Conexões: NYC e Washington

Compramos a nossa passagem para as férias com a United. Era a melhor opção de preço para sair de Zurich, ir até Minneapolis, depois para São Paulo, e voltar pra cá. O grande problema eram as conexões. Foram várias. Entre Zurich e Minneapolis paramos por 10h em NYC, a noite. Não tinha muito o que fazer senão dormir no aeroporto. Entre Minneapolis e SP tivemos outras 10h em NYC, dessa vez de dia. E depois entre SP e Zurich tivemos 12h em Washington, também de dia. E é dessas duas últimas conexões que e vou falar. 

10h em NYC 
Descemos em Newark, e o trajeto de lá pra Manhattan é bem fácil (bem mais fácil do que saindo do JFK, por exemplo). É só pegar o trem interno do aeroporto, trocar na estação final para um trem que vai direto para a Penn Station, no coração de NY. O trajeto todo dura cerca de 40 minutos e custa 13 dólares o trecho (26 ida e volta). Considerando o tempo que demoramos pra sair do aeroporto e chegar na cidade, o tempo para voltar e a antecedência com que tínhamos que estar no aeroporto (e filas de segurança no verão), sobravam 5 horas em Manhattan. Chegamos debaixo do maior calor, umidade, duro de aguentar. Como já tínhamos explorado o Brooklyn e East Side numa outra conexão longa uns anos atrás, dessa vez planejei ficar pelo West Side. O plano era andar da Penn Station até o High Line, encontrar as amigas lá, e por ele ir até o Chelsea Market, onde almoçaríamos, e depois veríamos se sobrava tempo para mais alguma coisa. O problema foi que quando pisamos no High Line, começou a chover MUITO, tipo... passando um twister em NYC hahaha. Chuva pesada, de vento, que durou horas, fechou aeroportos e causou transtornos na cidade (uma pequena ideia do que rolou aqui). Acabamos pegando um taxi até o Chelsea Market, onde passamos cinco horas comendo, bebendo e passeando. Uma pena não ter visto mais coisa, mas quem tem amigos tem tudo, e foi bem gostoso <3 
No ar, o prenúncio do apocalipse que chegaria em alguns minutos hahaha
12h em Washington
A chegada em Washington foi bem tranquila. Acho que de todas as vezes em que fiz imigração nos EUA, essa foi a mais suave. Menos fila, mais organizada. Em menos de uma hora estávamos nos preparando para sair do aeroporto. Para chegar ao centro da cidade é só pegar a Silver Line (que sai do aeroporto em forma de ônibus, e na estação Wiehle-Reston East você troca para o metrô). O custo é 11 dólares por trecho, e é bem fácil. Fomos até South Capitol Hill, e o trajeto durou uma hora e meia.
As estações da Silver Line são quase todas assim
A área de South Capitol Hill já me surpreendeu porque é muito mais fofinha do que eu esperava rs. Casinhas de tijolo antigo em que da vontade de morar, sabe? Vários predinhos fofos. Paramos numa Starbucks pra repor as energias, e então seguimos para a Biblioteca do Congresso. A Library of Congress é um desbunde de linda, e a entrada é gratuita. Você pode andar pelos salões principais, e ter uma vista do salão de leitura, onde só é permitido entrar com registro. Ainda no salão de entrada tem somente a Bíblia de Gutemberg, e eu fiquei :0 
Não é uma graça?

O Hall de entrada é tão absurdo que é difícil fazer uma foto boa... mas taí uma tentativa

