EasyJet voa mais de Basel e Genebra), e que, por ser cidade pequena, seria mais fácil de aproveitar em pouco tempo. E realmente, conhecemos Porto praticamente inteira, fomos a vários bares, restaurantes, comemos muito bem, aproveitamos uma festinha em rooftop, e principalmente: reencontrei mais uma amiga. A Ju é uma amiga de infância, nos conhecemos há pelo menos 30 anos, e mora em Portugal. Não nos víamos também desde novembro 2019, então foi delícia demais passar um tempo com ela. Também fui a um ballet, e que saudade que eu estava desse tipo de evento. É tão bom ver a vida voltando ao normal... Aqui ficam umas fotos desses momentos felizes, nevados e ensolarados de março. 






E como vão as metas? 

Bom... nem de todo mal. Se por um lado sigo sem aprender alemão, e não fiz nenhum hike, por outro fiz mais exercícios, li dois livros e conheci vários lugares novos em Zurich. Voila: 

- Ler dois livros por mês: pois li três. 

Elke, Mulher Maravilha, do Chico Felitti. Eu admiro demais o Chico, um jornalista pra lá de sensível, que viralizou com seu texto do Fofão da Augusta. Tudo que ele toca vira poesia. Seu podcast "Além do meme" é engraçado e tocante, seu perfil no instagram é fofo, e o livro da Elke não poderia ser nada além de um fiel e respeitoso retrato dessa mulher maravilha que foi ela. Eu amei o livro, amei conhecer mais da Elke, dessa parte do showbizz que era tão presente na minha infância. 


Marron e Amarelo, do Paulo Scott: mais um livro brasileiro, mais uma paulada. Livraço, que tem o racismo como pano de fundo, e toca em vários temas importantes e atuais. Ao fim do livro me senti conhecedora de uma Porto Alegre que nem sei se existe. É uma narrativa diferente, um texto contínuo, fluído, você vai lendo numa velocidade, é uma coisa... quando vê, acabou e você ta ali com aquele caminhão de sentimentos pra digerir. Bom demais. 


Retratos do passado, do meu pai. Meu pai, aposentado, aos quase 70 anos, resolveu que queria escrever livros. E escreveu. Dois. O Retratos é seu segundo livro, e conta a história da infância que ele viveu, da vida na roça, dos acontecidos com uma pessoa da família. Como eu disse, esse livro é escrito pelo meu pai, e por isso, se por um lado talvez seja um livro que em outras circunstancias eu não amasse, por serem as circunstâncias que são, me deixou emotiva em vários momentos. Eu sei exatamente de onde vem cada história que está lá. Eu sei exatamente o que ele quer escrevendo sua história e deixando livros que vão viver para muito além dele. Eu reconheci muitas pessoas da família em várias passagens. E eu senti muita saudade. 


E sobre os novos lugares em Zurich. 

Urban Fork: a três quadras de casa, oferece brunch BEM americanão. Panquecas, ovos beneditinos, chicken & waffles, mimosas, avocado toast, tudo. Cervejas artesanais também. É bem delicinha, bem aconchegante, e bem lento rs. Tem que ir sem pressa, porque senão passa nervoso. Alias, eles são parentes do Fork & Bottle, um brunch bem famoso aqui em Zurich, na beira do Sihl, e que é igualmente americano e igualmente caótico, só que numa escala bem maior. Preferi o pequeno aqui da vizinhança. 

Nosso pedido no Urban Fork

Nooba: em Europaallee, a área revitalizada próxima a estação central, tem vários restaurantes, bares e afins, e o Nooba é o mais bonito deles. Eu sempre passo na frente, mas ainda não tinha ido. E fui, e digo: é mais bonito que gostoso rs. A cozinha é fusion, e tem uma mistura de pratos indianos, tamil, thai e ramen japones. Eu fui com mais 3 amigas, cada uma pediu uma coisa diferente, e ninguém achou nada demais. Resumindo, só volto pra tomar drinks, porque o ambiente é bonito mesmo rs. 


Cartell: uma taqueria descolada na área mais coxinha da cidade. Tinha tudo pra dar errado, mas não é que é boa? Gostei bastante dos tacos, a michelada estava muuuito boa, e também comi uma quesadilla bem boa. Voltarei!


Eu já desisti de achar que vou voltar a postar entre um mês e outro. Mas pelo menos a função diário ta em dia rs. 

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