Salão de leitura
Quando saímos de lá acusamos o golpe: estava muito calor, e muito úmido. Mas seguimos andando mais algumas quadras até chegarmos em frente da Suprema Corte. É possível entrar e visitar, mas como não tínhamos muito tempo, preferimos fazer uma visita mais longa no Capitólio, que fica logo em frente. No Capitólio tem visitas guiadas gratuitas todos os dias, que saem de 10 em 10 minutos e não é preciso reservar com antecedência. Você chega lá e tira uma senha. Foi super fácil e rápido. A visita foi bacana, começa com um vídeo num auditório, que mostra as raízes do Estado americano (e é uma propaganda deslavada que não teve rolar de olho suficiente rs) e termina com um passeio guiado por alguns dos salões principais. Nosso guia falava muitooo rápido, e esperava que as pessoas conhecessem bem a história americana, pois fazia referências que nem Mati entendia, imaginem eu... Acabei ficando meio cansada. Mas valeu a pena mesmo assim! 
Suprema Corte Americana
Chegando no Capitólio
E sua cúpula maravilhosa
No fim ficamos sentados por lá aproveitando o ar condicionado, e criando coragem para ir pra fora. Washington (e boa parte da costa leste) fica em cima de um pântano, o que faz a umidade do ar ser absurda. Mesmo a temperatura estando em torno dos 33 graus, que pra um brasileiro convenhamos que não é impossível, a sensação térmica é brutal. Estava muito difícil ficar andando por uma cidade de concreto naquele calor todo. Mas seguimos para um restaurante de comida chifa - uma mistura de culinária chinesa e peruana - chamado China Chilcado, e que acerto... Comi um ceviche de chorar de emoção. Depois fomos andando por uma das principais avenidas da cidade, cheia de lojas, hoteis e bares, até chegarmos na Casa Branca. Eu já tinha lido em várias situações que ela é menor do que se imagina, então acabei achando ela até grande hahaha... e tinha bastante gente na frente, tirando fotos, protestando, ouvindo música. Toda uma ceninha rolando rs.


Nessa hora aí eu já estava morta. Muito cansada, meio desanimada com a perspectiva de entrar num voo de oito horas com aquela roupa podre de suada que eu estava usando, exausta de carregar mochila, e das coisas que queríamos ver só sobrava o Lincoln Memorial, que fica há uns 30 minutos andando da Casa Branca. Resolvi capitular e seguir em frente, porque embora Washington seja uma cidade mais interessante do que eu tenha imaginado, a chance de eu voltar lá é bem pequena. Fomos andando na calçada de um parque que começa nos fundos da Casa Branca, até chegarmos meio que de frente para o Obelisco. Do outro lado há o Memorial da Segunda Guerra, e lá no fundo o Lincoln Memorial. A vista dali é aquela clássica de Washington, e bem linda. Valeu muito a caminhada! Apesar do alto verão, imagino eu que até por causa do calor, o Memorial não estava tão cheio quando eu esperava. Foi possível ver o Lincoln gigante bem de perto. Depois de apreciar um pouco a vista, estava na nossa hora de voltar pro aeroporto. Pegamos a Silver Line em Foggy Bottom, umas sete estações abaixo de onde chegamos. Por isso a volta foi um pouco mais rápida e durou uma hora. 


Só recapitulando: nosso trajeto foi South Capitol Hill - National Library - Supreme Court - Capitol - Almoço - White House - Obelisco - Lincoln Memorial. Parece que fizemos muita coisa, mas acho que se o tempo não estivesse tão quente, poderíamos até ter visto mais. As atrações de Washington são bem concentradas numa área relativamente pequena, e foi possível fazer tudo andando. Em nosso trajeto inclusive vimos outros pontos que seriam interessante de visitar, com o Thomas Jefferson Memorial, o Korean War Veterans Memorial, etc. Isso sem falar nos museus, que em Washington dizem que são espetaculares. Achei a cidade bem mais agradável do que eu esperava, mas eu acho que "ta vista". A menos que seja por outra conexão, acho difícil eu planejar uma viagem de férias para Washington. Para todo mundo que tiver uma conexão longa na cidade, recomendo demais sair do aeroporto e passear pela cidade, ainda mais se não tiver calor (ou frio) demais :)

Um gostinho de Mallorca

Quando achei uma passagem por 27 euros, ida e volta, para Mallorca, comprei sem pestanejar. Não teríamos como aproveitar muito tempo porque já tínhamos outra viagem marcada - e o budget comprometido - mas ainda assim achei válido aproveitar a oportunidade. Com as passagens já compradas comecei a pesquisar e vi que 3 dias em Mallorca é pouco. A ilha é bem maior do que eu estava esperando, e tem muita coisa pra ver e fazer. Além das praias com água absurdamente azul, Mallorca conta com diversos vilarejos charmosos, pequenas vinícolas, e regiões bem distintas. Mas se 3 dias era o que tínhamos, paciência. Pra piorar perdemos o voo, numa das presepadas mais toscas que já fizemos hahaha.. Isso fica pra um post aí sobre perrengues de viagem. Enfim, nossos 3 dias viraram 2 e meio, mas tudo bem. Voilà.
Não dá pra reclamar de nada, né?
Locomoção
Como eu disse, Mallorca é uma ilha bem grande, então a locomoção por lá pode ficar difícil sem carro. Eu li na internet, amigos recomendaram, a gente acabou optando por alugar um e foi muito acertado. As distâncias entre os lugares são grandes, e ter um carro à disposição nos deu liberdade para rodar bastante pela ilha. Retiramos nosso fofíssimo (e baratíssimo) Fiat 500 no aeroporto, e lá devolvemos. Bem fácil.

Hospedagem
Nem vou recomendar onde fiquei porque não curti muito a área. Alias, fica essa dica: Mallorca tem várias áreas, algumas mais caras, outras mais em conta, umas mais festivas, outras mais calmas, etc. A gente ficou em Magaluf, e eu achei muito british trash por lá. Muita gente bêbada gritando pela rua a noite, etc, e eu já passei dessa fase rs. Se eu voltar um dia (o que espero que aconteça), focaria em outras áreas. Das coisas que vi, gostei de Platja de Muro.

Caló des Moro
Acho que é uma das praias mais famosas de Mallorca. É realmente linda, porém pequena e por isso bem cheia. A gente foi até lá porque eu queria muito ver esse desbunde ao vivo, mas acabamos nem descendo nela, e seguimos a trilha até uma praia ao lado. Era toda de pedra, então você tinha que achar um lugar confortável pra deitar, mas beeem gostosa, água na temperatura ideal, e vista linda <3 Chegamos próximo a Caló des Moro de carro, tem estacionamento público, e depois tem que fazer uma pequena trilha, que é fácil para quem não tem problemas de locomoção. Tinha famílias fazendo com crianças numa boa. Embora tivesse um carrinho lá com coisas para vender, recomendo levar a própria água, snacks e tal. Mas é muuuuito cheia, então pra quem quiser curtir a praia efetivamente, acho que vale chegar cedo. Saindo de lá paramos em Santanyí para ver o jogo de Brasil com Mexico, e achei uma boa combinação. A vila é bem bonitinha, tem bares bons, algumas lojinhas de artesanato local, vale a parada.
Caló des Moro, bem maravilhosa

E a praia onde ficamos. Estendemos nossa canga embaixo dessas árvores e boa
Santonyí, bem gracinha
Tapas e sangria, quero mais nada da vida
Platja de Muro
Uma praia beeem comprida, mais no estilo do que estamos acostumados aqui no Brasil, com faixa de areia larga e bares e restaurantes na beirada. Uma delícia! Ela fica ainda melhor chegando pros lados de Picafort (eu nem tenho maturidade pra esse nome hahaha), quando adquire toda uma vibe vilinha, com casinhas fofas, onde se tem a impressão que locais das antigas residem.
Chegando

Por do sol mara
Valldemossa
Eu fui meio a contragosto porque estava sedenta por praia. Chegando lá, só pude enfiar o rabo no meio das pernas e agradecer Mati por ser sempre insistente comigo. Uma vila com pinta medieval no topo de uma serra, Valldemossa é uma graça. Passamos a manhã andando pelas vielas, entrando em lojinhas, tomando cafezinho, curtindo a vista. Recomendo muito, e recomendo também chegar cedo, pois lá é parada de tours maiores. Quando já estávamos nos preparando para sair, chegaram grupos de chineses e americanos. 
Valldemossa vista da estrada
Pelas ruas da vila

Fomos ainda em umas outras duas praias que não achei dignas de nota, e não conseguimos ir a outras que foram super bem recomendadas. No fim, 2, 3 dias em Mallorca é nada, a ilha requer pelo menos 5 dias. Para se ter ideia, teve dias em que no fim, contabilizamos 160 km rodados. Ou seja, gasta-se tempo na estrada e tal. Se me arrependo de ter feito uma visita relâmpago? De jeito nenhum. Me deu vontade de voltar com as amigas (que curtam muita praia, já que o digníssimo se cansa depois de poucas horinhas rs).

Com relação aos preços, claro que comparado à Suíça é tudo barato, rs. Mas não achei Mallorca cara, considerando que é um destino turístico de férias - e fomos no alto verão. A comida pode ser maravilhosa, mas também tem uns lugarzinhos pega turista rs. Comemos extremamente bem na maioria dos lugares, mas por exemplo, achamos um bar pra ver um dos jogos da copa, e a comida era de chorar de ruim rs. Agora a parte mais interessante mesmo da coisa, é que Mallorca é de fato um pedaço perdido da Alemanha haha. Eu já tinha ouvido dizer que era o último Estado, mas não imaginava que era tanto. Os alemães são apaixonados pela ilha, ocupam ela com força, e a língua é quase que o idioma oficial. Fiquei passada rs... Mas no geral, adorei Mallorca, voltarei e recomendo para quem se interessa por praia, vilas mediterrâneas e boa comida :)

Quase um ano novo

Em alguns posts por aqui falei sobre a questão do visto que eu tinha, como dificultava para eu encontrar um emprego, e as perspectivas de que em julho desse ano tudo se resolveria. Me resignei a ficar 2 anos fora do mercado e segui a vida: comecei um curso, segui curtindo a Suíça e programei férias bem longas. A idéia era ter essa questão do visto resolvida, e em algum momento do segundo semestre começar a trabalhar - e nessa vida de escritório, férias de 5 semanas acho que nunca mais rs. 

Pois bem. Lá pra maio, mesmo sem ter 100% de certeza de que o visto ía rolar, eu comecei a mandar currículos. Deixei meu CV bem redondinho no formato que aprendi que o mercado suíço gosta, comecei a caprichar muito nas cartas de motivação (que odeio, diga-se de passagem hehe), comprei umas roupas para entrevista, passava horas do dia fuçando o Linkedin, entrei no modo fight, sabe como é?! E comecei a ter um retorno bem legal. Fui chamada para algumas entrevistas, e um processo começou a engrenar. 

Nesse meio tempo fui ao Departamento de Imigração para tentar saber com mais certeza o que aconteceria no meu processo. Me mandaram na Gemeinde, a comuna. Fiquei que nem barata tonta rodando por aí e rolou muita frustração, mas sobre esse processo vou contar num post a parte. Fui ao trabalho de Mati e rodei uma pequena baianinha lá no RH. As coisas estavam em via de começar a acontecer pra mim, e tudo que eu não queria era que desse alguma merda por conta do visto. 

Quando eu estava certa de que ia fechar com uma empresa, apareceu uma outra vaga, e numa entrevista pá pum, fui com a cara da chefe, a chefe foi com a minha cara, rolou aquele match tinderesco maravilhoso, e eu, que passei dois anos desempregada choramingando pelos cantos, de repente tinha duas ofertas na mesa. 
Acabei optando pela vaga que, embora temporária e com uma remuneração inferior agora, tem mais potencial para o futuro. Foi uma aposta, e exatamente o tipo de desafio que eu sempre curti pra minha carreira. Ontem comecei a trabalhar e a vida está toda diferente. Vou para Zurich todo dia, toda fantasiada de advogada rs. Para quem saia das cama 10h da manhã e andava xexelenta o dia inteiro, já dá um impacto, né? hahaha... Além disso, rola toda uma diferença de não ter meu tempo inteiro só pra mim rs. Estou ainda pensando em como adaptar essa nova rotina às necessidades do dia a dia, mas com o tempo chego lá. Eu estava preparada para em algum momento do segundo semestre começar a trabalhar, mas nem nos meus melhores sonhos imaginei que eu sairia de férias já empregada e começaria logo depois do retorno.
Toda travestida de advogada, mas e a cara de mamona, como lidar?! hahahaha
Mas o principal mesmo foi o alívio de tirar esse grande obstáculo na frente, o tal do visto. A nossa vida aqui agora muda por uma série de coisas:
- deixamos de nos sentir temporários, deixamos de sentir como se não tivéssemos propriamente assentados aqui. Nosso visto agora é de RESIDENTE, assim somos considerados, e assim podemos nos sentir; 
- temos a segurança de que agora ficamos na Suíça. A gente já há um tempo tinha a certeza de que queríamos ficar, mas era insustentável se eu não tivesse um emprego, por questões emocionais e financeiras, claro; 
- com o visto posso dar entrada na cidadania italiana aqui, e ela saindo, ficamos atrelados a mim, e não ao trabalho de Mati. Ou seja, mais segurança para nós.

E por que "quase ano novo"? Porque eu to sentindo como se tivesse vivendo um grande recomeço. O alívio, a alegria, de conseguir esse visto foi absurdo. O trabalho nem se fala. E agora eu estou começando a viver a vida que eu sempre sonhei por aqui. É uma nova fase, e eu to celebrando como tal. Eu precisava desse rito. Sendo assim, feliz ano novo pra mim, e pra vocês!

Voltei!

Mas não é que até as férias infinitas acabam? Pois é. Minhas cinco semanas de férias ACABARAM, e eu nem me preparei para esse evento chamado volta à realidade hahaha. Foi tudo muuuuito bom, descansei bastante, curti família, cansei também - afinal de contas, pingar de canto em canto cansa, comi tudo que tinha direito (e o que nem tinha muito também), e voltei de baterias recarregadas para recomeçar. A chegada foi cansativa, com casa imunda, plantas mortas, roupas sujas e um monte de BO pra resolver, porque o mundo não para só porque a gente tá de férias, né?! Mas é isso aí... em breve venho aqui blablablar mais, contar as mudanças da vida e dar umas dicas de coisas bacanas que vimos por aí :) 

Enquanto isso, segue um resumão do que eu vi nessas cinco semanas:
Mallorca é linda assim <3
Em Minneapolis
E a belezinha que é Newport Beach, na California
Disneyland
Santa Monica
Lagoa Seca, onde meu pai nasceu, em Adamantina/SP


E SP maravilhosa, que dispensa legendas e merece duas fotos 

Meu Bom Jesus de Iguape
Na Caverna do Diabo, em Eldorado/SP

E a última conexão, em Washington DC
Não da pra reclamar, né? Acabaram, mas deixaram lembranças maravilhosas. E agora, um novo capítulo!

As férias

As vezes eu acho graça falar das "minhas férias", porque né... eu nem trabalho rs. A real é que a gente atrela muito o conceito de férias à ideia de se matar de trabalhar antes. Mas eu estudo, ta? Esse semestre foi bem doido: teve curso de alemão, teve pós graduação (que segue firme e forte semestre que vem), teve trabalho voluntário, e a real é que eu to até cansada. Então é ferias SIM! 

O blog periga ficar meio caído nas próximas cinco semanas, porque não é só férias, mas sim as maiores férias que já tirei na vida hehe. No segundo semestre teremos grandes mudanças, coisas que mais pra frente contarei com detalhes, e achei que para fechar um ciclo e se preparar para o próximo seria interessante tirar umas férias bem longas e gostosas, com menos to dos e mais to feel, cheia de família.

Mas vamos aos planos, né?
Amanhã embarco pela primeira vez num voo da Ryanair (oremos) para uma rápida passagem por Mallorca, uma das ilhas que eu tenho mais vontade de conhecer na vida. Serão somente 3 dias, mais uma vez no esquema bem low budget, mas imagino que suficientes pra tomar muito sol e sangria, e se apaixonar para querer voltar. Mal posso esperar!
Foto tirada daqui
Voltamos quarta a tarde para 24h depois embarcarmos rumo a Minneapolis, onde pegamos Baby e depois seguimos para 10 dias com a família de Mati na California. 
Nossos dias por lá normalmente são assim :)
E então, depois de voltar para Minneapolis e deixarmos Baby, voamos para meu Brasil <3 Eu to que nem aguento de ansiedade para voltar a SP, estar com a família e amigos, comer todas as comidas possíveis, amar todas as minhas pessoas. Inclusive, só de pensar nisso fui olhar umas lembranças, e segue aí uma surra de São Paulo pra já entrar no clima <3
Avenida São Luis, meu amor maior

Edifício Louvre - ainda morarei lá 

O fim do dia lá é assim <3

Meu teatrão

E essa que foi a minha vista por 10 anos. Saudades sem fim

O dançarino e o polícia no Ipiranga
E, como vocês sabem, eu to longe de ser ryca, rs... então essa viagem conta com várias escalas de mais de 10 horas, conta com umas fuleragens e tal, mas vai ser maravilhosa. Em breve venho contar os causos aqui, mas para quem quiser acompanhar pelo instagram, @gabitrentino ;)
Toca esse sino, SP, que eu to chegando

Dois anos de Suíça: pequenas mudanças

Daqui um mês faço dois anos de Suíça, mas como o blog ficou fechado por uns dias achei legal voltar com um post comemorativo :) Ano passado falei aqui das minhas impressões sobre os suíços. Esse ano resolvi falar um pouco das mudanças que esses dois anos provocaram em mim. Voilà!

Os minutos agora contam
Acho que via de regra, todo mundo arredonda hora, né? Se são 12:12, você diz meio dia e quinze, ou meio dia e dez. A gente não costuma dar trela pros miúdos, rs. Mas acho que essa foi uma das mudanças mais significativas da vida na Suíça: aqui cada minuto conta. Todo mundo sabe que o transporte do país é referência em pontualidade, e essa questão dos minutos entra aí. Por exemplo: perguntei pra minha amiga americana visitando que horas eram. Ela respondeu 13:15. Aí eu: mas é 13:15 mesmo, qual o minuto? Ela tinha arredondado e achou muito engraçado ahhaha.. Mas é que pra pegar o trem que passa aqui às 13:17, se fosse 13:12 dava tempo. Se fosse 13:15 já não dava mais. E isso é uma constante, estamos sempre de olho nos minutos. 
Evitamos essa cena lamentável hahaha
Atividade: check!
Me tornei uma pessoa muito mais ativa. Não temos carro, fazemos tudo de bicicleta ou de transporte público. Tem dia que vou à cidade e volto na bike umas três vezes rs. A Suíça é o país das trilhas, e chegando aqui é impossível não ficar um pouco "verde". As trilhas são muito bem sinalizadas, estão em todo lugar, e normalmente proporcionam paisagens lindas, não tem como não se render. No inverno, tem o esqui, e no verão a gente nada no rio e nas piscinas públicas. Praticamente desde que cheguei sigo no ballet, firme e forte. Péssima bailarina, devo dizer, mas me divirto, é uma delícia de momento. E pra finalizar, inventei de correr. Esse mês finalizei a minha primeira prova, modestos 5km. Mas pra quem passava o dia inteiro sentada no carro ou no escritório, não dá pra negar que eu to ativa demóóóóis, né?!

Olhar o preço das coisas
Não me orgulho, mas também não nego que em SP a vida era ir no mercado e pegar os produtos das marcas que a gente conhece. Simples assim: sabão em pó OMO, amaciante Comfort, macarrão Barilla, etc. Eu fazia o mercado em 15 minutos sem dar muita atenção aos preços, porque simplesmente estava acostumada com essas marcas desde criança, e porque "é assim que tem que ser". Chegando aqui até tem algumas dessas marcas, mas tem várias outras que eu não conheço, também os preços do mercado na Suíça são puxados e nós vivemos de um salário. Além disso, eu tenho um artigo valiosíssimo que antigamente não tinha: tempo. E aí comecei a comparar muitos preços, preços de marcas, de mercados, e hoje em dia penso no preço das gramas, sei de cor o que é mais barato comprar onde, e frequento três mercados diferentes na semana para comprar coisas diferentes.

Falando em preço... 
Ainda numa variante do tema acima, é importante lembrar que em SP tínhamos uma vida confortável de classe média, e claro que pensávamos nos gastos, mas focávamos menos nos detalhes. Hoje vivemos somente com um salário, e eu diria que o diabo mora justamente nos detalhes. Precisamos prestar atenção no destino de nosso dinheiro, e com isso vamos menos a restaurantes, pensamos mais no que consumimos nos bares, as vezes acabo recusando programas triviais pra economizar (coisa impensável há alguns anos), compramos coisas de segunda mão, nos programamos por meses para fazer algumas compras maiores (que olhando bem, nem são tõ grandes assim). Fazer trocas virou parte da rotina: quero comprar uma blusinha nova? Tira o ônibus da vida por duas semanas, pedala dia e noite, noite e dia, debaixo de chuva e tals, e pronto, taí o dinheiro da brusinha hahaha... Não foi um processo fácil, mas me fez enxergar como eu gastava dinheiro com bobagem, e perceber que no fim, não é nem questão de "poder", mas de comodidade. A gente se acomoda numa vida de pequenos gastos desnecessários, e não presta atenção na conta que eles somam no fim do ano. Nesses dois anos de budget apertado, cortar esses pequenos gastos significou fazer viagens e experimentar coisas que um salário só jamais permitira em nossa antiga vida. 
Como as pessoas pensam que é a minha vida na Suíça...

... e como a vida por aqui realmente é hahaha
Agora eu tenho agenda
Eu sempre fui a rainha da espontaneidade rs... Acho que ter sido criada numa cidade pequena, onde você pode combinar de encontrar uma amiga num bar e chegar lá 10 minutos depois, me fez desgostar um pouco de planos com muita antecedência. Em SP a vida já demandava um planejamento um pouco melhor, por questões de trânsito e tal, mas nada compara com as coisas aqui. Tudo é planejado com muita antecedência, as pessoas programam festas e jantares mais de um mês antes, e eu acabei precisando me adaptar pra não sair por aí marcando coisas no mesmo dia, esquecendo de eventos, e afins. Hoje em dia tenho uma agenda pra vida pessoal, e acho meio uó hahahaha.. Mas ao menos tenho me organizado e evitado furos.

I don't look perfect, and it is ok
A questão da beleza já foi tema por aqui. Quando cheguei na Suíça, em pouquíssimo tempo eu tinha virado um relaxo só hahaha.. As pessoas aqui ligam muito menos pra aparência, prezam pelo conforto, e rola todo um contraste com nossa cultura de salão toda semana no Brasil. Mas depois de um tempo eu percebi que esse relaxo todo também não me fazia 100% feliz. Eu precisava encontrar um meio termo que me permitisse sentir bem comigo mesma, mas sem criar paranóias de "tem que ter/ser". E acho que cheguei nesse ponto aí... Gosto de me olhar no espelho antes de sair de casa e me sentir bonita, mas não deixo de vestir saia num dia de sol porque a depilação não está em dia. Saber que ninguém está olhando, e muito menos julgando, é efetivamente libertador. Inclusive, em conversas com amigas de vários lugares, percebi que o "meio termo" de cada uma varia muito, e isso é maravilhoso. Cada um segue no ritmo que lhe apetece, eu também.

Deve ter ainda outras coisas que eu nem percebi, ou talvez coisas que no longo prazo eu vá sentir mais. No momento, acho que essas são as que mais me impactaram. Post a ser atualizado no futuro ;)

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